sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

TATTOO WEEK 2016

E semana passada minha capa do Guia Show e Lazer foi a Tattoo Week.

Já passou o evento. Fica aí de registro.





quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

ANA CAROLINA VOZ E VIOLÃO

Um evento que fiz matéria na semana passada e já rolou: o show de voz e violão de Ana Carolina. 

Fica o registro aí.



BRUNINHO & DAVI

"Bruninho & Davi? Quem são esses? Nunca ouvi falar"

Se o problema é esse, deixa que eu resolvo: é só ler a matéria que fiz com eles para o jornal O Dia. A dupla está lançando CD novo, botando nos supermercados uma marca de cerveja artesanal e volta aos palcos depois de um regime no qual os dois, ex-gordinhos, deram uma bela secada. Só não convide os dois para tomar uns gorós por aí ("só dá pra degustar, não pra beber muito, né?").



VINGADORA E METRALHADORA

Conheça Tays Reis, vocalista da banda Vingadora e futuro sucesso do carnaval 2016, em matéria minha do jornal O Dia.  Paredão metralhadora vai entrar na lista das músicas que você ama odiar. E acrescenta violino ao pancadão do arrocha.




DAN TORRES

O inglês Dan Torres recorda 14 dos temas que gravou para trilhas de novela em um novo CD. E relembra a sua época no antigo reality show Fama. Saiu em O Dia.



MR. CATRA: "VASECTOMIA É PECADO"

Essa semana tivemos aí o Mr. Catra inicialmente dizendo que iria fazer vasectomia, e depois desistindo. Ou melhor, nem chegou a haver uma "desistência" de fato. Foi uma brincadeira dele.

Precisei bater um papo com ele sobre o assunto. Para o funkeiro, vasectomia é "pecado".

Confira aí. Saiu em O Dia.





quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

SNOOPY NOS CINEMAS

Se eu fosse você, dava como desculpa um filho ou um sobrinho e corria para assistir a Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o filme assim que arrumasse um tempo. Ou não daria desculpa nenhuma e correria para o cinema.

De todos os filmes voltados para o público infantil a surgir nas telas nos últimos anos, é um dos que mais têm apelo para o público adulto. O universo dos desenhos que eram exibidos pelo SBT e pela Globo está todo lá: cenas da turminha dançando (que viraram até gifs nas redes sociais), a timidez e o medo de fracasso de Charlie Brown, sua paixão pela garotinha ruiva, etc. É a melhor coisa que vi para crianças desde Divertida mente, que eu já achava imbatível.


Snoopy & Charlie Brown permite a qualquer criança entrar em contato com um universo que mesmo sendo novo para várias delas, é bem mais próximo da realidade - e já ganha vários pontos na frente de histórias legais, mas bem mais viajantes, como Minions. Todo mundo, seja de que idade for, já se sentiu meio Charlie Brown: meio desajustado, azarado, com mais tentativas do que resultados. Quem está acostumado com os desenhos animados, vai curtir o filme - que mostra o personagem, como sempre, tentando acertar o tempo todo, lidando com o próprio fracasso e, ainda assim, persistindo. Logo na abertura, enquanto a chegada do inverno anima os amigos para jogarem hóquei no gelo, ele decide empinar pipa. Se as habilidades de Brown com pipas já não rolam com tempo bom, imagina na neve. Claro que a história acaba em montes de trapalhadas.

A turma de Charlie Brown é formada por crianças bem parecidas com as que todo mundo conheceu na infância. Tem a louca por esportes Patty Pimentinha, a manipuladora (e carismática, vá lá) Lucy, o garotinho Linus, que só anda com um cobertor. Todos com personalidades em formação, errando, acertando, exagerando e ainda descobrindo a vida, sem dar muito espaço para os maniqueísmos que rondam não só a produção de filmes e livros para crianças, como também a de adultos. 


Mesmo situações como as do menino prodígio e pianista Schroeder ou o consultório de psicanálise de brincadeira de Lucy não soam nem um pouco fora de propósito - ok, as aventuras da turminha, comumente, têm um ritmo bem mais lento, reflexivo e fantasioso, que permite esse tipo de coisa. Inclusive, a trama está bem mais ágil, a não ser pelos momentos em que Snoopy e Woodstock (o pássaro amigo do beagle) protagonizam as aventuras em que o cachorro luta contra o Barão Vermelho. Talvez funcione com crianças, que costumam ficar apaixonadas pela dupla de cão-e-pássaro. Eu particularmente cortaria boa parte disso.

Não sei se existem puristas da obra de Charles Schultz, criador de Peanuts. Mas um detalhe que pode escandalizar alguns deles é o fato de, ao contrário do que acontecia nos desenhos, a garotinha ruiva aparecer e até se aproximar de Charlie Brown em alguns momentos. A paixão platônica do personagem nunca aparecia nas tiras do Peanuts e só foi mostrada uma única vez em um desenho da série: É seu primeiro beijo, Charlie Brown, de 1977, exibido inúmeras vezes no Brasil. De acordo com Alexandre Inagaki, que mantém o blog de crônicas e curiosidades Pensar enlouquece, pense nisso, a aparição da garotinha ruiva (que ganhou até nome, Heather) aconteceu à revelia de Schultz.

No filme a garotinha motiva Charlie Brown a fazer, durante todo um fim de semana, um resumo de nada menos que o quilométrico Guerra e paz, de Leon Tolstoi, o que acaba virando uma das partes mais legais de Snoopy & Charlie Brown. Vale citar que rolam até citações a O apanhador no campo de centeio, de JD Salinger, outro dos livros oferecidos pela professora da turma para um trabalho.

Se Snoopy & Charlie Brown já é uma enorme diversão para pais e filhos, vale dizer quem para quem curte rock e referências do universo pop, a felicidade não é menor. Nem que seja pelo fato de Woodstock, o pássaro, ter tido seu nome tirado do festival de rock de 1969 (antes disso, o personagem aparecia sem nome) ou pelo garoto sujinho Pigpen ter inspirado o apelido de Ron McKerman, tecladista do Grateful Dead (1945-1973). A trilha sonora misturando jazz e bossa nova, feita pelo pianista ítalo-americano Vince Guaraldi - que em 1964 gravou o LP Jazz impressions of a boy named Charlie Brown - também está lá.

E olha só que engraçado: teve uma banda de rock americana dos anos 60 que se especializou em compor músicas cujo tema era justamente... o universo de Snoopy e sua turma. São os Royal Guardsmen, que conseguiram um honroso segundo lugar na parada da Billboard com Snoopy and The Red Baron em 1967. Ela chegou a ser gravada em português por Ronnie Von.

Bom, na verdade, não foi bem assim: numa persistência de fazer o Charlie Brown morrer de inveja, o grupo voltou ao tema "Snoopy" diversas vezes ao longo da sua carreira. Deu certo algumas vezes. Saíram canções como Snoopy for president, Snoopy's Christmas. Em 2006 chegaram a fazer um comeback com a inacreditável Snoopy vs. Osama (!).

P.S: Pesquisando sobre Snoopy no Google e já escrevendo esse texto, achei um texto do jornalista André Barcisnki em seu antigo blog da Folha de São Paulo em que ele fala exatamente desse lado bastante realista do universo dos personagens de Charles Schultz e sobre esse lance de "bem" e "mal" nos desenhos deles. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

CAETANO VELOSO E DAVID BOWIE

Sempre tenho a tendência de achar que os textos do Caetano Veloso são prolixos demais e, talvez pelo fato de ninguém ter coragem pra chegar pra um sujeito como ele e falar "cara, pica tudo, tira essas vírgulas, usa ponto final, seja mais objetivo", sai tudo meio mal editado. Gostei bastante de Verdade tropical, livro em que Caetano repassa a história do tropicalismo e sua própria história, e li em poucos dias - acho que em menos de uma semana. Mas confesso que não seria um estilo que eu adotaria para escrever.

Seja como for, esse texto aí embaixo, que ele divulgou no Facebook, é bom parar para ler. Um depoimento muito sincero e bonito de Caetano sobre David Bowie que oficializa um papo que ele já havia abordado em poucas entrevistas: houve um encontro entre ele e David Bowie em 1970 e uma possibilidade de trabalho em dupla. Que não rolou - ambos declinaram.

De fato, de acordo com uma matéria assinada pelo jornalista José Flávio Junior para a Billboard Brasil, Ralph Mace, que tocou teclados em The man who sold the world (1970) de David Bowie, e produziu o disco londrino de Caetano, queria que o baiano fosse morar com David e Angie Bowie, sua mulher na época. Caetano, que só ouvia música cantada em português (não conseguiu se adaptar à vida em Londres e, evidentemente, estava tristíssimo e indignado com o exílio) e não se animou com os shows de rock a que assistiu em Londres, não curtiu a ideia. Bowie deve ter pensado que não havia nada na persona de Caetano que ele ficasse com vontade de roubar (e, de fato, quem conhece bem Caetano e Bowie sabe que nao havia nada mesmo). Não deu certo.

Segue o texto de Caetano, como foi tirado do Facebook.

"Soube da morte de David Bowie com atraso. Estava entre Austin, Houston e o Rio, sem me comunicar com ninguém. Tardei a admitir que certos emails que abri logo ao chegar estivessem dando conta disso. Bowie era 4 anos mais novo do que eu e, apesar de ter tido notícias de que ele sofrera ataques cardíacos, sempre tive a impressão de que ele não era uma pessoa de quem eu um dia fosse saber que morrera. Assinalo o fato porque não queria que parecesse que ostento desprezo por figura tão importante na história da atividade a que eu próprio me dedico. Na verdade, Bowie e eu nos encontramos, de modo breve e pouco significativo para ambos. Ralph Mace, o produtor dos meus dois discos londrinos (e que tinha colaborado com Bowie) quis aproximar-me dele: cria que eu devia colaborar com seu trabalho. Levou-me para ver um show dele na Round House e depois nos apresentou no camarim. Eu não tinha gostado do show. Isso deve ter sido em 1970. Sendo de uma geração que se empolgara com o clima contracultural dos anos 1960, eu achava o corte de cabelo dele um prenúncio da adesão dos locutores de noticiários televisivos à rebeldia hippie. Eu gostava dos discos dos Beatles e dos shows dos Rolling Stones. Mick Jagger criava um clima de transformação do mundo em comunhão com a plateia. Bowie esboçava uma estilização intencional que, no entanto, era, aos meus olhos, pouco rigorosa. Vi muitas coisas que cresceram nos anos 70 dessa maneira. Por outro lado, toda a dialética do pop, que me interessava, ficava abaixo do significado que o Brasil ganhava para mim. Há a questão geracional: pessoas 10 anos mais novas do que eu se sentiram liberadas pelo estilo de Bowie. Eu me liberara com Jorge Ben, John Lennon e Mick Jagger - além das experiências próprias nossas dos tropicalistas de 1967. Bowie parecia ter surgido para me prender de novo a convenções de palco-e-plateia. Ou seja: perdi o bonde de Bowie. Só décadas depois é que admiti a grandeza histórica do artista que ele chegou a ser. Vendo o vídeo de "Lazarus", fiquei impressionado com a força expressiva. Nunca nenhuma canção de David Bowie ficou em minha cabeça. Hermano Viana me provou que os discos alemães, com a presença de Brian Eno, eram sonoramente instigantes. E sempre vi que Bowie poderia ser grande só pelo "Walk on the Wild Side" de Lou Reed. "Lazarus" me soou mais forte como concepção de arranjo do que quase tudo dele. E a inserção dessa dança meio robótica, meio espiritual que ele fez e refez tantas vezes ao longo da vida (de fato, um dos mais belos ecos dos espasmos de Elvis) transforma todo o vídeo num acontecimento poético. Me lembro de uma entrevista em que ele diz ser o Harry Langdon do Rock. Beatles e Stones poderiam ser Chaplin e Keaton, mas ele, Bowie, era a figura menor - e talvez a mais lírica. Tudo somado - e a História dando perspectivas diferentes das anunciadas pelos utopistas da minha juventude - , David Bowie foi um dos artistas mas importantes do pop, desde que o rock é rock. Enquanto eu fazia "clips do Fantástico" ele redesenhava-se como capas de revistas de moda ou de móveis modernos. Pôs a obra em Wall Street, casou-se com uma modelo preta, gravou um belo vídeo sobre a morte que aconteceu de ser lançado logo depois de ele morrer. Nesse vídeo ele nos diz que está no céu. E que tem cicatrizes invisíveis. Tem algo das obras de arte arrebatadoras e inesquecíveis."

CARNAVAL 2016: A PRIMEIRA MATÉRIA

Saiu hoje no Guia Show e Lazer essa matéria sobre os eventos de pré-carnaval (blocos, ensaios técnicos e de quadra) que rolam neste fim de semana.

Uma boa leitura para você ver que lugares evitar nos próximos dias.



MAIS DAVID BOWIE

E essa é a belíssima capa que Mariana Erthal, diagramadora do O Dia, fez para homenagear David Bowie.

Ela é MUITO fã dele. Na segunda-feira em que Bowie morreu, antes de vir para a redação, dei uma passada antes na Rádio Roquette-Pinto para gravar o Acorde, programa de rock que mantenho lá. E ela me ligou enquanto eu estava na porta de entrada da rádio para perguntar se a capa do D ia ser David Bowie. Mal sabia, e sinceramente estava torcendo para NÃO ter que escrever obituário nenhum, já que escrever algo à altura do homenageado seria complicadíssimo, tarefa para gênio. Não consegui, enfim, mas tentei.

O título também foi ideia da Mariana.








XÔ CALOR!

Matéria minha que saiu no Guia Show e Lazer da semana passada, sobre o que tem para se fazer no calor do Rio.

Nem tá mais tão calor assim e já tá chovendo, mas fica aí o registro.





LATINO

Quando alguém vivencia de uma dor de cotovelo, vai pra cama chorar, escreve poesias, ou implora para voltar. Menos Latino. O ex-funkeiro, hoje astro da bachata (ritmo que embala boa parte do repertório de seu novo disco, Soy latino), se trancou no freezer e quase morreu congelado para tentar esquecer a ex-mulher Kelly Key. Em papo comigo para o jornal O Dia, ele também revela que se tornou parceiro de Dorival Caymmi no novo disco, e recorda o tempo em que se envolveu amorosamente com três mulheres e dividiu o teto com elas.






LUDMILLA E PRETA GIL

O show de Ludmilla e Preta Gil já rolou (graças a Deus, diriam alguns), mas sobrou essa matéria aqui que fiz para O Dia.

Fotos de Marcio Mercante.





BUCHECHA

Bati um papo com Buchecha sobre seu novo disco, Funk pop, no qual ele convida vários nomes que aparentemente nada têm a ver com funk carioca (Lenine, Paralamas do Sucesso, Adriana Calcanhotto) para dividir clássicos seus com ele.

Saiu no O Dia.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

DAVID BOWIE (1947-2016)

Nunca fui muito de dividir a vida em anos porque sempre achei meio ridículas essas expectativas das pessoas com "ano novo". Mas com a morte de David Bowie, já fica difícil de manter a fé em 2016. Cheguei a achar que fosse hoax, até que vi que estava em todos os perfis, já estava repercutindo nos famosos, o filho dele tinha postado, etc.

Qualquer exagero em posts sobre um cara desses, hoje, é desculpável. David Bowie representou a porta de entrada, para quem gostava de seu trabalho, de muita coisa boa. Desde grupos pré-punks do fim dos anos 60, até expressões artìsticas pouco ligadas ao universo do rock (até com mímica o cara trabalhou) e escritores que, se muita gente não leu, pelo menos ouviu o nome. Ele estabeleceu trocas das mais estranhas com uma série de artistas, dentre os quais o mais ilustre talvez seja Iggy Pop - de quem tentou tomar a persona, certos toques musicais e a quem retribuiu produzindo discos e turnês. Coincidentemente estava lendo ontem Open up and bleed, biografia de Iggy assinada por Paul Trynka, e lá fala que Bowie lá por 1990 afastou-se ou foi afastado por Iggy, que andava ressentido de jamais conseguir sucesso artístico sem que Bowie estivesse associado a seu nome.

De quebra, Bowie criou uma nova visão da produção artística no pop, funcionando quase que como uma reportagem. Em vários momentos, uma reportagem do caos, mixando inúmeros fatos diferentes de seu tempo. Quem se dispuser a analisar as letras de discos como Young americans (1975), com seus vários assuntos unidos numa letra só, vai ter trabalho. A letra de uma música como Life on mars? ganha inúmeros contornos na cabeça de quem for destrinchá-la - gosto da imagem de uma pessoa solitária, projetando o caos da época na tela de um cinema vazio, e sonhando com vida em planetas distantes como se fosse o possível a ser feito. No Brasil, país em que sempre foi bastante difícil ser jovem - ainda mais nos anos 70 - essa música não encontra paralelo. Pelo menos não em riqueza de imagens. Aqui você assiste ao clipe original da música, como ele era visto no Brasil lá por 1973, 1974, com imagens de público inseridas em meio à atuação de Bowie,

Hoje é luto oficial para todo mundo que tem algum apreço por cultura pop, venha ela de onde vier. Gostaria inclusive de não deparar no Facebook com nenhum comentârio "inteligente" do tipo "nossa, quantos fãs de David Bowie surgiram nas últimas 24 horas!". Que venham mais e mais. Pra mim, particularmente, foi embora o cara que me ensinou que todos podemos ser heróis, mesmo que por um dia. Entre outras coisas.

E que não descanse em paz, vamos deixar esse clichê pra lá. Vamos é fazer muito barulho por ele hoje.

*****

Falei lá em cima que Life on mars? não encontra paralelo no Brasil. Renato Russo, que talvez possa ser comparado a David Bowie em alguns momentos e carregava algumas de suas características, fez uma boa citação da canção em Marcianos invadem a Terra. Ouça aqui.

De fato, o Brasil tem tradição quase zero de artistas do universo poprock que tenham a mesma manha do David Bowie, de escrever letras eminentemente "estranhas" e caóticas, e que vistas de longe, fazem total sentido. Engraçado que, com sete anos de atraso, o pop nacional também teve sua Space oddity. E ela saiu no primeiro disco de Guilherme Arantes, homônimo, e que completa 40 anos em 2016.

As duas músicas têm as mesmas ideias de fuga, de missão através das galáxias, de viagem que parecia detalhamente controlada e que acabou mal (um tema que tem tudo a ver com a ressaca dos anos 60, por sinal), de observação á distância da Terra, etc. No caso da música de David Bowie, há uma "torre de comando" que segura a onda da viagem do Major Tom até onde dá. No caso da de Guilherme, nem isso.

Já entrevistei Guilherme algumas vezes e nunca perguntei se a inspiração dele nessa música foi David Bowie. Provavelmente foi. Ouça aqui.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O STONE TEMPLE PILOTS DE 2010

Que Scott Weiland morreu nos últimos dias de 2015, todo mundo já sabe - que a autópsia já descobriu a morte por overdose, idem.

A novidade pouco divulgada é que Stone Temple Pilots, último disco do quarteto formado por Scott (vocal), Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria), lançado em 2010, já está disponível em todos os ambientes de streaming. Foi o primeiro disco gravado após um hiato que começou logo após o lançamento do fracassado Shangri La Dee Da (2001). No geral, um disco ensolarado, cheio de melodias ótimas (a balada Maver e o rock com cara country Cinnamon são as melhores) e muito bem resolvido, que em nada mostrava o caos sempre reinante nas internas do grupo. O único disco dos STP a levar o nome da banda no título foi também o único título do grupo a não ser produzido por Brendan O'Brien - quem cuidou das sessões foram os próprios irmãos DeLeo, reclamando de terem sido explorados pelo produtor em trabalhos anteriores. 

O álbum foi precedido por (como não poderia deixar de ser) vários problemas e concidências infelizes. Em 2008, a gravadora Atlantic ameaçou processar Weiland e o baterista Kretz por quebra de contrato. O grupo devia mais dois discos para a gravadora e não sabia disso. Após muito bate-boca entre advogados, resolveram gravar o disco, aproveitando material escrito apenas pelos dois irmãos e completado por Weiland. Ocupado com a turnê do segundo álbum solo, 'Happy' in galoshes, Weiland limitou-se a receber CDs com as demos, trabalhar nas letras e descartar o material do qual não gostasse. Apesar de ter, tecnicamente, se mantido longe das drogas durante a preparação do disco, haviam referências a elas em letras como a da autoexplicativa Between the lines, primeiro single do álbum.

A "volta" do grupo com Weiland não duraria mais do que três anos e seria igualmente tumultuada - o STP chegou a pensar em lançar uma versão recauchutada do primeiro disco, Core (1992), para comemorar 20 anos de banda, só que a versão nem saiu. De qualquer jeito, o retorno de 2010 rendeu as primeiras e únicas passagens do grupo pelo Brasil. Uma delas foi a turnê do álbum Stone Temple Pilots que esteve no Circo Voador em dezembro de 2010. Olha aí o baixista Dean De Leo tocando nada menos que Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, após o bis.

Fiz uma resenha do show na época, publicada num portal que não está mais no ar. A do amigo Marcos Bragatto no site Rock Em Geral está aqui. Lembrei, sem olhar o set list colocado pelo Bragatto no link, que boa parte do material vinha dos dois primeiros discos. E que a banda, apesar dos pedidos da plateia, se recusou a tocar a pós-grunge Big Bang baby. Me chamou a atenção também o fato de que a banda parecia desritmada, sem cadência, com músicas ganhando versões um tanto lentas e os integrantes parecendo se esforçar para acompanhar uns aos outros. Ninguém parecia muito à vontade no palco. De qualquer jeito, o hit Plush, cantado pelo público, emocionou. Veja aqui.

No ano seguinte, o grupo voltaria ao Brasil para o SWU, em São Paulo, num show infinitamente melhor - e que, enfim, teve Big bang baby no repertório. Foi um bom reencontro e uma boa despedida dos fãs brasileiros. Chateia só que nenhuma turnê solo de Weiland (que, a bem da verdade, nunca conseguiu muito sucesso como artista solo) tenha passado por aqui.

Por último, o trio restante do STP liberou em seu site um vídeo em que ouvem e comentam a gravação de Atlanta, última faixa do disco Nº 4, de 1999 - e soltaram versões da canção só com os quatro no estúdio, e só com Weiland e a orquestra. A música é tida pelos fãs do grupo. como um dos mais belos desempenhos de Weiland no vocal.