quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

QUARENTA ÚLTIMAS MÚSICAS

Dizem por aí que dá sorte, na hora da virada, ouvir só a última faixa dos seus discos preferidos. Tá a fim de tentar? Facilitei seu trabalho e peguei quarenta encerramentos de grandes (e pequenos) discos. Ouve aí. Feliz 2015!

"AUTUMN'S CHILD" - CAPTAIN BEEFHEART AND HIS MAGIC BAND (Safe as milk, 1967). Um som realmente mágico e o final de uma das estreias mais perturbadoras da história do rock. Ouça mil vezes.

"GET BACK" - BEATLES (Let it be, 1970). O grupo britânico deixava claro para os fãs (isso depois da chorosa The long and winding road) que era realmente o fim, com uma mensagem estranha sobre "voltar para o lugar ao qual você pertence", e que já ganhou várias interpretações.


"GOOD NIGHT" - BEATLES (White album, 1968). Tem gente que encara essa música como a parte II de Revolution 9, a bizarra colagem sonora que vem antes. Mesmo em meio à barra pesada de 1968, nada como dormir e sonhar.

"SOMETHING HAPPENED TO ME YESTERDAY" - ROLLING STONES (Between the buttons, 1967). Uma canção sobre ficar doidão e não lembrar muito do que aconteceu ontem. Pela primeira vez, o guitarrista Keith Richards faz vocais principais. No final, Mick Jagger lê uma nota agradecendo ao produtor Reg Thorpe, a todos na banda e aos que ouvem o disco. E recomenda: "Se sair de noite, não esqueça: caso saia de bicicleta, vista branco".


"WHY" - BYRDS (Younger than yesterday, 1967). Lado-B do compacto de Eight miles high, lançado um ano antes, apareceu em outra versão fechando um dos melhores discos do ano de 1967.

"NÃO FIQUE ESTÁTICA" - GUILHERME ARANTES (Guilherme Arantes, 1976). Uma das melhores heranças nacionais do som de Sgt Peppers, dos Beatles. A letra é linda.

"THE OCEAN" - LED ZEPPELIN (Houses of the holy, 1973). Um dos melhores cruzamentos de soul, rock e blues lançados pelo Led.

"CINCO MINUTOS" - JORGE BEN (A tábua de esmeralda, 1974). "Sabe quando uma grande banda de jazz ou soul entra numa espécie de transe e atinge um momento tão sublime e arrebatador que o fenômeno só pode ser explicado pela conjunção de inspirações e musas que baixaram ali, naquele instante? Pois é. Cinco minutos é assim, só que gravada em estúdio, sem a possibilidade de inspirações momentâneas aterrisando no local", escreveu André Barcisnki aqui.


"PABLO" - MILTON NASCIMENTO (Milagre dos peixes, 1973). Música infantil que é "puro Salvador Dali", como definiu seu letrista Marcio Borges no livro Os sonhos não envelhecem - Histórias do Clube da Esquina ("meu nome é Pablo / como um trator é vermelho / incêndio nos cabelos / pó de nuvem nos sapatos").

"HAPPY BIRTHDAY" - STEVIE WONDER (Hotter than july, 1980). A bela homenagem de Stevie ao aniversário do líder negro Martin Luther King.

"BREAK" - APHRODITE'S CHILD (666, 1972). O grande hit de um dos discos mais impressionantes e perturbadores da banda grega de rock progressivo. No Brasil, fez sucesso a ponto de ser lançada em compacto e de o álbum, duplo, ser cortado ao meio e lançado como Break.

"CABEÇA FEITA" - GUILHERME LAMOUNIER (Guilherme Lamounier, 1973). Num disco repleto de baladas e canções com inspiração soul, hard rock com letra doidona e solos de guitarra bem legais.


"AVE GENGIS KHAN" - MUTANTES (Os Mutantes, 1968). Psicodelia misturando Beatles e Sergio Mendes, e inspiradíssima pelo single We love you, dos Rolling Stones (os riffs se parecem um tanto).

"GOUGE AWAY" - PIXIES (Doolittle, 1989). Leitor contumaz da Bíblia, especialmente do Velho Testamento, Black Francis/Frank Black encerrou o melhor disco de sua banda com um punk classudo que traz referências à história de Sansão e Dalila ("acorrentado aos pilares/uma festa de três dias/quebro as paredes e mato a nós todos/com dedos sagrados").

"PIE IN THE SKY" - FRANK BLACK (Teenager of the year, 1994). Um quase-punk fechando um dos melhores discos do vocalista dos Pixies.

"DO YOU LOVE ME" - KISS (Destroyer, 1976). Paul Stanley gasta onda perguntando a uma mulher se ela realmente gosta dele ou se curte estar perto do estilo de vida rock´n roll.


"PRETA PRETINHA" - NOVOS BAIANOS (Acabou chorare, 1972). No clássico dos grupo, a música aparecia em duas versões: a maior, que todo mundo conhece, e uma menor, quase uma vinheta, editada para rádio. E a que fez mais sucesso foi a de mais de seis minutos, mesmo. A Som Livre tentou fazer isso em alguns dos seus primeiros lançamentos (Em busca do ouro, de Ruy Maurity e Trio, também tinha isso), mas não deu certo.

"L.A. BLUES" - STOOGES (Funhouse, 1970). Drogas, sexo, zoeira, revolta e tudo o mais que se pudesse comprimir numa estranha mistura de punk e jazz - uma bizarra jam distorcida, de assustar (e que já apareceu nessa lista aqui).

"STARSHIP" - MC5 (Kick out the jams, 1969). Encerrando o clássico do grupo pré-punk, uma música baseada num poema psicodélico de um dos jazzistas mais loucos da história do gênero.

"TRUCKIN'" - GRATEFUL DEAD (American beauty, 1970). A estrada como metáfora da vida, num dos mais belos patrimônios da psicodelia dos anos 60/70. Ouça agora.


"SUN ARISE" - ALICE COOPER (Love it do death, 1971). Um clássico do pop britânico (composto pelo entertainer australiano, radicado na Inglaterra, Rolf Harris) relido em versão ensolarada pelo cantor americano.

"O ÚLTIMO ROMÂNTICO" - LULU SANTOS (Tudo azul, 1984). Encerrando o melhor álbum da primeira fase do cantor, uma de suas melhores músicas. Dizem que muitos baixistas rodaram de bandas cover de anos 80 por não conseguirem reproduzir as linhas de baixo dessa música.

"SHE LIKES SURPRISES" - SOUNDGARDEN (Superunknown, 1994). Já escrevi sobre esse disco, que foi reeditado recentemente em edição dupla, aqui. O cantor Chris Cornell dá uma de Bob Dylan num dos raros momentos ensolarados da carreira do grupo.

"JUST LIKE YOU" - ROLLINS BAND (The end of silence, 1992). Henry Rollins, vocalista do grupo americano, reencontrou seu tão odiado pai, que costumava espancá-lo. Retribuiu a visita com dez minutos de distorções e urros clamando por "vingança". O final dá medo.


"HOW LONG"  - FOCUS (Con Proby, 1978). Acompanhado pelo crooner PJ Proby, o grupo holandês de rock progressivo caiu no pop e se aproximou, de certa forma, até da disco music. Quem lembra de Hocus pocus não reconhece o Focus aqui.

"MARRIED WITH CHILDREN" - OASIS (Definitely maybe, 1994). Vinte anos esse ano, de uma das estreias mais bacanas da década passada.

"GAROTOS DO SUBÚRBIO" - INOCENTES (Inocentes, 1989). Num dos discos mais criticados do grupo (aquele em que apareciam sem roupa na capa), os Inocentes relembravam um de seus mais confessionais sucessos da fase punk.

"PORQUE NÃO" - REPLICANTES (O futuro é vortex, 1986). O grupo gaúcho misturou punk e psicodelia em seu primeiro disco, e se despediu dos fãs com um hardcore no qual - pelo menos na letra original - queriam que Caetano Veloso fosse para a "puta que o pariu". A frase acabou não sendo gravada em disco.


"SKUNK (SONICALLY SPEAKING)" - MC5 (High time, 1971). Percussões, metais e lisergia. Olá, fãs do Queens Of The Stone Age.

"MANERA FRU FRU MANERA" - FAGNER (Manera Fru Fru manera, 1973). Psicodelia meio nordestina-meio indiana, poesia instantânea e uma estranha letra em que Fagner parece zoar Take it easy my brother Charles, de Jorge Ben, sei lá com que razão. Ouça todos os dias.

"HARD LOVIN MAN" - DEEP PURPLE (In rock, 1970). Sete minutos de som lascado e galopado - o Iron Maiden só existe por causa disso.

"RATIONAL CULTURE" - TIM MAIA (Tim Maia Racional vol 1, 1975). Doze minutos de improvisos e pregações sobre o Universo em Desecanto, em inglês.


"MAGIC MIRROR" - LEON RUSSELL (Carney, 1972). Quando a música pop fazia você pensar.

"BIKE" - PINK FLOYD (The piper at the gates of dawn, 1967). Syd Barrett, então líder do Pink Floyd, e seu imaginário infantil.

"THE IRISH KEEP GATE-CRASHING" - THE THRILLS (Let's bottle bohemia, 2004). Um dia, e não vai demorar, vai aparecer um monte de gente cultuando essa banda irlandesa, já extinta.

"F.O.D." - GREEN DAY (Dookie, 1994). "Você é simplesmente um merda/eu não consigo explicar isso, porque acho você uma droga/eu estou tomando orgulho/para mandar você se foder e morrer". Essa é do tempo em que os bichos falavam e o rock andava de mal com o mundo - como sempre devia ser.


"SUPPLY AND DEMAND" - THE HIVES (Veni vidi vicious, 2000). Essa banda é muito boa. E foi um dos grupos mais renovadores de seu tempo. Mostrou para muita gente que ainda dava para fazer punk a meio caminho do hard rock, e com muita classe.

"RAT RACE" - BOB MARLEY AND THE WAILERS (Rastaman vibration, 1976).
"Não esqueçam a vossa historia/conheçam o vosso destino/quando a água abunda/o estúpido morre de sede". Aprendam a lição.


"ROCK AND ROLL SUICIDE" - DAVID BOWIE (The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, 1972). O fim da história do astro Ziggy.

"RIP OFF" - T REX (Electric warrior, 1971). O folk rock sumia da vista do T Rex e o glam rock suingado e espacial dobrava a esquina.



TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ASSIS VALENTE - BIOGRAFIA

Bati um papo com o jornalista baiano Gonçalo Junior (gente finíssima) sobre a biografia que ele acaba de lançar, do compositor Assis Valente. Saiu em O Dia.

DROGAS, AMORES E SAMBA NA BIOGRAFIA DE ASSIS VALENTE
Quem samba tem alegria destrincha seu vício em cocaína
Publicado em O Dia em 27 de dezembro de 2014

A vontade de pesquisar a vida de Assis Valente, autor da dramática marchinha de Natal Boas festas, não surgiu do nada para o jornalista baiano Gonçalo Junior, que lança a biografia do compositor, Quem samba tem alegria (Ed. Civilização Brasileira, 644 págs., R$ 65). Sua família foi marcada por uma história parecida com a de Assis, que se suicidou em 1958. “Um tio meu se matou. Meu pai, que impedira duas tentativas dele, citava o exemplo do Assis para dizer que ninguém deveria fazer isso”, recorda Gonçalo, hoje radicado em São Paulo.

O currículo do autor de Brasil pandeiro (redescoberta pelos Novos Baianos em 1972, no clássico Acabou chorare) incluía uma tentativa de suicídio em 1941, quando se jogou do Corcovado, de uma altura de 80 metros. Gonçalo soma à roda viva de problemas do compositor o abuso de cocaína e álcool. É o que teria sido a verdadeira razão de sua ruína, além de uma paixão recolhida por Carmen Miranda, que gravou várias músicas suas. Mas não toca no tema de sua suposta homossexualidade, como a biografia A jovialidade trágica de José Assis Valente, de Francisco Duarte Silva e Dulcinéa Nunes Gomes, colocara antes.

“Conversei com a Sausa Machado, espécie de afilhada dele, que disse: ‘O problema dele era químico’”, conta. “Não há pista de homossexualidade em sua vida, a não ser por interpretações de letras como E o mundo não se acabou, gravada por Carmen Miranda (que fala em “dancei um samba em traje de maiô”). O sócio de Assis (José de Aguiar Dantas, com quem manteve um laboratório de próteses dentárias) estava vivo nos anos 80 e disse que ele era bem mulherengo.”

Grande marqueteiro de si próprio (costumava visitar jornalistas e radialistas), Assis penou para ser gravado por outros cantores após a ida de Carmen Miranda para os Estados Unidos, em 1940. “Ele vai atrás de alguns deles e ouve coisas como: ‘Tá me trazendo música? Vai atrás da Carmen!’”, conta Gonçalo. “O (jornalista) Sérgio Cabral chegou a vê-lo uma única vez, já no fim da sua vida. E disse que ele estava maltrapilho, pedindo que fizessem matéria com ele num jornal, porque queria voltar ao sucesso.”

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

MASCOTES DE IPANEMA

Um papo que bati com herdeiros de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e com torcedores, sobre os mascotes das Olimpíadas (Tom e Vinicius).

A BOSSA DOS MASCOTES
Famílias de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, cariocas e turistas aprovam homenagem aos compositores para os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

Publicado em O Dia em 22 de dezembro de 2014

Vindas de Londrina com suas famílias para passar o fim de ano no Rio, as amiguinhas Ana Clara Subtil e Marina Zandonai, de 5 anos, descobriram agora quem é Tom Jobim (1927-1994). Visitaram a estátua do maestro na Praia de Ipanema e se encantaram com os bonecos dos mascotes das Olimpíadas e das Paralimpíadas, respectivamente chamados Vinicius (de cor amarela) e Tom (verde). Os jogos acontecem no Rio em 2016.

“Muito legal!”, disseram elas enquanto seguravam as miniaturas, com sucesso garantido entre pais e filhos, assim como a própria obra dos homenageados Vinicius de Moraes (1913-1980) e Tom Jobim. Eles escreveram músicas e poemas para crianças e adultos e, agora,foram escolhidos em votação popular para batizar os mascotes por 44% dos eleitores em 323.327 votos, desbancando nomes como Oba e Eba e Tiba Tuque e Esquindim.

“Foi a melhor escolha, em função da bossa nova de Garota de Ipanema (clássico da dupla). E assim que viemos ao Rio, já queríamos fazer logo uma foto na estátua”, conta a gaúcha Marina Gonzales, em Ipanema, ao lado da família.

“Adoramos a homenagem. Vi os outros nomes, achei todos bem alegres, mas, para representarem nossa cultura, realmente, eram bem fracos”, admite Maria de Moraes, filha mais nova do poeta Vinicius. “Os representantes do Comitê chegaram a me falar que os estudantes da rede pública citaram bastante o nome de Vinicius, até por causa do centenário dele, já que visitamos várias escolas”.

Vinicius chegou a fazer artes marciais quando jovem. Praticou até jiu-jítsu “razoavelmente”, como confessou no poema autobiográfico Autorretrato. Mas o que ficou para a história foi mesmo o lado boêmio dele e do amigo Tom, relatado em várias histórias. Após uma noite virada numa boate carioca, o poeta teria chegado a fazer, com o amigo cronista Antonio Maria (1921-1964), um juramento de “nunca mais fazer exercício físico na vida”, ao ver um grupo fazendo ginástica na areia da praia, em frente ao Copacabana Palace.

“É, o esporte preferido deles era mesmo o levantamento de copo”, brinca o pianista Daniel Jobim, neto de Tom. “Mas Tom e Vinicius fizeram várias músicas falando de esportes, ou sobre praia. Isso existe na obra deles”. Maria, que tinha 10 anos quando o pai morreu, em 1980, diz que ele “era um cara dos esportes, sim. Minhas referências, minhas memórias, são as de quando ele já era um senhor. Mas meu pai era botafoguense, nadou quando jovem. Se você for pegar na obra literária dele, tem textos do Vinicius falando sobre Pelé, sobre Mané Garrincha, que ele chamou de ‘o anjo de pernas tortas’”, conta.

A temporã do poetinha diz que o uso do nome ‘Vinicius’ foi autorizado pela família. “Eles não poderiam usar sem ter autorização dos detentores dos direitos. É uma forma de proteger a obra dele. Mas foi sem pagamento. É uma festa grandiosa, vamos receber pessoas de 200 países, mas entramos no espírito olímpico. Temos o benefício do reconhecimento, dos novos leitores”.

Já Daniel Jobim não se preocupa com o assunto. “Tom Jobim é de todos, e ‘Tom’, a meu ver, pode ser qualquer Tom. É um nome comum e é sempre importante que ele esteja sendo dividido com todos”.

MÚSICA E ESPORTES Desenhados pelo Birdo Studio, os personagens Tom e Vinicius foram criados para representar, além da cultura brasileira, a dinâmica da Olimpíada e da Paralimpíada. Vinicius, mascote olímpico, mistura a agilidade de vários animais do país e apresenta “olfato apurado, capaz de farejar aventuras, e a audição que identifica onde estão as torcidas mais animadas”, como diz o material divulgado pelo Comitê.

Já o paralímpico Tom, cuja cor refere-se à mata cantada pelo maestro em várias músicas, “consegue se transformar o tempo todo, com determinação e alegria, crescendo e superando obstáculos”.

“Além de representar a fauna e flora brasileiras, nossos mascotes agora também se conectam com o melhor da nossa música. Temos certeza de que eles serão uma inspiração para as crianças”, comenta Carlos Artur Nuzman, Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PIXINGUINHA NO JAZZ

Daqui a pouco tem Maria Alcina e Vânia Bastos cantando Pixinguinha no Rival. Segue uma materinha que fiz.

MARIA ALCINA E VÂNIA BASTOS JOGAM PIXINGUINHA NO JAZZ
Cantoras relembram Carinhoso e outras do compositor
Publicado em O Dia em 16 de dezembro de 2014

O legendário Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha (1897-1973), era fã de jazz. Logo que teve contato com o estilo, começou a comprar discos, além de ouvi-los entre amigos. As cantoras Maria Alcina e Vânia Bastos o homenageiam no show 40 Anos Sem Pixinguinha (hoje, no Teatro Sesc Ginástico) e, com o grupo do baixista Marcos Paiva, tratam de resgatar os improvisos que insinuavam-se por trás dos choros e sambas do músico.

“A parte instrumental é tão importante quanto a nossa. São três artistas, né? Eu, Vânia e o Marcos Paiva”, diz a extrovertida Maria Alcina. “Faço o lado mais brejeiro da obra do Pixinguinha, e a Vania fica com a parte mais densa. Os músicos vieram com uma outra pegada, com instrumentos diferentes.” As duas cantam em separado e se encontram no clássico Carinhoso

Na apresentação, Paiva une baixo acústico, bateria, vibrafone, flauta e sax aos vocais. “É complicado falar em modernizar, mas quisemos sair um pouco da sonoridade tradicional associada ao Pixinguinha e ao próprio choro. Ele era uma esponja humana que absorvia todo tipo de informação. É possível reler a obra dele de muitas maneiras”, diz o músico.

Canções infantis de Pixinguinha, como Gavião calçudo, estão no roteiro da apresentação, assim como Mundo melhor, Urubu malandro, Samba de fato. A turnê já havia passado pelo Rio, com Selma Reis no lugar de Alcina. “Na época, eu fazia o lado mais brincalhão de Pixinguinha”, conta Vânia. “Pelas músicas, dá para ver que ele tinha uma alma sorridente. Li uma entrevista do Vinicius de Moraes em que ele dizia que queria ser o Pixinguinha. Imagina só!”

Com carreira iniciada pouco antes da morte de Pixinguinha (em 1972, estourou nacionalmente com sua gravação de Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor), Maria Alcina não chegou a conhecê-lo pessoalmente. “Uma pena. Lembro que uma vez estava nos Estados Unidos e vi um saxofonista na rua tocando justamente Carinhoso. Me deu uma saudade imediata do Brasil”, recorda.

COM O PÉ DIREITO

A coluna Com o pé direito, da chefa Karla Prado, ganhou uma Coluna Falada. Segue aí a matéria que fiz com ela no O Dia.


PARA REFLETIR E INCENTIVAR O PRAZER DE LER

Com o pé direito vira Coluna Falada com crônicas lidas para a TV O Dia
Publicado em O Dia em 27 de novembro de 2014



A leitura abre portas que nunca mais serão fechadas. Mas, para quem estiver com preguiça de abri-las, a editora executiva do DIA Karla Rondon Prado dá uma forcinha e leva para o vídeo suas crônicas sobre a simplicidade com a estreia da Coluna falada, amanhã, na TV O DIA , do Dia Online . Ler para o outro e ajudá-lo a fazer descobertas em meio às palavras é o objetivo da titular da coluna Com o pé direito, publicada toda quarta-feira. 

Nessa primeira, a jornalista lê a crônica Ser mãe. O texto, segundo a autora, teve grande repercussão, principalmente quando publicou trechos em sua página no Facebook. O espaço virtual, em pouco mais de dois meses, já tem 9 mil seguidores.

“Acho que ninguém pontua melhor um texto do que seu próprio autor, por isso ter um artigo lido por quem o escreveu ajuda a formar cenários, ver cenas e captar seus sentimentos”, diz Karla, despertada para as crônicas por textos como os de Antonio Candido, que falava delas como escritas por quem anda nas ruas,“pega o miúdo e mostra nele sua grandeza”. “Tenho o hábito de ler desde a adolescência, dos tempos em que fiz teatro e interpretava poesias.”

Comentando e lendo, Karla pretende levar suas palavras para mais gente. “Nem todo mundo gosta ou tem tempo de ler, apesar de a coluna ser uma leitura de cinco minutos”, diz a editora, tendo a inspiração para o texto falado em sua própria família. “Quando pensei em fazer os vídeos, lembrei que minha avó escreveu em braille e traduziu livros de várias áreas para o método. No fim da vida, teve glaucoma e eu lia muito para ela”, lembra. “Há pessoas que não podem ler pelos mais diversos motivos, por alguma limitação física ou preguiça. O áudio incentiva a prestar atenção. E, nas apresentações, falo do que inspirou aquele tema, podem saber o que me levou a escrever aquilo.” 

Essa evolução do papel para o vídeo chega ao DIA num momento em que a prática se torna comum no marketing de editoras, com booktrailers (vídeos do YouTube que trazem autores lendo trechos ou capítulos inteiros de seus livros) anunciando novidades de escritores como o cantor Chico Buarque (leia acima, à direita).

Com o pé direito, a coluna escrita, completou dois anos em junho, sempre com comportamento e sentimentos no radar — algo tão perdido na atualidade, depois de um período longo de ‘hype’.

“Acho que o mundo está um pouco cansado dos excessos e faz parte do amadurecimento focar na vida simples, o que é muito difícil. Minha ideia é dar uma visão otimista e intimista ligada diretamente à cidade e ao seu cotidiano. As pessoas despertaram e estão rejeitando tanta coisa errada e negativa. Está na hora de prestar atenção no próximo.Acho que as palavras-chave dos textos são ‘Rio’, ‘pessoas’ e ‘feminino’”, relata Karla, lamentando que as cronistas femininas, populares na imprensa dos anos 60 e 70, estejam em falta hoje.

As mensagens que a editora recebe dos leitores mostram que apostar no otimismo tem dado certo, para ela e para quem lê a coluna. “Quando você fala de coisas particulares, elas se tornam gerais. Quanto mais íntimo o assunto, mais se identificam.” 

VÍDEOS AJUDAM A DIVULGAR A LITERATURA E AMPLIAR PÚBLICO  “Lê pra mim?” O pedido dos filhos a seus pais inspira vários projetos para difundir a leitura. Um dos mais populares é o Lê Pra Mim, que há anos leva artistas como Maria Fernanda Candido, David Lucas e Miguel Falabella a ler livros infantis em espaços públicos. E as próprias editoras e autores usam as leituras por vídeo para divulgar os trabalhos.

No início do mês, Chico Buarque publicou vídeos lendo capítulos de seu novo romance, O irmão alemão. É algo que tem sido feito em vários lançamentos da editora do cantor-escritor, Companhia das Letras. “Fazemos muitos desses booktrailers e a divulgação sempre é boa. O vídeo do Chico virou notícia”, conta Clara Dias, divulgadora da Companhia.

Outras editoras, como a Record, também realizam booktrailers. O infantojuvenil Garoto encontra garoto, do americano David Levithan, ganhou vídeo com pessoas lendo trechos, entre elas uma drag queen. Em outubro, a gaúcha Eliane Brum leu três capítulos de seu livro Uma duas no festival literário Pen World Voices, em Nova York. 

ESPAÇO DEMOCRÁTICO E ILUMINADO  A Coluna Falada é gravada na Biblioteca Parque Estadual, espaço histórico de leitura localizado no Centro do Rio. Inaugurado em 1873, o edifício de 15 mil metros quadrados ganhou uma megarreforma de ampliação neste ano, disponibilizando um acervo literário com mais de 250 mil itens, obras de arte, teatro, filmes.

“Minha ideia é incentivar a formação do leitor e dos lugares em que se pode ler, por isso a escolha pela Biblioteca Parque Estadual como locação”, explica Karla. “Quando propus a eles gravar por lá, a iniciativa foi superbem recebida. É um espaço democrático e moderno, um centro de prazer e de conhecimento. A biblioteca também tem uma luminosidade impressionante.”

Além da beleza arquitetônica, o clima é positivo nos corredores do lugar, por onde circulam pessoas de todas as idades, que passam por lá para ler livros e assistir a filmes. 

ALICE CAYMMI

Minha segunda capa para o D Mulher: um papo com Alice Caymmi que saiu há alguns sábados..
O show dela já passou. Mas fica aí o registro.

DAS MARAVILHAS
Alice Caymmi faz show no Oi Futuro de Ipanema e fala sobre seu estilo extravagante de ser
Publicado em O Dia em 29 de novembro de 2014


Alice Caymmi é extrovertida desde criança.“Pequenininha, falava com todo mundo, convivia com amigos dos meus pais”, lembra a filha de Danilo Caymmi, sobrinha de Nana e Dori, neta de Dorival, que sobe ao palco do Oi Futuro de Ipanema hoje, no festival Sonoridades, com o repertório do álbum Rainha dos raios. Da infância, também vem o interesse por moda.
“Minha mãe me ‘montava’. Adorava tudo quanto era fantasia. Festa junina era uma loucura, ia sempre de noiva, aquela criança praticamente embrulhada num véu”, recorda. “As pessoas se vestem de forma sóbria, seguem regras. Gosto de quem vê a moda de forma lúdica, como Ronaldo Fraga, Fernando Cozendey. Quem tem esse comportamento, como eu, corre um risco maior, né? Mas você erra e acerta depois!”, brinca Alice, 24 anos, ela mesma sempre a fim de quebrar padrões. 

No Prêmio Multishow, em outubro — quando ganhou a estatueta de versão do ano, por ‘Homem’, de Caetano Veloso — ousou com make para lá de exótico, misturando dourado, preto e lantejoulas no rosto. “Usei uma camisa da Alessa com anjos e catedrais. Mas a maquiagem fui eu que fiz durante três horas!”, lembra a carioca nascida e criada em Copacabana.

“Adoro artistas que se expressam dessa forma em premiações. Deixa eu usar essa energia, depois vou de funcionário público”, brinca. Lady Gaga, sempre com trajes inusitados em eventos, seria uma referência? “Não, ela faz isso o tempo todo, nem só em premiações. Pensei mais na Björk”, diz Alice, que fez uma versão de Unravel, da islandesa, e foi elogiada por ela nas redes sociais. “E também adoro David Bowie. Tô indo para o lado dele!” 

Uma referência musical é Caetano Veloso, um cara que “nunca envelheceu”. Apesar da admiração do tropicalista pela família Caymmi, Alice não chegou a conhecê-lo na infância. “Ah, não rola isso não. Minha família sempre foi reservada, nunca foi ‘de galera’. E a turma do Tropicalismo e dos Novos Baianos sempre foi fechada”. A ficha de que seu avô era o grande Dorival só lhe caiu aos 13 anos. “Ouvi o Canções praieiras (primeiro álbum de Dorival, de 1954). Aí entendi o que era aquilo e chorei muito. Peguei meu avô já bem velhinho, ele me contava muitas histórias”, lembra. 

Para o show de hoje, Alice leva como convidado ninguém menos que o hitmaker Michael Sullivan, com quem ela compôs Meu recado, do disco novo — ontem, Helio Flanders, da banda Vanguart, cantou com ela. “Nem esperava que meu trabalho conseguisse juntar o sucesso de crítica com uma pontinha do popular. Vi com o Prêmio Multishow que posso conseguir isso”.

DIRETO DO GUARDA-ROUPA Nesse conceito de “não seguir regras” e arriscar, Alice é fã de marcas jovens e ousadas como Llas e Alessa (que usou no Prêmio Multishow), dos brincos e bijuterias de Christopher Alexander e dos sapatos de Virginia Barros.

A cantora gosta do assunto moda e a recíproca é verdadeira: esta semana, Alice se apresentou no Forum de Ipanema, a convite da grife Maria Filó.

No começo do mês, ela cantou no desfile da Llas, na última edição da São Paulo Fashion Week. “Elas são amigas do DJ Zé Pedro, que lançou meu disco (no selo Joia Moderna), e me quiseram lá fazendo show”, lembra, sobre as estilistas.

A ida ao evento valeu: Paulo Borges, idealizador da semana de moda paulista, vai dirigir o show que Alice vai fazer nos dias 11 e 12 de dezembro no Teatro Itália, em São Paulo. “Nos apaixonamos um pelo outro!”

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

BETH CARVALHO - AO VIVO NO PARQUE MADUREIRA

Uma das maiores e melhores cantoras da história da MPB bateu um belo papo comigo para O Dia sobre seu novo DVD, cuja gravação reuniu 50 mil pessoas no Parque Madureira. Curte aí.

"EU SOU O TÚNEL REBOUÇAS"
Beth Carvalho lança CD e DVD gravados no Parque Madureira e, sem nunca ter morado na Zona Norte, diz conhecer a região melhor do que muitos moradores
Publicado em O Dia em 10 de dezembro de 2014

Cinquenta mil pessoas esperaram para aplaudir e ouvir Beth Carvalho em março, na gravação do DVD Ao vivo no Parque Madureira. As imagens aéreas incluídas no vídeo são impressionantes: o local fica parecendo (perdão pela comparação) o Rock In Rio, lotadíssimo em todos os cantos. E mostra a importância que Beth tem para a Zona Norte e para o samba da região. “Foi emocionante. Lá é o berço do samba no Rio”, comemora. 

“Sempre tive uma relação muito boa com os sambistas de Madureira, de onde vieram duas escolas de grande porte, Portela e Império Serrano. Você sabia que fui a sambista que mais gravou sambas da Portela?”, indaga a mangueirense Beth, que já torcia pela Verde e Rosa quando pisou pela primeira vez em terras portelenses. “Fiquei encantada. Ia na casa da Tia Doca, nos pagodes da Tia Surica, que mora numa vila deliciosa. Na quadra da Império também foi assim. O samba só briga na avenida, porque ele é união o ano inteiro.”

É difícil de imaginar, mas Beth nunca morou na Zona Norte. Criada entre Ipanema e Botafogo, ela frequentava, na juventude, “festas regadas a champanhe, uísque e caviar”. Começou na música apaixonada pela bossa nova. Mas desde cedo frequentava o subúrbio e corria atrás do samba. 

“O Sergio Cabral (jornalista) diz que eu sou o Túnel Rebouças, por unir Zona Norte e Zona Sul”, brinca. E sempre foi assim. “Meu pai era um intelectual de esquerda, um homem muito simples. Entendia meu fascínio pelo samba. Desde pequena, eu ia a Marechal Hermes e Cascadura, minha mãe tinha amigas lá. E ia de trem! Imagina se alguém da Zona Sul anda de trem?”, espanta-se Beth. “Conheço a Zona Norte melhor do que muita gente de lá. E a região está mais orgulhosa de si.” 

Chega a hora de falar de Ao vivo no Parque Madureira, que traz sucessos das rodas, como O show tem que continuar, Pandeiro e viola, Coisa de pele, Meu lugar e Senhora rezadeira misturadas a recentes canções, como Estranhou o quê? (Moacyr Luz) e Parada errada (Rogê, Rodrigo Leite e Serginho Meriti), cuja letra é o depoimento da mãe de um viciado em crack. “Todo mundo aplaudiu essa música. E cheguei a achar que ela era de difícil entendimento, acredita? Sinto que ela tem algo de Meu guri (de Chico Buarque, que dava voz à mãe de um morador do morro envolvido com o crime).”

Ao vivo no Parque Madureira tem duas participações afetivas e especialíssimas: a sobrinha de Beth, Lu Carvalho, em Devotos do samba, e o afilhado Zeca Pagodinho, em Deixa a vida me levar, Ainda é tempo pra ser feliz e Arrasta a sandália (esta, feita pela filha de Beth, Luana Carvalho, e por Dayse do Banjo). 

“A Luana tem um trabalho bonito, vai sair em breve. Vocês vão ver”, diz Beth. “A Lu sempre foi sambista, a levava para as rodas desde cedo. E o Zeca é o rei! Quando o levei comigo para o Fantástico para cantar Camarão que dorme a onda leva, ele teve que aprender a dublar. Fingiu que estava tocando cavaquinho e cantando. E ele hoje é um veterano!”, orgulha-se. 

Beth gravou o DVD sentada, cuidando da coluna após um ano de cama devido a complicações de uma cirurgia. “O público queria me ver de qualquer jeito, sentada, deitada.... Frida Kahlo pintou deitada, e, se precisar, canto assim também!”


INSTITUTO BETH CARVALHO “Minha casa é um museu!”, conta Beth Carvalho, que mostrou raridades no documentário ‘Coração em Festa’, dirigido por Gabriel Mellin e Bruno Murtinho, para os extras do DVD. Ele traz imagens do nascimento da filha Luana, a gravação de uma conversa com o sambista Cartola (na qual ele, errando a previsão, diz que Beth não deve gravar As rosas não falam, que acabou sendo um sucesso na voz dela, porque iria “queimar a música”), além de cenas da cantora ouvindo seus LPs antigos num toca-discos.

Beth pensa num destino nobre para esse material. “Vou fazer 50 anos de carreira em 2015 e quero montar o Instituto do Samba Beth Carvalho. Vai ter meu acervo, um teatro, aulas de música... Já andei conversando com o (prefeito) Eduardo Paes. Vamos ver se ele me ajuda nisso!”, diz.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

QUARENTA (+1) MÚSICAS ENORMES

"THICK AS A BRICK" - JETHRO TULL (Thick as a brick, 1972). Um disco inteiro com uma única música, de mais de 40 minutos - claro que no vinil original era dividida em dois lados. Irritado com críticos que consideravam Aqualung (1971) como um disco conceitual, o líder e homem-do-jethro Ian Anderson prometeu que iria vir com um disco realmente conceitual, "baseado" nos versos de um fictício garoto de oito anos.

"SHOW OPINIÃO (LP)" - NARA LEÃO-ZÉ KETI-JOÃO DO VALE (Opinião, 1965). Gravado "diretamente do espetáculo do Grupo Opinião", esse LP traz todas as músicas do show sem separação. No CD ficou uma faixa só e nunca ninguém se preocupou em consertar.

"AMANHECER TOTAL" - O TERÇO (Terço, 1973). Último álbum do grupo antes da banda virar um embrião do 14 Bis, trazia essa suíte de vinte minutos ocupando todo o lado B. Um som puro, belo e vigoroso.

"ATOM HEART MOTHER" - PINK FLOYD (Atom heart mother, 1970). A suíte "rock-concerto" do Pink Floyd impunha-se pela grandiloquência, pela vontade de soar quase erudito e pela substituição do som psicodélico por algo mais orgânico e elaborado. O músico Ron Geesin ajudou a dar foco no que antes eram várias ideias soltas.

"RITUAL (NOUS SOMMES DU SOLEIL)" - YES (Tales from topographic oceans, 1973). O lado mais porradeiro do disco-duplo-de-quatro-faixas do Yes, com tons mais soturnos, ataques de percussão (trata-se de um ritual, certo?) e climas tensos. Vinte e um minutos e uns quebrados.



"BY THE TIME I GET TO PHOENIX" - ISAAC HAYES (Hot buttered soul, 1969). Muita gente gravou essa canção composta por Jimmy Webb, ams foi Hayes quem a transformou num épico de 18 minutos.

"SISTER RAY" - VELVET UNDERGROUND (White light/white heat, 1968). Drogas, violência, sadomasoquismo e homossexualidade, entre outros temas tão caros à tradicional família brasileira, aparecem comprimidinhos nos distorcidíssimos 17:29 dessa canção lado-B-inteiro-de-vinil do Velvet.

"DAZED AND CONFUSED" - LED ZEPPELIN (The song remains the same, 1976). "Inspirada" (surrupiada, né?) numa canção de um compositor americano chamado Jake Holmes, Dazed tem mais de 26 minutos no disco duplo do Led, inclui trechos de San Francisco, sucesso de Scott McKenzie, e o famigerado solo de guitarra com arco de violino.

"THE UKON" - TODD RUNDGREN'S UTOPIA (Todd Rundgren's Utopia, 1974). Só trinta minutos, apertadinhos no lado B da estreia do grupo progressivo liderado pelo autor da pop I saw the light.

"ERUPTION" - FOCUS (Moving waves, 1971). Adaptação quase instrumental da ópera Euridice, de Jacopo Peri.

"THE SEER" - SWANS (The seer, 2012). Se tinha isso na era do vinil, imagina na do CD: trinta e dois minutinhos de puro barulho.

"AUTOBAHN" - KRAFTWERK (Autobahn, 1974). Mais de 22 minutos de viagem pelas sensacionais estradas alemãs. A musica deixou David Bowie tão impressionado que ele só viajava de carro ouvindo a canção.

"THE DIAMOND SEA" - SONIC YOUTH (Washing machine, 1996). Essa canção de 19 minutos de um dos grupos mais barulhentos do mainstream americano chegou a ser editada como single do álbum.

"UNKNOWN SOLDIER" - FELA KUTI (Unknown soldier, 1981). Tido como "música incendiária", esse disco traz um explosivo afrobeat dividido entre duas versçoes da mesma faixa, uma de 14 e uma de 16 minutos.

"RIME OF THE ANCIENT MARINER" - IRON MAIDEN (Powerslave, 1984). Durante os treze minutos dessa música, o baterista Nick McBrain já saiu do palco, deixou o local do show, foi dar uma nadada no mar e voltou a tempo de continuar a canção - como já disse.


"THE CELEBRATION OF THE LIZARD" - THE DOORS (Absolutely live, 1970). Alguns trechos dessa  minissuíte de 14 minutos já haviam aparecido em shows e até num disco da banda - Waiting for the sun, de 1968, tinha Not to touch the Earth.

"ALICE'S RESTAURANT MASSACRE" - ARLO GUTHRIE (Alice's restaurant, 1967). Blues falado que mistura realidade, ficção, guerra do Vietnã e crimes. Dezoito minutos.

"IN A GADDA-DA-VIDA" - IRON BUTTERFLY (In a gadda-da-vida, 1967). Essa banda americana não tinha só essa música. Mas esse clássico de 17 minutos, com solinhos de guitarra, baixo, teclado e (esse o mais memorável) bateria, foi editado em quatro minutos para rádio, tocou até enjoar e... tratou de ofuscar tudo o mais que ela fez.

"SALISBURY" - URIAH HEEP (Salisbury, 1971). Rock de guerra, de uma das mais significativas bandas dos anos 70, em 16 minutos.

"VOODOO CHILE" - JIMI HENDRIX (Electric Ladyland, 1968). A versão blueseira, com 15 minutos de aplausos, solos de guitarra, conversas, bate-papos entre os músicos, etc.


"IN HELD TWAS' IN I" - PROCOL HARUM (Shine on brightly, 1968). Dezoito minutos de progressivices, classic rock, órgãos de igreja e vários excertos.

"2112" - RUSH (2112, 1976). Inspirada nos escritos da novelista americana (e "objetivista") Ayn Rand, essa canção de vinte minutos já fez o trio americano ser considerado uma banda de extrema-direita e até nazista.

"GET READY" - RARE EARTH (Get ready, 1969). Primeira banda branca de rock, blues e soul a ser contratada pela Motown, esses americanos misturavam singles pop com improvisos lisérgicos - e conseguiram bastante êxito até no Brasil, inclusive em trilhas de novela (Bandeira 2, de 1972). O clássico de Smokey Robinson ganhou sua versão editada para rádio, mas no LP tinha 21 minutos.

"SUPPER'S READY" - GENESIS (Foxtrot, 1972). Em sete partes, uma viagem pessoal do vocalista Peter Gabriel - dividida com todos os então integrantes da banda - envolvendo temas bíblicos.

"KARN EVIL 9" - EMERSON, LAKE & PALMER (Brain salad surgery, 1973). Trinta minutos de rock progressivo, começando no lado A e acabando no lado B de um dos melhores discos da banda - e tem o refrão "welcome back friends, to the show that never ends", que virou uma assinatura da banda.


"MOUNTAIN JAM" - ALLMAN BROTHERS BAND (Eat a peach, 1972). Sim, esses caras gostavam mesmo de improvisar. Dividida em dois lados do duplo Eat a peach, Mountain jam soma "apenas" 33 minutos, gravados direto do palco do Fillmore East, em Nova York.

"I HEARD IT THROUGH THE GRAPEVINE" - CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL (Cosmo's factory, 1970). Clássico da Motown gravado por Marviin Gaye e transformado em canção de onze minutos pelo grupo.

"GOIN HOME" - ROLLING STONES (Aftermath, 1966). Onze minutos de blues e (dosados) improvisos.

"METAL CONTRA AS NUVENS" - LEGIÃO URBANA (V, 1991). Com uma música de nove minutos, Faroeste caboclo, que tocou em rádio, a Legião consegiu fazer os onze progressivos minutos de Metal... - uma espécie de inventário de amarguras da era Collor - igualmente virarem hit.

"SAD-EYED LADY OF THE LOWLANDS" - BOB DYLAN (Blonde on blonde, 1966). Homenagem de Dylan a sua então esposa Sara Lownds, que ocupava todo o lado D de seu disco duplo.


"PARTIDA DOS LOBOS" - IVINHO (Ivinho ao vivo em Montreaux, 1978). Épico de mais de vinte minutos, que ocupa todo o lado B do disco ao vivo do violonista e guitarrista pernambucano.

"ALLIGATOR" - GREATEFUL DEAD (Anthem of the sun, 1968). Clássico da época em que o grupo fazia jams intermináveis como se estivessem todos "vendo coisas" no estúdio - ou como se houvesse uma plateia. Onze minutos e uns quebrados.

"SEEING AS YOU REALLY ARE" - HAWKWIND (Hawkwind, 1970). Da primeiríssima fase do grupo de space rock, com guitarras pesadas, gritos, sons sinistros e ambientação de viagem psicodélica - sem assustar mais do que o normal. Só dez minutinhos.

"YOO DOO RIGHT" - CAN (Monster movie, 1969). Na estreia do grupo alemão, uma música de vinte minutos ocupando todo o lado B - editada de mais de seis horas de música.

"ALPHA CENTAURI" - TANGERINE DREAM (Alpha Centauri, 1971). Para quem gosta muito, mas muito mesmo de rock progressivo e space rock.


"TUBULAR BELLS, PART 1" - MIKE OLDFIELD (Tubular bells, 1972). Não daria mesmo para esquecer esse disco, o primeiro lançado pela gravadora Virgin e uma das obras de rock progressivo mais conhecidas do mundo. Por causa da aparição de algumas partes desse álbum no clássico do terror O exorcista, o lado A chegou a tocar no rádio.

"THE JOURNEY/RECOLLECTION" - RICK WAKEMAN (Journey to the centre of the Earth, 1974). A primeira parte do segundo álbum do eterno tecladista do Yes fez sucesso no Brasil a ponto de ser usada em aberturas de programas de TV, reportagens televisivas, etc. No mundo todo vendeu 14 milhões de cópias.

"THE LOW SPARK OF HIGH HEELED BOYS" - TRAFFIC (The low spark of high heeled boys, 1971). E o Traffic ganhava de vez uma cara meio jazz, meio progressiva, com músicas um pouco maiores que a média da banda. Ficou bem legal.

"HEY JOE" - MUTANTES (O a e o z, 1973). Doze minutos de progressivices e papos no estilo todo-mundo-numa-pessoa-só

"REVELATION" - LOVE (Da capo, 1966). E lá vinha o Love com seu estranho encontro entre pop barroco, psicodelia, blues, soul e protopunk - evidentes nessa música de dezenove minutos. Dá pena de Arthur Lee, o vocalista, hoje não ser um cara mais lembrado e celebrado

"GREY/AFRO" - ALEXANDER "SKIP" SPENCE (Oar, 1969). Esse aí não tava puro, não. Vale a menção, apesar de ser uma música até pequena para os padrões dessa lista (só nove minutos).
TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.