sexta-feira, 22 de abril de 2016

PRINCE: DÁ PRA LEVAR SEM PAGAR

Se eu for buscar na minha coleção de LPs, encontro facilmente pelo menos dois discos de Prince: Sign o' the times (1987) e a trilha de Batman (1989). Comprei na época que saíram. Tenho também alguns CDs. Vi o show dele no segundo Rock In Rio em 1991, numa época em que eu andava mais interessado em Pixies, Ministry, Sepultura e Faith No More do que na mistura sonora de Prince - lembro de pouco ter ligado pro show, apesar de já ter usado o fato para tirar onda em mesas de bar.

O principal é que Prince, um cara que fez de tudo para bloquear o acesso às suas próprias músicas e elevou a autossabotagem ao status de arte, pode ter brigado o quanto pôde com as gravadoras e empresas fonográficas em geral. Mas até que é bastante possível encontrar suas obras por aí, em downloads nada legais. Como hoje é bastante complicado achar CDs dele em catálogo no Brasil, ou LPs a preços justos, dei uma busca em sites e sistemas de compartilhamento e achei vários álbuns. 

Ao contrário do que muita gente andou falando no Facebook, os fãs e os que ainda não se tornaram fãs estão relativamente próximos da obra de Prince na internet. Menos, claro, nos ambientes de streaming (a não ser o Tidal, criado pelo rapper Jay Z, e bem menos popularizado que Deezer e Spotify). Ou seja: de certa forma, a obra de Prince, para muita gente, permanecerá como uma descoberta ilegal. Isso continuará acontecendo até que seja possível encontrar discos dele nos ambientes mais populares - coisa que talvez envolva muita negociação e aporrinhação com advogados e herdeiros, visto que até artistas bastante famosos reclamem de receber migalhas do Spotify. Basta lembrar o desinteresse de Adéle em ter suas músicas disponíveis para streaming (e recordar o quanto ela vende ainda em formato físico).

Hoje, pensando como fã, acho que a obra de qualquer artista tem mais é que ficar acessível, não importa que tipo de merda aconteça. Assusta muito, como assustou a vários amigos meus desde ontem (vi pelas postagens do Facebook e por algumas conversas ao vivo), que a música pop como a conhecíamos (nós, que circulamos entre 40 e 60 anos, etc) esteja sumindo aos poucos. Ficam as músicas, os discos e as histórias. 


Enquanto isso, parece que quem cuida dos direitos de Prince anda fazendo vistas grossas e liberando certos vídeos para o YouTube. O Vimeo também andou tendo alguns vídeos de Prince liberados. Nisso, entram aparições inesquecíveis, shows inteiros e até alguns clipes. A Wired já fez até uma seleção dos melhores vídeos a aparecerem no YouTube desde ontem. Alguns foram postados há dois, três, cinco anos, retirados do ar e recolocados. Olha aí nesse link. E, como diz um artigo do site IFLScience que busca teorizar sobre o fato de tantos artistas importantes desaparecerem, o jeito é ouvir muita música, ver muitos filmes, ler muitos livros e não deixar de ter heróis. Eles desaparecem, mas algo fica. E deve se perpetuar.

TÁ FODA

Tem dois projetos meus vindo por aí. Para os dois, preciso driblar a crise e tirar dinheiro do bolso, como já invisto na própria página do Acorde, meu programa de rádio na Roquette-Pinto FM. Pago anúncios de Facebook, boto uma grana no podcast, baixo programas para ajudar na hora de editar certas coisas, etc. 

Se alguém me dissesse, quando eu era bem novo, que lá pelos 40 anos eu estaria fuçando blogs de empreendedorismo, ouvindo podcasts sobre o assunto e dando os primeiros passos para eu tentar criar meu emprego e investir nele da maneira que for possível, eu jamais acreditaria. Nunca me veria como "empreendedor" no sentido mais literal da palavra. Mal sei fazer contas e morro de medo só de pensar em criar uma tabela no computador. De modo geral, jornalismo não é uma faculdade que te ajuda muito nisso. Meu consolo é que não estou sozinho. A julgar pelo volume de páginas que vejo ensinando coisas bem básicas sobre empreendedorismo para jornalistas, o buraco é bem mais embaixo.

O fato de estar montando um site (ok, revelei um dos projetos!) me fez dar uma lida bastante detalhada em sites para ver um pouco do projeto digital deles. Confesso que me deu uma bela horrorizada. Mesmo sites que pretendem ensinar um pouco a novos empreendedores do jornalismo sobre como se virar no mercado recorrem a coisas que, honestamente, eu acho bastante caretas. Links para baixar e-books mal editados, textos bastante mal escritos  e um certo apego a uma mistura de auto-ajuda e empreendedorismo que dá uma boa embregalhada na busca por informações. Gostei bastante do projeto Draft, que ainda inclui aulas presenciais e online, além de entrevistas bacanas com gente que está aprontando das suas no mercado. Uma dica é ficar de olho no universo dos podcasts, bem melhores do que os sites e artigos que rolam por aí.

Quem acompanha minimamente o mercado de revistas e jornais hoje em dia sabe que as coisas estão mal. E assim vão continuar por um bom tempo. Salários atrasando, cada vez menos leitores e, vamos lá, o conteúdo publicado nos jornais hoje em dia parece bem menos dinâmico se comparado à internet, ao rádio, à TV. Num papo de bar, eu e uns amigos outro dia chegamos à conclusão de que faculdade de jornalismo não é mais um fim em si próprio. Que o curso pode se esgotar em pouco tempo. Que jornalismo virou uma profissão de criativos e empreendedores, de gente que quer criar o próprio trabalho. Eu e mais uma renca de gente estamos tentando nos adaptar a isso, criando projetos, tentando enxergar uma profissão em algo que surge como brincadeira e prazer. Vamos ver se esse finzinho de 2016 ajuda a gente de alguma forma.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

CONCLUSÕES ÓBVIAS (E BOAS) SOBRE FACEBOOK AD

Falando nas quase 3 mil curtidas do ACORDE, sobre as quais eu andei falando no último texto, sim: dá pra fazer Facebook Ads com pouca grana.

Facebook Ads são aqueles anúncios de página que aparecem tanto na timeline quanto na lateral da página, bem pequeno. Nunca gastei mais de dez reais por dia para fazer nenhum e as coisas foram crescendo. Obviamente se você gastar mais, cresce mais.

Hoje muito do conteúdo do ACORDE é impulsionado por R$ 2, R$ 1, cifras mínimas que vão chamando gente para curtir. E podem chegar até a 90, 100 pessoas por post. Se uma dessas pessoas compartilha o conteúdo e se muitas pessoas curtem, já consigo uma divulgação interessante. Depende do conteúdo e da popularidade dele. Muito embora o formato ideal seja mesmo colocar de R$ 5 a R$ 10 para impulsionar a própria página, em divulgação focada - seja entre páginas parecidas ou entre fãs de gente que o ACORDE toca. 

E até que a página foi conseguindo um número interessante de curtidores nos últimos tempos. É bem menos do que o projeto talvez mereça, mas é o que dá para conseguir no momento. Levando em conta que não existe mesmo divulgação boca a boca hoje em dia e que os fãs do programa (devem existir) ajudam, mas o que ajuda mesmo é o cara que está lá atrás do microfone se mexer, e tratar de conseguir uma boa comunicação com os ouvintes. E ah, conseguir ouvintes. 

Bom, essa de conseguir ouvintes é a parte mais complicada hoje em dia em se tratando de rádio - conseguir que uma turma esteja a postos na hora do programa sempre, e disposta a ouvir o programa por uma hora. Por isso faço questão de colocar depois o programa no podcast programaacorde.podomatic.com, divulgar a lista de músicas e fazer pequenas playlists de 60 músicas do programa no Spotify, para divulgar um repertório que é de todos. Quem quiser que aproveite como desejar, seja parando na frente do rádio todo sábado 16h, seja baixando os arquivos do podcast, seja dando uma chegadinha no programa de streaming preferido e conhecendo as músicas. A única coisa que penso quando estou fazendo o programa é em botar o que

Eu não acho que seja uma boa dar uma aula de como aproveitar bem os anúncios do Facebook porque é algo que eu estou me metendo a fazer, mas aprendi algumas coisas na prática.

1) Focar o máximo possível em quem você quer mesmo que receba seu conteúdo. Podem ser os caras que ouvem as bandas que você toca, podem ser as pessoas que escutam as rádios que você tem como modelo.

2) Se você tem pouca grana para investir, aumente o leque de possíveis curtidores da página e foque em anúncios que fiquem menos tempo no ar. Um dia só já está bom, para poder aproveitar bem o pouco dinheiro gasto.

3) Náo ache que é bobeira investir nesse tipo de coisa e que é preciso estudar muito até conseguir fazer algo. Aprenda fazendo. Vá por partes e não queira resultados excelentes logo no primeiro dia. O lance é nunca deixar de investir, mesmo que seja pouco. Vá pela relação custo-benefício.

4) Como se trata de um programa de rock, exibido numa rádio do Rio e que tem versão em podcast, eu escolhi logo Rio, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, picos de roqueiros, para divulgar o programa. Tem dado certo e em breve parto para incluir outros estados por lá, sem esquecer do Rio.

5) Óbvio, enfim: de vez em quando vá no que você sabe que faz sucesso - funciona bastante para páginas que lidam com informações sobre música


terça-feira, 5 de abril de 2016

SEM ZONA DE CONFORTO

ACORDE chegando a quase 3 mil curtidas na página. Bom isso.

Confesso que eu nunca fui do tipo que batalha para divulgar nada e sempre deixo essa função nas mãos de outras pessoas. Aliás, por pura timidez (babaquice, enfim), de modo geral eu sempre acabo fugindo de situações em que precise ficar pedindo coisas pra outras pessoas, ou mostrando meus trabalhos para amigos. Mostro os links das coisas que eu escrevo no Facebook e olhe lá.

Fui nesse fim de semana no lançamento do livro Brodagens - Gilber T e as histórias do rap e do rock carioca, do amigo Pedro de Luna, sobre a trajetória e a história pessoal de outro amigo, Gilber T, músico de São Gonçalo que passou de sapato alto pela geração roqueira dos anos 90 com a banda Tornado. E vem desenvolvendo uma carreira solo bem interessante, com discos excelentes. O Pedro é um cara que soa quase como meu oposto: mostra a cara, briga, investe tempo, vai em frente mesmo que tudo pareça ir contra. Eu ainda tenho grandes dificuldades em sair da zona de conforto. É importante ver o que os amigos andam fazendo para ampliar sua visão das coisas e ver até onde você está deixando de ir, e sempre é uma grande lição.

E o que o ACORDE tem a ver com isso? Bom, eu diria que o programa tem me ensinado a me comunicar melhor, e tem me ensinado que nas vezes em que eu deixei a pesquisa sobre coisas novas a respeito de música de lado, eu é que acabei perdendo. Vem daí que, se o programa vinha virando uma excelente mixtape de rock (eu pelo menos acho excelente, já que meu padrão é a variedade), meu objetivo é entregar a cada programa algo que esteja próximo do didático, mas sem soar chato, pentelho e aporrinhante. 

É legal que quem ouve possa ouvir Foo Fighters, Jack Bruce, Pixies, Supergrass e Raul Seixas na mesma batida. Descobrir que Guilherme Arantes é rock (é, aposto nisso), ouvir uma faixa rara dos Ramones. E fazer um programa de rock falando para todo mundo é bastante difícil. É mais fácil falar para quem só curte obscuridades, ou para quem só ouve coisas bastante batidas (e que já tocam nas outras rádios rock).

Eu como jornalista do jornal O Dia, onde bato ponto há três anos (exatos três anos, que se completaram no dia 1º), tenho que fazer matérias sobre artistas que, honestamente, não ouço em casa. Não vou dizer que não me divirto: conversar por telefone com gente do funk, do pagode, do sertanejo, é megadivertido. Mas não dá pra abrir mão de lidar com música da qual realmente gosto, mesmo que lidar com sons que eu náo curta seja uma grande descoberta. Posso até arrumar outro emprego, mas a ideia é sempre tentar lidar com os sons que tenho vontade de escutar quando paro em casa.

Tem mais um pouco do que andei vendo lá no lançamento do Brodagens nisso aí. E que pode virar um projeto para 2016 ou 2017, para lidar com música e buscar uma maneira de ganhar com conhecimento e acúmulo musical - acúmulo sim, porque não dá para falar de outra maneira quando seu quarto virou uma bagunça de CDs, vinis e livros. Tenho descoberto muita coisa na internet sobre música, sobre o valor que ela tem até mesmo nessa época em que tem muita gente fazendo som, pouca gente comprando discos e muita gente querendo conhecer e ouvir mais coisas. Comecei a criar isso na minha cabeça e virou minha mais nova obsessão para os próximos meses. Isso inclui o lançamento de um site dentro de alguns meses, que até que está mais ligado ao ACORDE e ao rock. Mas já vai abrir caminhos para outras coisas.

Em breve tudo isso vai aparecer e acho que vai virar uma coisa que muita gente pode curtir - e de grão em grão, quem sabe mais do que esse muita gente pode gostar e compartilhar. Por enquanto, vai tudo um pouco mais devagar do que eu gostaria, mas num ritmo que eu posso acompanhar.