sexta-feira, 31 de julho de 2015

PROJETO CARIOQUINHA

Saiu hoje essa matéria que fiz, para a capa do guia Show & Lazer do jornal O Dia, sobre o projeto Carioquinha e seus mais de 200 eventos e promoções. Leia e programe-se.






quinta-feira, 30 de julho de 2015

JAIR NAVES

Bati um papo com Jair Naves, cantor brasiliense radicado em São Paulo que veio ao Rio lançar seu novo disco, Trovões a me atingir, na semana passada.



DJ RODY

O DJ Rody ataca outra vez e faz mais uma homenagem a Gretchen em Rainha do bumbum, música do seu novo CD, o EP Manda nudes. Leia aí a matéria que fiz para O Dia e baixe o EP.

CARROSSEL - O FILME

Devo ter sido o único crítico de cinema que gostou de Carrossel - O filme, sobre o qual fiz até uma matéria há algumas semanas no O Dia. E além da matéria, saiu essa resenha.


terça-feira, 28 de julho de 2015

JOE JACKSON DEU SAUDADES DO CASAMENTO DA PRETA GIL

...e de toda a confusão que envolveu o casório, o disse-me-disse, a polêmica, as histórias envolvendo os patrocinadores, etc. O assunto do dia é um pouco mais sórdido. O pai do rei do pop Michael Jackson resolveu vir comemorar seu aniversário no Brasil, numa festa que custou mais de R$ 600 mil (evidentemente essa grana não saiu do bolso dele). Teve um AVC e, óbvio, não pôde ir ao seu próprio aniversário. Mas a festa aconteceu assim mesmo, porque "havia um contrato com a casa na qual ela se realizaria", o Clube Golf, na Zona Sul de São Paulo. Convidados como Geisy Arruda, Pepê e Neném, as irmãs Minerato (quem?) e mais uma turma se divertia e tirava selfies enquanto o aniversariante ficava internado no Hospital Israelita Albert Einstein. Se alguém já achava que essa história de festas patrocinadas, com muitas fotos no backdrop cheio de nomes de marcas, já estava indo longe demais, chegou a razão para se ter certeza disso: devido aos custos de investimento, os eventos acontecem com ou sem a presença do homenageado. Mesmo que ele tenha tido um problema de saúde que poderia ter custado sua vida.

Ficam aí as perguntas que o amigo Helder Maldonado fez no R7, neste texto: a quem interessa a presença de Joe Jackson no Brasil e qual o motivo de tanta glamourização em torno do pai de Michael? Bom, o pai do cantor veio ao Brasil promover uma exposição sobre a família Jackson e, anteriormente, participara do clipe de Moonálcool, do sertanejo Thiago Matheus. Um amigo morador de São Paulo diz que há pelo menos dois anos sabe da presença de Joe por aqui, e já esteve atrás dele numa fila de farmácia. Matérias publicadas por aí explicam que "os artistas que foram convidados eram fãs de Joe e queriam conhecê-lo", algo mais bizarro ainda ao se lembrar que nem Michael Jackson, que sempre acusou o pai de maltratá-lo e humilhá-lo, era publicamente fã dele. E que Joe não é um "artista", com obras e grandes feitos, para que alguém seja fã dele. Bom, Geisy Arruda tem fãs sem ter feito nada de relevante. E daí, enfim?

É comum que celebridades decadentes estrangeiras pintem por aqui de vez em quando e fiquem meio maravilhadas com... com... bom, deve haver algum motivo. Talvez seja o fato de que aqui, especialmente fora do Rio, haja uma turma que realmente se deslumbra com qualquer coisa e levanta a autoestima de qualquer famoso que já foi grande e hoje precisa lembrar algumas pessoas de sua existência. Ou a falta de memória das pessoas, que mal devem saber do passado sombrio de Joe, já exibido em uma série de TV (The Jacksons, que passou na Globo nos anos 90, o pintava como um misto de mentor musical dos filhos e feitor com chicote na mão). Talvez seja o tal vazio de ídolos que Zeca Camargo disse, na TV, ter levado tanta gente a chorar a morte do sertanejo Cristiano Araújo por dias e dias. 


Num país que pratica a, digamos assim, simonalização de artistas, e no qual não é nada difícil para uma pessoa conhecida ficar com filme queimado em pouco tempo, é até estranho que tanta gente não tenha medo de ficar marcada por sua associação com o pai de Michael. A simples ida de um bando de sertanejos a uma festa na casa do então presidente Fernando Collor, nos anos 90, faz com que os artistas que estavam lá tenham que lidar com esse assunto em entrevistas até hoje - a memória das pessoas não é tão ruim assim. Artistas que defendem cegamente Dilma e Lula mesmo em tempos de crise são ofendidos e zoados via redes sociais. Lobão é ofendido em milhares de blogs governistas por cantar "Dilma bandida" nos palcos da vida e por torcer pelo impeachment da presidente.

Por outro lado, se nessa semana o assunto no tabloide inglês The Sun é um lorde britânico envolvido com prostitutas, provavelmente ninguém vai ver o mesmo "vazamento" de vídeos e fotos acontecendo no Brasil. Jornal nenhum publicaria e, talvez, esse tipo de assunto nem escandalizasse ninguém (será?). Um paparazzo que entrevistei certa vez me disse que o que mais chama a atenção do brasileiro em viralização de fotos é "gente tropeçando e caindo na rua", e não grandes escândalos, gente consumindo drogas (ok, cada um faz com seu corpo o que bem entender), etc. Enfim, a indignação do brasileiro é bastante seletiva e serve para o que lhe convém no momento. 


Fato é que o pai de Michael está aí em busca de uma segunda chance (como pessoa, como empresário, etc). É algo que não costuma acontecer com muita gente e que, vejam só, é a matéria-prima que atualmente envolve muita coisa no Brasil, desde o comportamento político até a conversão a certas seitas religiosas. Não deve ter sido por acaso que ele resolveu aparecer mais vezes por aqui. Quem quiser que torça para que ele, um cara a quem podem ser responsabilizadas muitas das cicatrizes psicológicas que Michael Jackson carregou por toda a vida, mereça essa oportunidade.

BIEL, O MOLEQUE-PIRANHA

Você não precisa ouvir ou ser fã da música de um determinado artista para achar que ele pode render uma matéria legal e ser um personagem interessante. Biel, garoto de 19 anos e morador do interior de São Paulo, é um desses casos. Lançador do próprio trabalho (é o que ele garante, mas sempre lembramos que de modo geral nunca é bem assim...), ele divulgou nas redes sociais por conta própria os clipes que fazia, além de imagens dos seus ensaios como dançarino. Também passava um bom tempo ensaiando na expectativa de alguém ligar para ele, chamando-o para um show.

Você pode até detestar funk e achar uma palhaçada essa história de "funk sedução" - é o estilo que o garoto segue, uma variante mais safada do funk ostentação. Mas, nem que seja pelo aspecto sacana da coisa, não tem como não admirar a cara de pau de Biel, vá lá. E até que essa história de "açúcar o caralho, minha mãe passou pimenta", gruda na cabeça. Assim como a história do "moleque-piranha". Dá uma lida aí na matéria que fiz com ele para O Dia, na semana passada, para conferir isso. Teve gente que não ouve funkd e jeito nenhum, que gostou.



terça-feira, 21 de julho de 2015

ALGUMAS LIÇÕES QUE O ROCK BRASILEIRO PODERIA APRENDER COM OS SERTANEJOS

Se você seguir a barra de rolagem um pouco mais para baixo, vai achar a matéria que fiz sobre o livro Cowboys do asfalto - Música sertaneja e modernização brasileira, do historiador Gustavo Alonso. E que saiu na capa da última segunda do Caderno D do O Dia.

Pode comprar o livro (que é bem grande, mas é de fácil leitura) sem sustos. A impressão que dá é que Gustavo, que tinha escrito anteriormente Simonal - Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga, conseguiu fazer uma espécie de Eu não sou cachorro não (livro redefinidor de Paulo César de Araújo sobre a música brega e suas relações com a política brasileira) exclusivo dos sons sertanejos. Talvez pela primeira vez na história da MPB, alguém reconstrói a trajetória da música sertaneja tratando-a com respeito e admiração, indo dos antigos "caipiras" aos novos "universitários". Sem politização barata, sem paternalismos e dando uma visão bem realista do que cerca o estilo. No fim da leitura pouco importa se Gustavo tem em casa todos os CDs de Zezé di Camargo & Luciano e Michel Teló ou não (para mim, o autor confessou que certa vez, há bastante tempo, se sentiu com vergonha quando quis comprar um CD de Leandro & Leonardo).

Parece piada, mas eu não tinha a mínima noção do quanto esse tipo de música ainda sofria com milhões de preconceitos. E como a subida dos sertanejos às elites e às paradas, mesmo com toda aquela associação com a era Collor, não tinha acontecido de mão beijada. Sim, você deve lembrar das duas ocasiões em que o famigerado ex-presidente Fernando Collor recebeu sertanejos em sua residências - ambas, diz o livro, armadas pelo apresentador Gugu Liberato. A aceitação dos sertanejos pelas elites, mesmo sendo um gênero que àquela época arrastava multidões e já ostentava números de impressionar (se em 1982 a Blitz vendia mais de cem mil cópias e virava mania nacional, Fio de cabelo, de Chitãozinho & Xororó, chegara ao milhão) demorou muito a acontecer e foi um processo que não se realizou por completo até hoje. Em qualquer rodinha social de classe média, é mais fácil achar pessoas que detestem sertanejo do que gente que goste ou apenas respeite o estilo. Faça o teste quando comparecer a um almoço de família.

Eu também não tinha a menor noção, ou não tinha prestado atenção, no fato de que sempre houve um embate entre "caipiras" e "sertanejos" no Brasil. Apesar de praticamente todos os sertanejos serem muito fãs das primeiras modas caipiras, a recíproca nem sempre foi verdadeira. Rolando Boldrin, apresentador nos anos 80 do Som Brasil, não queria saber de duplas "modernas" como Chitãozinho & Xororó cantando por lá. Preferia chamar artistas "nativistas" ou até gente mais ligada à MPB. Tá no livro de Gustavo. Recentemente o jornalista Luiz Antonio Mello contou em seu blog que Rolando, atualmente apresentando o Sr. Brasil, na TV Cultura, convidou para se apresentar por lá ninguém menos que o músico vanguardista Egberto Gismonti.


Curiosamente, é como se o Brasil não tivesse mudado muito, culturalmente e musicalmente falando, de lá para cá. Ou dos anos 70 para cá. Para cada matéria reclamando que "o rock brasileiro sumiu da mídia", surgem mais três reportagens abordando gente como Victor & Leo pelo lado da fofoca e nada mais que isso. Ou gente reclamando que a crítica musical "não é mais como era antes", ou articulistas de jornal tratando a música brasileira por um viés totalmente bossanovista-classe-média-zonasulino. Como se a música sertaneja, que vem dando lições ao mercado fonográfico há várias décadas, fosse apenas uma anomalia ou algo que deva ser varrido para debaixo do tapete. Tem os que paternalizam e se deslumbram com o estilo, também. Acontece com outros gêneros musicais que têm origens em classes sociais menos abastadas: funk, pagode etc. Uma espécie de circo que se relaciona mais com o obscurantismo e menos com a formação, por exemplo, de bons jornalistas realmente interessados em sertanejo. Ou minimamente preparados para entender o que se passa numa gravação de Leonardo. Ou prontos pra fazer reportagens corajosas sobre as condições em que artistas do estilo, que soam "pouco conhecidos" para muita gente, arrastam multidões a seus shows, dão sustos em pessoas com a quantidade de fãs e, do nada, vão gravar DVDs em Londres ou nos Estados Unidos (com que dinheiro? Lei Rouanet?).

Se você se espantou com a afirmação, acima, de que o sertanejo vem dando lições ao mercado fonográfico há bastante tempo, segura essa: histórias bizarras que rolam por debaixo dos panos à parte (não existe almoço grátis em lugar nenhum do mundo, se é que me faço entender), dá para aprender muito com a ascensão e reinado dos sertanejos. Boa parte deles passou mais de dez anos correndo atrás do sucesso, de fracasso em fracasso. A internet, citada como arma para divulgação por dez entre dez artistas da atualidade, é muito usada por eles para vender CDs independentes (alguns com gravações nota cinco, feitas com voz e violão), buscar espaço em rádios pequenas do interior, soltar vídeos no YouTube, pensar em larga escala, etc. Boa parte dos sertanejos parece seguir a cartilha do "seja você mesmo" à risca, sempre de olho numa proposta estética que se afine com seus ideais e agrade aos fãs. E a história do estilo mostra que, sim, o mercado fonográfico vem ruindo por sua própria culpa e ponto final. Demorou muito para perceber os potenciais de um gênero musical perfeito para planos a curto prazo e levou bonito na cara quando exigiu proatividade e respostas imediatas de gente que merecia bem mais tempo de maturação. Ou quando perdeu a paciência com gente que, se devidamente compreendida e ajudada, ainda poderia fazer tilintar cofres e mais cofres e se expressar artisticamente. 

Mais: não deixa de ser curioso o fato de que, enquanto vários praticamente festejavam nas redes sociais o fato de nunca terem ouvido falar de Cristiano Araújo, um mundaréu de gente parecia realmente feliz em esfregar na cara das "elites" o fato de não apenas saber quem ele era, como ainda conhecer todas as suas músicas. O último artista do rock nacional a conseguir provocar esse efeito "você não gosta de mim mas (sua filha, seu filho, o povão, os mais pobres, uma porrada de gente) gosta" aqui no Brasil foi o Restart. Que, ao que parece, passou a não se enxergar mais nas roupas coloridas e nos cortes de cabelo chamativos. 

Dá até para imaginar que se alguém no Brasil conseguir construir esse efeito na cabeça dos fãs, adultos ou adolescentes (ou os dois), talvez possa chegar a um paraíso poucas vezes desfrutado no segmento pop-rock por aqui. Tem muita gente carente de novos ídolos no Brasil, pelos mais variados motivos. E é uma turma que não cabe numa canção do Chico Buarque, do Los Hermanos ou num rap dos Racionais MCs - e que, a bem da verdade, jamais ouviria uma música de Cristiano Araújo. E isso só para tentar teorizar um pouco a respeito de um modelo de negócios que hoje parece muito complexo, mas que em seu formato mais básico, resume-se a "diga o que quiser dizer, faça com que rime, ponha uma melodia legal e dê um jeito para que chegue a seu público".

MOSQUITO

Bati um papo com o sambista Mosquito, que tem sido comparado a Zeca Pagodinho e lança seu primeiro disco com a mesma idade (27 anos) que o cantor de Deixa a vida me levar tinha quando chegou ao mercado fonográfico.

O disco dele consegue escapar um pouco dos álbuns de samba que têm saído ultimamente, praticamente todos iguais e com diferenças apenas sutis entre um e outro. Tem até um samba-rock bem interessante, O dono da favela.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

CARROSSEL - O FILME

Olha, eu gostei muito do filme Carrossel. A novelinha foi levada para as telas de cinema e não faz feito, além de entreter as crianças com uma história que fala de ecologia, amizade e amor sem panfletarismos e babaquices. Em breve, deve sair uma resenha minha sobre o filme em O Dia. Por enquanto, tá aí a matéria que fiz e que saiu hoje na capa do Caderno D.


ERASMO CARLOS

Comentei outro dia com o amigo Renato Vieira sobre como era impressionante o fato de o Erasmo Carlos ainda ter peito para revisitar seu repertório dos anos 70 e 80 e colocar várias raridades num DVD - que é Meus lados B, a ser lançado por ele neste fim de semana no Oi Casa Grande. Erasmo, como se sabe, perdeu a ex-mulher, Narinha, e o filho Alexandre, ambos já mortos. Seu repertório desse período é essencialmente voltado para a vida em família, com músicas falando sobre o amor que sentia pela ex-mulher e sobre a criação que pretendia dar aos filhos. Basta dizer que no disco novo tem Sementes do amanhã, de Gonzaguinha, e a emocionante Geração do meio, composta por ele e pela própria Narinha.

Concluímos que Erasmo, um cara que praticamente inventou o rock brasileiro como o conhecemos hoje (ou como ele deveria ser hoje) é um sujeito forte pra caralho. Perguntei a ele sobre isso nessa matéria que fiz com ele e que segue ao lado (saiu hoje no O Dia) e ele respondeu: "É, bicho, mas às vezes o muro aqui é de isopor". E confessou que às vezes sente que a voz embarga no palco. Erasmo também confessa que, apesar de sua dedicação ao rock, sempre quis fazer sucesso com um samba - e resgatou vários dos que fez, com Roberto ou não, para o novo álbum. E, sem medo de ser mal interpretado (como aconteceu recentemente com Ed Motta), diz que não vai atender pedidos de sucessos no show.

MOVE OVER

Papo rápido com o Move Over, outra banda participante do Superstar, que lança disco novo.


SCALENE

Um papo com o Scalene sobre a banda, sobre o Superstar e sobre o show que rola no Rio nesta quinta. Saiu em O Dia.



sexta-feira, 10 de julho de 2015

CABARET

Bati durante a semana um papo com o amigo Márvio dos Anjos sobre a volta de sua banda, Cabaret. O show de lançamento do segundo disco deles já passou, mas vale o registro.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

HERÓIS DA GUITARRA BRASILEIRA

Vai entender qual o motivo, talvez uma certa timidez minha, talvez o fato de eu ter escrito bem pouco no meu blog nos últimos meses, mas fiz bem poucas referências aqui ao fato de ter lançado, junto com meu amigo Leandro Souto Maior, o livro Heróis da guitarra brasileira. O livro tem sua continuidade no site oficial, em que postamos (com pouca frequência, estamos os dois enrolados e geralmente sou dez vezes mais enrolado que Leandro, um cara 100% prático) algumas matérias sobre guitarristas, coisas que faltaram no livro, etc. Algumas cópias ainda devem rolar por aí, em algumas  livrarias - vi uma outro dia na Cultura do Centro do Rio. 

Saiu pela editora Irmãos Vitale, que apostou na gente quando ainda tínhamos muita coisa escrita, muita disposição, mas precisávamos de foco, reuniões semanais, etc. Conseguimos e saiu o livro, que ainda teve matérias bem bacanas e bem elogiosas por aí afora - aqui, você vê duas matérias "de casa", dos amigos Pedro Landim e Mauro Ferreira. Tivemos críticas (no sentido de decepção de alguns leitores), claro. Normal. O ideal é que o livro abra as cabeças de muita gente para o que já se fez de bom na guitarra brasileira.

Durante a elaboração do livro rolaram momentos inesquecíveis, como os guitarristas brasileiros que viraram verdadeiras figurinhas difíceis de achar. O livro ficou parado, sem término por dois meses enquanto não encontrávamos John Flavin, que tocou no primeiro disco do Secos & Molhados. Precisei ligar para um clube no qual ele supostamente fazia natação, para achá-lo. Nem seus antigos amigos tinham seu contato. John conversou bastante por e-mail e depois, em outro contato, elogiou o livro (graças a Deus).

Houve também um papo bem legal de Leandro com ninguém menos que Hélio Delmiro, grande nome da guitarra brasileira, e que nos mostrou o quanto o livro era importante para resgatar pessoas que, a despeito da sua importância, andavam sumidas. Procurado por Leandro, Hélio não queria dar entrevista por estar bastante chateado com o esquecimento ao qual foi relegado. Um crime em se tratando de um sujeito que tocou em Elis & Tom, disco clássico reunindo Elis Regina e Tom Jobim em versões definitivas e desencorajadoras de Só tinha que ser com você e Águas de março, entre outras. Só que Hélio foi falando, falando, falando, contou várias histórias sobre sua carreira e acabou dando a entrevista que anteriormente negara.

Depois Hélio nos fez uma surpresa aparecendo num lançamento do livro no Imperator, convidado pela amiga Fátyma Silva. Ficou emocionado de receber um exemplar e feliz por ter sido lembrado por nós. E ainda fez um dueto com Renato Barros, do Renato & Seus Blue Caps, o amigo Lula Zeppeliano fez questão de gravar em vídeo e postar no YouTube. Emocionou. Veja
aqui (e vai aí o agradecimento a Fatyma Silva e Henrique Kurtz, que propiciaram o encontro com Hélio e Renato, dois heróis do nosso livro).

Um momento bem legal que envolveu todo o processo de lançamento dos Heróis foi o dia em que aparecemos de última hora na casa de Luis Carlini, ex-guitarrista do Tutti-Frutti, para levar um exemplar. O que inicialmente era uma visitinha rápida virou mais de meia hora de papo e um pequeno passeio pela casa dele, na Pompéia, São Paulo, quase colada à casa onde os irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, criadores dos Mutantes, passaram a infância. De SP para Minas: Leandro, levado por nosso amigo Rodrigo Borges (sobrinho de Lô e de Marcio, filho de Marilton), durante o lançamento dos Heróis em Belo Horizonte, conheceu a casa da família Borges, em que canções clássicas como Clube da esquina e Para Lennon & McCartney foram criados. Não fui na casa porque estava ocupado com outra coisa, mas soube depois.

E talvez o momento em que Leandro e eu agradecemos a Deus por ter escrito o livro tenha ocorrido também em BH, quando lançamos os Heróis no Godofredo Bar, de propriedade de outro amigo, Gabriel Guedes (filho do cantor Beto Guedes). Toninho Horta, grande lenda da guitarra brasileira, passara mais cedo no bar para conferir o lançamento, quando ainda não havia ninguém. O encorajamos a retornar mais tarde, quando já haveria uma galera. A festa começou, livros foram autografados e Toninho, que prometera voltar, era aguardado. Suspense geral, ninguém sabia se ele viria e todos já começavam a imaginar que não só ele não apareceria, como tinha se ofendido com o vácuo de pessoas que encontrara na abertura do lançamento. "Músicos são meio sensíveis, sei lá, essa turma é complicada", comentavam.

Lá pelas 23h, quando nem imaginávamos mais que Toninho daria as caras, ele não só apareceu como deu uma canja no baixo e ainda, digamos, homenageou a mim e ao Leandro, afirmando que nós "éramos os verdadeiros heróis da guitarra por termos escrito o livro". Nem é preciso dizer que a essas alturas, estava todo mundo abraçado e chorando. Como Leandro daria uma canja no palco depois dele (ao lado do seu "broto" Mari Dantas, do próprio Gabriel e de Rodrigo Borges), essa data passsou para a história da divulgação do livro como "o dia em que Toninho Horta abriu um show do Leandro". E por aí foi. Daria um outro livro, cheio de momentos emocionantes e muito aprendizado para nós dois.

Leandro e eu temos outros projetos em dupla, inclusive ligados aos próprios heróis da guitarra brasileira, que esperamos colocar para andar em outros momentos. Por enquanto, tem o livro ainda aí e quem quiser comprar, é só falar com a gente. Ou comprar aqui. Ou percorrer as livrarias do Rio - como falei, na Cultura do Centro ainda tem. Fico devendo ainda um depoimento sobre as milhares de coisas que aprendi escrevendo esse livro e que pretendo colocar em prática para os próximos. Ou sobre como é legal rasgar a agenda de trabalho e apostar em coisas diferentes de vez em quando. Vai rolar.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

FML PEPPER

Bati há algumas semanas um papo com a escritora FML Pepper, sucesso no meio virtual que agora vai para os livros de papel.

O lançamernto do livro dela já rolou, mas fica o registro.