quarta-feira, 30 de julho de 2014

JAGUAR

Bati um papo com Jaguar nesta semana para o jornal O Dia, no qual trabalho e no qual ele faz uma coluna e desenha cartuns. Foi uma conversa muito legal e bastante engraçada - até mesmo a assessora de imprensa da editora que intermediou a conversa telefônica não aguentou e caiu na gargalhada várias vezes, com as tiradas do cartunista.

O papo gerou essa matéria que você lê aí ao lado, e que foi publicada hoje em
O Dia, sobre a mesa da qual Jaguar participa (deve estar lá neste exato momento, quase indo para o encontro) na edição 2014 da Feira Literária Internacional de Paraty. Ele faz um debate com os ex-integrantes do Casseta & Planeta Reinaldo Figueiredo e Hubert. E aproveita para relançar seu primeiro livro, Átila, você é bárbaro, lançado originalmente em 1968.

Como Jaguar soltou aspas boas atrás de aspas boas, não resisti e publico toda a conversa aí embaixo. Procure o relançamento de
Átila na livraria mais próxima e dê de cara com o humor de um período em que a psicanálise, a arte pop e as guerras mundiais espantavam mais os homens e as mulheres do que os reality shows e qualquer outra bobagem dos dias de hoje.


Átila, você é bárbaro saiu no ano do AI-5. Tem alguma lembrança relacionada a isso? Foi no ano mesmo? Rapaz, olha só... Bom, fiz uma compilação dos meus cartuns publicados em revistas como a Senhor e nem sofri censura, pois eles não ficavam muito de olho em cartuns. Chamei o Paulo Mendes Campos para fazer o prefácio e ficou muito bom, até melhor que o livro. O Paulo era um cara a quem todos nós admirávamos. Eu te falo que nunca nem me preocupei com esse livro, legal que estejam relançando... Até porque eu tenho material demais, dava para fazer vários livros!

É mesmo? Pô, trabalho desde 1952 e nunca tirei férias. Quando entro de férias sempre faço material com antecedência e envio. Agora mesmo vou viajar e entreguei uma porção de crônicas e charges. O leitor nem sabe que eu fico zanzando por aí. Eu agora vou passar um mês na Europa. Vamos ver como vai ficar isso aí... Eu já nem gosto muito de viajar e ainda tenho que deixar tudo pronto. É o maior abacaxi (risos)!

Mas então você nem foi censurado nessa época, por causa do livro? Foi tranquilo? Sim. As piadas não são de charge, a maioria é cartum. O cartum não tem prazo de validade. A diferença entre um e outro é que o cartum é sobre situações que daqui a 20 anos o cara entende. A maioria das charges ficam fora de uso em 20 dias, ninguém entende mais nada do que está ali. Eu acabo fazendo charge pro O DIA, mas acho que sou o único chargista do mundo que não sabe fazer caricatura. Eu não posso deixar de fazer, daí copio de colegas (risos). Não deixa de ser uma homenagem, né?

É, como dizem, o plágio é um forma de homenagem... Acho que ficam até honrados. Fiz uma Dilma Rousseff que já usei em várias charges diferentes.


Voltando a Atila, você é bárbaro, é engraçado que dá para pegar ali assuntos que eram moda na época, como psicanálise, pop-art. Isso era discutido em mesa de bar, certo? Eu tava dando uma olhada no relançamento do meu livro, que saiu com capa dura, ficou chique. Se você pega esse cartum do cara olhando o extintor de incêndio (ao lado)... Hoje a arte vale qualquer coisa, não é? Eu me lembro de uma época em que eu falava, quando preenchia ficha de hotel, que eu era cartunista, e ninguém sabia o que era isso. Achavam que eu fazia cartões. Tanto que eu passei a falar que eu era jornalista. A palavra "cartunista" está hoje muito banalizada.

Como assim? Ué, qualquer um se chama hoje de cartunista. Chamam quadrinista de cartunista, caricaturista de cartunista. Dá um certo status. Outro dia até aconteceu um negócio engraçado... Entrei num táxi e o cara falou: "Ah, você é aquele cartunista". Eu respondi que era, sim, e ele: "É o Ziraldo, né?". (risos). Respondi: "Não, não, eu sou o outro".


E você vai ser entrevistado lá pelo Reinaldo e pelo Hubert... O Reinaldo é um ex-Pasquim. O Casseta & Planeta era quase um suplemento nosso, porque ele e o Hubert ficavam lá na redação do Pasquim, se fechavam numa sala e ficavam às gargalhadas. Eu ficava louco para ver o que eles estavam fazendo ali. Depois eles viraram o Casseta & Planeta, atores, músicos, o diabo a quatro. E o Reinaldo felizmente voltou a fazer cartuns, né?

Ele é meio cria desse seu primeiro livro, sempre cita como influência. Eu colaborei com essa garotada toda. Uma coisa que sempre me perguntam é qual a maior contribuição que eu acho que fiz ao cartum brasileiro. Olha, sempre respondo que foi fazer o Adão Iturrusgarai assinar nome e sobrenome, porque antes ele só assinava "Adão". Eu falava para ele: "Você não pode deixar de usar o Iturrusgarai, que é nome de terrorista, porra! Adão qualquer um pode ser" (risos).

E o cartum está extinto mesmo, como você fala? Claro. Anrigamente, anos 50, 60, você ia numa livraria e comprava o melhor que existia na área, em revistas. Só sobrou o New Yorker. Vários jornais já deixaram de circular e eles são os sobreviventes. Eu mesmo sobrevivo fazendo charges, não cartum. Eu detesto desenhar...

Sério? Não gosto de desenhar, mas eu sou cartunista. As pessoas até me perguntam como é que eu me inspiro... Cara, é uma técnica, eu já leio as notícias e vou pensando, fazendo, criando personagens. Peguei um táxi outro dia e o motorista disse: "Vejo o senhor andando de táxi para lá e para cá. O que o senhor faz? Do que o senhor vive?". Eu falei: "Eu faço aqueles desenhos lá no O DIA". O DIA é muito popular, daí sou muito conhecido. O cara me respondeu: "Mas além disso o senhor trabalha?" (risos). Não só trabalho como não tenho aposentadoria, vou fazer isso a vida inteira!

E é sua primeira vez na Flip? Sim. Minha mulher é que quer ir. Eu não quero, não. Só vai ter lá aqueles intelectuais chatos pra cacete. Como o intelectual brasileiro é chato! O Reinaldo me garantiu que eu não ia ter que falar nada, só ia ter que responder, então está tudo bem. Vai ser uma entrevista, não uma palestra, o que é melhor. Detesto ver o cara em cima de uma cátedra, dizendo o que as pessoas devem fazer. Sempre tive raiva de professor. Fui expulso de colégios cinco vezes (risos).

Mas você não se considera um intelectual? Não, não! Sou um trabalhador. Aqui no Brasil o intelectual é muito chato. O Millôr Fernandes foi o maior intelectual brasileiro: era tradutor, cartunista, escritor, dramaturgo... A única coisa em que ele não era melhor era em poesia. Ele era inteligente demais para vser poeta. (risos) Eu leio muito porque as pessoas ou leem quando são jovens ou não adianta mais nada. E eu tive muita asma quando era jovem. Não podia fazer nada, vivia com asma e ela me salvou. Assim como eu passei a ler muito por causa dela, ela me livrou do cigarro. Tentei passar a fumar várias vezes e nunca consegui. Muito embora eu sempre escolha a área de fumantes. Acho que eles são mais inteligentes que os não fumantes (risos). Os bêbados também são mais inteligentes que os abstêmios. Eu já bebi muito, mas agora sou obrigado a tomar cerveja sem álcool. Descobri umas cervejas alemãs muito boas, que têm o mesmo gosto da normal. Depois dou umas voltas em torno do poste e fico tonto. Sou capaz de ficar de porre com a força do pensamento também (risos).

LUCAS MORATO LANÇA CD

E lá vem Lucas Morato, filho de Péricles, lançando finalmente seu primeiro CD solo. Roqueiros, caiam fora daqui que hoje o papo é com ele.


DE PAI PARA FILHO
Filho de Péricles, Lucas Morato lança CD e corre atrás do seu lugar ao sol: "Tenho talento para segurar a responsabilidade"
Publicado em O Dia em 30 de julho de 2014


A carreira solo de Lucas Morato, filho de Péricles, vem se insinuando desde 2012. Na época, o jovem sambista (hoje com 21 anos) apareceu no programa Esquenta cantando Linda voz (Olá), que compôs em homenagem ao pai. Agora é realidade: o CD de estreia, Muito prazer!, está nas lojas e a romântica Mundo dos desencantados, o primeiro single, já está nas rádios. Com a voz igual à do ex-Exaltasamba, ele tem o desafio de mostrar que não está ali só por causa da influência da família.

“Ser filho do Péricles me traz coisas boas, sim, e só me faz bem. E não tenho medo nenhum que as pessoas prestem atenção em mim por causa dele. Mas sei que tenho o talento para segurar a responsabilidade”, conta o ainda bastante tímido Lucas. Bem antes do disco, ele fez parte do grupo Filhos do Samba, só com (como diz o nome) crias de sambistas. E chegou a ser jogador de basquete federado antes de optar de vez pela música, com a qual sonhava desde os 14 anos. “Cresci no meio do samba e aprendi a ter respeito pelos meus colegas de trabalho e pela história da música de modo geral.”

Não tem só samba em Muito prazer!, que fala em bailes funk em Ela arrasa e abre com um rap-pagode em Logo mais, parceria com o rapper Projota. “Sou fã dele e fiquei feliz de ver que ele também é meu fã”, alegra-se o jovem, que canta sobre relações, digamos, tumultuadas nessa música e no hit Mundo dos desencantados. E ainda fala sobre como é não passar mais maus bocados na mão da mulherada em Eu tô mudando.

“Ah, cara, essas músicas nem são sobre experiências pessoais. Algumas nem fui eu que fiz (o disco tem contribuições de compositores como Elizeu Alexandre, Prateado, Gustavo Lins e o próprio Péricles). É mais para as pessoas se identificarem”, conta. Lucas não tem namorada e se diz um cara caseiro. “Eu até saio às vezes, mas prefiro jogar futebol e receber amigos em casa, ou ficar com meus primos.”

Além de Projota, o ex-colega de grupo do pai, Thiaguinho, está na faixa-título. Linda voz também está no CD, novamente com Lucas e Péricles (o ex-Exaltasamba já havia gravado a música com o filho em seu primeiro DVD). “Lembro que foi surpresa para o meu pai quando apresentei a música no Esquenta. Ele até já conhecia a canção de uma homenagem que fizemos para ele, mas nessa vez, ele nem desconfiava”, recorda.

Lucas se diz bom de garfo igual ao pai (“herdei isso dele”), mas controla o peso. “Eu era desencanado, mas hoje em dia sou encucado com essas coisas, pela questão estética mesmo”, revela. 

FOTO COM NEYMAR E APOIO DO PAI. No CD Muito prazer!, além de cantar em Linda voz, Péricles contribui com uma música, Ainda não, parceria com Lucas, Hermany de Souza e Rodrigo Oliveira. E acompanha os passos do filho. “Eu ainda aconselho muito, mas também acredito que tudo o que a gente falou até hoje vai ser legal para ele. Eu e a mãe dele criamos um grande cidadão e agora a gente pode ver a nossa criação andando pelo mundo. Estamos muito felizes”, diz.

Quem também deu aval à carreira solo de Lucas foi o atacante Neymar, amigo de todas as horas do ex-colega de grupo de Péricles, Thiaguinho. O jogador chegou a publicar uma foto com Lucas Morato em seu Instagram, com a legenda: “Sucessor do pai”.

terça-feira, 29 de julho de 2014

THIAGUINHO NO MULTISHOW

Uma conversa franca com Thiaguinho sobre o programa Música boa ao vivo, que ele apresenta e do qual vai dar um tempo a partir de hoje, para entrar em férias e cuidar da saúde.


ROCK, SAMBA E SERTANEJO: TUDO PODE NA MISTURA DO MÚSICA BOA AO VIVO
Programa do canal Multishow ganha Dani Monteiro como apresentadora por três semanas, nas férias de Thiaguinho
Publicado em O Dia em 29 de julho de 2014

"Música boa é a que faz bem. E no Brasil é o que temos de sobra!” O sorriso largo do cantor Thiaguinho, num dos intervalos do ensaio de seu programa Música boa ao vivo (que vai ao ar toda terça no Multishow, às 20h30) é acompanhado de uma lista eclética dos artistas que ele pretende levar lá. “Cara, é tanta gente... Lulu Santos, O Rappa, Jorge Vercillo. O Lulu participou do meu último disco, seria uma honra trazê-lo aqui. O Zeca Pagodinho e o Arlindo Cruz nem vieram aqui ainda”, conta o pagodeiro, que adia os próximos projetos só um pouquinho. 

A apresentadora Dani Monteiro substituiu o pagodeiro à frente da atração por três semanas, a partir de hoje — um ano após Thiaguinho ter passado três dias hospitalizado, devido a uma tuberculose pleural. Antes do descanso, o cantor, que se casa em fevereiro com a atriz Fernanda Souza, ainda faz show amanhã no Citibank Hall, na Barra da Tijuca.

“Eu já tinha combinado essas férias antes do programa começar. Tive aquele problema no ano passado e é bom dar uma desacelerada para recuperar a saúde mental e corporal”, diz. E hoje tem rock no Música boa ao vivo: Ana Cañas, Titãs e Sepultura. “Eu adoro a atitude do rock e a pressão da música. CPM 22, Detonautas, Biquini Cavadão e Raimundos vieram aqui e foi incrível cantar rock com eles”, recorda o pagodeiro. Ele também já se juntou aos sertanejos Chitãozinho & Xororó (“que cresci ouvindo!”) e Victor & Leo em outras ocasiões. E também cantou MPB com Elba Ramalho. A variedade manda, enfim.

Na terça passada, quando foi feita a entrevista, o samba vigorou nos três palcos da atração, com Diogo Nogueira e o ex-colega de Exaltasamba Péricles. Além do próprio Thiaguinho, que cantou o hit Caraca muleke e soltou a voz numa seleção de clássicos da bossa nova, em homenagem a Tom Jobim. Dani Monteiro apareceu por lá para conferir o ensaio que antecede a transmissão ao vivo. “Foi o maior orgulho ter sido chamada para apresentar. E vai ser bem diferente por ser ao vivo e por causa da plateia. E o Thiaguinho precisa descansar, né? Ele só trabalha!”, exclama Dani.

Desde a semana passada, o programa passa a durar duas horas. Sinal de sucesso e de desafio para Thiaguinho, que ainda nem se considera um apresentador de verdade. “O que eu faço é mais uma condução do show que levamos ao ar toda terça. Nos primeiros dias até fiquei mais nervoso, mais apreensivo. A gente se inspira bastante no formato do (pianista e apresentador britânico) Jools Holland, que também tem vários palcos”, conta ele, totalmente em casa em meio às músicas e brincadeiras com Péricles e à direção musical feita pelo curador do palco Sunset do Rock In Rio, Zé Ricardo. Sob o comando de Zé, Thiaguinho, Péricles e Diogo unem vocais em Chega de saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. E Thiaguinho solta os agudos em Wave, de Tom. “É uma grande vitória ver o Thiaguinho vencendo desafios como esses. Tem muitas facetas dele que a gente nem conhece ainda”, diz o amigo, ex-colega de grupo e fã Péricles.

Recentemente, Thiaguinho retribuiu a força que o amigo Neymar lhe deu quando estava doente, e foi visitá-lo no hospital após o jogador ter fraturado a coluna, durante o jogo Brasil x Colômbia. “Eu também assisti ao vivo ao Brasil x Alemanha e foi assustador. Sabia que o time da Alemanha era um dos mais fortes, mas não esperava que a gente tomasse uma goleada tão grande”, relata. “O Neymar era mesmo nossa referência no ataque e claro que fez falta pra caramba. E o fato de ele sair atrapalhou emocionalmente todo mundo. Mas ele é muito novo e tem muita alegria para dar para todos”.

GUILHERME LAMOUNIER

Daqui a pouco, o que vai fazer 40 anos é o disco de 1978 de Guilherme Lamounier, que saiu pela Som Livre e traz músicas como Ser e estar e Serenatas perfumadas com jasmim.

O de 1973 fez 40 anos e ganhou pela primeira vez um livro que conta alguns detalhes de como o disco foi gravado e lançado - 1973, O ano que reinventou a MPB, lançado em janeiro pela editora Sonora. Um dos textos do livro, você deve saber, foi escrito por mim e fala do disco. Quando me convidaram para escrever algo para o livro, topei desde que pudesse acrescentar alguma info nova. Procurei ex-parceiros do Guilherme e todos me passaram informações bem interessantes e diferentes.

Guilherme Lamounier continua sendo o segredo mais bem guardado da MPB. Um cara que há anos não grava nem tem discos relançados, mas cuja fama tem sido feita por intermédio de trocas de arquivos em MP3. Dá para compará-lo com Arnaldo Baptista, só que Arnaldo é bem menos recluso. Entrevistei Arnaldo outro dia para uma matéria que saiu em O Dia, onde trabalho, e não lembrei de perguntar a ele se ele conheceu Guilherme. Gostaria que um ouvisse o trabalho do outro e que eu estivesse ao lado para colher opiniões.

E essa longa introdução é só para lembrar que há alguns meses participei de um evento de lançamento de 1973 na Fnac da Barra da Tijuca. Guilherme virou tema de texto em livro e de palestra, pois falei rapidamente sobre ele e sobre a minha participação na publicação - falei de coisas que achamos melhor até deixar de fora do texto. Confira aí.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O SOM DOS CORETOS

Ontem teve show da banda Luzeiro, na Praça da Harmonia, abrindo uma série de concertos pelos coretos do Rio.

A matéria abaixo anuciou o primeiro show e saiu ontem em O Dia. Tem mais concertos vindo por aí. Fique de olho.



BANDA LUZEIRO INICIA NA GAMBOA TURNÊ PELOS CORETOS DO RIO DE JANEIRO
Shows vão até novembro e trazem músicas do passado e do presente nas praças
Publicado em O Dia em 27 de julho de 2014

Vamos ao coreto, lá na pracinha, assistir a um show? O convite pode soar até meio anacrônico hoje, mas era assim que as pessoas se divertiam há cerca de 50, 60 anos. “Há uma memória afetiva das pessoas ligadas a isso, especialmente no caso dos mais idosos. Mas mesmo os jovens adoram, até porque nosso trabalho se relaciona de certa forma com o Carnaval de rua”, conta Pedro Paes, saxofonista do octeto Luzeiro.

A banda (na tradição dos antigos grupos compostos por metais, madeiras e percussão) inicia hoje a segunda edição gratuita da turnê O som dos coretos, começando pelo da Praça da Harmonia, na Gamboa, às 16h. No show, tem como convidada a Go East Orkestar, que põe um clima europeu no evento, trazendo sons dos países da Península Balcânica.

Os coretos fazem parte do dia a dia dos músicos. “Alguns de nós nascemos em cidades do interior e aprendemos música com integrantes de bandas que tocavam neles. A gente até evita usar a palavra 'resgate’ para falar do que fazemos, porque isso ainda está vivo para nós. Estamos dando continuidade a um passado de glórias”, conta Pedro. Ele e Marcelo Bernardes (flauta e flautim), Rui Alvim (clarinete), Aquiles Moraes (trompete), Everson Moraes (trombone), Thiago Osório (tuba), Magno Julio e Marcus Thadeu (percussões) tocam músicas de Ernesto Nazareth, do compositor italiano Nino Rota, de Tom Jobim e até do sambista Marçal.

“Também tocamos Anacleto de Medeiros (1866-1907), compositor nascido em Paquetá que fazia músicas para várias bandas e nos inspirou muito. Nosso nome era Luzeiro de Paquetá, que é uma música que o (compositor) Mauricio Carrilho fez em homenagem ao Anacleto. Acabamos tirando o ‘de Paquetá’ porque as pessoas achavam que éramos da ilha”, brinca Pedro.

Há sempre muitas famílias assistindo aos shows. O público infantil, conta o músico, é um dos mais animados. “As crianças geralmente querem ver o que estamos lendo nas partituras e ficam animadíssimas com os instrumentos, com as apresentações. Tentamos criar uma cultura, entre todas as faixas etárias, de ir para a rua ouvir música. De sair um pouco do roteiro Centro-Zona Sul. E de acabar com essa ideia que algumas pessoas ainda têm de que o músico que se apresenta na rua tem qualidade inferior”, conta Pedro.

“Como o mercado para músicos vem tendo problemas há alguns anos, muitos estão ocupando as ruas. E também há grupos de teatro, de circo, fazendo o mesmo. É a hora de repensar esse uso do espaço público”.

O empenho do grupo volta e meia se choca com alguns obstáculos. O mais grave é justamente a má conservação dos coretos. “Muitos deles estão abandonados”, lamenta o músico. “Fazemos inspeção nos locais antes de bater o martelo, para saber se é viável tocar lá e ainda levar público. A gente tentou tocar no coreto da Igreja da Penha. É um lugar histórico, com uma relação enorme com a música que fazemos. Mas infelizmente não foi possível. Logo nas primeiras negociações, na primeira edição do projeto, vimos que não haveria condições”.

Nos próximos shows, o Luzeiro recebe o OOJazz (no Coreto do Méier, na quinta), a Orquestra Voadora (em Vigário Geral, no dia 21 de setembro), a Fanfarrada (em Sepetiba, dia 26 de outubro) e o Na Paralela do Frevo (no Flamengo, dia 30 de novembro).

“Nós tocamos dobrados, choros, marchas-rancho, sambas, polcas. Mas também adaptamos o nosso repertório a cada show, para receber as bandas convidadas. Por causa da Go East Orkestar, hoje, vai rolar até música da Grécia e da Turquia. Quando a Fanfarrada vier, vamos tocar música cubana”, conta o saxofonista.

ARNALDO BAPTISTA E OS 40 ANOS DE "LÓKI?"

Papo rápido com Arnaldo Baptista sobre os 40 anos de Lóki?, seu primeiro disco solo, e sobre o show que ele estreia neste fim de semana em BH.


ARNALDO BAPTISTA COMEMORA 40 ANOS DE LÓKI? E FAZ SHOW
Ex-mutante, que prepara disco, toca domingo em Belo Horizonte
Publicado em O Dia em 28 de julho de 2014

Em 1974, aos 26 anos, Arnaldo Baptista largou os Mutantes, terminou um tumultuado namoro-casamento com Rita Lee e viveu momentos turbulentos com as drogas. E compôs as enigmáticas músicas de Lóki?, seu disco solo de estreia. Com canções emocionadas como Será que eu vou virar bolor? e Desculpe, o LP comemora 40 anos ganhando pontuais comemorações.

A Universal, que lança uma caixa com os CDs dos Mutantes, vai repor o álbum nas lojas. E o cantor leva a Belo Horizonte no domingo o show Sarau o Benedito?, misturando sons antigos aos do álbum que está concluindo, Esphera. Um show que ele pretende trazer ao Rio ainda esse ano.

“Dizem que Lóki? é um disco triste, mas a tristeza fica bonita. Ela é um tempero”, acredita o alegre Arnaldo. Roberto Menescal, que produziu o disco ao lado de Marco Mazzola, lembra da época: “Arnaldo me pegava no aeroporto de moto, vestido de cowboy, para me mostrar o material. Ele estava mal pelo fim do casamento com a Rita, chorava muito. Comprei a briga e fiz o disco, gravado quase ao vivo”, conta Menescal.

No acompanhamento, mais ex-mutantes: Dinho Leme (bateria), Liminha (baixo) e até a própria Rita, em alguns vocais. “O Sérgio Dias (guitarrista e irmão de Arnaldo) não entrou porque estava longe, morava no Rio”, conta Arnaldo. Que tirou o título Lóki?, veja só, de um expressão ligada ao mundo dos automóveis.

Lókis eram os carros que não tinham um farol de milha chamado de ‘cilibrina’ (‘sealed beam’, no original). A letra de Cê tá pensando que eu sou lóki? veio daí”, diz. A censura, por sinal, deixou passar batido não só essas curtições, como um palavrão em inglês na letra de Navegar de novo. “Soltei um ‘it’s fucking hell!’”, porque o (jornalista inglês) Mick Killingbeck, meu amigo, dizia isso”, brinca Arnaldo. E ele diz nem saber se Lóki? é mesmo um clássico. “É engraçado: quando eu era criança, uma pessoa de 40 anos já era velha. E Lóki? parece que foi feito ontem”, diverte-se.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

CDD ROCK BAILE, ROCK NA CIDADE DE DEUS

Bati um papo com a turma do CDD Rock Baile, o único festival de rock da Cidade de Deus, para O Dia.

Neste sábado tem!


O ROCK INVADE A CIDADE DE DEUS NO PRÓXIMO SÁBADO
CDD Rock Baile une bandas e fãs locais
Publicado em O Dia em 20 de julho de 2014

O rock rola direto numa das mais famosas comunidades cariocas, a Cidade de Deus. “Nosso evento recebe 500 pessoas! Bem menos que o baile funk do domingo, mas a quadra já ficou lotada!”, diz o taxista, músico e agitador Murilo Freitas, que põe de pé no próximo sábado mais uma edição do CDD Rock Baile, único festival de rock da comunidade, que aglutina bandas e fãs locais. É na quadra da escola de samba Coroado de Jacarepaguá às 21h.

“A Cidade de Deus é roqueira! Em poucos lugares do Rio você encontra fãs de tantas vertentes do rock. E todo mundo faz amigos e monta bandas”, conta Rayssa Baldez, lourinha que canta, toca guitarra e bateria (não simultaneamente, claro!) na banda punk-grunge Domestic Junkies, que divide com o irmão e o namorado. “Nossas músicas falam o que a maioria de nós passa quando tá na m...: briga, enche a cara, perde o namorado ou a namorada e é tratado como lixo de modo geral”, relata a garota.

Dessa vez, eles não estão no evento, que tem Iron Price, Caos Ordenado, Clausura Gris e Mau Presságio (a banda punk mais longeva da CDD, com 15 anos), além do Green Day Cover. “E também pinturas, poesia, performance”, acrescenta Murilo. “Quem quiser mostrar sua arte é bem-vindo”.

O punk faz sucesso lá, no palco e em animadas rodas. “Fiz também uma edição grunge que foi a maior emoção. Um vocalista ficou emocionado porque já cantou para pessoas que nem bateram palmas”, conta o produtor. O Mau Presságio tem canções podronas e divertidas como Motoboy tarado e Tô ateu e um vocalista, Chiquinho (ou Francisco Fábio), que já destruiu uma camisa dos rapazes coloridos do Restart no palco do CDD Rock Baile. “Eu a joguei para a plateia, que rasgou tudo. Depois taquei fogo”, brinca o cantor, que sempre sai do palco com a roupa rasgada. “Minha mulher até entrou com uma ação judicial para eu não ficar pelado em público”, brinca Chiquinho.

Numa edição do CDD que aconteceu na mesma época do Rock in Rio 5, em 2013, Murilo decidiu fazer uma brincadeira com o “concorrente” e batizou os dois palcos de “palco mundo” e “palco imundo”. “Na última edição, chamei o palco menor de ‘palcozinho’. Dessa vez vamos ver como vai ficar”, brinca. E ele quer mesmo salvar o rock na Cidade de Deus. “Já vi garoto que só ouvia funk e passou a andar de camisa preta. Hoje até a TV tem mais programas com rock. Pô, O caçador (série da Globo) tem Secos & Molhados na abertura”, conta.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

QUARENTA (+1) MÚSICAS PARA O EX-BBB ELIESER TOCAR EM INAUGURAÇÃO DE FARMÁCIA

Foto Wesley Costa/AG News, reproduzida sem permissão
Não tá fácil para ninguém.

Se boa parte dos jornalistas que eu conheço tem que se virar em montes de freelas e trabalhos extras - que vão desde revisar teses até escrever bula de remédio - imagina para os ex-BBBs, muitos deles absolutamente sem qualificações.

Deu num site aí que o Elieser, que participou de duas edições do reality show Big Brother Brasil, está dando continuidade à sua carreira de DJ. E recentemente soltou o som na inauguração de um farmácia, lá em Belém do Pará. Olha o link do portal Tudo Notícia aí, com várias fotos da AG News.


Bom, como jornalista, todo mundo sabe, bato ponto diariamente no jornal carioca O Dia. Já trabalhei em agência de conteúdo, em dois portais e em outros jornais. Mas para ganhar grana, já fiz um monte de coisas. O primeiro mandamento do freela é: nunca reclame de trabalho. E o segundo é: dê graças a Deus que alguém quer seus serviços (não vou nem falar no "economize na bonança porque depois vem a tempestade"). Normalíssimo que Elieser, focado em lançar de vez sua carreira de DJ, toque em festas, casamentos, noivados, encontros de casais com Cristo, enterros e... inaugurações de farmácia. Eu mesmo, se fosse DJ, estaria correndo atrás de bicos como esse. Nunca se sabe onde você pode parar.

Seja como for vai aí uma seleção de 40 (+1 um bônus) músicas que nosso amigo Elieser pode escolher para tocar na próxima vez em que for mostrar seus dotes de discotecário numa inauguração de farmácia. O amigo Marcos Lauro, locutor da Rádio Eldorado, contribuiu com várias músicas num post do Facebook - e vários amigos dele e meus ajudaram com outras músicas.

"REMEDY" - SEETHER

"REMEDY" - BLACK CROWES

"THE REMEDY" - JASON MRAZ

"EL PRESIDENT" - DRUGSTORE feat. THOM YORKE

"TWO PRINCES" - SPIN DOCTORS

"BAD MEDICINE" - BON JOVI

"MALPRACTICE" - FAITH NO MORE

"PAINKILLER" - JUDAS PRIEST

"SPIRIT IN THE SKY" - DOCTOR AND THE MEDICS

"DOCTOR ROBERT" - BEATLES

"A IRMÃ DO DOCTOR ROBERT" - TNT

"O PULSO" - TITÃS

"O REMÉDIO É BEBER" - JOÃO CARREIRO E CAPATAZ

"SEM REMÉDIO" - CASSIANO

"DR FEELGOOD" - MOTLEY CRUE

"BACK IN THE NIGHT" - DR FEELGOOD

"REMÉDIOS DEMAIS" - MATANZA

"FEEL GOOD HIT OF THE SUMMER" - QUEENS OF THE STONE AGE

"CLARITIN D" - PITTY

"BABY'S GOT A TEMPER" - PRODIGY

"DOENTE DE SAUDADE" - MOACYR FRANCO

"ESTOU DOENTE" - AMADO BATISTA

"A CURA" - LULU SANTOS

"IN BETWEEN DAYS" - THE CURE

"ELAS POR ELAS" - THE FEVERS

"ROCK AND ROLL DOCTOR" - BLACK SABBATH

"CALLING DR LOVE" - KISS

"DOR DE CABEÇA" - ERASMO CARLOS

"CHECK UP" - RAUL SEIXAS

"A CURA DA HOMEOPATIA PELO PROCESSO MACROBIÓTICO" - FALCÃO

"40 GRAUS" - TWISTER

"RIO 40 GRAUS" - FERNANDA ABREU

"ALERGIA" - SERGUEI

"SALVE A MALÁRIA" - MOTOROCKER

"ISSO É OLHO SECO" - OLHO SECO

"CLINICA GERAL" - MOLEJO

"NO HOSPITAL" - AMADO BATISTA

"RITALIN" - PAOLO NUTINI

"SMILE" - VITAMIN C

"FEBRE TROPICAL" - JOE EUTHANAZIA


E se o objetivo é a zoeira, vai aí o jingle do Atroveran numa antiga gravação do Programa Silvio Santos.



TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

VAMOS SALVAR O ROCK, NO JORNAL "O DIA"

Ajudando a salvar o rock mais uma vez: Leandro Souto Maior e eu demos uma geral em festivais que acontecem na Baixada e na Zona Norte do Rio, neste fim de semana e na próxima semana. 

Saiu em O Dia.

NOVA TURMA ROQUEIRA SE APRESENTA EM FESTIVAIS NA ZONA NORTE E NA BAIXADA
Eles querem falar à sua geração e salvar o rock
Texto e reportagem de Leandro Souto Maior e Ricardo Schott
Publicado em O Dia em 24 de julho de 2014

Nos anos 80 formou-se um circuito de espaços destinados ao rock que ajudou a catapultar uma geração de bandas, com seus hits e trajetórias que ainda despertam o interesse de quem gosta de música.

“O desafio do rock hoje é que surja uma nova geração de bandas que ultrapasse todas as barreiras das rádios, que chegue na população e não se restrinja ao circuito elitizado ou underground. E vejo que essa turma nova está aí”, ressalta Paulo Lopez, coprodutor do projeto mensal Rio Novo Rock, que estreia na próxima quinta-feira no Imperator, no Méier.

“A ideia é apresentar bandas promissoras do cenário carioca tocando com um equipamento de som e luz profissionais e ingresso acessível, R$ 4, com meia a R$ 2. Vamos formar uma plateia e eles vão salvar o rock!”.

Tipo Uísque e Drenna são as primeiras a subir ao palco, seguidas de Medulla e Canto Cego, em agosto (confira a programação completa no destaque ao lado). As três últimas também são atrações, junto de outras bandas, do evento gratuito Semana do Rock, no Paço Municipal de Mesquita, que acontece de amanhã a domingo.

“O rock é muito forte na Baixada. Mas não só a Baixada, acho que todo o Rio de Janeiro talvez nunca tenha sido tão rock and roll quanto agora. É realmente um grande movimento”, aposta Rogério Sylp, vocalista da banda T-Remotto, uma das escaladas para o Rock Na Praça, outro evento do gênero, também com entrada franca, que toma amanhã a Praça do Skate, em Nova Iguaçu.

Maicon Martins, da comissão que organiza o evento em Mesquita, lembra que festivais como o Passarela do Rock, que movimentava 20 mil jovens aos domingos no município, e o Rock Na Feira, que rola na Rua Feliciano Sodré na última sexta-feira do mês e reúne 1.500 pessoas na rua, pavimentaram o caminho para a criação por lá da Lei Municipal do Rock.

“Conseguimos isso aqui em Mesquita, um projeto de lei aprovado em novembro do ano passado pela câmara dos vereadores e, com isso, vamos ter esses três dias de rock, com bandas escolhidas entre as 184 que se inscreveram. É o resultado da ralação que tivemos durante todo o ano”, comemora.

SOM AUTORAL Mostrando coragem e talento, as bandas que se juntam nesses eventos têm em comum tocarem suas próprias músicas, abrindo exceção eventual para uma ou outra releitura (“Fazemos novos arranjos, cover, não!”, descartam, quase em uníssono) para mostrar sons que são suas influências. “Os grupos mudaram. Antes, produziam de acordo com o que achavam que o mercado queria. Hoje, vejo músicos tocando o que gostam de verdade, e o público está sentindo, e querendo, essa autenticidade”, atesta Keops, um dos gêmeos-vocalistas do Medulla.

A cantora, compositora e guitarrista Drenna faz coro: “Estamos testemunhando o começo de uma nova era do rock carioca”, acredita ela.

Fato é que, desde os anos 90, quando nasceram Planet Hemp, O Rappa, Charlie Brown Jr. e Raimundos, a sensação é de que nunca mais tivemos uma safra tão interessante e conectada com o grande público. As bandas que surgiram depois não tinham a potência das antecessoras e, com o trono vago, outros gêneros iniciaram seu reinado.

Essa turma que está aí colocando a cara de fora em busca de espaço pode não viver a mesma efervescência de décadas passadas, mas garante que é a cara de sua geração e fala a sua língua. E quer fazer dos anos 2010 os novos anos 80 (ou 90). “Naqueles tempos, o Imperator era um dos principais palcos do rock no Rio. Vamos resgatar essa vocação”, promete Paulo Lopez, do Rio Novo Rock.

ROCK NA VEIA

SEMANA DO ROCK 
Autodefinida como “a cidade mais roqueira da Baixada”, Mesquita recebe o festival, que traz Drenna, Blues De Luxe, Facção Caipira (sexta), Canto Cego, El Effecto, Medulla (sábado), Retorno em Dobro, Maieuttica e Hypnotron (domingo). Paço Municipal de Mesquita. Rua Artur Oliveira Vecchi 120, Centro, Mesquita. De amanhã a domingo, a partir das 17h. Grátis. Livre.

ROCK NA PRAÇA 
Dona’na, MisterNaka, Ego, Titânia e T-Remotto são as bandas que se apresentam no evento, que acontece em Nova Iguaçu, celebrando a Semana Mundial do Rock. Praça do Skate, Centro, Nova Iguaçu. Amanhã, a partir das 17h. Grátis. Livre.

RIO NOVO ROCK 
O festival leva ao Imperator, no Méier, uma banda que também está na programação do evento em Mesquita, a Drenna. E outro grupo com toque feminino, o Tipo Uísque. Imagens com o VJ Luciano Cian e som com o DJ Guilherme Scarpa, da Rockeria. Imperator — Centro Cultural João Nogueira. Rua Dias da Cruz 170, Méier (2596-1090). Dia 31, às 20h. R$ 4 (meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos). 16 anos. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

TEST

Um papo com a banda de deathgrind Test, que abre para o Ratos de Porão no Rio. Saiu em O Dia.

BANDA TEST ABRE SHOW DOA RATOS DE PORÃO NA FESTA A GRANDE ROUBADA
Grupo toca nas calçadas após shows de bandas de metal
Publicado em O Dia em 23 de julho de 2014

“Se a polícia já impediu a gente de tocar? Nem sei porque, quando eles aparecem, a gente já deu no pé”, brinca João Silveira, o João Kombi, guitarrista e vocalista da banda paulista Test.

O grupo tem dois integrantes (João e Thiago Barata, na bateria, sem baixista) e aparece de surpresa nas saídas de shows de bandas como Iron Maiden e Black Sabbath, em São Paulo, para mostrar na rua (a bordo da Kombi de João, na qual carregam equipamentos) seu som pesadíssimo, que definem como ‘deathgrind’. Eles vão pela primeira vez ao Circo Voador, em 2 de agosto, abrir para o Ratos de Porão e o Dead Fish no aniversário de cinco anos da festa A Grande Roubada, com o DJ Wagner Fester nos intervalos.


“Esse show é uma exceção à regra de como costumamos ser tratados”, conta João, dando a entender que roubadas, de verdade, perseguem a dupla. “O tratamento para bandas pequenas quase sempre é um lixo. Muitas vezes dá no mesmo tocar na rua ou numa casa de shows. E, na rua, muita gente já ficou nos conhecendo.”

Em 2013 o grupo provocou um engarrafamento na porta da Arena Anhembi, após o show do Iron Maiden. “Pegamos a galera que estava indo para o metrô”, conta Barata. Dessa vez, a polícia chegou rápido. “Mas quatro advogados que viam o show, bêbados, peitaram a polícia, tipo ‘deixa os caras tocarem’. Não acreditamos”.

O grupo disponibiliza seus CDs no site testdeath.com.br. Em breve, lançam o flexidisc do Otomanos, projeto dividido entre o Test e o D.E.R., em que Barata também toca. “As seis músicas usam a mesma linha de bateria. Você escuta uma banda em cada caixa acústica”, conta o batera.

FLÁVIO RENEGADO

Bati um papo com o rapper Flávio Renegado para O Dia.


FLÁVIO RENEGADO LANÇA DVD E SOLTA CLIPE COLABORATIVO
Rapper se apresenta em agosto no Rio e diz esperar ‘som híbrido’ de rap e MPB

Rap agora é MPB. Ou melhor, “a MPB está começando a trazer o rap para dentro dela. A influência do canto falado é cada vez mais forte. Ainda vai nascer um som híbrido, um novo estilo, uma nova tendência”, como aponta o rapper Flávio Renegado. Ele traz ao Rio, nos dias 23 e 24 de agosto, no Festival Levada Oi Futuro, no Oi Futuro de Ipanema, o show de lançamento do seu DVD #suaveaovivo. E une músicas de seus dois CDs, com sons brasileiros na batida do rap.

“Fui criado ouvindo muito samba e black music, mas foi o rap que me fisgou e me iniciou na música. Quero quebrar fronteiras, por isso trago outros estilos para dialogar. Me sinto muito à vontade para me apropriar de outros estilos e trazê-los para o meu trabalho, mas tudo começou com o rap dos Racionais MCs”, conta o rapper, que passou a adotar há pouco seu nome verdadeiro junto ao apelido Renegado.

“Minha mãe ficou feliz porque nunca gostou dessa história de Renegado”, brinca. “Tinha quem achasse que era uma banda e não um projeto solo. Foi um personagem necessário para vencer etapas na minha vida pessoal e profissional, mas com o tempo eu amadureci e senti necessidade de humanizar esse personagem. Por isso, resolvi trazer o Flávio de volta”.

A “pessoa” de Flávio passou por um grande desafio no ano passado, abrindo a quinta edição do Rock In Rio logo em sua primeira tarde, no palco Sunset. “A apresentação durou uma hora, mas para mim pareceram cinco minutos”, conta o rapper, que já cumpriu agenda de shows fora do Brasil, seguindo a trilha insinuada pelo título de seu segundo CD, Minha tribo é o mundo, de 2011. E, longe de qualquer nervosismo, se deparou com histórias inusitadas, como a de uma fã de Paris que confessou estudar português ouvindo seus CDs: “Lembro que ela cantava todas as músicas no show! O mais legal é ver que a boa vibe da música une pessoas.”

O DVD foi produzido pela dupla Liminha e Kassin. “Foi um privilégio trabalhar com esses dois gênios. O mais legal é ver a sinergia deles dentro do estúdio e a simplicidade no trabalho”, alegra-se o rapper, que lançou ontem o clipe da música Apenas um beijo. Além das participações do deputado federal Jean Wyllys e da cantora Mart’nália, o clipe traz imagens de beijos gravadas por fãs e amigos e foi dirigido pelo próprio Renegado junto com Danusa Carvalho, sua empresária. “Fizemos de forma colaborativa. Recebemos quase 200 beijos!”, espanta-se.

terça-feira, 22 de julho de 2014

EX-CANECÃO DE VOLTA

Uma matéria que fiz outro dia em O Dia sobre as futuras revitalizações no Canecão, que retorna com outro nome e outro conceito.

Fotos de Maíra Coelho. Diagramação de Mariana Erthal.



EX-CANECÃO DEVE SER REVITALIZADO E RETOMAR AS ATIVIDADES ATÉ AS OLIMPÍADAS
UFRJ prepara edital para concurso público de arquitetura e urbanismo, e quer selecionar empresa para recuperar a área
Publicado em O Dia em 17 de julho de 2014

Quem passa em frente às ruínas pichadas do número 215 da Avenida Venceslau Brás, em Botafogo, dificilmente acredita que funcionava ali um dos templos da MPB. Isso pode mudar: desativada em maio de 2010 após a Universidade Federal do Rio de Janeiro decidir usar seu direito de propriedade do terreno, a casa de shows que já se chamou Canecão planeja estar de volta até as Olimpíadas de 2016.

Para isso, a UFRJ prepara edital para concurso público de arquitetura e urbanismo, e quer selecionar uma empresa para recuperar a área. Programa para o local um complexo que inclui o Espaço UFRJ (nome provisório), com atividades acadêmicas e musicais; a Casa da Cultura, que abrigará a editora e a livraria da universidade; e a Casa da Ciência, colada ao prédio, que está em atividade. O antigo Café Canequinho, na Rua Lauro Müller, deverá virar um café artístico até o Carnaval.

“Queremos ter esse concurso lançado em um mês”, prevê o coordenador do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Carlos Vainer. Após o fechamento e o abandono do terreno, o Canecão ficou sujeito a infiltrações, desabamentos e pichações. “O telhado estava em péssimas condições e o reformamos para interromper a degradação. Nas condições atuais, precisamos de um estacionamento subterrâneo para que a prefeitura autorize. Antes, o trânsito ficava congestionado e todos reclamavam. Também estamos fazendo um levantamento topográfico. Aquilo (o antigo Canecão) era uma construção casual. Precisamos ter uma planta do local para dar procedimento ao concurso”, anuncia Vainer. Um hotel-escola e um centro de convenções ainda são previstos para o terreno. A reforma no telhado custou R$ 400 mil.

Vainer conta que os bens do ex-inquilino da casa, Mario Priolli, deixados no espaço, foram integrados ao patrimônio da universidade. “Priolli chegou a propor um valor para que comprássemos as cadeiras e mesas. Como eles não foram retirados, a universidade ficou responsável pela sua guarda. Fizemos uma triagem e utilizamos o que foi possível utilizar”, conta. Em 2012, Priolli afirmou ao DIA que queria “vender tudo para eles (UFRJ), meu desejo é que a casa reabra o quanto antes”. Foi graças à briga judicial envolvendo esses bens que a casa ficou parada até hoje.

Uma pichação ao lado da antiga bilheteria, “O Canecão é Nosso”, recorda que em 2012 a casa foi ocupada por estudantes da UFRJ, que desejavam que o espaço fosse tomado por atividades culturais gratuitas. Na ocasião, os alunos chegaram a promover espetáculos — entre eles, um show do cantor Jards Macalé para mil espectadores. “A ocupação mostrou a necessidade de dar uma destinação ao espaço. Essa preocupação com o não uso do Canecão é nossa também. Só fiquei com receio de acontecer algum desastre lá dentro por causa das condições do local”, diz Vainer.

DATAS COMEMORATIVAS O Canecão teria inúmeras datas redondas a festejar em 2014. Algumas: 45 anos da temporada da cantora Maysa, que rendeu o álbum Canecão apresenta Maysa (maio de 1969). Vinte e cinco anos do show em que Raul Seixas encontrou-se com o parceiro Paulo Coelho no palco (março de 1989). Quarenta anos do espetáculo Brasileiro profissão esperança, com Paulo Gracindo e Clara Nunes (setembro de 1974). Para o ano que vem, os fãs de MPB já poderiam esperar comemorações de 40 anos da temporada que uniu Maria Bethânia e Chico Buarque (maio de 1975) e de 30 anos do espetáculo Assim somos nós, para o qual Elymar Santos alugou (e lotou) a casa (novembro de 1985).

“Depois disso me chamavam para cada comemoração do Canecão”, diz Elymar, que prefere hoje nem ir à antiga casa de shows. “Fico muito triste. Aquilo era o templo da MPB e virou um templo da minha história. Tenho esperança de poder fazer esse show comemorativo de 30 anos lá. Mas, do jeito que sou louco, de repente boto um banquinho na praça em frente ao Canecão e canto lá.”

O pesquisador Ricardo Cravo Albin recorda o show de Maysa que originou o LP ‘Canecão Apresenta Maysa’. “Ela era muito ciclotímica. Ou estava muito mal, ou muito bem. Ela só quis fazer o show quando estava num estado perfeito. Fui à estreia e lembro da surpresa do público”, recorda Albin, que assistiu também à longa temporada de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Miúcha e Toquinho em 1977. “Foi um encontro de fraternidade, que também rendeu um grande disco ao vivo. O Canecão sempre rendeu grandes LPs . Foi nosso Carnegie Hall.”

Artistas estrangeiros como P.I.L., Echo & The Bunnymen, Uriah Heep, James Brown e Ramones também tocaram lá. Além de muitos nomes do rock nacional. “Lançamos o disco Nunca fomos tão brasileiros (1987) lá e foi uma consagração”, lembra Philippe Seabra, da Plebe Rude, que lamenta por duas lembranças ligadas à casa. “Perdi os shows do Echo e do Jerry Lee Lewis (em 1993) porque estava gravando com a Plebe e não deu tempo”, diz.

NEUSINHA BRIZOLA

Há alguns meses saiu essa matéria em O Dia, da qual eu havia esquecido: lançaram a biografia de Neusinha Brizola.


NEUSINHA BRIZOLA: A GAROTA PROBLEMA
Biografia revela a vida louca da filha do ex-governador do Rio, seus romances perigosos e envolvimento com drogas pesadas
Publicado em O Dia em 6 de abril de 2014

O Brasil conheceu Neusinha Brizola (1954-­2011) em 1983, quando saiu o single com o sucesso Mintchura. Mas ela já tinha histórias e mais histórias para contar desde muito antes disso. O exílio do pai, o ex-governador do Rio Leonel Brizola (1922-­2004), a levou a morar em vários países, e a passar mais de 20 anos fora do Brasil. Antes da fama, havia flertado com o perigo ao traficar drogas — chegou a conhecer bem de perto o tráfico internacional da América Latina já nos anos 60/70. Frequentou a badalada boate nova-iorquina Studio 54. Anarquizava festas repletas de militares em plena ditadura. Uma trajetória politicamente incorreta e repleta de casos bizarros, que está condensada agora na biografia Neusinha Brizola sem Mintchura (ed. Interface Olympus, 434 págs., R$ 65), de Lucas Nobre e Fábio Fabrício Fabretti. 

Fábio, que iniciou o projeto, chegou a fazer várias entrevistas com Neusinha. Conversar com ela, àquela altura da vida, não era tarefa das mais fáceis. “Ela era muito lúcida e cheia de personalidade, mas tinha aquele ar de desconfiança de quem levou porradas da vida e enfrentava um momento difícil com a saúde. Tinha aprendido a se resguardar com o tempo. E também demonstrava certas sequelas físicas, na fala e em alguns movimentos”, lembra.

Além de sofrer com a hepatite causada pelo excesso de drogas, Neusinha já tinha falhas na memória, a ponto de mudar bruscamente de assunto ou ter dificuldade para concluir histórias. “Tirando as décadas, a história não necessariamente obedece a uma coerência cronológica, e até se contradiz em alguns momentos. Mas ela era assim. E criamos um livro que fosse o seu perfil.”

O sucesso de Neusinha como cantora aconteceu durante o primeiro e controverso mandato de seu pai como governador do estado do Rio, em 1982. Seus discos saíram justamente pela Som Livre, gravadora das Organizações Globo, atacada eternamente por Brizola. A relação não era das mais fáceis — e Neusinha deu, digamos, algumas dores de cabeça públicas a seu pai, que foram amplamente exploradas pelos jornais.

Em agosto de 1983, ela resolveu se casar com o empresário Franco Bruni, numa festa de arromba no Terminal Menezes Côrtes, sem pedir autorização a Brizola. Em 1987, posou nua para a revista Playboy, mas a edição foi impedida de chegar às bancas por ordens do governador.

Além das prisões por drogas, Neusinha foi namorada e amante de traficantes (um deles, José Carlos dos Reis Encina, o popular Escadinha) e passou um bom tempo vivendo em Amsterdã, na Holanda, mergulhada na heroína.

“Evitamos o tempo todo que a biografia se tornasse um documento sobre a vida do Brizola, o que, de certa forma, era inevitável”, diz Fábio Lucas, nascido em São Borja (RS). Ele revela que, na sua terra, as pessoas até evitavam falar sobre as desventuras de Neusinha com as drogas. “Lá, fronteira do Brasil com a Argentina, o Brizola é amado, e as pessoas diziam apenas: ‘Ouvi dizer que ela teve problemas com tóxico, mas não sei de nada’”, conta. “Ele dizia que era maravilhoso e ao mesmo tempo um inferno ter Neusinha como filha. Na relação familiar, acredito que ele se divertia, sobretudo porque os dois se amavam. Muito.”

Com tantas histórias bizarras, Fábio diz que o que mais lhe marcou foi o amor doce que Neusinha tinha por sua mãe, dona Neusa Brizola. “Mas seu envolvimento com a heroína foi lamentável e degradante. Entendi por que ela me disse que a história dela deixaria Meu nome não é Johnny (de Guilherme Fiuza, sobre a vida do ex­traficante João Guilherme Estrella) no chinelo.”

Filha mais velha de Neusinha, Layla Brizola lembra que teve que ser um pouco mãe da mãe. “Aconselhei muito no trato com meu avô. Ela o enfrentava e eu ajudei no entendimento dos dois”, recorda. “Tivemos muitas conversas que varavam a madrugada, muitas risadas. Minha mãe era uma mulher incrível, inteligente e com o melhor senso de humor. E momentos tensos, nas crises causadas pela hepatite. Eu e meu irmão salvamos sua vida várias vezes.”

segunda-feira, 21 de julho de 2014

NUNCA OUVI JOHNNY WINTER COM A DEVIDA ATENÇÃO

O que é péssimo.

Neste sábado, eu não pude ir ao Acorde, que apresento com Leandro Souto Maior na rádio Roquette-Pinto (é todo sábado, às 16h). Ele fez um especial sobre o guitarrista, que morreu neste fim de semana. Seria uma ótima oportunidade para eu mesmo ser convertido ao som dele.

Conheço pouco da obra dele - discos como Still alive and well (1973) tenho em MP3 e já ouvi em vários momentos. O Leandro que me aplicou esse disco, até. Por ironia, foi um disco feito na época em que ele tinha se livrado das drogas e estava se sentindo mais vivo do que nunca. E tocando mais alto do que nunca. Os problemas de saúde vindos desses vícios voltaram a atormentá-lo inúmeras vezes, numa espiral descendente que culminou em Johnny desmarcando shows e fazendo apresentações de cadeira de rodas. Pena.

Em 2010 durante o festival de blues e jazz de Rio das Ostras, bati um papo com o guitarrista paulistano André Christovam, que estava bastante decepcionado com  fato de ter aberto uma turnê recente de Johnny Winter. O guitarrista não estava nem mais andando direito. "Por mais que ele adore ir para a estrada, é cruel", disse ele, reclamando também que botaram Winter para "tocar com uma banda que parece Ramones". As opiniões de quem assistiu a esses shows são controversas. Mas enfim, era Johnny Winter vivo e tocando guitarra.

Os fãs de Winter terão a chance de conhecer um trabalho inédito dele em setembro, Step back, que sai pelo selo Megaforce, pelo qual ele vinha lançando seus últimos trabalhos. É o da capa aí de cima. Era para ser uma recolocação de Johnne no mercado com a ajuda de vários nomões do rock - Billy Gibbons (ZZ Top), Eric Clapton, Joe Perry (Aerosmith), Leslie West (Mountain). Infelizmente não deu tempo.

Você conhece um pouco sobre o disco aqui. Vale aguardar para rolar uma despedida digna. Quanto a mim, lá vou eu recuperar o tempo perdido e conferir pelo menos no YouTube um pouco do que Winter já fez.

O MELHOR DISCO DO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 90 FAZ VINTE ANOS

Você sabia?

Errou quem pensou em qualquer coisa dos Raimundos, do Charlie Brown Jr (há quem valorize), da Nação Zumbi, do Planet Hemp. Ou em alguma sobra dos anos 80 que vigorou nos 90. Nada disso, pelo menos no aparelho de som daqui de casa.

O melhor disco de rock brasileiro daquela década é de uma banda que, para muitos, soou como uma forma de capitalizar em cima da febre de reggae "conceitual" deflagrada pelo Skank - e bem antes do Rappa conhecer o sucesso de verdade.

A estreia da banda brasiliense Maskavo Roots tinha tudo para ser um dos lançamentos mais vendidos do selo Banguela. Dirigido pelos Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, despejou nas lojas álbuns dos Raimundos, Mundo Livre S/A e outras bandas.  A estreia desse septeto que unia reggae, hard rock, metal e hardcore (e nunca se considerou uma banda de reggae, como afirmaram nesse papo com a MTV) estava entre os lançamentos. Foi gravado em 1994 e teve seu lançamento adiado pro comecinho de 1995. Mas a gente adianta as coisas aqui.

O disco não passou despercebido. Quem assistia à MTV na época lembra bem de A tempestade, reggae com riffs e solos pesados de guitarra, alegrinho mas prestes a atacar, com letra visionária e alegre. Falava de uma desgraça natural que assolava a terra mas passava, com versos formidáveis como "havia novo gás pra crowd da parada/é o sol que toma conta do planeta/e manda avisar que seu povo não precisa mais chorar". O clipe, que você viu na época, é esse aqui, gravado na piscina de ondas do Parque da Cidade, em Brasília. E aí que Maskavo Roots, o disco e a banda, lembram uma época em que havia interesse genuíno em bandas novas - e as bandas novas pareciam realmente novas.

Maskavo Roots não tinha só isso. Tinha os riffs de órgão da divertida Don Genaro (sobre um cara que comeu até morrer e "explodiu numa banda de jornal"), mais um reggae cheio de riffs e letra "de natureza" (Chá preto), reggae + rock + samba (Quinta), ska punk (Blond problem, Besta mole). Escotilha era um irresistível reggae + rock + soul marítimo, astral lá em cima ("a garota é o travesseiro/fevereiro custando a passar/e o farol bem de longe avisa/lá vem o coral"). Ganhou um criativo clipe também.

Tinha também a hipnótica 45, sobre um pacato rapaz transformado em pistoleiro quando provocado ("eu te mostro então a 45/que te faz dançar quando é preciso"). Música para ouvir em alta rotação, duas, três, quatro, cinco vezes seguidas. Sem encanação, sem politicamente correto ou incorreto, sem rótulos aprisionadores.

O Maskavo não esquentou lugar no Banguela. O selo também não esquentaria lugar. O grupo assinou contrato com o superempresário Manoel Poladian, mas o estouro da banda foi sendo protelado até que nada acontecesse.

A vocalista Joana Lewis chamou a atenção não apenas pelos vocais - chegou a fazer um ensaio brejeiro para a revista Bizz. Hoje usa o nome Joana Duah e canta MPB. Com a debandada geral dos integrantes, aliás, cada um buscou projetos diferentes e alguns fugiram das misturas com reggae. Marcelo Vourakis (vocalista) passou pelo punk Os Cabeloduro e pelo roqueiro Supergalo, supergrupo que reunia ex-Raimundos e ex-Rumbora na formação. O guitarrista Pinduca foi fazer rock no Prot(o). O baterista Txotxa foi tocar na Plebe Rude, anos depois.

O grupo lançaria mais dois discos com o nome Maskavo Roots (o independente Melodia que eu conheço, de 1997, e Se não guenta por que veio?, de 1998, pela Sony). Nessa mudança de gravadora, deu para quase-estourar outro quase-hit, Djorous. Mas logo o grupo mudaria boa parte de sua formação e reduziria o nome para Maskavo. Ficaria bem mais próximo do reggae de raiz, zero de influências de rock - o forró-reggae Asas, claro, você conhece. Era audivelmente bem melhor antes. Só o guitarrista Prata continua na banda.

Em 2009 a formação de Maskavo Roots se reuniria para um show no festival brasiliense Porão do Rock - por questões contratuais, usaram o codinome M. Roots. Luciano Branco, do portal Rock Brasília, cobriu o show e escreveu isso aqui. Deu vontade de estar lá.

Eu não sei se convenci alguém a achar que esse disco (que há uns dez anos ganhou edição remasterizada) é melhor que muita coisa feita no Brasil e lançada na época. Só digo que gostaria de ser convidado para todas as festas em que esse disco rolar e em que rolarem comemorações de 20 anos dessas músicas. Cada vez que alguém toca Escotilha, Tempestade, 45 e outras dessas músicas em alto volume, transporta o rock brasileiro para uma época bem mais risonha e franca, plena de criatividade, bom humor e alto astral. E nem faz tanto tempo assim.