quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ANITTA

Anitta, quem diria, foi roqueira. Ela realmente gosta de AC/DC e Ramones. Ela sabe que foi ela quem iniciou a moda de camiseta dos Ramones - que hoje vestem corpos de it girls e garotas adolescentes que não fazem ideia de que aquilo é o nome de uma banda. Bom, foi o que ela me disse e, até prova em contrário, é isso aí - e segundo uma amiga, Anitta frequentava bastante o célebre festival underground Rato no Rio, em Bangu ("vários amigos meus lembram dela por lá", garantiu).

Bati um papo com ela na coletiva para anunciar a gravação de seu primeiro DVD - rolou uma conversa dividida com coleguinhas e um papo exclusivo de cinco minutos. Tá aí. Leia mesmo se detestar Anitta.

O link original da matéria publicada no site do jornal
O Diaaqui.




INFERNO X PARAÍSO
Primeiro DVD de Anitta terá "teatro musical": gravação acontece no dia 15 de fevereiro
Publicado em O Dia em 06 de fevereiro de 2014


Uma nova era para o pop nacional inicia-se no próximo dia 15. Pelo menos é o que parece ser pretensiosamente anunciado por Anitta e por Raoni Carneiro, responsável pela direção da gravação de seu DVD, Fantástico mundo de Anitta, marcada para esta data no HSBC Arena.

“Não estou trabalhando com uma artista pequena, então não vai ser um show pequeno. Nem estou preocupado se vão comparar nosso trabalho com o de alguém. Que comparem o dos outros com o nosso a partir de agora”, brada Raoni, presente, ao lado de Anitta, do cenógrafo Zé Carratu e da coreógrafa Kátia Barros, na coletiva da cantora, ontem, na Fundição Progresso. 

O espaço cultural na Lapa tem abrigado os ensaios da artista para o DVD, com cerca de 30 bailarinos e público aguardado de dez mil fãs. “São oito horas de ensaio por dia. Fico sem dormir, mas adoro!”, exclama a cantora. Ela recentemente passou até mal durante uma das tardes de trabalho.

“Já vi que emagreci bastante. Nem gosto de ser magrinha. Quando se perde peso, as primeiras coisas que aparecem são nariz e peito, né?”, diz Anitta, justificando as formas volumosas de seus seios, que já emolduraram e transformaram em moda camisas de bandas como Ramones e AC/DC. “Eu ouço as duas bandas. Antes de cantar, eu era roqueira! Tem fãs meus que têm fotos minhas com cabelo rosa e alargador na orelha. Gostava de Belle & Sebastian, Strokes. Só não ia na Heavy Duty (biboca metaleira da Praça da Bandeira) porque era muito pequena!”

Com mais de sete milhões de curtidores no Facebook e mais de 200 milhões de visualizações em clipes no YouTube, Anitta leva o clima grandioso dos seus números para o projeto. São três cenários, brincando com a dualidade céu e inferno — com uma passagem lúdica no meio, inspirada no trabalho do cineasta-ilusionista francês Georges Méliès (1861-1938). “Brinquei com essa dualidade porque sou muito oito ou 80, meiga e abusada”, diz, rindo. “Tento pensar muito a longo prazo. Já estou aqui pensando onde vou estar em 2030”.

O ar de peça musical está garantido pela participação do bailarino Carlos Marcio Moreira, brasileiro que pertence ao elenco do Cirque du Soleil. Ele interpreta três personagens (um coveiro, um cineasta e um anjo) e narra a história. “É um grande teatro musical”, diz Raoni, que não cita o quanto foi gasto. “Não tenho o orçamento aqui, mas tudo o que pedi, eu tive. Desde o cara do Cirque du Soleil até árvores de 5 e 8 metros e três elevadores. Quanto custou isso, aí já não sei”. Anitta cita como outra grande referência o diretor de cinema Tim Burton, para os cenários.

Além dos sucessos do primeiro disco, Anitta sugere um clima mais apaixonado em canções novas como Música de amor. O rapper Projota é a única participação, com um rap romântico chamado Cobertor.

“Tinha gravado um vídeo com uma música dele chamada Mulher e os fãs adoraram. Ele veio me agradecer e mostrou essa música. Já estava com a produção bem adiantada, mas deu tempo de colocar”, conta.

Em homenagem aos fãs, ela grava Para Anitta, música que uma fã chamada Letícia fez para ela e colocou no YouTube. “Não daria para chamar os fãs para ir ao palco porque teria que chamar mais de cem! Mas eles estão representados por ela. E ela vai estar no making of”.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FERNANDO MANSUR, O HOMEM-FM

Fernando Mansur, grande nome do rádio FM brasileiro - se você escuta a MPB FM, ouve a voz dele quase o dia inteiro - lança um livro-CD de mensagens, Alegria no ar. Em janeiro, fui lá na rádio bater um papinho com ele. Saiu em O Dia.
Leia o link original da matéria aqui.


PÍLULAS DE OTIMISMO PARA LER E PARA OUVIR, EM CD E NO RÁDIO
Referência das FMs cariocas, Fernando Mansur lança Alegria no ar, e diz que o dial tem que ser “como uma loja de discos”
Publicado em O Dia em 16/01/2014

“Com um simples ‘bom dia’, o rádio pode mudar vidas. Pode dar ânimo para alguém”, acredita Fernando Mansur. Referência das FMs cariocas (ajudou a inaugurar a face jovem do formato na Rádio Cidade, em 1977), ele reuniu as mensagens de otimismo que grava há anos para as rádios nas quais trabalhou, no livro + CD Alegria no ar (Edição do autor, 304 pgs, R$ 30). 

Mansur já lançou outros livros de mensagens, como Canções de acordar, de 1986. “Sempre estudei religiões. Isso ficou na minha cabeça e coloquei no papel. No novo livro, fiz o CD porque tem quem não curta ler, mas quer ouvir as mensagens”, conta ele, que também escreveu sobre a história das FMs no Rio em No ar, o sucesso da Cidade, de 1984.

Alguns dos textos do livro vieram da sua coluna no , também chamada Alegria no ar e publicada aos domingos. Ou são lidos por ele na MPB FM, durante a programação ou em seu programa Papos & canções, na madrugada de terça para quarta, à meia-noite. Lá, entrevista artistas e lança mão de seus bordões, como o popular ‘vamos!’

“O Roupa Nova veio e cantou o jingle de Natal que fizeram para a rádio Cidade quando eu trabalhava lá”, alegra-se. “É um programa descontraído. O artista pode tocar a música que não é a faixa de trabalho, e até fazer ao vivo. É como se eu estivesse começando”.

Mansur lança o livro amanhã na Sociedade Teosófica do Rio, na Cinelândia, às 18h. É mais um encontro com fãs, artistas e ouvintes — com quem também conversa nas edições do programa ao vivo Palco MPB, que apresenta. “O rádio tem que tocar de tudo, funcionar como se fosse uma loja de discos. E onde tem alguém falando, sempre tem alguém ouvindo. É o que me move”.

ROBERTO CARLOS, ESSE GRANDE PROPAGANDISTA

Na virada dos anos 60 para os 70, a petrolífera Shell decidiu acertar no público "jovem", patrocinando festivais da canção e convidando artistas para fazer comerciais e gravar jingles - entre eles, Mutantes, Wilson Simonal e ninguém menos que Roberto Carlos, que gravou um spot bastante simpático para a empresa. Dá para ouvir aqui.

Pouco antes disso, a empresa de canetas Sheaffer lançou um flexidisc de Roberto cantando 
O calhambeque. Quem comprasse uma caneta Sheaffer Colegial, ganhava o disco de brinde. Dá para encontrar alguns dos disquinhos no Mercado Livre, numa escala de preços completamente esquizofrênica.

Olha a capa aí. 




E por volta de 1963, bem no comecinho da carreira, Roberto soltou a voz em jingles compostos para as Lojas Citycol e para as Casas Rejane. No primeiro deles, dividiu os trabalhos com Cleide Alves, sensação teen da pré-jovem guarda. Olha aí (vídeo postado pelo amigo caçador de raridades José Claudio Menezes de Souza).


Acho que era só o que faltava dizer sobre o comercial do Roberto para a Friboi. Já que não vi ninguém lembrando disso...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

CARNAVAL, VOCAÇÃO CARIOCA

Bati um papo com o jornalista Aydano Andre Motta sobre o segundo volume da série de livros Blocos de rua do carnaval do Rio de Janeiro, que ele escreveu e que traz fotos de André Arruda e Ana Carolina Fernandes. Saiu em O Dia.

O link original é esse aqui.




LIVRO MOSTRA A DIVERSIDADE DOS BLOCOS DE RUA DO RIO
Blocos de rua do carnaval do Rio de Janeiro traz desde os mais tradicionais até os mais inventivos
Publicado em O Dia em 6 de fevereiro de 2014

Com textos do jornalista Aydano André Motta e imagens dos fotógrafos André Arruda e Ana Carolina Fernandes, o segundo volume da série de livros Blocos de rua do carnaval do Rio de Janeiro (ed. Réptil, 260 págs., R$ 90) larga o tradicionalismo. A obra, além de sair da já costumeiramente supervalorizada Zona Sul carioca e mostrar exemplos em lugares como Campo Grande e Recreio dos Bandeirantes, abrange turmas mais variadas e ligadas ao universo pop. Como o Toca Raul, que homenageia o roqueiro Raul Seixas, e o Sargento Pimenta, dedicado a mesclar samba e Beatles.

“Pedimos licença aos mais tradicionalistas e trouxemos essa diversidade. Muita gente acha que isso descaracteriza o Carnaval. Mas tem lugar para todo mundo, ainda mais numa cidade do tamanho da nossa, com a quantidade de turistas que a gente traz”, acredita Aydano. “Você pode escolher o bloco de sua preferência. Acho muito legal que haja exemplos como o Toca Raul ou o Exalta Rei (que põe a obra de Roberto Carlos para sambar). Ou um bloco que só toque frevo, como o Galinha do Meio-Dia.”

Há também outros blocos curiosos nesse universo — como o Fogo e Paixão, criado para homenagear o cantor Wando e que, revela o livro, ganhou de presente um vídeo feito pelo próprio astro, no qual pede doações para o desfile e oferece calcinhas em troca. As brincadeiras nas ruas são captadas em imagens (tomando páginas inteiras só de fotos) e trazem à tona, nos três dias de festa, segmentos que permanecem pouco visíveis.

“O bloco mostra o engajamento das pessoas na cidade. É o que o Rio tem de melhor. É interessante que haja um bloco como o Loucura Suburbana, de pacientes psiquiátricos, ou o Inova Que eu Gosto, formado pelos funcionários da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos)”, conta, citando mais exemplos. “Tem um grupo de pessoas na Tijuca que se reunia para assar jiló na brasa e resolveu montar um bloco, Banda Cultural do Jiló. Ao contrário do mundo das escolas de samba, que é cheio de tradições, os blocos não têm parâmetros. Você pode criar sua tradição hoje.”

Com o volume dois de Blocos de rua do carnaval do Rio de Janeiro, Aydano espera que, com o tempo, o debate sobre os blocos evolua a ponto de trazer outros assuntos ao foco.

“Fala-se muito da questão do xixi nas ruas, mas muitos esquecem da importância da segurança dos blocos”, aponta. “Muitos reclamam dos problemas que o Carnaval causa no trânsito. Mas é uma festa que dura três dias e acaba. As pessoas têm que entender essa vocação do Rio para o Carnaval. É como a vocação de Nova York para o mundo do teatro. Ou como Paris, montada em torno das mesinhas dos cafés, que ficam na calçada. Imagina se acabam com isso?”

BEATLES: "HEY JUDE" EM TOM MENOR



O vídeo acima não é nenhuma novidade. Mas foi uma das grandes sensações do Acorde, programa que apresento ao lado do amigo Leandro Souto Maior na Rádio Roquette Pinto (94.1 FM) no sábado passado - em áudio, claro.

Tenho bem pouco a acrescentar quando se fala em teoria musical e assuntos afins (e não, não é preciso tocar um instrumento para ser jornalista ou crítico musical - ainda tem MUITA gente que acha isso). Mas sobre "tom maior" e "tom menor", basta dizer que o primeiro é usado em músicas geralmente tidas como "alegres" e "para cima". O outro é usado em canções "para baixo", "tristonhas". Marcha soldado é em tom maior.




Se você não teve saco de ler até aqui e já foi logo ver o vídeo, já sabe do que se trata: um sujeito chamado Oleg Berg - músico ucraniano - resolveu pegar o clássico Hey Jude, dos Beatles e, com o auxílio de um programa de computador, refez a gravação original da música em tom menor. O resultado, que lembra mais um tema de filme de terror, ou um clássico dark-metal, é de chorar de rir.

Na conta do YouTube de Oleg, é possível achar mais exemplos - alguns engraçados, outros simplesmente curiosos. Olha só o que ele fez ao transformar Smells like teen spirit, do Nirvana, numa canção em tom maior. Sim, virou uma música do Teenage Fanclub. Já isso aqui é Californication, dos Red Hot Chili Peppers, repaginada em tom maior.

A brincadeira fica mais engraçada ainda quando se trata de clássicos da alegria em forma de música - Y.M.C.A, do Village People, ganhou o mesmo aspecto sombrio de Hey Jude. Para rolar de rir de vez, Berg releu Don't worry, be happy, de Bobby McFerrin, em tom menor - e ainda fez o favor de inverter o título da música.

Para tocar na pista e ninguém reconhecer: a versão em tom menor de Macarena, do Los Del Rio - virou quase um clássico gélido do Kraftwerk, mas com batida latina.

Se você ficou realmente interessado, saiba que o projeto de Oleg se chama Major vs. Minor e aceita doações - além de escutar um pouco mais das músicas, você pode apoiar o músico e bater um papo com ele aqui.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O DIA DE XUXA DO D.R.I.

Lembra quando a Xuxa publicou várias fotos de seus fãs fazendo a mesma pose que ela fez na capa do primeiro Xou da Xuxa, de 1986?


O D.R.I., banda americana clássica de hardcore (quem curte o estilo lembra de álbuns como Dirty Rotten LP, de 1983, e 4 of a kind, de 1988 - este chegou a ser homenageado pela banda punk brasiliense DFC no disco Farofa kind, de 1998) está dando uma de Rainha dos Baixinhos com seus fãs. Que estão mandando fotos imitando a pose do "skanker" da logo da banda. O grupo está publicando as melhores imagens em álbuns do Facebook.


Olha aí.







Sim, tem brasileiro - e carioca - na parada. O sujeito abaixo tirou uma foto nos Arcos da Lapa.


E um bebê skanker.



E olha aí a logo do D.R.I, direto da capa do controverso álbum Crossover, de 1987 (conheço alguns fãs que não gostam desse disco - particularmente gosto). Com certeza você já foi a um show em que havia uma meia dúzia de garotos e garotas usando camisetas com esse logotipo. Ou bonés. Ou que estavam dançando como o boneco da logo.





RICARDO ALEXANDRE

PROCURE SABER: "Acho que isso tudo é fruto de uma mentalidade anacrônica, de controle da informação… Parece coisa de gente que nunca entrou no Google. Aliás, consigo imaginar perfeitamente que o Chico Buarque e o Roberto Carlos nunca tenham entrado no Google".

SIMONAL: "Uma coisa que é muito significativa é a quantidade de vezes que vi, depois disso tudo, o nome do Simonal ser mencionado sem que se tocasse na história da ditadura. Durante os anos 90, isso seria impossível. Até os anos 2000, ele tinha o, digamos, aposto de ter sido acusado de delator durante o regime militar".

PAI CRÍTICO MUSICAL: "Outro dia eu estava no carro com meu filho ouvindo o Pet sounds (disco de 1966 dos Beach Boys) e entrei numa loucura de que não deveria tirar dele a sensação de descobrir aquilo. Isso aconteceu comigo, quando descobri The Band, Mutantes, Syd Barrett. Lembrei de uma coisa que o David Gilmour (guitarrista do Pink Floyd) falou certa vez, de que ele achava muito frustrante quando ele escutava pessoas falando sobre como foi ouvir The dark side of the moon (disco de 1973 do grupo britânico) pela primeira vez. Aí ele concluía que ele mesmo nunca tinha escutado Dark side of the moon pela primeira vez."

JORNALISMO HOJE: "Há uma busca muito grande para que os veículos encarnem a voz de determinado target. A Veja faz isso com vigor. Me impressiona muito que eles passem por cima de certas visões, de certas leituras, para continuarem a ser representantes de determinada classe. Na Carta Capital é a mesma coisa, nas colunas do Lobão e do Reinaldo Azevedo a mesma coisa… Esse jogo em que cada jornal fala para um determinado público, não quero jogar. Não vejo debate nem trânsito de ideias aí. Vejo é uma exacerbação dos nossos instintos mais agressivos em relação ao que não nos é familiar".

Esses e outros assuntos estão num papo que bati com o jornalista Ricardo Alexandre (credenciais: Dias de luta, Nem vem que não tem - A vida e o veneno de Wilson Simonal, Cheguei a tempo de ver o palco desabar) para o portal Scream &Yell.

Leia aqui.

Li isso não sei onde e adotei: quando escrever algo, releia - se não parecer com algo que você fez, está bom. Essa entrevista, por acaso, está entre as que eu fiz e que não parece que fui eu que fiz. Legal isso.

(Foto: Liliane Callegari / Scream & Yell).

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

THE PIANO GUYS / BANDANNA BLUES

Tão rolando dois shows hoje no Rio dos quais fiz matéria para O Dia.

Um deles é o (apaixonante) show do The Piano Guys, que senta praça no Vivo Rio.

E a galera do Bandanna Blues leva seu som para o Teatro Rival - na abertura dos veteranos do Blues Etílicos.

Leia aí (clique duas vezes na foto).


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

SUBÚRBIO NA MODA

Meu objetivo quando fiz essa matéria foi recriar, de certa forma, aquelas matérias sobre modismos de verão que a revista Domingo, do Jornal do Brasil, publicou nos anos 80 e 90.

Não dava para ter a mesma pegada de crônica, ate porque eu mesmo nao conseguiria escrever tão bem como aqueles jornalistas da época. Mas saiu isso aí.



SACOLÉ, PISCINA DE PLÁSTICO E FESTA NA LAJE VIRAM MANIA NA ZONA SUL
Hábitos das Zonas Norte e Oeste agora são considerados 'descolados'
Publicado em O Dia em 15 de fevereiro de 2014

"No subúrbio, a festa é no improviso. E a Zona Sul está aprendendo a ser assim!", resume o DJ de funk Sany Pitbull. Velhos hábitos da Zona Norte e Zona Oeste, como as festas ‘na laje’ — ou seja, terraços de prédios (com direito a piscininha de plástico e mangueira para refrescar a galera), os sacolés vendidos na rua e os isopores lotados de bebida (e até lanchinhos) caíram nas graças do pessoal que vive do lado de lá do túnel Rebouças.

“Outro dia soube que tem até gente alugando piscina de plástico para festas. Paguei menos de R$ 50 nessa aqui. Tive 100% de retorno, né?”, brinca a tradutora Antonia de Thuin, mostrando o modelo infantil que fez a alegria dos convidados de seu aniversário, no terraço de seu prédio, em Laranjeiras. “Alguns amigos meus demoraram para se soltar, mas viram a galera usando biquíni e sunga e entraram na animação. Deu uma sensação de que estávamos na laje, mesmo”, diz.

Festas como a Picolé, que rolou recentemente no Circo Voador, e eventos como O Cluster, que acontece no Solar das Palmeiras, em Botafogo (mercado com moda, música e design), já adotaram as piscininhas e as mangueiras, tão comuns nas ruas de bairros como Marechal Hermes e Bangu. “Nosso último evento foi num domingo e fez muito calor, daí adotamos as piscinas, para que ninguém deixasse de vir para ir à praia. E, como está perto do Carnaval, trouxemos um bloco. A água da piscina e das mangueiras só aumentou a alegria e deu um clima de festa no quintal”, conta a produtora Carolina Herszenhut, prometendo mais piscinas para a próxima edição, dia 30 de março.

A festa é também nas ruas, com os ‘isoporzaços’ que já tomaram conta de espaços ao ar livre como a Praça São Salvador e a Pedra do Leme, para protestar de forma divertida contra os altos preços dos bares. “Via gente fazendo isso na praia, mas na rua é novidade”, diz a produtora Anelise Leite, uma das realizadoras do ‘Isoporzinho do Leme’, que aconteceu em 31 de janeiro na praia. Ela já está pensando nos próximos encontros, mas sempre com bastante cuidado com os espaços públicos. “Todos os participantes juntaram seus lixos e depositaram num contentor que estava no calçadão”, frisa outra organizadora, Deborah Turturro.

Nos blocos, uma das grandes manias do subúrbio — o sacolé — ressurge, mas misturado com cachaça ou vodca. É comum ver à venda o Chupa Neném, de caipirinha, grande diversão nos ensaios da Orquestra Voadora. Quem toca o negócio é o designer Luciano Barros. “Em quatro horas de bloco, vendo uns dois mil sacolés. O sacolé virou mania mesmo, até por não dar vontade de ir ao banheiro”, afirma ele, mostrando seu produto no Posto 9, em Ipanema. A professora Giselle Oliveira, que já havia comprado sacolés para uma festa de amigos, adorou o de Luciano. “No verão, não tem nada melhor”, elogia.

O DJ Sany Pitbull anima-se com as novas tendências. “Isso começou quando o funk invadiu as festas da Zona Sul, né? Foi primeiro pela música e depois pelo comportamento”, diz o DJ, anunciando que a via é de mão-dupla. “Fui num casamento à beira da piscina em Nova Iguaçu outro dia e distribuíram Biscoito Globo e mate para todo mundo, como se fosse na praia.”

1973 EM NITERÓI

Amanhã, terça-feira, tem o lançamento de 1973 - O ano que reinventou a MPB, em Niterói, na Livraria Guntemberg, em Icaraí.

Saíram um texto no blog do jornalista Luiz Antonio Mello (leia aqui) e uma matéria no O Dia (aqui), destacando o lançamento em Niterói. A Folha de Niterói também deu (aqui). O Fluminense falou do livro e deu um destaquinho para a história do Guilherme Lamounier (aqui).

Nelson Motta, no Jornal da Globo, também falou do livro (assista aqui).

Te espero lá!




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

REGINA DUARTE E OZZY OSBOURNE: "EU TENHO MEDO"



Regina Duarte e Ozzy Osbourne, separados no nascimento? Como assim? Bom, você não achou que a atriz, flagrada num aeroporto em São Paulo com um visual um tanto quanto exagerado (leia sobre isso aqui), está lembrando bastante o cantor do Black Sabbath?

Bom, o visual dela mistura elementos de três fases do rock, pelo menos duas delas de boa lembrança: 1) o óculos do Ozzy; 2) a bandana do Bret Michaels do Poison; 3) os vestidinhos lambisgóia do New York Dolls. Mas pula essa parte, que isso aqui não é o Fashion police nem algo do tipo.

O engraçado é que em 1972, enquanto o Black Sabbath, grupo liderado por Ozzy, lançava o álbum Black Sabbath Volume 4 e conquistava seu primeiro verdadeiro hit, Changes, Regina tinha lá seus momentos de possessão demoníaca. Fez até o caso especial Dibuk, o demônio, dirigido por Daniel Filho, no qual ela era dominada pelo coisa-ruim. Um fã dela faz este blog aqui e reuniu vários fotogramas do episódio.

Olha a futura Viúva Porcina aí como o demo gosta.




Aqui tem um trechinho de pouco mais de um minuto do episódio. Não consegui achar inteiro no YouTube.

Dez anos depois, em 1982, Regina assustou muitas criancinhas na novela global Sétimo sentido. Interpretava a Luana Camará, que recebia o espírito da atriz italiana Priscila Capricce. Veja aqui um vídeo que mistura os dois programas (a novela e o caso especial).

No Facebook já andaram comentando que, na capa do disco de estreia solo Blizzard of Ozz, Ozzy Osbourne lembrava bastante Regina Duarte. Olha aí. 





Enfim, apenas dois passos e meio separam nossa eterna namoradinha do Brasil do morcegão do metal.


ALIEN NATION

Jovem (de idade ou de espírito), cumpra o seu dever nesta sexta.

Ao completar 18 anos, uma das festas de rock mais legais do Rio de Janeiro reúne um timaço de DJs em torno dos mestres Edinho e Wilson Power, e do fã-que-virou-DJ Kleber Tuma.

Confira esta matéria que fiz para
O Dia sobre o evento. E compareça!

Leia o link original desta matéria aqui no
O Dia.



FESTA DE ROCK ALIEN NATION CHEGA À MAIORIDADE NA SEXTA
Evento dos DJs Edinho e Wilson Power aposta no rock como atitude e tem a banda punk Clash como uma das referências
Publicado em O Dia em 12 de fevereiro de 2014


O experiente DJ Edinho Cerqueira acredita que o rock está voltando com tudo. “Tem que deixar o underground emergir, tem que ter mais bandas arrastando multidões.” Ele vem fazendo sua parte por detrás das carrapetas desde os anos 80, e comemora na Casa da Matriz, na próxima sexta, os 18 anos de uma das iniciativas mais bem-sucedidas do cenário roqueiro carioca. É a festa Alien Nation, cujo conceito “itinerante” já a levou para várias casas do Rio. 

“Nosso embrião foi a festa Rock Power, no começo dos anos 90. Eu a fazia junto com o Wilson Power, que foi o criador da Alien Nation”, diz Edinho, que na época juntou esforços com Wilson e Alexandre Roga, DJ morto há cinco anos. “Passamos pela Bunker, Casarão Amarelo (ambos extintos), Fosfobox.”

Hoje, além de Wilson e Edinho, o time traz também um frequentador assíduo da festa que virou DJ, Kleber Tuma. Ao trio, unem-se nesta edição Chacal, Mario Mamede, Speedy, Eliza Schinner, Bruno Menescal, Frék, Manic e Adolfo Braucks. E o agregado Tito Figueiredo.

“Fazemos uma festa direcionada ao público roqueiro. Mas é uma coisa que passa até mais pela atitude do que só pelo som”, explica Edinho. Uma das fontes de inspiração para o evento é o punk diversificado do Clash. “Pelo menos no que me diz respeito, é a banda que me representa. Era uma banda aberta a todo tipo de influência”, conta Edinho.

Mas a diversificação tem limite, claro. “Nada contra, mas não faríamos uma festa de rock onde tocaríamos funk. Temos um conceito.”

De rock nacional, ele destaca novidades como Luiz Lopez (ex-Filhos da Judith) e Fuzzcas. “É o que ponho para ouvir, embora nem tenha tempo para acompanhar tudo o que sai”, conta.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

É ISSO

"A imprensa, a 'mídia', é peça fundamental da nossa pobre e primitiva democracia, como lembrarão os mais velhos, como eu, que cresceram sob censura. Quando você decreta que a imprensa é uma porcaria com um todo, e que todo jornalista é vendido, está fazendo uma opção pelo autoritarismo. É a mesma postura desses brucutus que acusavam a imprensa de defender bandidos, porque os jornais publicavam denúncias de desrespeitos aos direitos humanos. É um discurso extremamente reacionário. É o discurso que iguala os maiores trogloditas e os pseudomodernos da Mídia Ninja.

Desisti de argumentar com os inimigos do jornalismo. Foi recentemente.

Enxergo os muitos erros, mas não consigo fechar os olhos para os acertos. Cansei de mostrar a quem implica com o R7 inúmeras reportagens críticas, e o quanto o portal tem ido fundo na cobertura do mensalão".

Não acho que quem entra neste blog entra para ler minhas considerações a respeito da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band (foto acima). Então o que André Forastieri disse sobre o assunto tá dito e acho que encerra algumas discussões. Leia tudo aqui.

No mais, fica difícil teorizar ou comentar sobre uma morte. Deu certo horror ler gente comentando no Facebook a respeito da morte do Santiago como se ele tivesse se metido no meio de uma guerra. E como se a morte dele fosse um sinal do quanto "a dominação do capitalismo faz mal às pessoas" ou como se o cara fosse um mártir do que muita gente chama de PIG. Morreu alguém, o dia a dia é muito mais simples do que se imagina para ser resumido à possível transformação de um sujeito qualquer em arma política. E muito mais complexo do que muita gente imagina.

Num caso desses, lamenta-se, chora-se muito e, pelo amor de Deus, uma situação dessas é sempre a hora de pensar se algo não está indo longe demais. Seja lá qual for esse algo.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PROCURANDO SABER

Você é jornalista. Está cada dia mais interessado e mais envolvido - a ponto de sacrificar horas passadas em família - com esse negócio de contar histórias de gente que existe na vida real. Ou de contar histórias que não são suas, digamos assim. Acorda no meio da noite com ideias para pautas. Fuça revistas nas casas de amigos e, não podendo levá-las, tira fotos com câmera de celular para guardar alguma matéria inspiradora. Vasculha sites como referências para ideias novas e tem praticamente cinco ideias legais por semana, mesmo não tendo tempo para colocá-las em prática - e lamenta não ter, de fato, tanto tempo disponível assim. Tem projetos para livros que, na maioria das vezes, envolvem histórias reais ou quase reais. Fica extremamente indignado e puto com a falta de respeito e de consideração de boa parte dos possíveis entrevistados da nossa cultura pop para com a palavra escrita e a sua profissão. Tem certeza que certos nomes da nossa cultura, dadas as suas atitudes, mal sabem o que é um blog ou - muito pior - nunca entraram no Google. Não conclui textos, desiste deles. Tem mais projetos de livros do que possivelmente terá livros publicados nos próximos dois anos (o fator tempo é implacável). Se arrepende de não ter comprado dois exemplares de Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar Araujo - um para deixar guardado em casa, outro para emprestar para os amigos.

Acho que você tem programa nesta segunda-feira. É a palestra da advogada Deborah Sztajnberg sobre Liberdade de expressão e discurso do ódio, no Centro Cultural Midrash, no Leblon, às 20h.

É 0800, com mais informações aqui neste link do Facebook (confirme sua presença).

Vamos nessa?

domingo, 9 de fevereiro de 2014

FALA, MEU REI... DAS LADEIRAS DE OLINDA

O show já rolou. Mas fica aí um registro da matéria que fiz na semana passada com Alceu Valença, que vinha para o Rio estrear seu carnaval na Fundição Progresso, o Carnavalença. Saiu anteontem em O Dia.

Ficou bem legal e deve ter sido um showzaço - estava de plantão na madrugada e não pude ir.


ALCEU VALENÇA TRAZ PARA A FUNDIÇÃO PROGRESSO SEU SHOW CARNAVALENÇA
Músico mostra na Lapa por que é atração garantida todo ano no Carnaval pernambucano
Publicado em O Dia em 7 de fevereiro de 2014

No Rio, verão lembra praia, sol, mar, Carnaval e... Alceu Valença. Pelo menos a partir deste ano, já que o cantor pernambucano, radicado em terras cariocas há várias décadas, quer fincar a bandeira da folia por aqui. Amanhã, ele sobe ao palco da Fundição Progresso para, aos pés dos Arcos da Lapa, abrir passagem para o frevo, os guarda-chuvinhas, as morenas tropicanas e os bichos malucos-beleza, entre outros personagens e referências de sua música. É o Carnavalença, o agitado e democrático Carnaval do Alceu. 

“A festa irá entrar para a história. E quero que tenha todo ano!”, decreta o rei do Carnaval de Olinda, por telefone, direto de Lisboa, aonde foi se apresentar. Só não vai se sentir no meio dos lotados shows do cantor no Marco Zero, no Recife, quem não quiser. E a diversão é tripla: além do eletrofrevo de Alceu, a noite abre com a Orquestra Voadora e encerra com o Sargento Pimenta — este repaginando Beatles pelo idioma carnavalesco, aquele temperando Jimi Hendrix, entre outros nomes, com pitadas de frevo e marchinhas. Tudo a ver com o cantor.


“O meu Carnaval tem pensamento, tem conteúdo e tem curadoria. Esses blocos entram na receita porque são verdadeiros. Quem for lá vai viver um momento de magia, porque Carnaval é magia”, garante o cantor, soltando pérola atrás de pérola quando o assunto são os três dias de festa — para ele, como é público e notório, são bem mais que três dias, de muito trabalho para a diversão do seu público. “Do Rio, vou para São Paulo e sigo para o Recife. Depois disso, começa um período em que nem posso me ausentar de lá. Chegam a ser dois shows por dia!”

O Carnavalença traz Alceu escudado por Paulo Rafael (guitarra), Nando Barreto (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria), Edwin das Olindas (percussão) e quarteto de metais. E marca o lançamento no Rio de Amigo da arte, seu 29º disco, que gravou entre 2000 e 2001 e deixou guardado. O repertório do show mistura músicas novas (Frevo da lua e Me segura senão eu caio, entre outras) com clássicos recifenses como Frevo nº1, de Antonio Maria; Voltei, Recife, de Luiz Bandeira; a Ciranda da Aliança e a Ciranda da Rosa Vermelha, e temas fortes do próprio ideário e repertório de Alceu. Tropicana, Anunciação, La belle de jour e Embolada do tempo caem no Carnaval — sendo que a primeira larga o tom forró-reggae do original e vira frevo dos bons.


“Sinto o romantismo da época. No show, posso ter frevos de rua, os caboclinhos, as cirandas, tudo”, anuncia. “Me considero um artista sazonal. Em fevereiro, viro um cantor de frevo. Em julho, faço shows de forró. E tem meu show para eventos como o Rock in Rio, para os quais levo minhas músicas que nem são rock, mas que têm a ver.”

Alceu ama Carnaval, mas não é fã de tudo o que é relativo à festa. “Eu acho abadá uma coisa bonita, mas isso de botar patrocínio na camisa e sair andando por aí não tem nada a ver, né? Aí eu prefiro mesmo é botar minha fantasia”, graceja o cantor, que filosofa e avisa. “O tempo é três: passado, presente e futuro. Nunca quis ser o cara da moda. Faço o meu, e o meu é na hora em que quero fazer!”, decreta ele. 

RECIFE FICA NA LAPA 

FUNDIÇÃO PROGRESSO  Rua dos Arcos 24, Lapa (3212-0800). Amanhã, às 22h. De R$ 60 a R$ 100 (estudantes, pessoas acima de 60 anos e com 1kg de alimento não-perecível pagam meia).

sábado, 8 de fevereiro de 2014

ERON FALBO E LUIZ LOPEZ NO ACORDE

Poucas vezes falo aqui do Acorde, o programa que o Leandro Souto Maior e eu apresentamos na rádio Roquette Pinto (94.1 FM), todo sábado, às 16h, aqui no Rio. Antes mesmo de começarem a falar de Kiss FM aqui em terras cariocas, ou na volta da Rádio Cidade FM (atenção: a Cidade foi pop por quase 20 anos e rock por uns cinco), a gente já tinha uma hora por semana para fazer um programa de rock numa rádio do Rio. Vem rolando numa boa.

Na semana passada, o Leandro veio com uma tese bem legal - e que acho que faz sentido - sobre o fato de o rock estar voltando à mídia. Aparentemente está sim, embora seja difícil explicar como isso está acontecendo. Sei que, como não rolava há muito tempo, fiquei particularmente feliz de tocar o som de dois artistas nacionais novos.

Eron Falbo, que já entrevistei para O Dia (leia aqui), apareceu com seu country-blues Sacagawea's son, cantado em inglês, com o célebre produtor Bob Johnston (Bob Dylan) tomando conta dos trabalhos. O clima é de disco antigo do selo Columbia.



Luiz Lopez, ex-Filhos da Judith, volta com single solo, Vai. Estranhei pra burro quando ouvi essa música pela primeira vez. Pouco depois, já estava adorando. Boa melodia, letra certeira e berraria no estilo de John Lennon no vocal (o Blogger não está me permitindo colocar o vídeo no corpo do texto - assista aqui).

Tem mais por aí e vamos tocar, entre bandas novas, grupos recentes que mandam bem e bandas de amigos.

P.S: O Leandro Souto Maior entrevistou o Luiz Lopez para O Dia. O disco dele sai em breve e foi masterizado em Abbey Road. Leia aqui.

SAMBA, FUTEBOL E.. COSMÉTICOS?

Duas coisas que cobri durante a semana para O Dia

- Um papo com os quatro músicos (Ruy Faria, ex-MPB 4, entre eles) que tocam adiante o projeto Bate-bola, que une música e futebol. Essa semana o primeiro disco deles foi lançado com dois shows.



- O lançamento da edição 2014 do projeto Nivea Viva, dedicada ao samba, com Martinho da Vila, Alcione, Roberta Sá e Diogo Nogueira.





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ALEXANDRE CARLO, DO NATIRUTS

Quando recebi o disco solo de Alexandre Carlo, líder do Natiruts, olhei a foto da capa e pensei: "ué, disco novo do Cláudio Zoli? Do Cassiano?". Não, não era: o compositor e cantor da banda de "reggae de raiz" havia trocado o som jamaicano pelo soul e pelo samba-rock. E a mudança se refletia na foto da capa, com ele de casaco de couro, óculos escuros, segurando uma guitarra - e sem os dreadlocks e as camisas coloridas que sempre ostentou no palco com sua banda.

Quartz é uma mudança e tanto. Tem músicas boas, um som "decente" - embora falte ousadia. De qualquer jeito, valia falar com Alexandre e ver o que estava acontecendo, se o Natiruts havia acabado, quais eram as histórias por trás daquela modificação no som. Bati um papo com ele para
O Dia e foi bem interessante ver que a capital federal tem reggae, rock, MPB e até música black. Confira aí.


LÍDER DO NATIRUTS TROCA O REGGAE PELO SOUL E PELO SAMBA-ROCK EM ÁLBUM SOLO
Alexandre Carlo traz som black direto do Cerrado
Publicado em O Dia em 30 de janeiro de 2014

Na capa de Quartz, seu primeiro disco solo, o cantor e compositor do Natiruts, Alexandre Carlo, surge de óculos escuros e casaco de couro, com a guitarra na mão. A foto o deixa longe de suas origens no reggae e mais parecido com algum grande nome do soul nacional, como Claudio Zoli ou Cassiano. Este último, autor do clássico A lua e eu, é grande referência para as dez músicas do álbum, imersas no soul e no samba-rock. 

“O soul é uma grande influência minha. Lá em casa tinha muitos vinis de artistas como Marvin Gaye”, diz Alexandre, referenciado também em artistas black que regulam com sua idade. “Lembro de quando comprei o primeiro disco do Ed Motta e fiquei fã dele de cara, como depois fiquei fã do Max de Castro.”

Se já foi surpreendente para muita gente, com a chegada ao mercado do Natiruts (ou Nativus, como o grupo era conhecido no começo da carreira), descobrir que havia reggae em Brasília, Alexandre revela que há um lado black forte na capital federal. “Nasci e moro até hoje lá, mas meus pais são do Rio. Meu pai adorava funk e soul americano, foi campeão de dança num clube ali no Cruzeiro, perto de casa”, diz. “Na década de 70, havia muitos bailes lá. Meu avô, que também era do Rio, foi morador de Madureira e portelense. Houve uma leva de militares que vieram transferidos para Brasília e ele estava nesse grupo. Acabou sendo um dos fundadores da principal escola de samba de Brasília, a Aruc (Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro), com toda a nostalgia que você pode imaginar.”

Quartz surgiu de um repertório totalmente diferente do som do Natiruts. Há reggae em Cabelo de cachoeira, mas deslocado entre balanços como Comment allez-vous, Agora que feliz estou, Tava com saudade e Venha me encontrar. “Mas quis que o disco tivesse muito peso”, acrescenta o cantor. “Chamei só músicos de Brasília, como Txotxa (bateria, ex-Plebe Rude e Maskavo) e Kiko Perez (guitarra, ex-Natiruts) pensando nisso. Brasiliense gosta de tocar forte! Já temos referências no rock, no reggae, até na MPB, e queria ver como ficaria isso nesse som.”
O músico trouxe ainda as participações do DJ Rashid (em Last night), da também brasiliense Ellen Oléria (Te beijar), do rapper Projota (Chelly) e do irmão sambista, Caê du Samba (Só a gente sabe). “Caê canta nas principais rodas de samba de Brasília e já foi puxador da Aruc. Planejamos gravar o disco dele este ano.”

Os shows de lançamento começam em março. E o Natiruts permanece na estrada. Até tocou semana passada na Fundição Progresso, ainda divulgando o DVD Acústico (2012). “Nos meus shows de lançamento é que só vou tocar minhas músicas solo, para não criar confusão”, conta o músico.

O reggae “de raiz”, com canções extensas e muitas percussões, acabou ganhando espaço nas rádios brasileiras por causa do grupo. “Antigamente, as pessoas iam aos shows do Natiruts por serem fãs de reggae, e hoje vão por serem fãs do Natiruts”, diz Alexandre, responsável por todo o repertório da banda. “Tivemos várias mudanças de formação. No começo, quando éramos seis, dava mais problema, por ciúmes. Normal. Hoje ficamos eu e o baixista (Luís Mauricio) e a gente mesmo direciona o trabalho.”

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"SUA BANDA É UM SACO"

Por um interesse relativo a um trabalho que peguei para fazer, estou lendo tudo sobre lançamentos de e-books, música na internet, sites, blogs, etc. Evidentemente quando tenho tempo. Caiu nas minhas mãos, enviada pelo amigo músico Marcelo Ferraz, esta matéria do site Digital Music News.

A questão colocada por eles é a que aflige muito mais da metade das bandas e artistas atirados ao mercado: são sete razões pelas quais ninguém está indo ao seu show (sim, ao seu, querido leitor que é músico). Se você tem uma banda e não passa por esse tipo de problema, ótimo. Mas quem está pegando numa guitarra agora - ou em qualquer outro tipo de instrumento - deveria dar uma lidinha.

O autor do artigo, Ari Herstand, é ator e músico. Participou de séries como 2 broke girls e tocou com artistas como Cake e Ben Folds. Em seu blog Ari's Take, defende - olha só - que a mídia física ainda não acabou nem deixou de vingar. Tanto que não vai deixar de lançar seu próximo disco em vinil. Ele também conversou com representantes dos principais serviços de distribuição de música digital e explicou seus prós e contras neste artigo aqui. Não li o blog todo ainda, não sei ainda das possíveis besteiras que Ari pode ter escrito em algum momento. Mas ele levanta questões bem interessantes.

O texto já começa dando um tapa de mão aberta na cara de muitos músicos novatos. A primeira razão apresentada pelo artigo é: ninguém está indo ao seu show porque sua banda é um saco. "Pode ser que você não seja tão bom assim. Lamento. Muitas bandas também não são", diz o texto, antes de fazer uma série de recomendações: grave seus ensaios, pergunte-se a todo momento se você mesmo está gostando do seu som ao vivo. Olha só a tradução livre de um dos trechos mais elucidativos:

"Já estive ao lado de bandas no momento em que elas ouviam seus shows gravados direto da mesa. E só aí elas percebiam o quanto seu som era uma merda. O quanto o vocalista cantava fora do tom. O quanto o baixista perdia as passagens musicais. O quanto as harmonias pareciam sem sentido. Mas elas deixavam rolar e diziam que o mix da mesa estava ruim. Isso é doentio. Dê um jeito nisso: dobre sua escala de ensaios e seu estudo em casa".

A coisa vai além, em trechos que dão conselhos indispensáveis e, vá lá, presumíveis, mas que ainda assim deixam de estar na agenda de muita gente: saia mais de casa, vá a shows, converse com pessoas, não se divulgue apenas pelo Facebook (sim, eventos do Facebook não chamam a atenção de quase ninguém, mais). 

Ari não decepciona e recomenda que as bandas invistam em mídia física: flyers e convites de papel, por exemplo. Sim, eles legitimam eventos e dão a entender que a coisa é importante. Mas no geral, o lado mais complexo e que mais precisa de ajustes é o lado musical mesmo. Nisso, não tem plano de marketing que resolva, se o som não dá jeito.

Eu, como, digamos, ex-produtor de shows (fiz isso num passado distante e não pretendo repetir a experiência), e como ex-realizador de blog que fazia resenhas de bandas novas (o Discoteca Básica recebia mais CDs do que eu tinha tempo de ouvir, no auge da distribuição de música em CD-R), faria algumas mudanças no trecho que destaquei e traduzi acima:

Já recebi CDs de bandas que provavelmente se recusavam a perceber o quanto suas letras não faziam sentido e não diziam nada a ninguém. O quanto seus arranjos não tinham surpresa alguma e só reproduziam o esquema burocrata e careta do pop-MPB médio. O quanto suas melodias não traziam nada de diferente. O quanto suas influências eram as mesmas de 500 bandas contemporâneas - no meio da febre de bandas que queriam ser Los Hermanos, particularmente, isso me doía no ouvido.

Mais: já recebi CDs de bandas que provavelmente se recusavam a perceber o quanto seu som, por mais velhos que fossem os integrantes, parecia ser feito por gente que achava que o rock tinha começado com Is this it, dos Strokes. O quanto os músicos eram até bons e experimentados, mas tocavam de modo burocrático. O quanto sua maneira de trabalhar e se expressar em entrevistas era ultrapassada e careta. O quanto estavam indo atrás do que dava certo, não do que era melhor para eles em termos de realização estética. O quanto valores como "criatividade", em se tratando do som deles, ou ficavam lá atrás ou eram confundidos com pura e simples falta de limites.
E vai por aí.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014