quarta-feira, 25 de maio de 2016

SQUEEZER

Um sujeito que caça discos raros descobriu uma (puta) banda dos anos 70 chamada Squeezer e colocou o disco dela numa playlist do YouTube. Olha aí.

A capa segue abaixo.



Atenção: não é Squeeze, que é uma banda britânica da qual sou fã e que já toquei algumas vezes no Acorde. É Squeezer, uma banda de Albuquerque, no Novo México, que só gravou um LP em 1974 chamado Joy jell fantasies. A música que eu mais gostei foi Abigail. Vai rolar no programa neste sábado.
Era liderada por um sujeito chamado Tony Francis, que era compositor e tecladista. Aparentemente o disco nunca nem saiu em CD. Pra mim foi a nova descoberta da semana. Sonzaço.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

PUTZ


PLEBE RUDE - DOCUMENTÁRIO

Bati um papo com Philipe Seabra, da Plebe Rude, sobre o documentário A plebe é rude, contando a história da banda.

O filme estreou hoje no Canal Brasil, em plataformas de vídeo on demand.

Vale assistir.



ADEUS, CAUBY







































Tá aí o que saiu publicado no jornal O Dia nesta semana sobre a morte sobre Cauby Peixoto. Mais um dos vários obituários que escrevi neste ano. 

Em tempo: é extremamente desagradável escrever obituário, mas foi bom estar entre os jornalistas que contribuíram para que Cauby, o maior nome da música brasileira de todos os tempos, fosse homenageado como foi. Nunca o entevistei, mas é ótimo que ele nunca tenha perdido espaço na mídia e sempre tenha provocado interesse, com shows, entrevistas, discos, biografias, musical, documentário etc. A arte e o título da matéria, elogiados por muita gente dentro e fora da redação, são do amigo Diogo Tirado.

Em tempo 2: eu escrevi o que escrevi acima ("é ótimo que ele nunca tenha perdido espaço na mídia e sempre tenha provocado interesse, com shows, entrevistas, discos, biografias, musical, documentário") porque me incomodo bastante com aqueles posts desavisados que aparecem em redes sociais toda vez que morre alguém, tipo "ah, a imprensa só lembrou de fulano quando morreu". Isso como se todo jornal fosse um imenso "que fim levou sicrano?" e como se todo artista continuasse produzindo ou buscando canais para escoar produção da mesma forma. No caso, Cauby continuou trabalhando e encontrou quem o ajudasse. E foi caso raro de artista da era do rádio que foi para a TV, migrou para o que se chamou de "MPB", teve um segundo ato bem interessante como figura da cultura pop brasuca e conquistou fãs de todas as idades. R.I.P.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

CHARLES GAVIN

Bora falar de coisa boa: Charles Gavin abriu décima temporada de O som do vinil no Canal Brasil e diz que até hoje atende fãs dos Titãs na rua querendo saber qual o próximo show da banda. "Acho que nem sabem que já saí!". Papo comigo no jornal O Dia.

A íntegra dessa entrevista ficou tão boa que pretendo usar em alguma coisa.





CÉU, "TROPIX"

Céu fez show no Circo Voador sábado passado para lançar o CD Tropix. E também lançou uma coleção de roupas para a Farm.

Bati um papo com ela sobre esses dois assuntos. O show já passou mas fica aí o registro.





MC JOÃO

Um papo que eu bati em março e já tinha esquecido: MC João, que vinha ao Rio fazer um show para divulgar seu hit Baile de favela.

Ficou bem legal. Saiu em O Dia no finzinho de março.





MAIS UMA DO ROBERTO





O acidente de trem que decepou a perna de Roberto Carlos aconteceu, tem testemunhas, muitos anos depois ele convidou a pessoa que o salvou para ser seu padrinho de batismo (filho de pai kardecista, o Rei só foi batizado na Igreja Católica aos 20 anos), mas ele prefere não tocar no assunto. Assunto esse que já é público faz tempo, ocupa várias páginas do definitivo Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar Araújo (o livro vetado por ele). Mas de vez em quando volta à tona, como na notinha publicada ontem pela coluna Gente Boa, do jornal O Globo: ele foi convidado para participar da cerimônia de abertura dos jogos Paralímpicos, mas recusou.  


A notinha não deixa claro o motivo da recusa - se foi por não querer e pronto, se for por ter um compromisso na mesma data, etc.  Não sei se o convite se deu há pouco tempo (concordando com o que comentou um amigo meu jornalista, eu achava que esse tipo de programação fosse decidida com mais de um ano de antecedência).  De qualquer jeito, como qualquer pessoa sabe, é um trauma violento para Roberto Carlos lidar com a própria história, justamente por ele tê-la tirado de circulação algumas vezes. Implicou até com uma dissertação de mestrado sobre moda na Jovem Guarda e que virou livro. Tentou tirá-lo de circulação, alguns anos depois de impedir que o livro de Paulo Cesar continuasse nas livrarias. 


É um grande problema para Roberto lidar com temas como censura e liberdade de expressão também, como já ficou claro. 
Para Roberto, sua história só tem validade se for contada por ele próprio e acabou. E mesmo que ele resolva contá-la, tudo é bastante complicado - veja só essa matéria aqui que fiz para O Dia sobre o lançamento de sua fotobiografia, um livro enorme, caríssimo e que traz apenas imagens (todas históricas) com trechos de letras de canções. O Rei se convidou para coeditar o livro e não liberou que fossem preparados textos sobre ele (o que faria todo o processo demorar mais ainda, e o livro demorou sete anos para ser finalizado). 


Falando especificamente do tal acidente que tirou a perna de Roberto, vá lá que é direito dele lidar com esse tema da maneira que bem entender. O corpo é dele, as regras são dele. Virou um acordo não-escrito entre artista e jornalistas - sua equipe não pede para que o jornalista não pergunte, mas imagino que o primeiro jornalista a abordar o acidente numa dessas coletivas de fim de ano (ai) seja imediatamente desqualificado e perca a palavra. Por isso fico imaginando até o que aconteceria com o coleguinha que resolvesse pedir o microfone, se apresentasse e soltasse: "Roberto, sendo você o maior ícone pop vivo da MPB, não acha que caso resolvesse assumir-se como deficiente físico e falar sobre o assunto, seria bastante útil para que houvesse melhorias nas condições dos cadeirantes e usuários de próteses no Brasil? O quanto esse assunto mexe com você e o que você, que lidou com essa condição e reuniu forças para se tornar o rei da música brasileira, acha que poderia fazer para ajudar?".

Acredito que nem Deus imagina que um dia o Roberto abra o verbo e fale tudo não apenas sobre isso, mas sobre como foi ser um garoto de classe média baixa, nascido numa cidade do interior, deficiente desde a infância, com um talento monstruoso, e que lutou durante toda a vida até chegar onde chegou. Seria talvez o maior livro de autoajuda, a maior palestra motivacional que nunca aconteceu. E provavelmente nunca vai rolar. É mais fácil dizer "não", implicar com jornalistas e escritores, viver cercado e contar com o silêncio de artistas até mesmo quando se manda censurar e recolher livros.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

GIGANTES DO SAMBA, DIA DAS MÃES, ETC

Duas capas do Guia Show & Lazer que fiz nos últimos tempos.


Já passaram as datas, ficam aí como registro.











ELLEN OLÉRIA

Bati um papo com Ellen Oléria, que lança disco novo.

Saiu em O Dia.

Leiam aí.



ED MOTTA

No mês passado, bati um papo BASTANTE extenso com Ed Motta para o jornal O Dia sobre seu novo disco, Perpetual gateways, lançado lá fora por um selo alemão e no Brasil pela Lab344. A matéria que saiu no jornal, você vê neste link ou nos prints que aparecem aí para baixo. A entrevista na íntegra, por sua vez, ficou tão legal que resolvi publicar neste blog. Ed fala de suas origens tijucanas, revela que ainda passeia bastante pelo bairro de táxi e diz que tinha uma camisa do New Order - e que não é todo refratário à música dos anos 80, não.

Como foi gravar um disco lá fora, com músicos americanos, e qual a difeença de gravar com a turma que você tá acostumado?
Bom, eu tive um disco que gravei em 1994 quando fiquei um ano em Nova York. E tinha vários músicos lá de fora: Bernard Purdie, Ed Gomez... Tinha sido minha primeira experiência nesse sentido. Agora voltei mais experiente, na época eu tinha 21, 22 anos. Cheguei comoutras composições, um padrão diferente de música e conseguindo me comunicar melhor em inglês com eles. Isso tudo foi mais fácil para mim. Essas pessoas eu conheço pelos discos, pela coleção de discos aqui de casa. Alguns deles têm o Gregg Philinganes, o Hubert Laws. Os discos solo do Gregg eu tô sempre ouvindo, além dele otcando com Michael Jackson, ou no Nightfly (1982), disco solo do Donald Fagen que eu adoro. Quem me ajudou nesse encontro foi o produtor do disco, Kamau Kenyatta, e que é amigo deles. O Gregg é amigo de infância do Kamau. Foram meses e meses de conversa com Kamau no Skype sobre como seria a formação desse disco, já que ele conhecia um monte de gente. Ficou parecendo com um sonho de infância, porque eu tinha a mania de anotar informações sobre bandas e também montava bandas num caderninho: John Bonham na bateria, Jack Bruce no baixo... Eu escutava quilos de música e anotava aquilo num caderninho, várias formações diferentes

E você guarda esses cadernos?
Não, infelizmente... Eu tinha as colunas da Ana Maria Bahiana e do Tarik de Souza nos anos 80 guardadas numa pasta. Tenho algumas revistas Rock, A história e a glória, a Pop, essas revistas tradicionais que saíam no Brasil nos anos 70. Também tenho uma coleção da primeira Rolling Stone brasileira que comprei fechada de uma vez só nos anos 90, num sebo da Rua Augusta.

Você tinha feito poucas letras antes e estreou de vez como letrista num disco cantado em inglês. Foi algo premeditado ou que surgiu porque o trabalho pedia?
Eu fiz a primeira letra quase de brincadeira, "vou experimentar, vou escrever!". E saiu Overblown overweight. Achei que estava engraçado, é uma letra que fala em "você não escuta o som do seu celular?/ele me irrita". Eu tava achando engraçado isso. É um meio completamente novo para mim. Fiz num disco passado uma letra em português, já colaborei com parceiros, mas nunca parei pra escrever sozinho. E um dos grandes prazeres desse disco foi fazer isso. Minha vida toda eu critiquei isso, dizia que "a letra não é importante no meu trabalho!". E nunca foi mesmo. Agora pela primeira vez sempre que vinham me perguntar de letras em entrevistas eu ficava todo animado. Gostaria muito de conseguir fazer em português, só que é muito mais difícil, nem tem comparação. A língua latina é mais complexa: português, francês, espanhol...

Você tem feito discos bastante diferentes um do outro, meio como a fase anos 80 do Neil Young...
Isso acaba sendo um reflexo da minha personalidade, que muda bastante. Eu mudo bastante de opinião. Tem coisas em que mantenho minha linha de pensamento, mas acontece muito de eu passar a gostar de coisas que não gostava antes. Posso passar a não gostar btanto de coisas que eu adorava. Esses discos são reflexo de uma coisa que não fica muito fixa. Quando eu sento no piano ou pego no violão, faço uma sequência de acordes aqui e ali... Tenho a ideia de uma música que vem totalmente natural para mim. Nem concebo, "agora vou fazer uma dessa forma". Claro que se eu fosse chamado para fazer uma trilha seria diferente. Eu consigo fazer coisas de encomenda, já fiz, mas é uma coisa que demora para mim.

Rolou alguma mudança de opinião recente?
Olha, a sonoridade digital de metade das coisas dos anos 80 eu sempre achei pavorosa! Mas tenho olhado para isso como algo curioso. Não é algo que eu escute o tempo todo, mas me é curioso. Quando tocava aqueles teclados no rádio, eu não gostava. Eu sempre ouvi muito disco, não era de ouvir rádio, mas tinha pavor daquilo esteticamente. Hoje acho curioso esse negócio, aquele som com bateria acima.

Falando nisso, tem um vídeo no YouTube que mostra você aos 15 anos visitando seu tio Tim Maia numa gravação da dupla Jairzinho & Simony. Você está com uma camisa de botão, não dá para ver direito, mas me falaram que por baixo dela você está com uma camisa do New Order. Verdade isso?
É verdade! Rapaz, eu tenho discos do New Order, do Joy Division. Acho interessante. Nos anos 80 quando o CD ganhou força e começaram a aparecer milhares de reedições dos anos 70 e 80, minha curiosidade por informação me levou a ter discos do The Cure, The Fall, Joy Division, New Order. Na época eu ouvia a Rádio Fluminense direto, dormia ouvindo a rádio. Ouvia The Who, Rory Gallagher. E alguns desses artistas dos anos 80 eu gosto: o "War" do U2, The Smiths, o primeiro do Joy Divisojn (Unknown pleasures) que tem algo de David Bowie. Tudo o que lembra David Bowie eu gosto. Echo & The Bunnymen eu acho muito bom, o New Order. Quem fazia essas camisetas era o Edu da banda Big Trep. Eu tinha camiseta de tudo: New Order, Echo & The Bunnymen. Tinha até uns lances de punk que eu gostava: Magazine, Ian Dury... Eram coisas que se utilizavam do disco mas musicalmente não são totalmente punk. O Ian Dury tinha toda uma atitude mas era fã de Steely Dan!

Você também era fã de metal e tinha uma banda do estilo, o Kaballah...
Eu até hoje adoro heavy metal, pelo menos o que eu entendia como heavy metal. Quando surgiram esses subgêneros como death, speed metal, eu não gostava. Depois ouvi o disco do Venon e achava aquilo um pavor! Mas adorava Iron Maiden, Saxon, Thin Lizzy, Samson. Outro dia eu estava ouvindo o segundo do Rainbow, o Rainbow rising, que já tem um som parecido com o que a gente conhece como heavy metal. O Ronnie James Dio era um ídolo por completo, virei cantor por causa dele! Eu queria tocar bateria, arranhava uma guitarra, mas quando eu escutei o Holy diver, do Dio, quando vi aquela capa na Moto Discos da Praça Saens Peña... Aquilo era um absurdo.

Tem uma declaração atribuída a você de que o Iron Maiden é o Steely Dan do metal. Verdade isso?
Acho que são sim. Todos são muito precisos, principalmente no disco Piece of mind. Tudo muito bem amarradinho, baixo, bateria... Mas pensando bem acho que o Steely Dan do metal é mesmo o Led Zeppelin, né? Eles é que para mim seriam a banda mais sofisticada do hard rock.

Você ainda frequenta a Tijuca, bairro onde foi criado?
Sim, sim. Meus pais morreram no ano passado e moravam lá. Minha irmã ainda mora. Adoro pegar um táxi e fazer uma corrida na Tijuca sem rumo, "anda por aqui, desce a Rua Professor Gabizo, desce não sei o quê". Eu até choro no táxi (rindo). Eu moro na Zona Sul há 26 anos, e a Tijuca tem um negócio incrível que não tem na Zona Sul que é o colecionismo. Niterói também tem isso, além daquela coisa de milhares de guitarristas e músicos. Tem um barzinho, o cara tá lá tocando Allman Brothers...

Lynyrd Skynyrd...
Isso, o Alynaskyna! (histórica banda cover do Lynyrd, formada em Niterói, e que tinha Paulinho Guitarra, acompanhante de Ed, como um dos integrantes). Tijuca e Niterói têm muito a ver, mas Niterói bota na prática. Niterói em o cara fazendo o solo do Gregg Allman e a Tijuca tem esse negócio de concentrar nas lojas de disco da Praça Saens Peña. Os ingleses usam o termo snob como uma coisa boa. No Brasil ele é meio mal entendido, mal interpretado. Os tijucanos são snobs do rock. Lá tem galerias vendendo discos de rock progressivo super obscuros! Eu cresci na loja SubSom do Maurílio. Na galeria do Shopping Tijuca tinha uma loja chamada Fonit, cheia de raridades. Eu levava um bloquinho para anotar tudo. O cara da Zona Sul vai pra Europa comprar o disco que tem na Tijuca. Vai pra Abbey Road e o tijucano sabe tudo de trás pra frente de Abbey Road (risos).

Hoje você faz algum mea culpa daquela história em que pediu no Facebook para os fãs brasileiros que assistiriam a um show seu no exterior não pedirem para você cantar Manuel?
Me coloquei muito mal. Foi lamentável. Eu tentei me colocar acerca de uma situação que me incomodava, mas me coloquei mal demais. E isso foi espalhado de forma muito maldosa por boa parte da mídia, que entendeu a mensagem de que "o Ed Motta não quer brasileiros no show dele". Foi uma mentira, e tem milhares de pessoas que se aproveitam quando você comete uma falha. Tem colegas teoricamente famosos que se aproveitam daquela situação para passarem por santos, chutar cachorro morto. Claro que foi ruim e me arrependo.

Isso de não curtir cantar Manuel nunca causou estranhamento entre você e o Fabio Fonseca, coautor da música?
A gente é muito amigo. Nunca nem pensei que pudesse causar problemas. Quem convive comigo - e ele gravou muito comigo - sabe da imensa insatisfação que eu tenho de ter que cantar Manuel. É desinteressante para mim. Reconheço a importância da música, mas foi a primeira coisa que gravei. E eu tinha 15 anos e hoje vou fazer 45! A gente muda, né? Bom, eu poderia não ter mudado. A gente por acaso se falou, porque ele tá morando nos Estados Unidos. Isso do Manuel é quase uma piada interna que já existia na banda, tipo "agora é o Manuel" (risos).

Entrevistei o Fabio e ele falou muito bem de você, disse até que se você quiser chamá-lo para fazer algo, ele está aí.
Ele é o cara que mais conhece sintetizadores e que mais sabe programar sons que eu já vi na vida! O som que ele programou no meu teclado... Eu não troco de teclado, é uma versão super velha, mas ele fez um som para mim que eu não consigo usar outro em shows. Ele é mais incrível que aqueles magos americanos do sintetizador que viviam aparecendo em discos. Nunca existiu um cara como ele.

Há alguns anos você declarou que nem votava nem acompanhava política. Tem acompanhado a saga do impeachment e das manifestações pró e anti-Dilma?
Acompanho, mas não com profundidade. Acompanho esse assunto mais porque isso afeta todos nós. Eu espero que as coisas sejam resolvidas com verdade e justiça, e sem corrupção.

Sua esposa Edna é bastante politizada e posta bastante no Facebook sobre questões como impeachment. Vocês conversam sobre isso? Ela não tenta te levar para o lado dela?
Nem falamos muito sobre isso, porque realmente nunca tive interesse por política. Sou um nillista, um cara cheio de comportamentos difíceis de se compreender. Eu acredito na vida e nas pessoas. Não ficaria o dia inteiro no Facebook postando coisas se eu não fosse assim, até porque vejo isso como uma declaração de amor à vida e às pessoas. Mas ao mesmo tempo a realidade me afeta demais! Eu nem gosto de estar o tempo todo perto da realidade, até porque minha arte não vem da realidade. Bom, agora tem o texto, aí fica foda (risos). Mas minha música não vem disso aí. Eu e Edna falamos disso de outra forma. Ela é super esclarecida sobre política, já foi envolvida com movimentos. Mas isso nunca gerou algum tipo de ruído, concordância ou discordância. Acho interessantes vários posicionamentos dela, ela é muito inteligente. Tem vários salvadores da pátria por aí e eu acho que acabo fazendo política com minha arte. O fato de fazer um disco como esse que acabei de fazer... isso é política, e é subversivo pra cacete! Tem gente que discursa horas sobre política, mas quando vai fazer arte, parece um refrigerante enlatado, horroroso (risos)... O disco humano é uma coisa, o de arte é outra, é mais elevado. E meu discurso tá na arte.

O que você achou daquela polêmica do Claudio Botelho, que protestou contra Dilma Rousseff no palco, enquanto fazia uma peça com as músicas do Chico Buarque?
Ele tem o direito à opinião dele, o Chico tem o direito a decidir o que deve ser feito com sua obra. Só que as opiniões têm que ser respeitadas. Hoje tá todo mundo super extremado, a opinião do outro vira uma coisa fora do comum.

A crise bateu em você de que forma?
Bem antes dessa crise já vem rolando uma crise estética. Nos últimos dez anos, as coisas não estão fáceis para mim, nem um pouco. Uma moça me falou no meio daquela confusão de Facebook algo como: "Você está se achando o último biscoito do pacote, mas fez show de inauguração de árvore de Natal no shopping". Eu respondi: "Tenho que trabalhar" (risos). Isso é bem verdadeiro, eu não escolhi isso, e também não escolhi que eu tinha que fazer show. Tenho que fazer show porque tenho que pagar minhas contas. Se eu fosse o Paul McCartney ficava em casa o dia inteiro postando no Facebook. Acho show uma coisa chata tanto de ver quanto de fazer, e ver é pior (risos). É uma das coisas mais insuportáveis, prefiro ir ao dentista dez vezes do que ver show. Se o show é numa casa pequena, com acústica, é interessante. Mas geralmente tem um PA enorme, o cara tá mandando aquilo como se fosse num estúdio. Nunca vi um PA com som legal na vida, não foi feito para isso. Você vê um cara como o Paul, é evidente que ele ama fazer show. Mas eu acho incrível é a vida do escritor, o cara que faz uma obra incrível e depois tá em casa pensando numa outra obra. Ele não tá todo fim de semana tendo que cantar os três primeiros parágrafos do livro, repetir o livro pela enésima vez. Imagina um livro que escrevi aos 15 anos? (risos). Por outro lado, a crise bateu na minha porta mas rolou uma abertura grande para o mercado exterior. Meu disco é bancado por uma gravadora alemã, não passou por nenhuma dessas leis daqui. Não que eu não queira usar as leis daqui, adoraria gravar um disco pela Lei Rouanet, ou seja qual for a lei que o Brasil proporcione para a arte, já que sou brasileiro e moro aqui. Como sou novidade, nos últimos 3, 4 anos, as coisas têm andado num pé diferente para mim lá na Alemanha.

Uma história que ouvi outro dia é que o Quincy Jones esteve no Rio numa ocasião e pediu a um taxista que o levasse à sua casa. Vocês já se conheceram?
Nunca. Nos anos 90 ele tinha uma revista e colocou o Manual prático para festas, bailes e afins como o segundo disco que ele mais ouviu no ano. Uma vez me ligaram para falar que o Quincy estaria no Brasil, só que era numa festa em que haviam trocentos artistas. Foi tipo "fala pro Ed ir lá". Não foi nem ele que me ligou. Tinha todos os medalhões da MPB lá. Fiquei sem saco de ir, parecia aquelas festas tipo Prêmio de Música Brasileira, em que fica aquele clima e você tem que tomar um banho de sal grosso depois. Um ambiente pesado, de inveja, tudo de mais horroroso (risos)... Pensei: "Deixa eu ficar aqui mesmo".

quinta-feira, 12 de maio de 2016

E THE FARM, HEIN?

Muita informação ao mesmo tempo, mas vamos lá.


1) (pra quem nasceu depois de 1990) Existia uma banda chamada The Farm, lá de Liverpool.


2) (idem) Eles tiveram um grande hit em 1991, All together now. Fez muito, mas muito sucesso. Na MTV, aqui no Brasil, passava o clipe toda hora (veja aqui o clipe). O disco que tinha essa música, Spartacus, saiu aqui.

3) A banda ainda existe. Bom, na real existiram de 1983 a 1996, e voltaram em 2004. De 2004 para cá, já saíram um DVD e um CD ao vivo, além de alguns singles (que são - adivinhe só - remixes ou releituras de All together now).

4) "Pera, os caras ficaram de 1983 a 1991 sem um único hit?". Sim, e olha que tentaram bastante. Nos anos 80, abriram shows dos Housemartins (aqueles, da "melô do papel" Build) e tiveram um single produzido por Graham "Suggs" McPherson, vocalista do Madness. Ambas bandas eram bastante populares na década de 80.

5) Há alguns dias, o guitarrista do grupo, Keith Mullin, foi atacado por uma mulher quando passeava com o cachorro em New Brighton. A tal mulher portava um martelo e, segundo a polícia, causou uma "leve laceração na cabeça" do músico (o Farm já postou em sua página do Facebook que Mullin passa bem).

6) "Pô, eles só tiveram um hit?". Não, Groovy train e Don't let me down também tocaram bastante. A primeira foi hit até alguns meses antes de All together now.

7) "E eu com o The Farm a essa altura do campeonato?". A banda planejou uma turnê sul americana e toca no Clash Club, em São Paulo, no dia 31 de maio. Olha só o pôster da tour nova lá em cima. Há dois dias, divulgaram que o show seria em Buenos Aires, mas a data caiu e a banda vem pra cá.

terça-feira, 10 de maio de 2016

DE VOLTA



Tirei férias e deixei três edições do ACORDE gravadas. Fiz a pedido da rádio e também porque precisava dar um tempo e me preocupar com outras coisas: namorar, viajar e não fazer nada, por exemplo. 

Aproveitei para dar uma desenvolvida na página do programa, aprender a fazer posts mais curtos para anunciar os links do podcast e para gastar dinheiro com a página antes que comece a fazer um projeto que com certeza vai me dar muita coisa legal - e me fazer usar mais do meu (pouco) dinheiro e bem mais ainda do meu (menos ainda) tempo. Só estou retomando a produção do programa nesta semana, depois de tentar me atualizar ouvindo um monte de coisas novas e velhas, dar um voadão pela nova produção de música pop (gostei do single novo da Sandy e tenho escutado bastante o CD novo da Beyoncé, coisas que há dois anos eu jamais escutaria tão feliz da vida assim), etc. Penso de leve em voltar a fazer o Acorde ao vivo por uns tempos. Talvez aproveitando as sugestões dos ouvintes ao vivo mesmo, coisa que eu já queria fazer há um tempo.

O fato de ter deixado de gravar o programa por três semanas acabou trazendo de volta um problema no qual eu já havia pensado mas acabei deixando pra lá, que é a rapidez do trabalho da Dona Morte em 2016. Prince se foi e não consegui fazer uma homenagem decente a ele no programa. Fiz um Acorde Mais Cedo (mixtape semanal do programa, toda quarta disponível no podcast) com sua obra e acho que consegui até escapar de um baita lugar-comum na hora de falar do cara. Foquei em versões ao vivo conseguidas baixando música por horas do eterno Soulseek. Muitos amigos dizem que nunca mais entraram no Soulseek - programa de compartilhamento de músicas largamente usado por muita gente entre 2003 e 2006 - e digo que não sabem o que estão perdendo. Até falei sobre isso outro dia: acho tudo lá. 

No sábado provavelmente terá algo de Prince no programa - de repente duas músicas mostrando fases diferentes da carreira dele, algo que sempre quis fazer com outros artistas e acabei nunca fazendo. Sou fã tardio, extremamente tardio, e até comentei neste blog outro dia que passei um fim de semana baixando toda a sua obra, porque conhecia pouco. 

Fiquei espantado com a beleza de um disco que nunca tinha ouvido (o roqueiro Chaos and disorder, que completa 20 anos) e recordei outros que escutei há tempos mas deixei pra lá (Around the world in a day, de 1985). Li há tempos que Prince foi acusado de imitar Lenny Kravitz em Chaos, disco cheio de experimentações com hard rock e punk. Lenny, roqueiro negro que toca todos os instrumentos em seus discos (e muitas vezes toca só o basicão), é quem imitava e lembrava Prince, né? Mas era Prince que podia ser visto como alguém prestes a perder terreno, após brigas com a gravadora, chiliques em entrevistas, a troca do seu nome por um sinal maluco.

Tenho alguma experiência como jornalista e muita vivência como ouvinte de música, mas bateu uma insegurança enorme de tentar mostrar algo da obra de alguém sabendo que muita gente escutava aquilo há décadas. Fui na intuição, que é o que tem me ajudado esse tempo todo. O que fiz no Acorde Mais Cedo teve muitos downloads e pode ter ajudado alguém a gostar de Prince. O que vai rolar no Acorde neste fim de semana é a tradicional junção de sons e histórias do mundo do rock, e espero que ajude alguém a querer conhecer sons novos e antiguidades pouco celebradas.