quinta-feira, 30 de outubro de 2014

PLAYING FOR CHANGE

Vai rolar esse show amanhã na Lapa: o projeto Playing For Change, que reúne músicos de todo o mundo, lança CD.

Fiz matéria para O Dia.

PROJETO COM ARTISTAS DE RUA DE VÁRIOS PAÍSES FAZ SHOW NA LAPA
Playing For Change foi criado em 2002 com o intuito de unir músicos de todo o mundo
Publicado em O Dia em 28 de outubro de 2014

“Nos juntamos em torno da ideia de construir um futuro melhor se todos nós trabalharmos juntos e criarmos inspiração e esperança. E a música é a melhor ferramenta para nos unir e curar corações partidos. Ou culturas e países partidos ao meio”, conta ao DIA o músico, produtor e técnico de som americano Mark Johnson. O projeto Playing For Change, criado por ele em 2002 com o intuito de unir músicos de todo o mundo, vem à Fundição Progresso nesta sexta-feira lançar o terceiro CD/DVD, Playing For Change 3 — Songs around the world.

O projeto e a PFC Band (o grupo que vem tocar aqui, que se formou em 2009 com alguns dos vários artistas de rua que já passaram pela trupe) têm mensagens de paz herdadas diretamente do reggaeman Bob Marley. Não por acaso, o show no Rio tem abertura do grupo de reggae Ponto de Equilíbrio e, depois da apresentação, as duas bandas se encontram no palco para homenagear o cantor.

No novo disco, a versão que fizeram de um clássico do artista, Get up, stand up, ganha a guitarra de ninguém menos que Keith Richards, dos Rolling Stones. Ele, Sara Bareilles e o grupo mexicano Los Lobos (lembra-se da versão deles para La bamba, de Richie Valens?) estão entre os 180 artistas de todo o mundo selecionados para o álbum. O guitarrista ainda contribui com uma música sua, nova, Words of wonder.

“Ele ouviu nossa versão para Gimme shelter (dos Stones) e fui convidado para conhecê-lo em Nova York. Ele topou participar e lembro dele falando que ‘tocar por mudanças’ (‘playing for change’, em português) era a maneira como a música deveria funcionar, como ela deveria agir”, conta Johnson. “A PFC Band vem de dez diferentes países e cada músico traz suas próprias canções e sua própria personalidade para o show. Misturamos material original e canções conhecidas.”

O sucesso do documentário sobre o projeto e da versão que fizeram para Stand by me, de Ben E. King, em 2005, tornou conhecida a busca que Mark faz em vários países por músicos de rua. “É o som mais puro, não há filtros ali”, diz o produtor.

O time que vai para o palco da Fundição inclui músicos como Grandpa Elliot (vocais, Estados Unidos), Clerence Bekker (vocais, Holanda), Keiko Komaki (teclados, Japão) e Mermans Mosengo (do Congo e radicado na África do Sul, canta e toca guitarra e percussão). “A gente adora tocar e ver a mudança acontecer nos rostos das pessoas. A música é o caminho e o único meio de unir todos, de forma positiva e pacífica”, conta Mermans.

Há brasileiros no projeto. “No disco, temos grandes músicos brasileiros. Paulo Heman gravou suas percussões nas ruas do Rio para o disco, e o convidamos para tocar com a gente no show. Temos também um trio de Belo Horizonte, Johnny Herno na percussão, Tom Nascimento na guitarra e Rafael Dias no cavaquinho”, conta Johnson.

MAMONAS ASSASSINAS NO PRÊMIO MULTISHOW

Mais do Prêmio Multishow.

Essa info aí foi um furo meu e do Leandro aqui no
O Dia. Saiu segunda, um dia antes da premiação.


VERY PORRETA
Dinho Ouro Preto, Digão e Lucas Silveira se unem para cantar músicas da banda Mamonas Assassinas no Prêmio Multishow
Texto de Leandro Souto Maior e Ricardo Schott
Publicado em O Dia em 27 de outubro de 2014

Se há um Réveillon inesquecível para Dinho Ouro Preto, foi o de 1995 para 1996. “A ascensão do Mamonas Assassinas coincidiu com um período em que saí do Capital Inicial. Eu estava meio por fora do circuito, tinha acabado de conhecer minha mulher, com quem sou casado até hoje. Fomos passar o Ano Novo no litoral de São Paulo e ficamos frustrados, porque estava chovendo pra caramba. Daí um vizinho começou a tocar o disco do Mamonas ininterruptamente, no volume 11! Isso ficou impresso no meu subconsciente para sempre!”, recorda o vocalista.

Veja só, há males que vêm para o bem: já devidamente imerso na obra do divertido e saudoso grupo, amanhã Dinho, junto de Digão (Raimundos) e Lucas Silveira (Fresno), vai mergulhar na música da banda, que também trazia um cantor chamado Dinho — e que teve trágico fim com a morte de todos os integrantes em um acidente aéreo, três meses depois daquele Réveillon. A celebração será uma das atrações da 21ª edição do Prêmio Multishow, transmitida ao vivo pelo canal por assinatura, direto da HSBC Arena, na Barra, a partir das 22h.

“Vai ser muito divertido esse show, que está sendo dirigido pelo Kassin. É uma tradição do rock brasileiro revelar bandas com essa pegada, de sacanagem, de humor. Os Raimundos tinham uma veia engraçada também, e antes tinha ainda o Ultraje a Rigor”, lista Dinho Ouro Preto.

Guitarrista dos Raimundos, Digão concorda: “Os Mamonas eram uma versão infantil da gente, né? Imagina: você tem dois brinquedos. Um é próprio para crianças mais novas e é liberado. O outro é mais perigoso, pode machucar e é para crianças mais velhas. Nós éramos esse brinquedo mais perigoso. Os Mamonas abriram espaço para a gente tocar mais para a molecada”, considera.

Nem Digão, nem Dinho, nem Lucas se esquecem do fatídico dia 2 de março de 1996. “Era um domingo, antes do primeiro dia de aula. Acordei cedo e vi no plantão da TV, todo mundo no colégio ficou megamal. Foi um negócio muito traumático. Morreram no auge, não tiveram tempo de fazer nada”, recorda o cantor do Fresno, a angústia dividida por todos os brasileiros, como acrescenta Dinho Ouro Preto: “Em um primeiro momento, era quase que como um boato. Foi muito comovente, passei horas acompanhando, para ver se alguém poderia não ter entrado naquele avião.”

ANOS 90: Nesta edição do Prêmio Multishow, não só os Mamonas Assassinas, mas também outros ícones da década de 90 serão lembrados, entre uma entrega de troféu e outra para os destaques da música em 2014.

“A gente está começando a viver a ressaca dos anos 90”, avalia Stella Amaral, diretora da premiação. “Foi quando o axé e o sertanejo chegaram nos grandes centros, teve mais espaço para o rap, o boom do pagode, foi uma década da alegria.”

Apresentado por Paulo Gustavo, Ivete Sangalo, Tatá Werneck e Didi Wagner, a festa vai promover sete encontros musicais para reviver a época, resgatando nomes como Buchecha, É o Tchan, Daniela Mercury, Gabriel O Pensador, BNegão, Zezé Di Camargo & Luciano e Daniel, que vão se misturar a nomes de gerações mais recentes, como Anitta, Emicida e Luan Santana, entre outros.

“Os Mamonas são a personificação desse momento de alegria da década de 90. E o que foi mais especial neles é que, apesar de fazerem um pop rock cômico, eram tecnicamente excelentes. Deixaram uma saudade danada, falar dos anos 90 e não lembrar deles não dá!”, atesta Stella.

Neste encontro-tributo, porém, o momento é de reviver o que de mais legal os Mamonas Assassinas deixaram: a alegria. “Tem que continuar sendo engraçado!”, decreta Lucas Silveira. “Não vai ser aquela coisa póstuma, triste. Eu escolhi fazer um número bem farofento, meio inspirado no Queen, que é uma das minhas bandas preferidas. E sugeri dar uma subvertida nos arranjos originais”, antecipa.

Dinho também detalha o que está preparando: “Pude escolher a música que cantaria. De cara, mandei ‘Sábado de Sol’. E, no final, vamos nos juntar em Vira-vira.”

Vai ser, de fato, uma homenagem ‘de Dinho para Dinho’. Aliás, ser homônimo do líder do Mamonas proporcionou um outro capítulo hilário na biografia do vocalista do Capital, frequentemente lembrado por ele em entrevistas: “Uma vez ligou uma mina de uma revista. Era a época em que eu estava sem trabalho. A repórter me entrevistou por horas, pegando todos os detalhes da minha vida. E, no final, perguntou: ‘E aí, Dinho, qual a sensação de vender 1 milhão de discos?’ Aí a ficha caiu, né? C*, uma hora falando comigo. Falando com o Dinho errado!”

PRÊMIO MULTISHOW

Nada demais, só umas recordações da terça-feira, do que rolou na edição 2014 do Prêmio Multishow.

RECORDAÇÕES E NOVIDADES DO PRÊMIO MULTISHOW
Sertanejo e axé dos anos 90 no palco
Publicado em O Dia em 30 de outubro de 2014

“Tem tanta gente cantando nesse país, tantos cantores bons, que acho melhor até dedicar esse prêmio aos cantores, né?”, comemora Thiaguinho. A edição 2014 do Prêmio Multishow, ocorrida terça-feira na HSBC Arena, deu ao sambista, pelo júri popular, dois prêmios: o de melhor cantor e o de música chiclete (com Caraca, muleke!). Já no voto popular, ganharam prêmios também Ivete Sangalo (melhor show), Sorriso Maroto (melhor grupo), o campeão do programa The Voice Brasil Sam Alves (categoria Experimente), Paula Fernandes (melhor cantora) e Luan Santana (melhor música, com Tudo o que você quiser).

Mesmo apresentando novidades (além da interatividade maior, categorias recém-criadas, como Melhor Clipe TVZ, cuja votação foi feita por Twitter e ganha por Te esperando, de Luan Santana), foi o passado que deu o tom da edição 2014 do Prêmio Multishow. Blocos de sucessos dos anos 90 — entre funk, axé, pagode, rap, sertanejo e rock — foram recordados por artistas novos e da época. Uma mistura emocionante (como quando os sertanejos Luan Santana, Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo & Luciano, Daniel e Bruno & Marrone se reuniram para cantar Evidências, do repertório de Chitãozinho & Xororó) e, em outros momentos, hilariante (como as entradas erradas e desafinações na homenagem de Márcio Victor, Léo Santana, Ivete Sangalo, É o Tchan, Daniela Mercury e Terrasamba ao axé dos anos 90).

No final, Dinho Ouro Preto (Capital Inicial), Digão (Raimundos) e Lucas Silveira (Fresno) fizeram homenagem aos Mamonas Assassinas, mortos num acidente aéreo em 1996. O humorista Tom Cavalcante, que irá apresentar um sitcom no Multishow em 2015, entrou no palco dirigindo uma Brasília amarela e cantando Pelados em Santos, do grupo.

“Até hoje acho que os anos 90 foram a época em que a indústria musical funcionou de verdade, com vários gêneros musicais nas paradas, e não apenas pacote de rock, sertanejo ou axé que fazia sucesso. E foi a época do auge dos Raimundos, o que foi ótimo”, lembra Dinho Ouro Preto.

CULTURA NO SESC DO RIO

Você com certeza tem um amigo paulista que vive elogiando o circuito dos Sescs de São Paulo, dizendo o quanto eles são legais e apresentam uma gama de shows, cursos, eventos, etc. E já deve ter se perguntado porque é que o mesmo não acontece no Rio. Errou por muito: o mesmo JÁ acontece no Rio. Falta o carioca descobrir. Dá só uma olhada nessa minha matéria que saiu sexta no Guia Show & Lazer do jornal O Dia. Fique de olho nos próximos shows, que vale a pena.

SESC CARIOCA TRAZ ATRAÇÕES VARIADAS A PREÇOS POPULARES
Unidades do Serviço Social do Comércio no Rio se equiparam a São Paulo como polo de arte e cultura
Publicado em O Dia em 24 de outubro de 2014

O carioca está, pelas beiradas, descobrindo um circuito cultural que já é popularíssimo em São Paulo: o das unidades do Serviço Social do Comércio. Os Sescs, enfim. “Toda vez que temos projeto novo, percorremos os Sescs paulistas”, conta John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu. “No Rio, é a primeira vez que fazemos com consistência. Cada Sesc tem sua configuração, preços acessíveis e fica um negócio bem democrático”, avalia a vocalista Fernanda Takai.


O grupo mineiro lança um novo álbum, Não pare pra pensar, e aproveita para repassar os hits em seus shows do Circuito Sesc de Música. Na semana passada, estiveram na unidade do Engenho de Dentro, onde posaram para O DIA. Hoje é a vez do Sesc Quitandinha, que ocupa toda a área social do histórico Palácio Quitandinha, em Petrópolis. Além deles, o Circuito traz Adriana Calcanhotto amanhã no Sesc Madureira, Zélia Duncan hoje em São João de Meriti e Mariene de Castro amanhã em Nova Friburgo. E vale lembrar que a música no Sesc não se restringe ao Circuito. O soulman Tony Tornado comemora o Dia do Idoso amanhã, na unidade Niterói, lembrando hits como BR 3. Rola até pista de dança em Madureira, com o projeto Eu Amo Baile Charme, matinê que acontece no domingo.

Cantoras e assíduas das unidades, Érika Martins e Julia Bosco acreditam que falta pouco para o carioca se declarar apaixonado pelo serviço. “O Sesc de São Paulo teve uma fase ruim e melhorou. Acredito que o do Rio já tenha dado uma crescida. Vejo pessoas de todas as idades nos meus shows”, conta Érika. Julia, que recentemente foi assistir ao show de Joyce Candido na unidade da Tijuca, acha que o carioca demora demais a assimilar coisas novas. “O Rio se acostumou muito com essas casas de shows enormes. Mas é uma questão de insistência”, diz.

O universo que o carioca ainda está para conhecer descortina vários mundos. Com 21 unidades no estado do Rio, o Sesc tem vários shows, cursos, peças de teatro. Há muitos eventos gratuitos, e shows e peças com ingressos variando entre R$ 8 e R$ 20. Para associados, os preços estão entre R$ 3 e R$ 5. “A missão é proporcionar qualidade de vida aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, mas seu alcance estende-se para toda a sociedade”, conta Maria José Gouvêa, gerente de Cultura do Sesc Rio.


O teatro é forte no Sesc, em unidades como o histórico Teatro Ginástico, no Centro — inaugurado em 1938, ele foi absorvido pela rede em 2002. A peça Entredentes, dirigida por Gerald Thomas e protagonizada por Ney Latorraca, pode ser vista lá de hoje a domingo. Já no Sesc Tijuca, Maitê Proença e Clarice Derzié encenam À beira do abismo me cresceram asas, amanhã e domingo.

A escala não se restringe aos nomões. E novas tendências são sempre bem-vindas. Como o Projeto Geringonça, espécie de ponto de encontro jovem para “fruição artística”, que se tornou uma tradição no Sesc Tijuca. “Tem também o Engenhoca, no Engenho de Dentro”, diz Maria José, citando a unidade mais antiga do Estado. O Geringonça fecha a tampa de 2014 recebendo amanhã o pesquisador cultural Antonio Nóbrega para um show inédito. Vai ser uma grande troca de figurinhas com os jovens. “Queremos abrir espaço para inovações e experimentações”, conta Maria José, prometendo que a democracia sempre vai estar em cartaz no circuito.

DIVERSÃO É A SOLUÇÃO, SIM Tem mais música nas unidades até o fim do ano. O Circuito Sesc de Música vai até dezembro, e ainda em outubro apresenta Marcelo Jeneci (dia 31, em Nova Iguaçu), mais um show do Pato Fu (dia 31, Madureira) e os veteranos vocalistas do MPB4 (dia 28, no Sesc Ginástico). Para os meses de novembro e dezembro, nomes como Lenine, 4 Cabeça, Ana Cañas, Roberta Sá, Leo Gandelman, Zeca Baleiro e Ivan Lins já estão confirmados. O Circuito Sesc de Teatro percorre 14 unidades do serviço em todo o Estado e traz peças como O homem da cabeça de papelão, Oleanna, O enxoval e Deus e o diabo na Terra do Sol. Entredentes, com Ney Latorraca, permanece em cartaz até novembro no Sesc Ginástico. Saiba das novidades através do site www.sescrio.org.br.

domingo, 26 de outubro de 2014

CINE LITERÁRIO

Um papinho com o idealizador de um projeto bem interessante, que é o Cine Literário, marcado para começar nesta segunda lá no Ponto Cine.
PROJETO CINE LITERÁRIO PÕE A ACESSIBILIDADE EM CARTAZ
Ciclo de filmes baseados em livros estreia sua segunda edição
Publicado em O Dia em 26 de outubro de 2014

Cinema, literatura e acessibilidade são os pontos-chave do projeto Cine Literário, cuja segunda edição começa na segunda-feira no Ponto Cine, em Guadalupe. Trazendo dez filmes recentes que surgiram da adaptação de livros — todos seguidos de debates —, o ciclo já é inclusivo a partir do local escolhido.

“Nasci em Anchieta, perto de Guadalupe. Os moradores da região vão bastante ao evento. A gente sempre soube que o que falta lá é oferta. Ofertamos e todos vão”, diz o diretor-executivo do Ponto Cine, Adailton Medeiros. O projeto começou em 2003 numa feira de livros no Sesi de Duque de Caxias e depois tomou forma. “Para atrair o público eu fazia de tudo: rodava em carro de som, falava em sala de aula de escolas e faculdades, divulgava em rádio”.

Com a nova edição, o Ponto Cine se torna o primeiro cinema 100% acessível do Brasil. Além de rampas para cadeirantes, o Cine Literário estreia o aplicativo WhatsCine, desenvolvido na Universidade Carlos III de Madrid, na Espanha, que põe na tela de tablets e smartphones um intérprete de libras e legendas, além de emitir audiodescrição por fones.

“Isso vai além da questão de contrapartidas sociais. É uma conquista de direitos humanitários”, comemora Adailton, que criou um projeto literário para escolas públicas ligado ao Cine Literário. “Doamos midiotecas com acervo de filmes nacionais baseados em clássicos da literatura brasileira. Quarenta e duas delas já foram distribuídas pelo Brasil”.

Iniciando parceria com a distribuidora Downtown Filmes, o Cine Literário abre sua edição 2014 com o filme Batismo de sangue, de Helvécio Netto, sobre a resistência dos frades dominicanos durante a ditadura — o próprio diretor participa do debate, ao lado do sociólogo Ivo Lesbaupin. Heleno, de José Henrique Fonseca (inspirado na biografia do jogador, escrita por Marcos Eduardo Neves) e Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima (feito em cima do livro de Guilherme Fiuza), estão também no roteiro, que pode ser visto em www.pontocine.com.br/cineliterario.

UMA LADEIRA PARA LUGAR NENHUM

Um papo com o escritor Marco Carvalho sobre seu livro Uma ladeira para lugar nenhum, que conta uma história dos primórdios da favelização do Rio (incluindo doses de preconceito social e racial, remoções injustas e impensadas, etc).

OS MISTÉRIOS DO ANTIGO MORRO DO CASTELO EM LIVRO
Marco Carvalho lembra a remoção no local
Publicado no O Dia em 21 de outubro de 2014



O escritor Marco Carvalho passava todos os dias pela região onde outrora ficava o Morro do Castelo, posto abaixo em 1922 numa época em que se pretendia modernizar o Rio de Janeiro. E se indignava. “O processo foi o de todas as remoções: embeleza-se a cidade tirando o preto e o pobre do caminho. Os moradores foram mandados para favelas distantes”, recorda Carvalho, cujo romance Uma ladeira para lugar nenhum (Editora Record, 160 págs, R$ 32) conta uma história de ficção sobre o Morro e a Ladeira da Misericórdia, que ligava o asfalto ao Castelo, e da qual hoje só resta um pedaço.

O livro de Marco fala sobre a paixão proibida da mulata Rosário pelo Padre Ernesto — ela vivendo um casamento frustrado com um comerciante português, ele lutando para se manter fiel à Igreja. O amor dos dois se dá entre a ladeira, o morro e seus subterrâneos. “Há documentos que mostram tesouros dos jesuítas por lá. O Lima Barreto escreveu sobre isso no livro O subterrâneo do Morro do Castelo”, relata Marco. “O desmanche do local foi conduzido de forma autoritária. Nunca acontece, nessas reformas, um plano para quem acaba sobrando nelas. É como aconteceu recentemente em outras favelas”.

Uma das histórias do livro é real: a dos estudantes de uma escola pública que, em 1920, ensaiaram para cantar o Hino da Bélgica para o Rei Alberto e a Rainha Elisabeth, em visita ao país. “Eles proibiram que os alunos negros se apresentassem junto dos brancos. Isso aconteceu de verdade. No livro, conto essa história como se fosse com o filho da Rosário”, diz Marco. Uma ladeira fala de uma certa vergonha que o Rio tem de seus caracteres afro — Rosário, católica, frequenta escondida centros de umbanda. “Mas isso está mudando. As pessoas têm mais sensibilidade. Principalmente ao abordar o mundo dos orixás, que traz toda uma mitologia.”

Marco é autor de Feijoada no paraíso, que originou Besouro — O filme, de João Daniel Tikhomiroff, sobre a vida do capoeirista Besouro Mangangá. Caso Uma ladeira para lugar nenhum tenha o mesmo destino, ele já sonha com uma Rosário de carne e osso. “Imagina a Juliana Alves, linda daquele jeito, no papel?”, brinca.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PEDRO MARIANO E ORQUESTRA EM DVD

Bati um papo com Pedro Mariano sobre o DVD ao vivo dele, gravado com orquestra em São Paulo.

Tudo o que vem dessa turma dos "artistas reunidos" (os filhos de Wilson Simonal, Elis Regina e Jair Rodrigues mais seus amigos) tem lugar especial por aqui.


ORQUESTRA E VOZ NO OUVIDO, NO DVD DE PEDRO MARIANO
Filho de Elis Regina lança disco ao vivo
Publicado em O Dia em 19 de outubro de 2014


Pedro Mariano já está, como diz, “batendo na porta dos 20 anos de carreira”. Acumula hits como Voz no ouvido e Tem que ser agora, mas após um tempo de discos sem tanta repercussão — e lançando o CD/DVD Pedro Mariano e Orquestra — percebe que seu nome ainda é novidade para muita gente. “Toda vez que lanço disco novo, vejo gente descobrindo meu trabalho. Também tem fãs dizendo: ‘Quero comprar seu CD.’ E isso de comprar CD está em desuso”, brinca o filho de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano.

O novo DVD (gravado no Teatro Alfa, em São Paulo, para um especial do Canal Brasil) o levou a novas descobertas. Sem abandonar a turnê do disco anterior, 8, ele começou a rodar o país usando orquestras locais. No Recife, teve a participação do popular maestro Spok.

“Tivemos um patrocinador e a contrapartida foi que eu desse palestras para crianças moradoras de comunidades, sobre música. Depois, a criançada ia assistir ao show”, conta. “Para facilitar, viajávamos com o primeiro violino ou o primeiro trompete. Os músicos clássicos têm leitura afiada. Vi a dedicação deles, deu um orgulho enorme”.

Para o DVD, Pedro trouxe uma inédita de Ana Carolina, ‘Um Pouco Mais Perto’, e várias do amigo-irmão Jair Oliveira como Simples, Ventania e Sem você sou não. Músicas de Lulu Santos (Certas coisas), Gonzaguinha (Sangrando), Jorge Drexler (Al otro lado del rio) e Roberto Carlos (Você) também estão no disco. “É o repertório que eu canto no chuveiro”, brinca Pedro. “Ou são músicas que estão no meu celular. Queria gravá-las, mas tinha que ser no momento certo”.

Pedro participou em 2013 da gravação do DVD comemorativo de Jair, Jair Oliveira 30. Reencontrou-se no palco com a turma com a qual formava o grupo Amigos Reunidos (Jair, sua irmã Luciana Mello, Daniel Carlomagno e os filhos de Wilson Simonal, Max de Castro e Simoninha). Todos ainda se recuperam do baque que foi a morte recente do pai de Jair e Luciana, Jair Rodrigues.

“Não teve uma semana da minha vida em que eu não encontrasse com o Jairzão. Você ficava do lado dele, dava muita risada e ficava bem. Deixa uma escuridão gigantesca”, conta Pedro. “O Fantástico exibiu aquela parte do último show de Jair em que ele ‘convida’ a Elis para subir ao palco. Para muita gente soou como se ele soubesse que ia morrer, mas ele sempre fazia aquilo. Todo mundo ri nessas horas e, sempre que eu estava do lado, ele brincava comigo”.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

CAROLINA MONTE

Um papo com Carolina Monte, irmã de Marisa Monte que é DJ,  trabalha com produção, tem um estúdio e é mais ligada ao mundo do hip hop.

IRMÃ DE MARISA MONTE PRODUZ CDS DE RAP E SAMBA
Carolina Monte lança rapper El Tosh
Publicado em O Dia em 16 de outubro de 2014

Tem quem chame Carolina Monte, 35 anos, de “irmã roqueira de Marisa Monte”. “É porque tenho tatuagens e já tive uma banda de rock, Os Irreversíveis. Mas acho que não sou nada”, brinca. “Trabalho com todo tipo de música. Cresci ouvindo tudo com minha irmã e com nosso pai (Carlos Monte), que é ligado à Portela”, diz ela, que acaba de produzir o segundo CD do rapper El Tosh, Conceito, lançado hoje com show na festa ArpoBlack no Arpo Restô Bar, em Copacabana. 

Em 1996, Carolina foi estudar em Nova York e, ligada em rappers como Tupac Shakur e Puff Daddy, decidiu virar DJ. “Comprei vinis, bateria eletrônica, montei um estúdio em casa. E fiz faculdade de engenharia de áudio”, diz ela, que é dona do estúdio Top Five Produções, no Cosme Velho, e já fez trabalhos para a irmã.

A pergunta é inevitável: Carol canta também? Ela faz aula de canto com a preparadora vocal do programa The Voice, Nina Pancevski, mas não tem interesse nisso. “O que aprendi na aula de canto uso no meu trabalho de estúdio. Eu não tenho esse desejo de ser cantora, detesto viajar, odeio avião”, conta, revelando que além de Marisa e da outra irmã, a atriz Letícia, há outro artista na família. “Meu pai é um grande compositor de marchinhas de Carnaval. Fico insistindo para ele gravar, mas ele não quer.”

Recentemente, Carol trabalhou em Mi, disco solo da percussionista LanLan, e no álbum Dois compassos, dos sambistas Délcio Carvalho e Marcelo Guima. Ultimamente, vem conversando com o rapper MV Bill sobre a digitalização do material do começo da sua carreira. “As gravadoras não têm cuidado com esse acervo. No mundo do hip hop, muito pouca gente tem chance de estudar áudio. No Brasil não tem nem faculdade disso.”

Carol nasceu com um problema congênito no coração (o CIV, comunicação interventricular, o popular “sopro”), com o qual lidou por três décadas. Durante muito tempo, dividiu seu tempo entre a música e inúmeros exames. Hoje, está curada. “Operei o coração há uns quatro anos e levo hoje uma vida normal”, alegra-se.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

BIEL BAUM

No dia das crianças, soltei essa matéria no O Dia. Um papo com o minichef de cozinha (12 anos) Biel Baum, que vem ao Rio ainda este mês ministrar duas oficinas e lançar livro.


ALIMENTAÇÃO E VIDA SAUDÁVEIS
Chef de cozinha aos 12 anos, Biel Baum lança livro e ministra duas oficinas no Rio este mês
Publicado por O Dia em 12 de outubro de 2014

"A cultura dos fast foods está nas memórias das famílias. Minha mãe, quando tirava nota boa, era levada para comer um Big Mac, como se fosse um prêmio”, assusta-se o ‘minichef’ de cozinha Biel Baum, 12 anos, levantando a bandeira da alimentação saudável para crianças, com programas no YouTube, palestras e oficinas — como as que ele faz no dia 22 na escola de culinária Ateliê das Ideias, no Humaitá, para crianças e adolescentes. Lá, ele lança também seu livro Diário para Jamie Oliver: Realizando sonhos e inventando receitas — vol. 1 (Ed. Magia de Ler, 100 págs., R$ 49,90), uma homenagem ao chef e apresentador inglês.

Aos 8 anos de idade, já interessado em alimentação saudável, Gabriel Baum Bittencourt decidiu que não queria mais ir à escola. Além de desejar uma aprendizagem diferente, ele sofria bullying por preferir frutas à alimentação rápida. “Fui estudar como poderia cuidar melhor da educação dele”, recorda Sabrina Bittencourt, mãe de Biel, que criou em seguida o sistema de educação livre Escola com Asas, para o qual migrou também seus outros dois filhos, David e Raquel. A família de Biel tornou-se nômade, morando em vários lugares do mundo e do Brasil — na época da criação do projeto, viviam na Espanha. E o garoto adotou a missão de salvar crianças da obesidade. “É uma tarefa de formiguinha. As crianças podem adorar fazer uma oficina, mas o trabalho precisa continuar em casa, com os pais”, diz ele.

Biel (que, além de trabalhar, ama ler, cantar, assistir a filmes e jogar videogame) tem ídolos na cozinha, como sua bisavó Zulma e sua mãe. “É porque ela cozinhava tão mal quando eu era criança que me estimulou”, brinca. Mas o camisa 10 é mesmo o superchef Jamie Oliver. Quando Jamie veio ao Brasil assistir a jogos da Copa do Mundo, aproveitou para encontrar-se com Biel. Mas ao contrário, do carnívoro Jamie, Biel é vegetariano. “Nem conversamos sobre isso. Ser vegetariano ou não é uma decisão pessoal”, diz.

Ele também prefere farinha integral e alimentos orgânicos. “O Brasil está pior no uso de agrotóxicos. Tem políticas governamentais que permitem o veneno no nosso prato”, indigna-se. Nos programas que apresenta no YouTube (como o Arte na Cozinha), ensina a fazer receitas como risoto de quinoa e cupcake de frutas. “Tenho muito para aprender. Agora mesmo arrumei um mentor fera para conhecer receitas sem glúten. E sou louco pela culinária japonesa vegetariana”, anima-se Biel. Ele toca também o projeto ‘Imagine e Coma’, uma oficina que ele quer transformar em uma rede de lanchonetes itinerantes de orgânicos. “Cada criança vai poder preparar sua própria receita. Quero que meus clientes sejam associados, como numa comunidade”, afirma.


CRIANÇAS NA COZINHA, NA TV E NO YOUTUBE O Ateliê das Ideias, que abre portas para Biel, também é a locação do programa Tem criança na cozinha, que vai ao ar de segunda a sexta-feira no canal Gloob, às 12h45, apresentado por Luisa Giesteira (aluna do Ateliê), Luigi Montez e Eduardo Martins. “Atuamos fazendo consultoria e desenvolvimento de receitas. Além de oficinas, damos cursos completos de culinária”, conta Fabiana Figueiredo, sócia do Ateliê.

No YouTube, além de Biel, tem mais crianças ensinando a cozinhar. Pablo Peixoto, publicitário e apresentador do programa Qu4trocoisas (Play TV), criou o Cozinha da Luiza, com sua filha de 5 anos. “Ela adora ajudar na cozinha e me pediu para brincar de fazer vídeos”, conta Pablo. Com o pai, Luiza já ensinou a fazer pizza e gelatina de frutas. “Além da culinária, a ideia é mostrar coisas que pais e filhos possam fazer juntos. Vou apresentar coisas do meu tempo para Luiza, como walkman, brinquedos ou videocassete, e mostrar a reação dela”, adianta.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

NEW ORDER

Procurando textos antigos meus, achei essa resenha que foi publicada no meu antigo blog, o Discoteca Básica, por volta de 2006 sobre o CD Waiting for the sirens call, do New Order. Tava no Archive.org, onde volta e meia cato textos que não estão mais online.

A lembrança que tenho desse texto é a de que recebi por vários dias e-mails indignados de um "fã" do grupo, bem puto por ver sua banda preferida detonada. Tudo estaia bem, se eu não tivesse caído na tentação de responder à altura e começado uma troca grosseira de e-mails com o tal sujeito. Nem sequer me lembro mais o que escrevi, mas li coisas do nível "seu crítico de merda", além de ter que engolir o cara sustentando suas opiniões com as resenhas de usuários da Amazon.com.

Prometi nunca mais discutir online com alguém e hoje o pior que alguém consegue arrancar de mim após uma detonação básica a um texto meu é um "obrigado por ter lido o texto". Mas como recordação fica aí a resenha. A propósito, fui reouvir esse disco outro dia e... achei a mesmíssima coisa.


WAITING FOR THE SIRENS CALL - NEW ORDER (London). Num,a entrevista recente, Bernard Sumner tinha adiantado que o álbum novo do New Order seria dividido tranqüilamente entre guitarras e teclados - mais ou menos na linha do anterior, Get ready. A saída da tecladista Gillian Gilbert e a entrada de um guitarrista-tecladista, Phil Cunningham, já entregava que o New Order poderia perder muito da sua graça. Quando nada, por uma coisa bem boba, do tipo "quebraram o cristal da formação de sééééculos". E quando o single Krafty começou a circular na internet, o que mais apareceu foi gente dizendo que tinha achado a música fraca.

Só que Krafty não é fraca. Anima qualquer fâ saudoso da banda, só que, analisando friamente, não provoca aquela sensação equivalente a sentir vento no rosto em pleno calor. Como acontecia, só para citar um exemplo recente, com Regret, do Republic, disco do New Order de 1993.

Waiting for the sirens call, no que depender das faixas que já andam circulando nos p2p da vida, deixa a mesma sensação de falta de surpresas. O desenho da capa lembra mais uma coletânea picareta do que um álbum de carreira. Já quebra qualquer expectativa.

De novidade tem o fato de que os norte-americanos do The Killers - uma das bandas que mais se sobressaiu entre os filhotes do New Order - já superaram os mestres na fórmula dance-rock, o que já dá para perceber logo na primeira música, Who's Joe, e em faixas como Morning night and day. São faixas dançantes, com ganchos razoáveis, mas muito aquém de qualquer coisa que o New Order já tenha feito. E há coisas curiosas, como a ragatanga (rararará!) I told you so e a punkinha Working overtime, cantada por Bernard Sumner numa sem-gracice de constranger.

Então lá vai: o que tem de realmente legal no disco? Numa análise saudosista, Dracula's castle pode ser considerada uma música maravilhosa - tem os famosos riffs de baixo de Peter Hook, copiados à exaustão, o som que marcou o grupo. Hey now what you're doing, apesar de belíssima, é uma das coisas mas estranhas do álbum: uma música do New Order cuja introdução lembra R.E.M. (!) e cuja melodia tem uma mistura de guitarra, violões e bandolins, além de teclados tapa-buraco. O resto vai na mesma base, sem surpresas. E se alguém duvidava da importância de Gillian Gilbert para o New Order é só dar uma escutada na tecladaria sem sal do álbum novo.

Waiting for the sirens call é bom de baixar do Soulseek e sair falando pra todo mundo "sabe o disco novo do New Order? Eu tenho e você não tem", mas gastar 40 paus são outros quinhentos. Depois de escutar um disco como esses, dá até vontade de escrever uma resenha-testamento comparando o New Order com a situação atual do Flamengo, com torcedores sofrendo ao envergar a bandeira do clube e comemorando empates como se fossem vitórias. Complicado isso - e no andar da carruagem do New Order, só vai rolar gol daqui a uns cinco anos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

LAMARTINE BABO, "TRA-LÁ-LÁ"

Se você ainda não leu a biografia Tra-Lá-Lá — Vida e obra de Lamartine Babo, leia já. O livro acaba de ganhar sua terceira edição, revisada e ampliadíssima. E traz um belo pedaço da história não apenas da música popular brasileira, como também do nosso jornalismo e da nossa crônica.

Sim, porque Lamartine Babo (1904-1963) 
foi, além de um grande compositor (e, sim, você sabe: autor dos "hinos" de boa parte dos clubes de futebol cariocas), um puta jornalista, cronista e radialista. Chegou também a produzir discos, escrever poemas e, no fim da vida, a apresentar programas de TV. Pedro Paulo Malta, um dos cantores do show Lamartiníadas, que traz de volta sua obra, me disse outro dia acreditar que Lamartine hoje, estaria na internet - e poderia até ter um blog. Não é difícil de imaginar.

O livro conta a verdade sobre algumas lendas em torno de Lamartine, como a tal história de que o artista teria sido trancado por um amigo radialista durante todo o dia para que fizesse logo os hinos dos clubes - não, eles foram feitos em ocasiões diferentes e foram parar na trilha sonora de um musical dele com seus amigos do chamado "Trio de Osso". E eles nem eram exatamente "hinos" dos clubes. Eram marchinhas comemorativas, feitas para serem cantadas pelas torcidas, numa época em que o futebol nem era um esporte tão popular no Brasil e ainda era muito elitizado. Os clubes já tinham seus próprios hinos, muitos deles esquecidos após Lamartine compor os dele.

Confira aí embaixo uma matéria que fiz para O Dia sobre o relançamento do livro. Vale como registro, já que o evento de lançamento, com show, já se foi.


O PAI DO ESPÍRITO ALEGRE DO CARIOCA
Lamartine Babo é relembrado hoje em seus 110 anos com show e lançamento revisto e atualizado de biografia
Publicado em O Dia em 7 de outubro de 2014

Na época de Lamartine Babo (1904-1963) não havia o termo “multimídia”. Mas a palavra serviria para definir perfeitamente o compositor, ator, radialista, produtor, jornalista e apresentador de TV que chegaria aos 110 anos em 2014. “Ele atuou em muitas áreas diferentes numa época em que isso não era comum. E, com seu trabalho, ajudou a definir o espírito brincalhão do carioca”, diz o músico Pedro Paulo Malta, um dos responsáveis pela revisada e ampliada terceira edição do livro Tra-Lá-Lá — Vida e obra de Lamartine Babo, biografia escrita pelo pesquisador Suetônio Soares Valença (Ed. Funarte, 871 págs, R$ 40). O livro ganha relançamento hoje, às 18h, na Sala Funarte Sidney Miller, com a apresentação do show Lamartiníadas, que reúne clássicos do compositor interpretados por Pedro Paulo, Alfredo Del-Penho e Pedro Miranda.

O maior contato que muitos têm hoje com sua obra é por intermédio do futebol. Nos anos 40, Lamartine compôs os “hinos de torcida” de 11 clubes do Rio — entre eles, Flamengo, Vasco, Botafogo, Bangu e o seu time do coração, o América. Cada um foi feito em uma ocasião diferente (e não em um único dia, como rezava a lenda) e todos foram criados para o espetáculo Até breve, Rio, de janeiro de 1944. A fama de Lamartine era tão grande que boa parte desses hinos é hoje conhecida nacionalmente e acabou ganhando cara de “hino oficial” de cada time.

“Muita gente nem lembra mais disso, mas essas músicas do Lamartine nem foram compostas como hinos. Eram marchas dos times. Os clubes já tinham hinos oficiais e atualmente muitos torcedores nem se recordam mais deles. Até por terem sido compostos numa época em que o futebol não era um esporte tão popular e era praticado por atletas de elite”, diz Pedro Paulo.

Muitos lados de Lalá (como era conhecido por amigos e ouvintes de seus programas) são redescobertos pelo livro. Ex-mulher de Suetônio (morto em 2006), a pesquisadora Rachel Valença ajudou a montar o calhamaço de entrevistas e novas descobertas do autor para a terceira edição, a pedido dele. E lembra que os hinos dos clubes até ofuscam outros lados do compositor. “Ele fez músicas como Serra da Boa Esperança, Eu sonhei que tu estavas tão linda (parceria com Francisco Matoso) e No rancho fundo (com Ary Barroso). Todas marcaram época. Ele também foi importantíssimo para o Carnaval carioca. Compôs para vários blocos”, afirma. 

De fato, nos anos 30 Lamartine foi um verdadeiro fabricante de sucessos da folia, compondo músicas como O teu cabelo não nega, A.E.I.O.U. (com Noel Rosa), Só dando com uma pedra nela e Aurora da folia. Popular no período junino, a marchinha de Carnaval Isto é lá com Santo Antonio também foi feita por ele.

Rachel estava ao lado de Suetônio durante inúmeras entrevistas feitas para o livro, cuja edição original saiu em 1981. “Acabamos nos tornando amigos de dona Maria José, viúva de Lamartine. Ela nos recebeu várias vezes em sua casa na Tijuca. Ao contrário de muitos herdeiros, ela nunca quis nada para si. Queria só que o Lamartine voltasse a ter visibilidade. Hoje fico feliz quando vejo uma cantora como a Nina Becker dizendo que adoraria ter vivido no tempo dele”, diz Rachel.

Tra-Lá-Lá também recorda algumas das várias caricaturas que foram feitas de Lamartine, desenhadas por nomes como Lan, Nássara e Augusto Rodrigues. Lalá era um sujeito bem humorado, que brincava com a própria aparência. Na época em que dividia o programa de rádio Trem da alegria com Heber de Bôscoli e Yara Salles, os três, muito magros, se apresentavam como Trio de Osso — uma brincadeira com o Trio de Ouro de Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. No fim da vida, passou a produzir discos e a apresentar programas de TV. Morreu de infarto em 16 de junho de 1963.

O show Lamartiníadas, apresentado hoje no relançamento do livro, havia sido criado por Pedro Paulo, Miranda e Alfredo em 2004 para os 100 anos do compositor. Gerou também um CD, lançado pela Deck. “A gente talvez relembre um pouco do lado de compositor dos times. Para não puxar brasa para a sardinha de ninguém, devemos relembrar o Hino do América, que é o segundo time de todos os cariocas”, adianta Pedro Paulo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

METALLICA, "SOME KIND OF MONSTER"

Um texto meu do Discoteca Básica, meu antigo blog, que achei no Archive.org: a resenha do documentário Some kind of monster, do Metallica. Saiu lá por 2005.

Lembro que eu gostava desse texto. Hoje eu jamais escreveria assim. Não ficaria enrolando no primeiro parágrafo e iria direto ao assunto.

UMA ESPÉCIE DE MONSTRO*
Documentário sobre o Metallica revela as tensões por trás do álbum St. Anger  e da própria banda.

Sim, até o rock e o heavy metal vão ao analista. Há alguns anos, o Aerosmith chegou a interromper as gravações de um álbum para tratar da depressão de seu baterista. Axl Rose, vocalista do Guns`N Roses, também passou pelo divã de um psicólogo - que chegou a ir junto com a banda nas turnês. João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, creditou à terapia boa parte das melhoras que teve nos últimos anos. Isso só para ficar nas bandas mais pesadas - nem vamos falar do ex-Beach Boy Brian Wilson e de sua controvertida relação com o psicólogo Eugene Landy (ou da influência do psiquiatra Arthur Janov e de sua terapia do Grito Primal nos trabalhos de John Lennon e do Tears For Fears).

O Metallica, desde o comecinho da década, já entrara para o clube - e resolveu escancarar sua terapia num documentário. Some kind of monster, lançado em 2003 no festival Sundance, documenta o resultado de todas as neuras que acompanhavam o vocalista/guitarrista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich, fundadores da banda, desde suas infâncias - e que foram desembocar em crises internas que quase vitimaram o Metallica.

Não é apenas o documentário das gravações de St.Anger, álbum mais recente do grupo. Quando Lars Ulrich afirma, que, na adolescência, achava ridícula a postura de "machão" de Hetfield e do ex-guitarrista Dave Mustaine (expulso da banda em 1983 por seu consumo massivo de álcool) fica claro que o personagem principal do documentário é o afeto - comprometidíssimo - entre os integrantes da banda. O resultado é um grande psicodrama, com Ulrich tentando pular a muralha emocional de Hetfield, o guitarrista Kirk Hammett tentando contemporizar e o produtor Bob Rock (que assumiu o baixo nas gravações) botando ordem na zona e juízo nas cabeças dos três.

Em 2002, quando o álbum começou a ser gravado - e o filme, a ser feito - a banda enfrentava graves conflitos. Jason Newsted, baixista, havia saído da banda por não aceitar as "limitações criativas" impostas por Hetfield - antes, revelara numa entrevista que o Metallica enfrentava problemas. Os três remanescentes não desejavam reviver as tensões de trabalhos anteriores e, para piorar, vários fãs haviam ficado revoltados com a decisão de Lars Ulrich em processar os que baixavam músicas do grupo na internet - rolaram boatos de que o grupo processara até mesmo a banda canadense Unfaith por "usar acordes de fá e mi em suas músicas e soar parecida com o Metallica". Fãs quebraram discos em praça pública e Lars ficou em baixa no mundo do rock.

O psicólogo contratado para aliviar as tensões da banda, Phil Towle, além de promover sessões em grupo (pela "bagatela" de 40 mil dólares ao mês) acompanhou ensaios, gravações, viagens e, de fato, conseguiu fazer a banda lidar com o tal "monstro". Os comportamentos engessados de álbuns anteriores (quando James jamais poderia fazer comentários a respeito do trabalho de Lars e vice-versa) são, em parte, modificados. A banda passa a escrever letras em grupo, sempre em meio à frieza e à manipulação de Hetfield e ao blá-blá-blá interminável de Ulrich. 

Duas figurinhas que já foram ligadas ao Metallica aparecem para dar depoimentos reveladores. O primeiro guitarrista, Dave Mustaine (que encontraria seu lugar ao sol posteriormente, com o Megadeth) é chamado por Towle para conversar com Ulrich e expressar seus sentimentos por ter sido chutado da banda graças ao alcoolismo, numa época em que o Metallica detonava tanto que era conhecido pelo apelido de Alcohollica. Revela que, mesmo com o sucesso que conseguiu depois, sempre se sentiu inferiorizado. Em outro depoimento, o ex-guitarrista Jason Newsted, prendendo o choro, dá a entender que nunca engoliu a incompreensão de Hetfield - e esnoba Lars, Kirk e Bob quando estes vão assistir a um show de sua nova banda, Echobrain.

O documentário ainda tem mais algumas surpresas. Hetfield, lá pelas tantas, resolve se internar numa clínica de reabilitação para tratar do vício em drogas, o que põe a banda (e o álbum) a patinar. Volta meses depois, e encontra Lars e Kirk apreensivos. A necessidade de se continuar produzindo um filme tão revelador é discutida com os cineastas. Problemas com o psicólogo também não faltam - o produtor Bob Rock impacienta-se com uma tal de "zona" que Towle resolve criar, espalhando bilhetes pelo estúdio. A sessão na qual Hetfield e Ulrich resolvem "discutir a relação" com o psicólogo também aparece no documentário. A condição de superstars roqueiros é mostrada sem rodeios: Ulrich aparece faturando alguns milhões de dólares e se empanturrando de champanhe no leilão da sua coleção de quadros. E tanto a banda quanto Bob Rock concordam que Cliff Burton, primeiro baixista do Metallica, morto num trágico acidente, ainda é uma sombra forte.

O monstro de Some kind of monster pode significar muitas coisas. Ele pode ser a muralha afetiva que existe entre Lars e James, pode ser o star system pesado que o Metallica abraçou sem titubear, podem ser as drogas (o álcool, principal inimigo da banda, em especial), o comportamento manipulador de Hetfield, qualquer coisa que deixe o Metallica cada vez mais longe da época em que eram apenas quatro garotos metaleiros, espinhudos e chucros. No fim das contas, uma cena parece resumir tudo: um entristecido Dave Mustaine confessando a Lars Ulrich que sentia falta de seu amigo dinamarquês (o próprio Ulrich), e não do "cara do Metallica". Nem precisa dizer mais nada.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

MOLEJO: ENTREVISTA

O Molejo é rock´n roll. Eles não fãs de Ramones (apesar de haver uma camiseta unindo o nome deles ao logotipo da banda americana), dizem que essa história de "Molejo é melhor que Beatles" é só gozação, fazem pagode com cara rock, curtem black music. Mas a atitude irreverente tem tudo a ver, guardadas as devidas proporções, com o espírito moleque do rock mais antigo.

Bati um papo com o Anderson Leonardo (cavaco e vocal), Lúcio Nascimento (repique, percussão e vocal), Jimmy Batera (bateria e vocal), Robson Calazans (o popular Robinho Presença, percussão e vocal), Marquinhos Pato (reco-reco e vocal) e Claumirzinho (pandeiro e vocal) durante uma manhã na Praça Saens Peña (Tijuca), quando o grupo participou de um encontro com fãs, com direito a show, autógrafos e ônibus-camarim, e pré-lançamento do DVD Molejo 25 anos - #obaileesemparar.  O papo gerou a matéria abaixo (desce a barra de rolagem aí), que saiu neste domingo no jornal O Dia, com direito a um papo animado com os fãs da banda - alguns seguem o grupo há 25 anos, outros são bem novos, adolescentes. E segue aí a conversa na íntegra. Para fãs pagodeiros, hipsters e roqueiros.

Quais são as maiores lembranças desses 25 anos de samba pelo Brasil?
ANDERSON LEONARDO O que sempre ficou para a gente é esse aprendizado. Todo dia é um processo novo, estar começando, aprendendo. Tem que ver o que a galera gosta, tem que acompanhar tudo o que está acontecendo. E a força da banda está mais nos baixos do que nos altos, né? No alto é mole, quero ver é administrar no baixo.

Muitos baixos e altos? Quais foram os piores?
ANDERSON LEONARDO
Rapaz, é tanta coisa... Mas te falo que quando você está na transição das coisas sempre acontecem baixos. É sempre mais difícil. Quando surgem coisas novas, você tem que estar sempre ouvindo, pesquisando, para levar isso para a música. Tem que acompanhar a vibe da garotada.
 Mas com 25 anos você ganha equilíbrio. Nem perdemos público nesse tempo. A gente começou muito jovem. Quando você é jovem, tem direito de errar.

Nesse tempo todo aí já deu para vocês perceberem o que é amor e o que é cilada?
JIMMY BATERA Ah, deu... (rindo)

E qual foi a pior cilada?
JIMMY BATERA
Ah, aí é com o Anderson.

ANDERSON LEONARDO Rapaz, é tanta coisa que fico até sem graça de contar... Lembro que fomos abrir um show do Raça Negra, uma chuva tremenda e os caras chegaram na hora em que a gente ia pro palco. Rolou um "sai, sai, sai que os caras vão chegar", e tocamos no final, pra ninguém. Foi a maior cilada.
LUCIO Teve aquela história... Depois viram que era mentira, né? Do fã que soltou aquela faixa no Rock In Rio, dizendo que Molejo era melhor que Iron Maiden. Saiu até na página policial.
ANDERSON LEONARDO Esse aí caiu numa cliada.
CLAUMIRZINHO A melhor coisa é quando a gente passa por uma situação que parece cilada e depois a gente vê que é amor. No carnaval a gente ia fazer um show e estava três horas atrasado. Tava escuro, chegamos na estrada, na entrada da cidade e tinha um pessoal esperando a gente. Pediram para segui-los e fomos para um lugar escuro, só mato. Pensamos: "É o rodo, vão bater na gente (risos). Os caras tão bolados com o atraso". Só que chegamos numa casa cheia de comida, bebida, tudo liberado. Levamos até bolo pra casa. Os caras falando "pô, fica à vontade aí, sou fã de vocês" (risos). Não era cilada, era amor.


Hoje tem muitos roqueiros curtindo o Molejo...
CLAUMIRZINHO
Isso acontece porque a gente sempre tentou andar um pouco diferente do que está acontecendo, na contramão. Sempre procuramos uma coisa para diversificar e todo mundo ter uma alternativa. A voz do nosso cantor (Anderson)... Ela tem uma identidade, as pessoas conhecem. Já vimos até muito roqueiro falando: "Pô, sou fã de rock, mas do samba e do pagode só gosto do Molejo". 


Tem essa camisa de vocês que fizeram com a logo do Ramones...
ANDERSON Isso. A gente curtiu bastante, achou diferente, porque uma garotada começou a fazer... Mas não vou ser hipócrita de dizer que conheço a banda. Conheço de nome. Gosto é de black music.

Vocês até fizeram recentemente uma versão de September, do Earth, Wind & Fire, para o programa Música boa ao vivo (do canal Multishow, apresentado por Thiaguinho).
ANDERSON Nós, que somos antigos, adoramos esse tipo de som e o som deles. Eu devo ter uns oito DVDs, fora os CDs, deles. Sou fã.

E essa história de que "Molejo é melhor que Beatles", que aparece em faixas e camisetas nos shows de vocês?

ANDERSON. Ah, isso é zoação.
JIMMY BATERA A gente tem feito muita festa em formatura de faculdade e os estudantes fazem essas brincadeiras, criaram uma relação com eles. Mas é tudo brincadeira.
ANDERSON Teve aquela camisa também em que brincaram com a língua dos Rolling Stones, aí botaram meus dentes. Já viu essa?

Tem muito gringo que curte vocês? Vocês têm uma música chamada Merci beaucoup.

ANDERSON Tem, tem... muito por causa dessa irreverência. Temos um disco chamado Polivalência que foi tipo exportação, foi muito bem lá fora. Nosso samba chegou a vários países. Acredita que até o Julio Iglesias gravou uma música nossa? Ele pegou Paparico e transformou em Mamacita.

É mesmo? Ele está vindo ao Brasil (estava em turnê e daria show no Rio naquela semana).
ANDERSON
Pô, a gente adora "coração apaixonaaaaaadooo" (todos cantam o refrão de Coração apaixonado, de Julio).

Vocês já estiveram com ele?
ANDERSON
Já, sim. Fomos encontrar com ele numa piscina de hotel e ele já chegou falando que gostava da nossa música. Pensamos "ih, tá de sacanagem, não sabe nem quem é a gente" (risos). Mas ele conhecia sim. Foi nota mil. Lembro que foi um papo rápido, quando ele chegou, falamos "ih, olha o cara!".


E quem é que tá sambando diferente hoje em dia?
ANDERSON Ah, muita gente... De grupos tem o Clareou, Nosso Sentimento, Imaginassamba, Turma do Pagode. Tem várias mulheres por aí. Gabi Moura é quase minha filha.

Recentemente, vocês voltaram a falar com o Andrezinho, que foi integrante da banda. Como foi isso?
ANDERSON Olha... a gente estava há quase sete anos sem se falar e essa coisa me incomodava. O filho dele é colado comigo, meu filho é colado com ele, a mãe dele me adora, a minha mãe adora ele. Nossos amigos são todos os mesmos, todo mundo é da mesma turma, se falava, e só a gente não se falava. Nos encontramos e acertamos os ponteiros.

Por que houve essa briga?
ANDERSON Foi o desgaste normal do tempo, né? A gente tem mais de 30 anos de amizade. Mas agora graças a Deus tá tudo renovado. E tem uns cambonos de artistas aí, uns puxa-sacos que vou te contar... Mas deixa isso pra lá que tá tudo dominado.

Ouça agora Amigo gaguinho, música nova do Molejão.




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

TIAGO ABRAVANEL

Um papo com Tiago Abravanel sobre sua turnê solo em que se apresenta como cantor, Eclético. Na semana passada, teve show no Rio.


TIAGO ABRAVANEL ESTREIA O SHOW SOLO ECLÉTICO
Ator também prepara clipe em que imita o avô Silvio Santos
Publicado em O Dia em 02 de outubro de 2010

Em estreias no teatro, é comum um ator cumprimentar o outro com uma saudação bem estranha: “Quebre a perna!” Uma brincadeira que virou realidade para o ator-cantor Tiago Abravanel, 27 anos. Ele vai fazer a estreia de seu show solo Eclético, nesta sexta no Vivo Rio, com a perna esquerda engessada, após um salto de paraquedas numa prova do Domingão do Faustão. Mas nada de mau humor.

“Saltei de quatro mil metros e quando ia bater no alvo, caí na areia. Mas no show não vou nem esconder a perna quebrada, vamos usar isso. Pode até entrar uma enfermeira no palco”, diz o cantor, usando cadeira de rodas e muletas para se locomover. “Sou meio maluco! Eu gosto de situações em que a adrenalina vai a mil. Adoro escalada, montanha-russa. Rola medo, mas depois é um grande prazer”. A sensação é a mesma no pré-show. “É ansiedade, nervosismo, tudo ao mesmo tempo. E agora sou só eu, né? Não tem personagem lá.”

No repertório, entram músicas novas (como Eclético e Estrada afora) e clássicos de artistas como George Michael, Daniela Mercury, Sidney Magal e Rosanah. E Tim Maia. Apesar de ter se fantasiado de Lady Gaga, Freddie Mercury, Xuxa, Elvis Presley, Amy Winehouse e até do seu avô Silvio Santos no recém-lançado clipe da música Eclético, ele encara a plateia de cara limpa.

“É minha visão sobre as músicas , não é uma imitação, não. Mas quando canto O amor e o poder (da Rosanah), boto uma peruca, um ventilador para fazer um efeito”, adianta o artista, que já analisa músicas para um CD a ser lançado em 2015.

A história do clipe de Eclético não parou aí. O vídeo, cujo roteiro surgiu até mesmo antes da música feita por Edu Tedeschi, vai gerar em breve clipes individuais nos quais Tiago, caracterizado de Lady Gaga, Xuxa ou Silvio Santos, canta a canção. O avô, diz Tiago, viu o clipe do seu lado e morreu de rir. “Mas acho que num primeiro momento ele nem percebeu a imitação. Só reparou depois”, brinca Tiago.

Para Eclético, o neto adotou o corte de cabelo, o paletó e o microfone pendurado no peito, mas não se acha um bom imitador do avô. “Durante a gravação do clipe individual, que ainda vai ser lançado, eu fiz muito a voz dele, tentei trazer o estilo do Silvio falar. Mas nem o imito bem. As pessoas é que o imitavam muito para mim quando eu era criança”, conta Tiago, que era fã dos desenhos do SBT. “Adorava Pica-Pau, Tom & Jerry. Via muito os desenhos da TV Cultura também. E sempre fui fanático pelo universo Disney”.

Universo este do qual Tiago agora faz parte, já que dublou o personagem principal do desenho Detona Ralph. “Um amigo meu que trabalhava na área de cinema me achou no aeroporto e me fez o convite. Vim de São Paulo ao Rio chorando no avião, depois dessa”, diz Tiago, que lida com crianças desde cedo. “Fui até monitor de acampamento infantil, quando tinha uns 14 anos”.

Praticamente criado nas coxias (sua mãe Cíntia Abravanel se tornou diretora do Teatro Imprensa, em São Paulo, nos anos 90), Tiago participou de duas novelas, Joia rara e Salve Jorge. E ganhou novo público. “Com o Tim Maia, eu me apresentava para plateias de 4 mil pessoas. Na novela, acho que tive isso multiplicado por três a cada exibição”.

domingo, 5 de outubro de 2014

QUARENTA (+2) FATOS SOBRE O MENUDO

Há trinta anos, o grupo portorriquenho Menudo (que já existia, com formações variáveis, desde 1977) chegava aos pouquinhos no Brasil. Começou com um clipe no Fantástico, de um hit em espanhol vertido para o português (Não se reprima) que parecia realmente fazer sentido num país que recém-havia saído de duas décadas de repressão. 

Vieram vários outros hits e vindas pontuais ao país. E depois veio uma turnê-monstro, quando as meninas de 5 a 14 anos (e algumas bem mais velhas) pareciam não ter outro assunto. A magia do grupo, que continuou variando as formações, nunca mais daria tão certo. Mas o Menudo moleque, clássico, de várzea, que dominou corações e mentes em 1984, nunca mais foi esquecido. E rende a seus ex-integrantes convites para reportagens e programas de TV até hoje. Confira abaixo quarenta fatos (+2 bônus) sobre o grupo.





A CULPA É DELE. O sujeito por trás de todas as formações que o Menudo teve até seu fim se chama Edgardo Díaz. Panamenho criado em Porto Rico (na foto ao lado, ele posa com seu pupilo Ricky Martin), ele era um estudante de medicina em 1973 quando virou técnico de som da banda teen-pop espanhola La Pandilla, que fazia um baita sucesso em terras portorriquenhas. Por morar lá, Edgardo virou figura central para o êxito do grupo (sempre arrastando multidões em países como Venezuela e República Dominicana) e foi promovido a empresário em 1974.

O MENUDO surgiu justamente de dois detalhes que ele via como empecilhos ao sucesso completo do La Pandilla: 1) quando seus integrantes chegavam à adolescência, a mudança de voz fazia com que tivessem dificuldades em cantar certas músicas; 2) o grupo tinha uma vocalista, Mari Blanca Martinez, o que, Díaz observava, requeria cuidados especiais com segurança, roupas, transportes etc. O empresário ficou obcecado com a ideia de montar um grupo só de moleques, com formação de alta rotatividade, em que os integrantes vão sendo saídos ou aos 16 anos ou quando começam a sofrer com mudanças na voz.


A PRIMEIRA FORMAÇÃO, de 1977, trazia dois grupos de irmãos. Havia três primos de Díaz: Ricky Meléndez, Carlos Meléndez e Óscar Meléndez, além de Fernando e Nefty Sallaberry. Ricky Meléndez tinha oito anos na ocasião e se manteve no grupo até a formação que fez sucesso no Brasil, entre 1983 e 1984.

ALIÁS quem entrou no seu lugar foi justamente o ex-menudo mais bem sucedido mundialmente, seu xará Ricky Martin.


LOS FANTASMAS. Olha aí a capa do primeiro LP do Menudo, lançado em 1977, sob este título. Com duração de menos de meia hora e músicas mais infantis do que o pop teen oitentista comum do grupo, teve um hit engraçadinho (a faixa-título, com um riff de teclado que mais parece o tema do Chaves) e ajudou o quarteto a conseguir um show de TV na Telemundo, todos os sábados. Mas na época o Menudo ainda era um nome pequeno a ponto de fazer shows em shoppings e aniversários de cidades em Porto Rico.

O SUCESSO só viria de verdade para o grupo e seu empresário em 1981, com o lançamento de Quiero ser, o sexto álbum. Na época o Menudo (escalação: Ricky Meléndez, René Farrait, Johnny Lozada, Xavier Serbiá e Miguel Cancel) ganhava uma cara mais rock, com músicas meio new wave, meio anos 60 e casacos de couro - o disco trazia músicas como Rock en la TV, Mi banda toca rock e Súbete a mi moto.

UM AVIÃO PRÓPRIO, que havia pertencido ao xá do Irã e ao ex-presidente americano Richard Nixon, levava o Menudo (com o logotipo do grupo impresso na fuselagem) em suas turnês pelos quatro cantos do planeta, numa opulência digna das grandes bandas de rock dos anos 70. Com isso, os portorriquenhos se tornavam oficialmente a boy band mais bem sucedida do mundo.

MENUDO NO CINEMA. Tinha muita gente que comparava a, digamos, alegria das fãs do Menudo com a animação da beatlemania nos anos 60. Ok, comparação esdrúxula, mas o grupo portorriquenho não deixou de fazer o mesmo que a banda britânica quando olhou para o lado e viu a cordilheira de fãs que arrebanhava a cada turnê: partiu da música para a sétima arte. No auge, foram dois filmes: Una aventura llamada Menudo e Menudo - La pellicula, ambos de 1982. Em fase de vacas não tão gordas, lá por 1992, filmaram os preparos de seu single Dancin', movin', shakin' e soltaram o filme The making of dancin', movin', shakin'.

DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. Presente na formação de 1983, que iria estourar mundialmente, Miguel Cancel foi o primeiro integrante do Menudo a abandonar o grupo por conta própria. Na época, chegou a afirmar que queria viver uma vida normal, mas em 1998 contou que, por causa da mudança súbita de voz, foi impedido de cantar ao vivo - e decidiu sair antes da degola. Miguel gravou solo, fez parte da formação de 1998 que reunia vários ex-menudos (e que ganhou o nome de El reencuentro), mas acabou virando agente de polícia em Los Angeles. Roy Rosselló entrou em seu lugar.

O SHOW DA VIDA. Se não fosse o Fantástico... O programa dominical, que exibia diversos clipes nos anos 70 e 80, passou em 1º de julho de 1984 o vídeo do megahit Não se reprima, com os integrantes da banda em um parque de diversões, se jogando na piscina, descendo no toboágua, entre outras coisas. Passou a semana inteira anunciando a nova atração. Era a primeira vez que o conceito de "boy band" chegava com força total ao Brasil, e o primeiro exército de fãs apareceu aí. Na época, fazia parte do grupo a turma que está até hoje no inconsciente pop da brasileira (e do brasileiro) entre 35 e 45 anos:  Ricky Meléndez, Charlie Massó, Ray Reyes, Roy Rosselló e Robi Rosa.

APESAR DISSO... notinhas publicadas em jornais da época, como o Última Hora e O Dia, garantiam que o sucesso inicial do grupo se restringiu ao Nordeste.


A SOM LIVRE, ligadíssima à Globo, não perdeu tempo e pôs nas lojas imediatamente o LP/K7 Menudomania, com várias músicas dos três LPs anteriores (todos originalmente gravados em espanhol) traduzidas para o português - até mesmo If you're not here, que estouraria aqui na letra original em inglês, virou Se tu não estás, em bom portunhol. Sim, Não se reprima, lançada originalmente em 1983 no LP A todo rock (no original, No te reprimas) estava lá. Para onde quer que você olhasse, havia uma menina cantando essa música. A RCA, hoje Sony, também pôs nas lojas outro disco em português, A festa vai começar, e um em inglês, Reaching out.

ALIÁS If you're not here esteve na trilha internacional da novela Partido alto, de Aguinaldo Silva (1984). Foi a única vez que uma música do grupo esteve em alguma trilha de novela no Brasil.

TEVE COMERCIAL TAMBÉM O Menudo topou, sabe-se lá por quanto de dinheiro, que Sabes a chocolate virasse jingle da Nestlé. E até apareceu na propaganda.

CARLOS COLLA. Letrista de várias canções gravadas por Roberto Carlos (há quem o chame de "o compositor do Rei"), Colla foi o autor da letra de Não se reprima, tradução de No te reprimas. E também escreveu as letras de Doces beijos, Quero ser, Rock na TV e várias traduções para o português das músicas do Menudo. Hoje a noite não tem luar (no original Hoy me voy para Mexico), gravada nos anos 90 pela Legião Urbana, também é obra dele.

MENUDOMANIA. Se você tinha irmã criança ou adolescente nos anos 80, lembra: domingo à noite, logo depois do Programa Silvio Santos - e com direito àquelas armações típicas do SBT para não coincidir com o horário dos Trapalhões, na Globo - era hora do Menudomania, programa semanal do grupo portorriquenho. Depois de um início em que a banda foi bastante divulgada pela Globo, o "patrão" tomou conta dos trabalhos, convidando o grupo inúmeras vezes para programas como o Viva a noite, de Gugu Liberato, que promovia concursos do "Menudo brasileiro".

A PRIMEIRA TURNÊ NO BRASIL aconteceu em fevereiro de 1985, com shows no Rio de Janeiro e São Paulo. Para um país que havia acabado de sair de uma ditadura, parecia fazer bastante sentido cantar a plenos pulmões o refrão "não se reprima". Não foi só uma turnê: foi um espetáculo de demência, em que fãs disputavam lugares nos estádios (lotadíssimos) a golpes de caratê. Em São Januário, lugar onde ocorreu o show no Rio, cabiam 40 mil fãs, mas compareceram 80 mil. Duas mulheres foram pisoteadas, uma mãe teve sua orelha rasgada e, no geral, quarenta pessoas ficaram feridas. Em São Paulo, o lixo deixado pelas fãs no estádio do Morumbi foi tanto que adiou o clássico Corinthians x Palmeiras marcado para o fim de semana. Havia mais uma data em Minas Gerais, no estádio da Independência - proibida pela prefeitura de Belo Horizonte após a zona generalizada em SP e Rio.

NA TV BRASILEIRA eles foram no Programa Barros de Alencar, Balão Mágico, Programa Silvio Santos, Globo de Ouro, Programa Flávio Cavalcanti. Entre outras atrações.

666, THE NUMBER OF... MENUDO? Na época, várias revistas estamparam em suas capas reportagens afirmando que a banda havia feito um pacto com o coisa ruim, objetivando sucesso, grana e mulheres. Um sujeito chegou a escrever para a Contigo dizendo que, ao girar Não se reprima ao contrário, era possível ouvir a frase "Satanás livre". Quer conferir? Ouve aí.


E NO BRASIL? Você deve lembrar, surgiram algumas boy bands no rastro do Menudo. A mais popular delas foi o Dominó, propagandeada com força pela empresa Promoart, do apresentador Gugu Liberato. Tô p... da vida, Manequim, Com todos menos comigo, Companheiro... você conhece várias deles. Teve também o Ciclone, com rapazes cantando (mal) em uníssono o hit Tipo one way, que estourou na novela A gata comeu.

A PROPÓSITO surgiram também umas bandinhas lembrando os Bay City Rollers, com caras tocando - ou fingindo que tocavam, em alguns casos - instrumentos. Entre elas, o Bom Bom, de Sandro Haick, filho de Netinho, dos Incríveis (com a versão em português de Vamos a la playa, do duo italiano Righera) e o Polegar, do Rafael Ilha (e do hit Dá pra mim).

E NA ARGENTINA E NO BRASIL? Teve o grupo Tremendo, do hit Isso é Tremendo, criado na Argentina, mas que virou uma febrinha por aqui entre 1984 e 1985. O grupo tinha uma vantagem em relação ao seu modelo: admitiam sem constrangimentos que estavam apenas a fim de ganhar uma grana para investir num projeto mais roqueiro. Em 2010, reduzido a um quarteto, o grupo ainda existia e se apresentava em festas e boliches. Aparentemente, a história do Tremendo não acabou bem, como se lê aqui.


ALGUÉM PARODIOU? Sim. Os Trapalhões fizeram várias imitações do Menudo - numa delas, um "quinto" trapalhão, mascarado, era ninguém menos que Lulu Santos (não achei vídeo disso). A Mad botou os portorriquenhos na sua capa e incluiu o aloprado personagem Alfred Neuman como quinto integrante. Nos anos 90/00 também teve: os Ratos de Porão incluíram Não se reprima ao contrário (olha!) na abertura de Satanic bullshit, do CD Just another crime... in massacreland, de 1994. A banda punk Os Pedrêro compôs Menudo capixaba, que unia uma música do Polegar (Dá pra mim) e outra do Dominó (Mas ela não gosta de mim) no CD Estilo selvagem rock n roll (2002). A nota 10 vai mesmo é para o Planeta Diário, que botou na capa de seu segundo número a manchete "Nelson Ned é o novo menudo!" e disse que o cantor se juntaria à formação que incluía os cantores "Ray, Rey, Roy e Ruy".

GROUPIES PRECOCES Teve também o hit infantil A namoradinha do Menudo, composto por Claudio Fontana e gravado pelo grupo As Namoradas - e incluído na trilha da novela infantil do SBT Lupita (1985).

OS GATÕES. Muitos grupos existiram nos anos 80 imitando o Menudo, mas só esses rapazes da Baixada Santista fazem questão de imortalizar o fato até hoje no Youtube. Os Gatões eram os "menudos brasileiros" da região e fizeram várias aparições em programas como o do Raul Gil, o antigo Viva a noite, de Gugu Liberato, e o hoje esquecido Safenados e safadinhos, atração que Fausto Silva apresentou na Band na mesma época em que cuidava do Perdidos na noite, em 1987. Ficou com saudades?

A SEGUNDA TURNÊ NO BRASIL deu ruim. A balbúrdia da primeira tour assustou muia gente. Aconteceu em agosto de 1985 e atraiu bem menos fãs, a ponto de datas serem canceladas em São Paulo (onde levaram 15 mil pessoas ao Ibirapuera) e no Rio. Marcou época a ida do grupo ao Programa Raul Gil - agendada para o primeiro dia em São Paulo para ajudar a vender ingressos - em que o apresentador contou uma piada sobre uma mulher que dizia não gostar do Menudo por estar casada "com um japonês". Robi riu, os outros não.

O GRUPO AINDA VOLTARIA outras vezes. Em 1987 fizeram mais uma turnê verde e amarela, bem pouco divulgada e tumultuada nas internas. Indignado pela recusa de Edgardo em aceitar uma música de sua autoria no repertório, Robi Rosa saiu do grupo abruptamente, no meio do giro. A partir dessa época, o grupo investiria numa imagem meio boy band, meio rock farofa, com cabelos compridos. Em 1989, com formação totalmente modificada, voltariam para divulgar o LP Los ultimos heroes, nessa linha.

E A LEGIÃO, ESQUECEU? Sim, sim, a Legião Urbana fez uma versão de Hoje a noite não tem luar (Hoy me voy a Mexico, vertida para o português pelo Carlos Colla, você leu sobre isso lá em cima) em seu Acústico MTV, gravado em 1991 e só editado em CD em 1999. Renato Russo, em várias entrevistas, sempre demonstrou interesse por boy bands e pelo Menudo em particular.


SKANK MENUDOU. No fim de 1993, muita gente mal deve recordar disso, o Menudo fez sua última visita ao Brasil. Na época, a formação incluía Abel Talamántez, Alexis Grullón, Andy Blázquez, Ashley Ruiz e Ricky López. Estourado aqui e conhecido na América Latina, o grupo mineiro Skank encantou bastante os rapazes e seu empresário Edgardo Díaz. Em Imaginate (1994) os menudos regravaram O homem que sabia demais (Hombre que sabía de máse ainda pagaram tributo ao reggae-de-sintetizador do Skank com Yo quiero bailar reggae. Em Tiempo de amar, de 1996, verteram para o espanhol Uma esmola (virou Una limosna) e Macaco prego (que virou Soy todo un enredo).

MDO. Em 1996, Edgardo Díaz decidiu vender os direitos do nome "Menudo" para uma empresa artística do Panamá. A formação da época do grupo, Abel Talamantez, Alexis Grullón, Anthony Galindo, Didier Hernandez e Daniel Rene, passou a se chamar MDO e a regra dos 16 anos passou a não valer mais. Deu certo por alguns anos. Em 2008, o grupo retornou com outra formação, um visual mais "maduro" e... tocando instrumentos.

MENUDO DO B. Em 1998, três integrantes do inesquecível escrete menudiano de 1984 (Ricky Meléndez, Ray Reyes e Charlie Massó) se reuniu a um trio de veteranos (René Farrait, Miguel Cancel e Johnny Lozada) para comemorar os 15 anos do sucesso na América Latina. O encontro virou uma série de shows que, obviamente, jamais poderiam ser vendidos sob a alcunha "Menudo". O giro se chamou El reencuentro, incluiu clássicos do grupo como No te reprimas e de vez em quando é reativado.

VOCÊ MAL DEVE SABER DISSO, mas o Menudo andou lançando alguns discos recentemente. Em 2007, dois anos antes de o grupo acabar de vez, saiu um EP chamado More than words - a formação era José Bordonada Collazo, Chris Moy, Emmanuel Vélez Pagan, José Monti Montañez e Carlos Olivero. O catacorno Enchanted island saiu em 2011 coletando gravações em inglês feitas pela banda, incluindo uma nova versão, feita em 1994, do hit If you're not here. Encara?


A MTV foi a responsável pela última formação do Menudo, escolhida pelo reality show Making Menudo. A série durou apenas algumas semanas entre outubro e novembro de 2007 e foi tirada do ar por causa de baixa audiência. E o line-up que continha Jose, Chris, Emmanuel, Monti e Carlos durou até 2009.

QUEM VIU NOVELAS como Luz Clarita, O diário de Daniela e outros melodramas mexicanos exibidos pelo SBT lembra da atriz Daniela Luján, que também trilha desde os anos 90 uma carreira paralela de cantora. Sem o Menudo pra cuidar, Edgardo Díaz assinou contrato com ela em 2004 e cuida dos seus shows e álbuns. O primeiro disco do contrato com o empresário, Corazon.com, saiu em 2011. No Brasil, que costuma adotar modinhas latinas, até agora não estourou.

A TURMA DE 1984. Sobre Robi, Roy e Ricky (Martin), os três mais ilustres, você lê mais lá embaixo. Ray Reyes, que entrou no grupo um pouco acima do peso (e era chamado de "Menudo gordinho" pelas fãs até ser obrigado por Edgardo a fazer regime) saiu em 1985 por causa da mudança de voz e tentou encontrar seu lugar ao sol numa outra boy band formada com ex-menudos, Proyecto M. Hoje é casado, tem filhos e não mexe mais com música. Charlie Massó conseguiu manter a voz intacta até depois dos 16 anos - tanto que deixou a banda aos 18, em 1987, e depois voltou brevemente para substituir o recém saído Robi Rosa durante turnê pelo Brasil. Virou ator e cantor. Ricky Melendez (que, você leu lá em cima, estava desde 1977 no grupo) saiu por causa da degola dos 16 e fez de tudo um pouco: teve uma loja, formou-se em direito e hoje tem um escritório que trabalha para imobiliárias.


MAGGIE'S DREAM. Em 1991, o ex-menudo Robi Rosa passou a adotar o nome artístico Draco Rosa e a excursionar com o grupo Maggie's Dream - que, nada a ver com o som de sua ex-boy band, misturava funk, soul e metal com latinidades. Despertaram curiosidade (mórbida, em alguns casos) e fizeram sucesso no meio roqueiro, abrindo shows para Lenny Kravitz, Faith No More (este, inclusive no Brasil) e Fishbone.

ALIÁS E A PROPÓSITO, Robi/Draco costumava nessa época dar entrevistas lembrando que na época do Menudo, eles eram "rapazes muito jovens, que estavam fazendo sucesso rápido demais e conhecendo o sexo e as drogas". Foi nessa época que Edgardo Díaz, criador do grupo, começou a ser acusado de pedofilia e de dar em cima de integrantes do grupo, após rolar uma debandada quase geral na boy band. O empresário precisou ir a um programa de TV negar todas as acusações.

A SAÚDE DE DRACO passa por alguns percalços. O ex-menudo (que depois do Maggie's Dream virou produtor e cuidou de discos de Julio Iglesias e do ex-colega Ricky Martin) descobriu um tumor no fígado em 2011, e em 2013 enfrentou um câncer linfático. Hoje vem cuidando da saúde e adiando seu próximo álbum até estar 100% bom para encarar uma turnê (leia sobre isso aqui).

RICKY MARTIN O ex-menudo mais ilustre de todos deixou a banda em meados de 1989, insatisfeito com a caída no sucesso do grupo. Ricky também lamentava ter passado boa parte da sua adolescência ligado à louca escala de trabalho do grupo e à rigidez de Edgardo Díaz ("ou você fazia as coisas como te falaram para fazer, ou estava fora do grupo", lembra o artista). Trabalhou como ator de teatro e TV até assinar contrato com a Sony, em 1990, e começar a gravar discos solo entre a dance music e o som latino, com quedas para o mesmo romantismo pós-teen de seu antigo grupo. Só no meio da década de 90 conseguiu (muito) sucesso, com singles como Maria e Livin' la vida loca, e com parcerias com nomes como Desmond Child, William Orbit e o velho amigo Draco Rosa.

SAINDO DO ARMÁRIO Em março de 2010, pouco antes de lançar sua autobiografia Eu, Ricky publicou em seu site oficial um texto afirmando: "Sinto-me orgulhoso em dizer que sou homossexual e sou um homem afortunado. Me sinto abençoado por ser quem eu sou". Bem antes disso, o cantor chegou a ter um relacionamento bem longo (14 anos) com a apresentadora de TV Rebecca de Alba. Mas a saída de Ricky do armário pôs fim a especulações que já duravam anos. Em outras entrevistas, ele afirmou que já questionava sua sexualidade na época em que pertencia ao grupo portorriquenho.

ALIÁS E A PROPÓSITO, Ricky provocou discussões ao escrever recentemente no Twitter que "a educação é como a ereção; se você a tem, se nota".

O MENUDO BRASILEIRO Roy Rosselló, impossível não saber, está na A Fazenda 7, da Record. O ex-menudo mudou-se de vez para o Brasil há dez anos, mora em Londrina e trabalha como designer de joias. Sua história é bem movimentadinha. Em 1988, num primeiro momento em que viveu aqui, apresentou o programa Frente Jovem, na Record, e namorou a então apresentadora de programa infantil Mara Maravilha. Na época, foi preso por porte de drogas. Já foi acusado de agredir a ex-mulher e já teve outros processos por não-pagamento de pensão alimentícia - além da ação recente que quase o tirou do reality show pelo mesmo motivo. Ao entrar no programa, já teve quizumbas públicas com Oscar Maroni e Diego Cristo. E também foi pedido em casamento pelo jornalista Felipeh Campos. E como se não bastasse, abriu o verbo contra Edgardo Diaz, criador do Menudo, acusando-o de vários abusos.

TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.