domingo, 31 de agosto de 2014

OS QUARENTA (+ 1) MELHORES MOMENTOS DE HERMES & RENATO

Depois de quase um mês da morte do humorista Fausto Fanti (é o de calça vermelha na foto ao lado), aí vão os quarenta melhores momentos de Hermes e Renato, escolhidos por amigos, camaradas do Facebook e leitores deste blog.

Provavelmente demoraria também se resolvesse fazer os quarenta melhores momentos de, sei lá, Robin Williams (não, eu não vou fazer).

Veja tudo e ria muito. Recordei milhares de momentos engraçados aí - e descobri coisas que não conhecia.

Agradecimentos ao amigo Mozer Lopes, que colaborou bastante para este post - e a Karina Maia, Otaner (do site La Cumbuca), Hugo Cals, Felipe Casqueira, Rogério Sylp, Leandro Saueia, Diogo Tirado, Fernanda Bauer, Marco Homobono, Yaya Cavalcanti, Marcelo Marchi, Renato Biao, Eric Nunes, Osmar Marques, Michael Meneses, Evandro Martins, Alex Crow, Leilah Accioly e Joaquim Fernando pelas sugestões.

"QUEM É ESSE CARA?". Você já passou por isso, é lógico: um cara que você não lembra quem é ou nunca te viu na vida cumprimenta você. O problema é quando o cara resolve grudar.

"O HOMEM QUE NÃO GOSTA DE SAMBA". Quando aparecer o "advogado de acusação" da história (ok, eu não deveria ter avisado), se prepare para levar um susto e cagar de rir.

"DOCUMENTO TROLOLÓ - REDES SOCIAIS". "As redes sociais encurtaram de forma bem curta a distância entre as redes e também as criaturas". Atenção para a entrada da personagem Keila Cristina.

"JOSELITO NO BANCO". Já chutou sua máquina de caixa eletrônico hoje? Eles já.

"MERDA ACONTECE - LAGRECA". "Aí a partir desse momento foi uma avalanche de merda... eu mijei pelo cu... mijei pelo cu mermo... saiu essa avalanche de bosta aí anal". Inacreditável.

"JOSELITO - MOLEQUE FILHO DA PUTA". Sério: quase passei mal de rir vendo isso.

"TELA CLASS - UM CAPETA EM FORMA DE GURI". A série de vídeos e filmes de procedência duvidosa feita pelo Hermes & Renato - influenciadíssima pelo histórico VHS Batiman na Feira da fruta.

"PALHAÇO GOZO - ALÔ, GOZO!". Fica de olho quando entrar o Carlinhos de Bangu I.

"PEDREIROS DA PUTA QUE PARIU". Quando palavrão era realmente engraçado - e não faz muito tempo.

"BOÇA, JOSELITO E MARCELO PAKALOLO". Humildemente tocando o terror, sim.

"BOÇA ESPETACULAR - NEO LABAQUE". O estilista e suas dicas de moda, no programa apresentado pelo bizarro personagem.

"IGREJA PENTECOSTAL LOUCURAS DE MEU DEUS". Qualquer coisa para o pastor dessa Igreja é "encosto". Até... bom, assista.

CLIPE DE "LINDA", COM DIOGO LEBLON. Quando Felipe Dylon era zoável.


CLIPE DE "STRAGNI AMORE", COM ANDREA BOQUETTI. Italiano fake de morrer de rir - e dá pena de isso ser rotulado como "politicamente incorreto" hoje em dia.

"A HORA DO SHOW - BANDIDO DA LUZ VERMELHA". Restrito a quem viveu os anos 70, o animador televisivo paulista Dárcio Campos (1945-1995) ganhou a zoação definitiva neste vídeo.

"JOSELITO E TIO IRANDIR". Fausto Fanti no papel do tio "cachaceiro e vida torta" do personagem sem-noção. Atenção para a parte do "grupo de oração".

"A VIDA DE CHARLINHO". Acompanhe, numa espécie de Gloro Rural - Globo Repórter particular do programa, a vida do garoto guerreiro.

"PADRE QUEMEDO E O FILHO DO CAPETA". A paródia do Padre Quevedo, feita pelo grupo.

"KOREGA FIXADOR DE DENTADURAS". Com o produto promovido pelo Hermes & Renato, você vai poder comer até pedra.


"RAP DA CRUELDADE". Zoando a cara de mau do hip hop.

"MANHÃ MÁXIMA". Dona Máxima, a Ana Maria Braga do capeta.

"VOU ENCHER TEU C... DE CARNE". Só o título já vale.

"ROOTS MANDIOCA ROOTS". Confira os versos: "Paulo Coelho, piroca, moqueca/Ayrton Senna, Xuxa, xereca/cupuaçu, granola, açaí/Ronaldo, Flamengo, travesti".

"STAND UP BABACA". Um quadro em que piadas imbecis e preconceituosas revelam a babaquice de quem as faz. Com o personagem Dudu Marchiori.

"A HISTÓRIA DE GILLIARD". Uma história de amor (?), ciúme, terror e sangue, narrada por uma imitação de Zé do Caixão.

"A MASSA TÁ TE SACANDO - TESTE DO COCO". De rolar de rir.

"SHOES COLA". O único refrigerante feito com cola de sapateiro.

"A PRAÇA É FODA - ALFREDÃO". O Zorra Total/A Praça É Nossa do capeta. Com o personagem Alfredão, uma perversão daquele quadro do "onde foi que eu errei?", do Zorra.

"DOCUMENTO TROLOLÓ - SATANISMO". "Nós tiramos o jovem do seio da família e botamos na teta da maldade"

"REGGAE DO MACONHEIRO". "Sou rasta, vagabundo e caroneiro/vou deixar a Babilônia e ir pra São Tomé".

"MERDA ACONTECE - LINDOMAR". "Você sabe como é que é... às vezes você tá com vontade de ir no banheiro e só um peidinho dá um alívio".

"O PADRE GATO". "Ele é padre, ele é gato. Ele é...o Padre Gato". Eu já comecei a rir só aí.

"SHOW DO TERCEIRO BATALHÃO". Zoação com o saudoso Show do milhão e, sim, uma imitação de Silvio Santos.


"PIRÁ PIRÁ PIRÔ". Hit baiano do grupo.

"POSTO YPIRANHA". É triste, mas é pra rir.

"COMANDO DA VOVÓ". Poder bandido para as idosas.

"PALHAÇO GOZO - FÁBULAS GOZADAS". Lançamento do disco do palhaço.


"UNIDOS DO CARALHO A QUATRO". O clássico de todos os carnavais, dessa vez apresentado por João Gordo. "A minha rola é instrumento de trabalho/Quem gostou, gostou/Quem não gostou vai pro caralho".

"SINHÁ BOÇA". A saga do personagem Boça, garoto office-boy e universitário, completinha.

"BOÇA - UM DIA COM JOSELITO". Coitado do Boça...

"METAL BUCETATION - MASSACRATION". O projeto metal do Hermes & Renato, num clipe bizarro que imita despudoradamente o vídeo de Jailbreak, do AC/DC, e o filme Kiss contra o fantasma do parque. "All the nation/stop the punhetation/decretado eu sou/all the nation/fuck the bucetation", diz a letra.




TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

TIRA O PÉ DO CHÃO!

Não tem lua que faça você amar o Asa de Águia, eu sei. Mas não desanime: se você é chicleteiro, Deus te abençoa; se você não é chicleteiro, Deus te perdoa.

Bati um papo com Durval Lelys (ex-Asa) e Bell Marques (ex-Chiclete) para a capa do Guia Show & Lazer do jornal O Dia que está hoje nas bancas. Curte aí.

RIO DE AXÉ
Tem Carnaval fora de época amanhã: em carreira solo, Bell Marques e Durval Lelys põem o Riocentro para pular
Publicado em O Dia em 28 de agosto de 2014

Além de astros do axé, Durval Lelys (ex-Asa de Águia) e Bell Marques (ex-Chiclete com Banana) são amigos há bastante tempo. Dividir o palco, como fazem amanhã no Riocentro, é comum. “São muitos carnavais. Durval é quase da família”, diz Bell sobre o camarada, para quem já fez uma música, Alô Durvalino, meu rei. É coisa de família mesmo: Durval já se apresentou até com a banda dos filhos de Bell, Oito7Nove4. No palco do Centro de Convenções, a dupla celebra a amizade e bota os micareteiros do Rio para pular, na estreia carioca de suas carreiras solo.


Durval deu um tempo no Asa de Águia, e Bell saiu em definitivo do Chiclete com Banana. A apresentação de amanhã rola em terreno conhecido para os dois, já que o local abrigou muitas micaretas. “O Asa fez shows lá, até gravamos DVD no Riocentro”, lembra Durval, que, entre os muitos hits do Asa, apresenta para os esperados sete mil fãs sua música nova, Vê o que restou, prometendo um álbum acústico para breve. Bell, que tem até bloco para sua carreira solo, o Vumbora — mesmo nome de seu primeiro disco, já lançado digitalmente —, vem com mais sucessos e novidades como Amor bacana e Nicolau.

Sobre um encontro dos dois no palco do Riocentro, não há nada planejado ainda. “Se acontecer, vai ser bem espontâneo”, diz Bell. O cantor do Asa costuma encarnar vários personagens em seus shows, como o Pastor Dom Duriel (sempre na música Xô satanás). No palco do Riocentro não deve ser diferente. “Mas é surpresa, tem que ir pra ver”, faz suspense o cantor. A tarde de axé tem ainda o bloco de funk Carrossel de Emoções e os DJs Tartaruga (Esquenta), Ronaldo, Nelsinho (FM O Dia) e Bacalhau (Transamérica).


SUCESSOS, MÚSICAS INÉDITAS E NOVOS HORIZONTES Para o Riocentro, Bell Marques promete um repertório que vai “de Raul Seixas a Maria Rita”, mas sem deixar de lado sucessos como 100% você, Quero chiclete, Cara caramba, sou Camaleão e Grito de guerra. A história de Durval Lelys com o Asa de Águia, com músicas como Não tem lua, Quebra aê e Dança da manivela, toma conta de boa parte de seu show. Fora isso, o Asa e o Chiclete Com Banana são página virada para os dois até o momento. Bell anunciou a saída do Chiclete no ano passado, e Durval fez o mesmo com o Asa em abril.

“Eu não estava mais satisfeito. Não houve nada pontual que me fizesse refletir sobre isso. Sempre me perguntavam se eu ainda sentia frio na barriga depois de tantos anos. E teve um dia em que esse frio na barriga não apareceu. É a emoção que move o artista, aquela ansiedade de subir e tocar. Eu estava precisando de uma mudança radical, precisava me arriscar, de um novo desafio”, conta o ex-Chiclete. 

A banda prossegue sem ele, com Rafa Chaves no vocal, e música nova, De braços abertos. Por ele ser sócio dos ex-colegas na banda e em negócios, a separação ainda não rolou 100%. “O que já é certo é que, em Salvador, fico com o Camaleão e, em Fortaleza, fiquei com o Siriguella, dois dos mais tradicionais blocos de Carnaval”, diz o cantor.

À frente do Asa há quase três décadas, Durval deu um tempo no grupo e em todos os negócios que o envolvem (bloco, micareta etc.) para poder focar apenas na música. “Eu quis ter apenas as responsabilidades de cantar e compor, pois essa é a minha essência. Para isso, eu tive que me reestruturar e colocar a minha carreira nas mãos da produtora que me acompanha há muito tempo. E sem o compromisso de ter que gerir uma empresa”, conta. Diferentemente do Chiclete, o Asa de Águia passa a ficar em recesso por tempo indeterminado. A ideia é preservar “uma marca, uma banda e uma história feita com muito amor e alegria”, como diz Durval.

RIOCENTRO. Avenida Salvador Allende 6.555, Barra da Tijuca (3035-9100). Amanhã, a partir das 15h. De R$ 40 a R$ 190. 18 anos.

LUCY

Minha resenha sobre Lucy, filme de ação e ficção científica (e, na minha humilde opinião, psicodelia).

Saiu hoje no O Dia.



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

RIO - CULTURA DA NOITE

Um papo com Leo Feijó sobre o livro Rio - Cultura da noite, que ele escreveu (e assina com o designer Marcus Wagner) sobre a história da noite carioca e tudo o que a envolve.


RIO À NOITE
A vocação do carioca para a diversão e para a festa é biografada, com imagens raras, no livro de Leo Feijó e Marcus Wagner
Publicado em O Dia em 28 de agosto de 2014

Música alternativa, rock, sons eletrônicos, samba, funk, drogas, álcool e muita diversão. E, em outros tempos, roupas caras, a rotina chique do chamado café-society, festas com piano-bar, eventos exclusivistas. Uma história que vem do século 19 e que o empresário Leo Feijó (ao lado do designer Marcus Wagner) busca resumir no livro Rio — Cultura da noite (ed. Leya/Casa da Palavra, 582 págs., R$ 54,90). A obra terá seu lançamento numa festa no antigo Cassino da Urca, com orquestra, pianista e o DJ Zé Octávio, no próximo dia 5. “É o primeiro baile do cassino desde 1946. A ideia é que o público vá com figurino de época: disco, punk, anos 20...”, diz.

Em boa parte, o foco do trabalho é na resistência do lado festeiro do carioca ao longo das décadas. “A noite sempre foi perseguida pelo moralismo”, relata Feijó. “A ditadura fechou clubes como o Black Horse, alegando que o pessoal do Clube dos Cafajestes (turma de playboys da Zona Sul dos anos 60) ia lá para fumar maconha. Nos anos 30, na época do (presidente) Getúlio Vargas, a Lapa foi destruída pela polícia. Sempre houve perseguição.”

Leo e Marcus rememoram uma série de mudanças, hábitos e desvios geográficos que marcaram a noite do Rio. O livro passa pelos porres de uísque nos antigos piano-bares, pela descoberta da black music nos bailes da Furacão 2000 (ainda nos anos 70), pelos drinques de nomes inusitados do Crepúsculo de Cubatão (casa gótica de Copacabana) e pelas noites de cocaína dos anos 80 — com direito a usuários esticando “carreiras” na mão, na fila do banheiro de bares como o Jobi, no Leblon.

“Não consigo nem localizar qual seria a época áurea da nossa noite. Tem a Lapa dos anos 20, os Bailes da Pesada do Canecão. E o Beco das Garrafas nos anos 60, com toda aquela movimentação de músicos”, conta Leo, acreditando que seu livro mostre, mais do que apenas a noite, a história da música feita no Rio.

“Não é algo que tem a ver só com o DJ na pista, embora seja isso que as pessoas pensem quando se fala na noite. O que conta é que o carioca é muito apaixonado por música”, diz o autor. “O Rio tem ainda lugares que nem foram descobertos de verdade e lotam. Tem casas noturnas em bairros como Campo Grande, por exemplo. E as pessoas vão mesmo!”

A circulação do carioca pela sua cidade é um dos temas que mais aparecem em Rio — Cultura da noite. “Nos anos 80, quem era da Zona Sul não ia para a Zona Norte, quem gostava de rock não ia para o samba. Isso mudou. Há festas itinerantes”, conta Leo, que cita no livro até lugares mais recentes, como o Bukowski, a Casa da Matriz e a extinta Bunker 94. A chegada da música eletrônica e a emergência da cultura LGBT não ficaram de fora.

Sócio do Grupo Matriz (da Casa da Matriz e do Odisseia) e idealizador do prêmio Noite Rio, ele está afastado das noitadas. Mas dá um jeito de acompanhar as novidades. “Hoje vou mais a bares, shows no Circo Voador. As pistas antes eram mais intensas e os bares hoje estão mais lotados. Onde essa galera ia antes? Provavelmente estava em casa vendo novela”, arrisca Leo, que expôs projetos sobre cultura ao se candidatar a vereador pelo PSB, em 2012. “Nem pensava em ser eleito, queria mostrar minhas ideias. Hoje nem tenho mais vida partidária.”

NAS PISTAS CARIOCAS

A pedido do DIA, Leo Feijó fez uma lista das cinco melhores pistas de dança da atualidade no Rio. “Nem dá para falar em festas, porque as pistas são itinerantes. Mas destaco essas aí”, conta.

WOBBLE. Festa de música eletrônica (dubstep e drum’n’ bass) , com pista comandada pelo DJ Rodrigo S. “Acontece na Fosfobox e tem edições gratuitas na cidade em lugares como Praia do Leme e Vila Mimosa.”

BAILE DO VIADUTO DE MADUREIRA. Veterano reduto da black music, todos os sábados. “Tem os DJs residentes Fernandinho, Guto e Michell, sempre com vários convidados, como Corello DJ.”

JAZZ AHEAD. Voltada para o jazz atual. “Tem o DJ Gustavo MM e o VJ Nelson Porto. Rola no Clube dos Macacos, no Horto, e tem shows de músicos como Ricardo Silveira.”

PISTA ABERTA. “Os DJs Tati da Vila e Canetti fazem a festa no Solar de Botafogo, numa sequência perfeita para começar no bar anexo, o Teto Solar. Eles tocam de tudo: MPB, pop, rock , soul...”

CAVE. No Arpoador. “Foi inaugurada em 2013, é uma das casas noturnas mais bem estruturadas hoje no Rio, voltada para e-music e hip hop, incluindo after-hours até 10h da manhã.”

GHOST B.C. METENDO MEDO

Um papo com um dos Nameless Ghouls do Ghost B.C. Saiu em O Dia, que por sinal deu um tratamento, digamos, bastante corajoso à matéria quando ela saiu na capa do Caderno D.


DE METER MEDO
Ghost B.C. inaugura os shows de heavy metal na nova fase do Imperator trazendo máscaras assustadoras e letras vsatanistas
Publicado em O Dia  em 27 de agosto de 2014

Liderados por um estranhíssimo papa satânico (ou Papa Emeritus II) e formado por mais cinco caras mascarados, que usam como codinome Nameless Ghouls (espíritos do mal sem nome), perseguidos e detestados por extremistas religiosos ao redor do mundo, os assustadores rapazes suecos do Ghost B.C. trazem de volta o heavy metal para o Imperator, um pedido dos fãs para o projeto de crowd funding Queremos. 

A casa do Méier, que abrigou shows de bandas como Slayer e Pantera nos anos 90, reabriu em 2012 e ganha em 4 de setembro seu primeiro show de som pesado após o retorno. No palco, máscaras, cruzes viradas e letras blasfemas como a do hit Monstrance clock  — que exorta as pessoas a celebrarem o filho de Lúcifer da mesma forma que O vira de Jesus, do repertório do Padre Marcelo Rossi, convida a louvar ao Senhor.

“Sabemos que existem grupos extremistas que não estão felizes com a gente e com o nosso trabalho, com as críticas que fazemos à Igreja. Mas até agora não tivemos nenhum tipo de ameaça à nossa integridade física”, conta um dos Nameless Ghouls, por telefone, em entrevista ao DIA. O Ghost (que adotou o B.C. ao lado do nome por “problemas legais” nunca revelados) já havia se apresentado no Rock In Rio, em 2013 — na época, grupos cristãos chegaram a publicar textos no Facebook e em blogs dizendo que o festival, que usa o slogan “por um mundo melhor”, jamais deveria ter convidado a banda para tocar.

O segundo disco do grupo, Infetissuman (2013), sofreu boicotes até durante o processo de produção, realizado nos Estados Unidos. Corais recusavam-se a gravar com o sexteto, várias fábricas não queriam prensar o álbum da banda, entre outros problemas.


O músico afirma que a crítica à religião é mais importante para a banda do que o imaginário demoníaco. “Queremos que as pessoas pensem, racionalizem as religiões e a maneira como elas afetam nossas vidas, nosso comportamento, nossa maneira de tratar uns aos outros”, diz. “Em nome dela, as pessoas se matam, se tratam como porcos. A religião oprime as mulheres, faz com que as pessoas sintam vergonha do que gostam, de sua sexualidade, de seu corpo, de suas vontades.”

O grupo nunca revela suas verdadeiras identidades — um portal chegou a afirmar que o enigmático Papa Emeritus II seria o cantor sueco Tobias Forge, que passou pelas bandas Repugnant e Subdivision. O grupo não confirma. “Digo apenas que os fãs continuam firmes no propósito de descobrir quem somos. Eles esperam o momento em que saímos do backstage para falar com a gente e tentam nos identificar, mas ninguém consegue”, conta o músico. Mesmo com a aparência medonha, ele diz que o objetivo do grupo é mais entreter do que assustar. “Somos caras legais, ao contrário da Igreja. Só queremos que o público se divirta”, diz.

No repertório, sucessos como Monstrance clock, Ritual, Con clavi con Dio, sempre presentes em todos os shows, são esperados. No fim de 2013, a banda lançou o EP de releituras If you have Ghost, que incluiu no repertório do Ghost covers inusitados e mais ligados ao universo pop, como Waiting for the night (Depeche Mode) e I’m a marionette (Abba). “Gosto muito de disco music e das coisas dos anos 70, 80 e 90. Mas só até 1997. Depois disso, ficou tudo uma merda!”, surpreende o Nameless Ghoul.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

GOL DA ALEMANHA

E como aqui tudo sai atrasado mesmo, segue aí a matéria que Beatriz Inhudes e eu fizemos para o Guia Show e Lazer de O Dia, com o roteiro gastronômico e cultural inspirado pelo então herói da Copa do Mundo, o goleiro Julio Cesar. 

A Copa passou (ok, você lembra) mas o roteiro continua lá, enfim.

Ah, gol da Alemanha..

JULIO CESAR INSPIRA ROTEIRO CULTURAL, GASTRONÔMICO E FUTEBOLÍSTICO PELO RIO
Ao craque o que é do craque: um roteiro que mapeia os diferentes cantos do Rio de Janeiro pelos quais passou o goleiro-herói da seleção brasileira
Publicado em O Dia em 04/07/2014
Texto e reportagem de Beatriz Inhudes e Ricardo Schott

Ou vai ou racha. Hoje o bicho vai pegar e os brasileiros estão com o coração na mão: é vencer ou vencer. Para dar uma força à Seleção e botar ainda mais fé na camisa canarinho, o Show & Lazer preparou um roteiro inspirado em Julio Cesar, grande herói da última partida, contra o Chile — ele fez aquela defesa sensacional durante o tempo regulamentar e pegou dois pênaltis, garantindo a nossa classificação. Visitamos alguns recantos cariocas por onde passou o craque, desde o momento em que agarrou a primeira bola em Duque de Caxias, onde nasceu, até a hora em que ganhou o mundo.


Para aliviar a tensão antes da partida contra a Colômbia, ele certamente adoraria dar uma passada no Grajaú, bairro onde morou, treinou futebol e deixou vários amigos companheiros de pelada, que o conheciam como Cesinha.

“Ele jogava bola com a gente no Country e no Tênis Clube quando tinha 14, 15 anos, já agarrava no Flamengo e disputava peladas junto com a gente”, recorda Rômulo Costa, o Rominho, sócio do Bar do Adão, no Grajaú. Sempre que pode, o goleirão aparece por lá para conferir os pastéis da casa. “Hoje vamos fazer uma grande festa para comemorar o jogo do Brasil e para homenagear o Julio”, conta Sérgio Guimarães, o Sérgio Sapo, que coordena a escolinha de futebol do Tênis Clube. Ele diz que, hoje, a turma vai alternar entre o Bar do Adão e a sede do clube para ver o jogo. Lá é possível, também, alugar uma das quadras para jogar futsal.

“O clube lota. Todo mundo vai querer ver o jogo e o Julio, que não era bom só no gol, não. Era bom na linha também. Joguei com ele e sei disso!”, conta o mestre.

Além de Caxias e Grajaú, Cesinha deixou rastros na Penha, onde morou muito tempo e frequentou o bom e velho Parque Shanghai. E vários outros programas surgem dos lugares por onde anda (ou andou) o ídolo. Confira — e torça muito! Bora, Brasil!

OS GOLS DO ARQUEIRO

O Bar do Adão fica na Avenida Engenheiro Richard 105 A, Grajaú (2577-0730) e é point do craque quando ele vem ao Rio. Na segunda, abre das 17h30 à 1h. De terça a domingo, funciona das 11h30 ao último cliente. Tem como chamariz a grande variedade de pastéis, como os de brie com damasco (R$ 6) e o de carne com gorgonzola (R$ 5,50). Bem perto, tem o Bar da Eva, na Rua Mearim 110-A, Grajaú (3647-9125), igualmente lotado em dia de jogo do Brasil, com decoração futebolística e pratos como o Filé da Eva (R$ 38,90). 


O Grajaú Tênis Clube, na Rua Engenheiro Richard 83 (2577-2365), já foi cenário de muitas defesas do craque. Entre as atividades abertas a não sócios, tem telão para os torcedores hoje, música de graça amanhã, às 18h, com o Pagode do Flavinho, e uma quadra prontinha para ser alugada por quem quiser brilhar nas quatro linhas, a preços entre R$ 100 e R$ 120, das 14h às 22h. É só combinar na secretaria. No Grajaú Country Clube, onde Julio treinava, um atrativo é a piscina, que pode ser usada por visitantes a R$ 15, de 8h às 22h. É na Rua Professor Valadares 262, Grajaú (2578-2300).

Agora é hora de tomar o rumo do Parque Shanghai, onde o craque se divertia na infância. Fica no Largo da Penha 19, Penha (2270-3566 ). Funciona de quinta a sábado, das 18h às 22h, e domingo, das 14h às 22h, com passaportes entre R$ 10 e R$ 25 (hoje, por causa do jogo, o espaço não abre). Em Duque de Caxias, terra de Julio, a torcida está garantida no Beer Soccer, outro boteco devotado às quatro linhas, na Rua Passos da Pátria 229, no Jardim Vinte e Cinco de Agosto (2653-2196). Há pedidas como o Combo Beer Soccer, com opções como frango, filé e linguiça, a R$ 59,90. Abre de segunda a sábado, das 11h30 às 2h, e domingo, das 14h30 às 2h.

Em Teresópolis, a 2,5 km da Granja Comary (concentração da Seleção), quem tiver esperança de conseguir um autógrafo do goleiro pode passar o tempo no complexo gastronômico da Vila St. Gallen, na Rua Augusto do Amaral Peixoto 166, Alto, Teresópolis (2642-1575). Além de três restaurantes, o lugar tem microcervejaria, loja de souvenirs, sorveteria e vários atrativos. Quarta e quinta, funciona das 19h à meia-noite, sexta, das 19h à 0h30, sáb e feriado, de meio-dia à 0h30, e domingo, de meio-dia às 23h.

Quem adora o Julio Cesar e ama futebol pode se divertir bastante com a visita guiada ao Clube de Regatas Flamengo , cujas cores ele defendeu em campo de 1997 a 2004. É possível conhecer toda a história do clube e seus troféus, durante a semana, das 8h às 15h, e sábado e domingo, das 9h às 13h. Grupos de até dez pessoas podem ir direto à recepção — acima disso, é preciso agendar pelo social@flamengo.com.br. O passeio sai a R$ 10 por pessoa. Avenida Borges de Medeiros 997, Lagoa (2159-0100).

O Maracanã, na Rua Professor Eurico Rabelo s/nº, Maracanã (0800 062 7222), tem visita guiada, mas a programação está suspensa até 20 de julho por causa da Copa. O lugar é ponto turístico por si só — muita gente vai até lá apenas para tirar foto na frente da fachada e vários moradores mantêm a forma caminhando ou correndo por ali. O entorno ainda tem botecos como o Bar dos Chicos, parada obrigatória de muitos torcedores, com petiscos como o frango à passarinho (R$ 39). Fica na Rua General Canabarro 119 (2568-5421).


Abre todos os dias, das 10h à meia-noite. Quase em frente fica o Bar Macaense, ou Bode Cheiroso, como é mais conhecido. Rua General Canabarro 218, Maracanã (2568-9511). Funciona de segunda a sexta, das 6h30 à meia-noite, e sábado, das 8h às 21h. O carro-chefe é o pernil, em porção (R$ 23) ou sanduíche (R$ 9).

Julio também pode inspirar passeios inusitados, como uma ida à Igreja de Nossa Senhora da Candelária. Foi lá que ele e a ex-modelo e atriz Susana Werner se casaram, em fevereiro de 2001. O templo por si só já atrai turistas: é uma das principais obras artísticas do século 19 no Brasil. Neste domingo, haverá missa solene, a partir de meio-dia. Praça Pio Dez, Centro (2233-0976). Abre de segunda a sexta, das 7h30 às 16h (excepcionalmente não abre hoje, por causa do jogo do Brasil), sábado, das 8h às 11h, e domingo, das 9h às 13h. A entrada é gratuita.


Na Barra, é possível ver o craque na Feira do Novo Leblon, condomínio onde mora a família da sua mulher. No domingo passado, o goleiro fez o maior sucesso por lá, onde comeu pastel e bebeu caldo de cana (o combo sai a R$ 8). A feira é aberta ao público e fica na Rua Dulcídio Cardoso, atrás do Novo Leblon. Acontece de terça a domingo, das 6h às 13h, mas a barraca de caldo de cana só abre de sexta a domingo.

YLANA QUEIROGA

Um papo com a pernambucana Ylana Queiroga, que faz show este fim de semana no Rio e lança CD, para o jornal O Dia. Saiu hoje.

YLANA QUEIROGA ESTREIA COM CD GRAVADO DURANTE SEIS ANOS

Cantora pernambucana se apresenta essa semana no Oi Futuro
Publicado em O Dia em 26 de agosto de 2014

A cantora pernambucana Ylana Queiroga passou seis anos (seis!) gravando seu disco de estreia, Ylana — que lança nesta sexta e sábado no Levada Oi Futuro, no Oi Futuro de Ipanema. Enquanto isso, esperou os momentos certos para chamar amigos para participar, arrumou equipamentos e passou por várias mudanças na vida particular.

“Hoje, é como se eu estivesse vendo um álbum de fotografias”, brinca. “Na época em que comecei a gravar, eu era casada, morei em vários lugares depois disso. Em muitas músicas, eu nem canto mais daquele jeito. Acabou sendo um retrato da minha adolescência e do meu irmão (Yuri Queiroga, que produziu o disco).”

O repertório que foi para Ylana e vai para o palco do Oi Futuro mistura música pop, sons eletrônicos e ritmos regionais. E passa por nomes antigos e novos da música pernambucana. O próprio Yuri (em Calcanhar e Nublado), a turma da Nação Zumbi (Toda surdez será castigada), China (Overlock), Capiba (Não quero mais), Alceu Valença (Pedras de sal). E o tio de Ylana, o veterano compositor (e parceiro de Lenine) Lula Queiroga, em Loa da Lagoa.

“Eu acho até meio injusto dizer que o disco é ‘meu’, porque é um álbum coletivo. Foram mais de 20 pessoas participando”, brinca a cantora, crescida num ambiente 100% musical: sobrinha de Lula, irmã de Yuri e filha do maestro Spok, líder da celebrada Spok Frevo Orquestra, que também participa do álbum. Quando criança, Ylana já soltava a voz em jingles. “Cantei até em disco da Xuxa”, lembra, rindo. “Sempre soube que trabalharia em algo que envolvesse criatividade”.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

BOSSA NEGRA

Um papo musical e bacana com Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira - que sobem ao palco do Theatro Net amanhã para lançar o CD Bossa negra.

Saiu ontem em O Dia.

BOSSA AUTORAL, COM BANDOLIM E VOZ
Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda lançam disco em dupla no Theatro Net
Publicado em O Dia em 24 de agosto de 2014

Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira aproveitam o papo com O DIA, durante a sessão de fotos, para recordar clássicos da música brasileira que poderiam ter entrado no recém-lançado álbum gravado pela dupla, Bossa negra. Diogo solta a voz no belo choro Chorando pelos dedos, do pai João Nogueira (1941-2000) e Claudio Jorge, com Hamilton no acompanhamento. E lembram de um repertório fantasma, repleto de pérolas — que, no álbum, deu lugar a um material feito pela dupla,calcado na bossa nova e nas batidas afro.

“A gente fez um show em 2013 já com esse nome Bossa negra, com músicas de compositores que influenciaram o projeto”, diz Diogo, afirmando que muitas dessas composições estarão terça e quarta no show de lançamento do álbum, no Theatro Net, em Copacabana. Entre elas Vatapá (Dorival Caymmi), Batendo a porta (João Nogueira) e Sem compromisso (Geraldo Pereira), todas filtradas pelo conceito do disco.

A dupla se conheceu no casamento do irmão de Hamilton, há muitos anos. Em 2009, por coincidência, os dois, já amigos, apresentavam-se em datas diferentes em Miami. “Eu e Hamilton fizemos um show no improviso, com sons que tinham a ver com os Afrossambas (disco de Baden Powell e Vinicius de Moraes, de 1966). Começamos a falar sobre fazer um disco. E o nome surgiu aí”, diz Diogo.

Mesmo com tanta vontade, Bossa negra — cujo título, por sinal, repete o de um álbum clássico de Elza Soares, de 1960 — acabou adiado até agora. Hamilton é sempre cheio de projetos, shows e discos novos (recentemente lançou um CD duplo, Caprichos). Diogo não fica atrás. Após quatro anos de espera, fizeram o tal show juntos em 2013 e decidiram promover uma revolução no conceito do CD. “Resolvemos que boa parte do disco seria autoral. Cheguei com umas melodias, Hamilton, com outras, fizemos letras”, lembra Diogo.

Nasceram assim músicas como a faixa-título (parceria com Marcos Portinari) e Bicho da terra (com Wallace Perez e Bruno Barreto). Mais um dia e Doce flor foram compostas a dez mãos com Portinari e com os dois outros músicos do disco, André Vasconcellos (baixo) e Thiago da Serrinha (percussão). ‘Brasil de Hoje’ é de Diogo, Hamilton, Portinari e Arlindo Cruz — que enviou sua parte por Whatsapp, de Belém do Pará.

“Nessa música, nossos filhos foram ao estúdio fazer o coral. No final, rolou aquele silêncio, todo mundo chorando”, recorda Hamilton. O material é complementado por releituras como Desde que o samba é samba (Caetano Veloso), Risque (Ary Barroso) e Mineira (João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro).

Bossa negra vai sair em breve em vinil, aproveitando o clima de estúdio dos anos 70 que imperou na gravação. “Usamos amplificação valvulada e masterizamos em fita de rolo. Dá para ouvir até o chiado da fita”, alegra-se Hamilton. Com seis músicas de sua autoria no disco novo (mais do que em qualquer álbum seu), Diogo anuncia que, após gravar novo DVD em janeiro, deve lançar o primeiro CD a ter só sambas seus. “Está na hora de mostrar mais esse meu lado de compositor”, conta o sambista.

DINHO, CAPITAL INICIAL

Bati um papo com Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, para O Dia. Confiram aí. O grupo está lançando EP.

Você pode odiar os "caras" e os "véios" de Dinho. Achar a música do Capital um lixo - não acho. Mas ele é um dos raros artistas brasileiros que falam, hoje em dia, coisas legais em entrevistas sem medo de deixar uma ou outra pessoa puta da vida. Gostei muito desse papo com ele.


ELE É ROCK´N ROLL
Capital Inicial lança disco novo e Dinho Ouro Preto conversa sobre música e política, e conta como foi avaliar forró e pagode no Superstar
Publicado em O Dia em 25 de agosto de 2014

Após largar drogas ilícitas, álcool e tabaco (as primeiras abandonadas há muitos anos, os dois últimos há pouco), Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, está mais para viciado em trabalho: shows por todo o Brasil, praticamente um disco por ano, programas de TV (como o recente Superstar, do qual foi jurado). “Só de 2010 para cá, foram três, quatro discos. Poucas bandas fazem isso hoje”, diz, lançando com o Capital o EP de sete faixas Viva a revolução.

A bancada do Superstar, que dividiu com Fábio Jr e Ivete Sangalo, foi uma experiência nova para o cantor — que, fã de rock desde moleque, se viu tendo que avaliar grupos de forró e pagode. “E não era nem para dar nota, que seria mais confortável. Era para falar ‘sim’ ou ‘não’”, recorda.

“Sempre fui procurado por outras bandas para dar conselhos. Minha casa é cheia de demos. No começo, eu estava dando ‘sim’ para todas as bandas de rock e ‘não’ para as outras”, diz, rindo. “Depois tentava achar valores que via como importantes para o rock e os projetava em outros estilos: criatividade, verdade. No fim, as bandas finalistas foram realmente as melhores.”

O Malta, campeão do programa, foi bastante criticado — muitos acharam a banda comercial demais, ou simplesmente ruim. Dinho, você realmente gostou do Malta? “Cara, o grupo é meio monotemático, sim. Eles me lembram o Nickelback. Acho que ter uma banda mais comercial é importante até para as mais radicais. E se o cara faz rock, é meu aliado!”, brinca. “O fato de eles terem tocado músicas autorais quase o tempo todo deve servir de lição para a próxima edição do programa, inclusive. Eles tocaram o CD deles quase inteiro no ‘Superstar’. Só no final rolou cover!”

Hora de falar do disco novo, Viva a revolução — que, Dinho explica, nem é o mais político da banda. “O Saturno (disco anterior) era mais. Todos os nossos discos falam de política, até em canções de amor. É uma coisa da minha geração. Passamos pela redemocratização, fim da censura. Não dá para ficar imune a isso”, afirma. Ele chegou a ir à manifestação de julho do ano passado, na Avenida Paulista. “Estava voltando da gravação do DVD do CPM 22 (Acústico) e vi um mar de carros e de gente. Consegui atravessar a multidão a caminho do Itaim (bairro paulistano) e peguei minhas filhas em casa para irmos lá. Queria que elas participassem daquilo.”

Viva a revolução revoluciona a equipe da banda. O grupo compôs a faixa-título com os rappers do Cone Crew Diretoria. Thiago Castanho, ex-guitarrista do Charlie Brown Jr, compôs Coração vazio e Melhor do que ontem com Dinho e Alvin L. E o cantor, mais Yves Passarell (guitarra), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria), trabalha pela primeira vez com Liminha na produção.

“Pô, o cara foi baixista dos Mutantes, né?”, conta Dinho, lembrando que rolaram desencontros no processo. “Ele é meio como a gente. Marca hora para gravar e só aparece no dia seguinte. Depois tudo sai, mas nunca com os horários combinados. Acabamos levando até mais tempo que o esperado. Encontrei o Sérgio Britto (Titãs) outro dia, contei isso para ele e ele respondeu: ‘Ah, por isso é que deixamos de trabalhar com ele um tempo’”, revela, antes de elogiar. “O Liminha é de meter a mão na massa. Não teve nada nesse disco que ficasse do mesmo jeito após passar por ele.”

Para quem espera discos e fases mais brandas do Capital, Dinho, 50 anos, avisa que vai fazer rock a vida toda. “No Brasil, as pessoas esperam que rock seja uma coisa circunscrita à juventude. E eu nem sou tão mais velho que o David Grohl (Foo Fighters), por exemplo”, diz.

SEM VOTO NULO Dinho se preparava para sair de um jejum de duas eleições nas quais votou nulo. Até que um acidente aéreo no último dia 13 interrompeu — pelo menos temporariamente — seus planos. “Eu ia votar no Eduardo Campos e até fazer a campanha dele. Fui na sua casa quando o Capital tocou no Recife e passei quase três horas lá, conversando com Eduardo e sua família. Foi um papo reto, sem cerimônias. Conheci o Lula e o Fernando Henrique Cardoso, e geralmente essas pessoas mantêm uma certa distância, mas com ele não foi assim”, recorda o cantor, que soube da tragédia enquanto fazia esteira na academia.

Dinho apoiou o PT publicamente. Hoje, diz não saber em quem votar. “Sou agnóstico, a favor dos direitos dos homossexuais e da liberação da maconha. Aguardo o que a Marina Silva (candidata do PSB, escolhida para o lugar de Eduardo) vai falar sobre isso”.

domingo, 24 de agosto de 2014

QUARENTA (+1) CLÁSSICOS E OBSCURIDADES DE RAUL SEIXAS

Fiz a matéria ao lado em julho para o jornal O Dia, lembrando os 40 anos de um dos discos que me ensinaram a gostar (muito) de rock: Gita, de Raul Seixas. O papo rolou com Sylvio Passos (presidente do fã-clube de Raul) e com duas pessoas que estavam ao lado do cantor durante o disco, Roberto Menescal e Marco Mazzolla. E Tico Santa Cruz.

Além dos 40 anos de Gita, tem mais uma data redonda a ser lembrada em 2014: os 25 anos de morte de Raul, que foi embora em 21 de agosto de 1989. Aproveite e, além de ler a matéria ao lado, confira abaixo 41 motivos pelos quais, duas décadas e meia depois, Raul merece (muito) ser lembrado.

"VOCÊ AINDA PODE SONHAR" (Raulzito e os Panteras, 1968). "Pode parar! Entrem no primeiro ônibus de volta para a Bahia. Esse tipo de música tem 14 mil conjuntos fazendo igual. Raulzito, ainda por cima, é nome de cantor de bolero!". Foi assim, dessa maneira calorosa (leia mais aqui), que o grupo liderado por Raul Seixas nos anos 60 foi recebido pelo produtor e empresário Carlos Imperial, quando eram apenas a banda de acompanhamento de Jerry Adriani e tentavam voos mais altos. O único disco lançado pelo grupo é um nugget sessentista sem muito brilho, mas destaca músicas como Trem 103, Dorminhoco e essa versão de Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles - que o Ira! regravaria em 1991.


"SEU TÁXI ESTÁ ESPERANDO" (do álbum de Jerry Adriani Jerry, de 1970). Ao entrar na CBS para trabalhar como produtor, uma das primeiras funções de Raul foi passar um bombril na carreira do astro Jerry Adriani - que havia sido o responsável por sua ida para a gravadora. Pôs o cantor para posar de Elvis Presley na capa de Jerry, recrutou jovens compositores (como o futuro soulman Hyldon) para compor e inseriu mais rock, blues e soul no seu repertório.  Seu táxi está esperando é uma das melhores músicas de Raulzito (como assinava na época) gravadas pelo jovemguardista. Doce doce amor, maior hit de Raul gravado por Jerry, sairia em 1972 no disco Pense em mim, quando o baiano já estava partindo para outra.

"SENTADO NO ARCO ÍRIS" (do álbum de Leno Vida e obra de Johnny McCartney, gravado em 1970/1971 e só lançado em 1995). Cortado pela censura em 1971 e transformado em compacto duplo, o álbum de Leno produzido por Raul trouxe parcerias dos dois, sempre acompanhados por bandas como A Bolha e Renato & Seus Blue Caps. Esse hard rock, que traz o baiano nos backing vocals, é tido como a primeira obra "política" escrita pelo então compositor popular Raulzito - que costumava dizer a Leno o quanto se orgulhava de tê-la feito.

"VÊ SE DÁ UM JEITO NISSO" (do álbum Trio Ternura, de 1971). O trio de irmãos formado no final da jovem guarda (e sempre confundido com o Trio Esperança, de mais duas irmãs e um irmão dos Golden Boys) gravou um inventivo e curioso disco em 1971 "produzido por Raul Seixas". Além de recrutar autores como Sérgio Hinds, Dalto, Fred Falcão, Hyldon e Carlos Imperial para compor para o grupo, incluiu Vê se dá um jeito nisso, parceria com  Mauro Motta e Sérgio Sampaio (creditado como Sérgio Augusto). E atendendo ao seu desejo de cantar (e parecendo seguir o que diz o título da música), deu um jeito de se enfiar nos backing vocals da canção.

"DR. PAXECO" (Sociedade da grã-ordem kavernista apresenta Sessão das 10, 1971). Gravado por Raul ao lado de três talentos contratados por ele para a antiga CBS (Sergio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada), esse disco traz piadas musicais no estilo de Frank Zappa, vinhetas, letras críticas e um flerte com a psicodelia inaudito em outros álbuns do cantor. Com longa introdução e instrumentação lembrando nuggets perdidos da jovem guarda, essa música é um dos melhores momentos do álbum.

"AOS TRANCOS E BARRANCOS" (Sociedade da grã-ordem kavernista apresenta Sessão das 10, 1971). Do mesmo disco: um curioso e raro samba (!) composto e cantado por Raul.


"PODE VIR QUENTE QUE EU ESTOU FERVENDO" (Os 24 maiores sucessos da era do rock, 1972). Antes de estrear como cantor solo, gravando discos com seu nome, Raul surgiu como crooner de um grupo-armação chamado Rock Generation (na verdade sua própria banda de shows e estúdio, com músicos como Jay Vaquer na guitarra) em uma coletânea-picadinho de clássicos do rock produzida por Nelson Motta. A versão do clássico gravado por Erasmo Carlos tocou em rádio (com Raul falando "felvendo" em vez de "fervendo") e reapareceu recentemente num comercial de banco.

"LET ME SING MY ROCK´N ROLL" (compacto, 1972). A música que mostrou de verdade ao Brasil quem era Raul Seixas - que, na época, era um rapaz magrelo, de cabelos curtos, topete e casaco de couro, que dançava rock e xaxava na frente da plateia do Festival Internacional da Canção, exibido pela Rede Globo. Não havia Paulo Coelho e Raul era apenas uma promessa da Philips (hoje Universal), contratado para fazer o que quisesse: cantar, compor, produzir...

"MOSCA NA SOPA" (Krig ha bandolo!, 1973). Pronto: o Brasil ganhava um corajoso "cantor de protesto" e um roqueiro capaz de unir o ritmo americano aos pontos de umbanda - sem soar como "pesquisador de música brasileira". Só que Raul era mais, muito mais, do que apenas isso.

"OURO DE TOLO" (Krig ha bandolo!, 1973). Com melodia lembrando um pouco Set you free this time, dos Byrds, Raul solta uma letra que deveria ser lembrada em momentos cruciais como: planos econômicos do governo, campanhas eleitorais, Copas do Mundo, Olimpíadas, carnavais e em todos os momentos em que é possível se sentir num jardim zoológico dando pipocas aos macacos. Obrigatório.

"ROCKIXE" (Krig ha bandolo!, 1973). Rock, ritmos nordestinos e letra com crítica político-social na qual Raul cristaliza sua imagem como cantor de resistência, mas com ironia e avacalhação demais para virar "baiano" ou "emepebista" ("olha meu charme, minha túnica, meu terno/eu sou o anjo do inferno que chegou pra lhe buscar").

"CAROÇO DE MANGA" (da trilha da novela A volta de Beto Rockfeller, 1973). O retorno do personagem imortalizado pelo ator Luiz Gustavo trouxe, em sua trilha sonora, uma interessante mistura pop, que incluía Bee Gees (My life has been a song, Method to my madness), The Osmonds (That's my girl), odueto entre James Brown e Lyn Collins (The guy/This girl's in love), Jorge Ben (Jazz potatoes) e o forró-soul de Raul.

"LOTERIA DA BABILÔNIA" (do LP Phono 73, 1973). A Sociedade Alternativa (tentativa de comunidade esotérica, criada por Raul e Paulo Coelho) nasceu no palco do Anhembi, em São Paulo, quando Raul cantou essa música e, de peito nu, pintou a "chave" da agremiação em seu próprio corpo. No volume 1 do trio de discos Phono 73, essa música e seu arranjo (inspiradíssimo em How many more times, do Led Zeppelin, que já era uma chupação do blueseiro Willie Dixon) aparecem em versão mais crua. No álbum Gita, o produtor Mazzola manteve a base (e as palmas), regravou vocais e acrescentou metais regidos por Erlon Chaves (ouça aqui).

"GITA" (Gita, 1974). A salada esotético-religiosa de Raul Seixas em seu segundo disco solo incluía Jesus Cristo, o bruxo inglês Aleister Crowley e os ensinamentos orientais do Bhagavad Gita, que reproduziu ao lado de Paulo Coelho na faixa-título do álbum. A base de guitarra-piano-baixo-bateria é complementada com uma orquestra inteira, milagrosamente gravada pelo produtor Mazzola em parcos canais - um luxo para 1974 e um padrão até hoje inigualável para o rock brasileiro.

"PRELÚDIO" (Gita, 1974). Vinheta orquestrada cujo único verso ("sonho que se sonha só/é só um sonho que se sonha só/mas sonho que se sonha junto é realidade") foi, digamos, levemente chupado de Now or never, de Yoko Ono. Algo que não atrapalha a beleza e o esoterismo de um dos mais belos momentos de Gita.

"SOCIEDADE ALTERNATIVA" (Gita, 1974). O hino de Raul e de seus fãs, no qual o cantor imortalizava e traduzia livremente a máxima do "faz o que tu queres, há de ser tudo da lei".

"S.O.S." (Gita, 1974). Uma das mais belas canções feitas por Raul (e Paulo Coelho), traz duas outras músicas em seu DNA: Objeto voador, composta pelo próprio baiano para ser gravada por Leno & Lilian em 1972 e Mr. Spaceman, música de 1967 dos Byrds, da qual praticamente toda a melodia foi extraída. O curioso é constatar que o suposto plágio de Raul é mil vezes melhor que o original da banda americana.

"UM SOM PARA LAIO" (da trilha da novela O rebu, 1974). Composta para a trilha de O rebu original, de 1974, foi feita para um personagem que não reapareceu no remake que está no ar (Laio, inteerpretado por Carlos Vereza). Foi gravado por Raul com A Bolha e traz aquele que talvez seja um dos sons mais pesados já feitos pelo cantor - aproximado do hard rock e do som lascado de bandas como Blue Cheer e MC5.

"NÃO PARE NA PISTA" (compacto, 1974). Incluída num compacto e no álbum do festival Hollywood rock, em 1975 (mas com a inclusão de palmas pré-gravadas), traz A Bolha no acompanhamento em uma música que bem poderia ser redescoberta pelas atuais bandas brasileiras de stoner rock.

"CAMINHOS" (Novo aeon, 1975). Raul funde samba de roda baiano e rock numa das maiores pérolas de seu terceiro álbum solo.

"A MAÇÃ" (Novo aeon, 1975). Com delicado arranjo orquestral e lembrando mais Taiguara do que Elvis Presley, a terceira faixa daquele que é tido como o melhor disco de Raul Seixas vem como um hino ao amor livre, mais sacana e libertário do que romântico. Ganhou um clipe surrealista (exibido no Fantástico, na época), gravado nos Estados Unidos. No YouTube pode ser vista como trilha sonora de um vídeo que mostra o casamento, er, satânico de Raul com sua segunda esposa, Glória Vaquer - e que originalmente era um trecho de O triângulo do diabo, road movie que Raul e seu guitarrista Gay Vaquer bem que tentaram fazer nos EUA.

"NOVO AEON" (Novo aeon, 1975). Em tom country-hard-rock (com uma inesperada participação de Altamiro Carrilho em um solinho de flauta), Raul, com os parceiros Marcelo Motta e Claudio Roberto, fala sobre mudanças de ciclos mágicos e revoluções silenciosas na humanidade. E prega corajosamente "o direito de ter riso e de prazer/e até direito de deixar Jesus sofrer".

"TU ÉS O MDC DA MINHA VIDA" (Novo aeon, 1975). Brega-rock, crônica de costumes, festa-de-arromba pop (que cita a antiga rede de supermercados Casas da Banha, o apresentador Flávio Cavalcanti e o Pink Floyd com a maior ironia)... Cabe todo tipo de definição nessa que pode ser considerada uma das melhores músicas do rock brasileiro dos anos 70.

"TENTE OUTRA VEZ" (Novo aeon, 1975). Novo aeon encerra falando do "direito de deixar Jesus sofrer" e abre com um gospel pesado que prega "tenha fé em Deus, tenha fé na vida". Um dos maiores sucessos de Raul, num disco que, na época, resultou quase exclusivo dos fãs.

"EU TAMBÉM VOU RECLAMAR" (Há dez mil anos atrás, 1976). Country-rock sem refrão e com letra enorme, zoando novidades pop lançadas no mercado nos anos 70 e que costumavam ser associadas a Raul: Belchior ("agora eu sou apenas um rapaz latino americano/que não tem cheiro nem sabor"), Hermes Aquino ("e sendo nuvem passageira não me leva nem à beira/disso tudo que eu quero chegar") e Silvio Brito ("ligo o rádio e ouço um chato/que me grita nos ouvidos: 'Pare o mundo que eu quero descer'").

"MEU AMIGO PEDRO" (Há dez mil anos atrás, 1976). Raul, em parceria com Paulo Coelho, acerta os ponteiros com o irmão "certinho" Plínio, falando das diferenças entre ambos. A melodia, digamos lembra muito Billy 1, de Bob Dylan.

"EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS" (Há dez mil anos atrás, 1976). Poucos artistas teriam coragem de soltar um futuro sucesso chupado na cara dura de Elvis Presley (a matriz foi o gospel I was born about ten thousand years ago, gravado pelo rei do rock) e com um erro de português tão brutal no título - a desculpa de Paulo Coelho ao ser cobrado sobre o assunto, quando foi imortalizado na Academia Brasileira de Letras, foi a de que "há dez mil anos", sem o "atrás", não cabia na melodia. Fato é que se trata de uma das melhores músicas do repertório de Raul.

"QUANDO VOCÊ CRESCER" (Há dez mil anos atrás, 1976). Com outra letra, este soul tranquilo, levado adiante por piano elétrico e discretas guitarras, poderia estar no repertório de Hyldon ou Carlos Dafé. Nas mãos de Raul, tornou-se uma sensível e desencantada música sobre as convenções e chatices da "vida de adulto". Uma das canções do baiano cuja audição põe pulgas atrás das orelhas de qualquer ouvinte.

"O HOMEM" (Há dez mil anos atrás, 1976). Num disco conhecido por sua bipolaridade, Raul Seixas esfrega tristeza na cara do ouvinte, neste gospel com cordas chorosas. Curiosamente, a letra traz renascimento e crescimento pessoal após a depressão, lembrando o discurso de Renato Russo em O descobrimento do Brasil, álbum de 1994 da Legião Urbana.

"MALUCO BELEZA" (O dia em que a Terra parou, 1977). Com refrão, digamos, muito parecido com o de Aline - clássico pop francês do cantor Christophe - virou o maior clássico da segunda fase da carreira de Raul. A partir daí, o baiano gravaria vários discos obscuros e entraria numa das mais dramáticas espirais de decadências já vistas na música brasileira - com direito a voltas breves e alguns sucessos. "Essa é uma música sobre um sujeito que assume que não tem controle sobre sua loucura", definiu o coautor da canção e um dos mais próximos amigos do cantor, Claudio Roberto.

"NO FUNDO DO QUINTAL DA ESCOLA" (O dia em que a Terra parou, 1977). Contém um dos maiores riffs de guitarra já gravados num disco de Raul.

"JUDAS" (Mata virgem, 1978). De volta (breve) à parceria com Paulo Coelho, Raul gravou seu melhor disco na Warner, Mata virgem, com uma constelação de músicos de estúdio (Antonio Adolfo e Pepeu Gomes entre eles). Judas, narrada "em primeira pessoa" pelo personagem bíblico, é um curioso flerte com a disco music.

"ILHA DA FANTASIA" (Por quem os sinos dobram, 1979). Um dos poucos momentos de respiração num dos mais confusos e estranhos álbuns de Raul, todo composto em parceria com o argentino Oscar Rasmussen, com quem dividiu apartamento em Copacabana. Na época, o baiano arrumou sérias encrencas ao contratar uma equipe de caratecas argentinos como seguranças - um deles, ligado ao tráfico, foi assassinado a tiros no apartamento de Raul.

"ALUGA-SE" (Abre-te sésamo, 1980). Protesto bem humorado e desaforado, com solos de guitarra de um jovem músico chamado Celso Blues Boy. Regravada anos depois pelo Camisa de Venus e pelos Titãs.

"O CARIMBADOR MALUCO" (do disco Raul Seixas, 1983). Compondo e cantando o tema de abertura do infantil Plunct plact zummm, Raul reinventou-se no mercado, chamou a atenção de um improvável público infantil e, de certa forma, se enfiou a seu modo no circo pop dos anos 80.

"MAMÃE EU NÃO QUERIA" (do disco Metrô linha 743, de 1984). Censurada e proibida para execução em rádio, a criação de Raul em cima de I don't want to be a soldier, de John Lennon traz o cantor, digamos, parecendo um tanto quanto etilicamente alterado. Kika Seixas surge logo na introdução fazendo "o papel" de mãe do artista.

"GERAÇÃO DA LUZ" (do disco Metrô linha 743, de 1984). O testamento de Raul, gravado para o Plunct plact zummm 2, cinco anos antes do cantor morrer.

"MUITA ESTRELA POUCA CONSTELAÇÃO" (do disco do Camisa de Venus Duplo sentido, de 1987). Rara participação de Raul num disco de outro artista e mais rara ainda relação do cantor com um grupo de rock brasileiro dos anos 80. Em parceria com Marcelo Nova (com quem gravaria um álbum, A panela do diabo, em 1989), o baiano fez vocais e ainda assinou a letra.

"A LEI" (A pedra do gênesis, 1988). No penúltimo disco de Raul, voltam à capa o "imprimatur" (imprima-se, em latim, como nos primeiros escritos católicos) da Sociedade Alternativa e o logotipo do cantor escrito em fontes góticas. Na capa, o cantor aparece numa foto de 1974, segurando um livro de magia. Em A lei, Raul compõe um funk torto usando o refrão de Sociedade alternativa e lendo textos de Aleister Crowley quase na íntegra.

"LUA BONITA" (A pedra do gênesis, 1988). Cantando com um fiapo de voz, gravando num estúdio meia-boca e acompanhado de um sintetizador de mau gosto, Raul faz chorar ao reler um clássico do compositor paraibano Zé do Norte - autor também de Sodade meu bem, sodade e, alega-se, de Mulher rendeira.

"NUIT" (A panela do diabo, 1989). Momento solo de Raul em seu último disco, gravado em dupla com Marcelo Nova. Sobra de um disco-fantasma do baiano, também chamado Nuit (que deveria ter saído em 1981), a balada de Raul e Kika Seixas foi a última canção gravada por ele no álbum, com as luzes do estúdio todas apagadas. "Todos (na sala de gravação) estavam com os olhos rasos d'água, porque entenderam que aquela era uma letra de despedida", contou o produtor Pena Schmidt em 1999 à Trip. No YouTube, há uma versão supostamente gravada em casa em 1981.



 

TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.