sexta-feira, 27 de setembro de 2013

TODO O GLAMOUR DO METAL PESADO

Quase não estou parando em casa. Não dá quase para ver televisão. Num dia de folga, recentemente, esbarrei, numa tarde, com a série de documentários Metal evolution sendo exibida pelo canal Bis na faixa O assunto é música.

A série é dirigida por Sam Dunn, documentarista responsável por filmes como Metal: A headbanger's journey (1995) e Flight 666, documentário sobre as turnês do Iron Maiden a bordo de um avião dirigido pelo cantor Bruce Dickinson (2009). Na tarde em que dei uma checada na série, estava passando o episódio dedicado ao glam metal. Ou metal farofa, vá lá.

Feito em 2011, o filme flagra os grandes nomes do glam metal - uma galera que inclui Poison, Motley Crue, Ratt, Cinderella, Skid Row, Warrant, Quiet Riot - reavaliando o estilo, que fez sucesso nos anos 80, e repassando sua história. A cena se completa com empresários, gente de gravadora, músicos que acreditam terem derrubado a cena glam (vigorosa nos anos 80). Como Slash, ex-guitarrista do Guns n Roses - banda que teve lá seus pezinhos na cena antes de cair para dentro da mitologia hard rock.

Geralmente diz-se que o levante grunge derrubou a cena glam. E, diz o doc de Dunn, foi mesmo. Os músicos do Warrant (lembra de Cherry pie?) contaram em várias entrevistas que a ficha do abandono caiu quando chegaram à sede da Sony Music e viram que o pôster da banda que adornava uma das paredes da gravadora não estava mais lá. Havia sido substituído por um do Alice In Chains, a sensação do momento. Duas bandas, por sinal, cujos vocalistas têm lá suas coincidências bizarras. Ambos com nomes um tanto fáceis de serem confundidos (Jani Lane, no Warrant, e Layne Staley, no AIC). Ambos com mortes ligadas às drogas. Seja como for, para quem já ditou a moda, nada como a triste sensação de estar fora de moda.

Poucas dessas bandas sobreviveram à queda. O Poison aguentou por mais alguns anos e passou até a fazer músicas de protesto, distante do lado "garotas, festas e drogas/bebida" que marcava o glam. O Skid Row entrou na luta como um filho temporão e hiperativo, mais pleno de atitude - e segurou a marimba até onde foi possível. O cantor Sebastian Bach, de comedor do rock da zona cinzenta 80/90, virou pai de família, cantor solo (esteve no Rock In Rio semana passada), ator de reality show e figura midiática. Chegou a interpretar Jesus numa montagem de Jesus Cristo Superstar. Talvez você goste de saber: o Skid Row existe até hoje, com um sujeito chamado Johnny Solinger, estudado no country e no rock, ocupando o lugar de Bach. O grupo lançou um EP em abril.

Quem continuou defendendo a bandeira da farofa, foi brigar e insistir. Alguns dos músicos entrevistados (gente do Ratt, do Quiet Riot e até do Stryper, uma incomum formação de glam rock que falava - e fala até hoje - de temas cristãos) lembram terem largado a música e ido atrás de empregos caretas para sobreviver e sustentar a família. Teve gente que foi trabalhar em loja de guitarras, alguns tornaram-se figuras fáceis em reality shows, etc.


Não foi fácil, mas hoje há quem cultue o glam rock. Há até festivais dedicados ao estilo, com as mesmas bandas daquela época. Formações desfiguradas, cabelos rareando, barrigas maiores (e à mostra como nos anos 80, sem medo de ser feliz), mas os grupos continuam por aí. O filme mostra um pouco disso.

A série de Dunn ainda continua no Canal Bis. Na semana que vem, às 17h, o lado mais destruidor do heavy metal aparece por lá, com um programa sobre as bandas de thrash metal. Não creio que vá poder assistir, mas é imperdível. Os documentários ainda abrangem filmes sobre grunge, power metal, metal progressivo, nu metal, shock rock (onde ele insere bandas como Slipknot e Venom). E põem certa ordem nas coisas, colocando cada artista em seu galho. 

Aliás, vem por aí ainda um filme sobre metal extremo, anunciado pela empresa de Dunn, Banger Films, em julho, pelo Twitter. 

RÁDIO 89 FM - VOTAÇÃO!

Ricardo Alexandre, autor do livro Dias de luta, sobre o rock nacional dos anos 80, convida.

"Justiceiros, como vocês sabem, a Tudo Certo Conteúdo Editorial, em parceria com a Tambor Digital está cuidando do livro que conta a história da 89 FM de São Paulo. Entre os subprojetos relacionados, está essa monumental eleição direta, na qual o ouvinte escolhe as 10 melhores músicas de cada ano desde que a rádio entrou no ar, em 1985, dentro do universo do rock.

Basta se cadastrar aqui, votar e concorrer a ingressos para o Planeta Terra, Monsters of Rock e Summer Break Festival. Queria convidar os amigos a participar e a também divulgar - quanto mais gente votar, mais fidedigna fica a lista final, que será publicada em forma de playlist no livro e, em 2014, renderá uma série incrível dentro da própria rádio. Veleuzis!"

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O QUE VI NO ROCK IN RIO 2013

Fui à segunda semana do Rock In Rio inteira. Assisti a shows, vi o corre-corre na sala de imprensa, participei de coletivas, fiz (poucas) matérias de comportamento, disputei os concorridos computadores disponíveis para os jornalistas, disputei o próprio computador do jornal O Dia que levei para lá, escrevi sobre shows, vi várias apresentações... E o que tenho a dizer sobre os shows que mais me chamaram a atenção é o que segue abaixo.

NICKELBACK: A definição não é minha. Foi criada pelo jornalista André Forastieri para falar do som de uma banda audivelmente superior mil vezes ao Nickelback, o Charlie Brown Jr. O grupo canadense, que aportou no Rock In Rio armado de simpatia e canções fracas, faz "rock ligue-os-pontos". Sem esforço, sem graça, sem sacadas boas, parecem eternamente condenados a plagiar suas únicas músicas realmente interessantes, Too bad e How you remind me. A mistura de riffs pesados copiados de algum canto (e de vocais whoaaarizados como os de James Hetfield, do Metallica, e de Eddie Vedder, do Pearl Jam) atraiu fãs homens para a beira do palco na hora do show.

MATCHBOX TWENTY: Das bandas sem rosto, sem alma e sem classe que tocaram no dia do Bon Jovi, foi a que fez o melhor show - em clima Wando, só com mulheres na plateia e namorados arrastados. Mas não, não é legal.

ALICE IN CHAINS: O show pareceu meio subestimado: muitos jornalistas ignoraram e ninguém se impressionou especialmente. Longe da ponta dos cascos, fizeram um show correto, com bom set list e fazendo muitos se recordarem dos anos 90. Mas não tocar No excuses não tem desculpa.

BON JOVI: Já que esse show ainda vai ser reprisado mil vezes pelo canal Multishow, muita gente ainda vai ver. Muitos fãs tiveram a maior decepção das suas vidas com esse show. Jon Bon Jovi parecia aéreo, sofrendo daquilo que Lobão classificou como "sorrisos câimbricos". Encheu o repertório de músicas recentes, que não fazem tanto sentido para os fãs brasileiros. Empurrou o disco novo, Because we can, goela abaixo do público. Só acertou a mão nos grandes hits. E eu preferia Never say goodbye a Always (assim como gostaria de ouvir Someday I'll be saturday night e These days). Os músicos substitutos deram a entender que Richie Sambora e Tico Torres nem faziam lá muita falta.

GHOST: Os caras prometeram que o show iria ser uma experiência grotesca e blasfema. Vi o show inteiro e não enxerguei ninguém dançando xaxado com Herodes, jogando pedra na cruz ou salgando a santa ceia. Ouvi foi um proto-metal-progressivo sem técnica para tanto, mas com boa mão para climas mórbidos. Em pelo menos três músicas, se me dissessem que era o Kid Abelha disfarçado, que a Paula Toller estava no palco fantasiada de Papa Satânico, com o Bruno Fortunato e o George Israel mascarados, eu acreditaria. Do meu lado, muita gente se escangalhou de rir com o vocalista fantasiado de Papa mandando beijos. No fim, achei bem interessante. E Monstrance clock é boa, sim.

ANDRÉ MATOS + VIPER, DESTRUCTION + KRISIUN, HELLOWEEN + KAI HANSEN: Três putas celebrações da magia do heavy metal no último dia do Palco Sunset.

SLAYER: Um show para fazer ogro chorar. A homenagem ao guitarrista Jeff Hanneman, com vídeos antigos da banda, foi maravilhosa.

JOHN MAYER: Sim, o cara é bom. Toca guitarra sem palheta, tem um toque blues bem bacana, uma banda afiada e sabe fazer presepada sem cair no ridículo - como quando jogou a guitarra no chão e ficou dando uma de Jimi Hendrix.

SEPULTURA + TAMBOURS DU BRONX: Finalmente deu certo. No Rock In Rio 2011, atrasaram mais de uma hora para subir no palco. Dessa vez, tudo cronometradinho como um relógio.

SEPULTURA + ZÉ RAMALHO: Andreas Kisser prometeu lados-B do Sepultura para este show e cumpriu. Rolaram Propaganda, The hunt (cover do New Model Army) entre outras. E impressionante: o público camisa-preta, envergando suadas camisas do Slayer (que tocaria logo depois) adorou Zé Ramalho. Gritaram pedindo Avohai e "Gado Novôô" (Admirável gado novo). A versão de Ratamahatta com Zé no vocal ficou a cara da Nação Zumbi, bem como a releitura do "zépultura", como a trupe se denominava noas bastidores, para Admirável gado novo. Devia sair em DVD.

AVENGED SEVENFOLD: Uma mistura ruim de Dio + Black Sabbath com Dio + Iron Maiden + Deep Purple fase anos 80 + hardcore melódico. Anda atraindo até fãs com mais de 40 anos, que teoricamente já ouviram bastante os originais. Eu (39 anos) não embarcaria nessa. Ainda mais depois desse show chato.

PEPEU GOMES, MORAES MOREIRA + ROBERTA SÁ: Uma celebração do rock brasileiro, da MPB, da guitarra na MPB e da música brasileira dos anos 70. Quem não estava lá, perdeu. Moraes Moreira é que anda precisando cuidar mais da voz, já meio cansada.

CAPITAL INICIAL (vi pela TV): O discurso oco de Dinho - cheio de palavrões e frases vazias pontuadas por "cara" e "véio" - já foi folclórico. Hoje, passou dos limites, irrita e vai acabar fazendo o grupo perder fãs. Quem já passou dos 35 e ainda tem paciência para o Capital Inicial com certeza reavaliou suas opiniões sobre a banda depois desse show.

IVETE SANGALO (vi pela TV): Já vi gente ligada ao Rock In Rio defendendo a escalação de Ivete dizendo que "no Rock In Rio 1 tinha Elba Ramalho". Não, Ivete não é Elba, não faz boa figura quando abrigada debaixo do guarda-chuva do rock e não deveria estar no Rock In Rio. Ponto. Mas se, vá lá, ela tem mesmo que estar, vai aí a ideia: falta uma noite realmente populacha no Rock In Rio, com shows no Palco Mundo de nomes como Roupa Nova (nada contra e não é ironia, já aviso) e combinações malucas no Palco Sunset, como Zeca Baleiro + Odair José, Jota Quest + Fábio Jr (tudo a ver, na minha opinião), Preta Gil + Frenéticas e Benito di Paula + Emicida. Ivete pode ser a Beyoncé dessa noite. E aí mesmo é que vamos ver se os limites do evento são realmente elásticos.

SKANK: Absoluta competência, grandes hits e... muito siso e pouco risco. O Skank é uma banda que já fez votação com o público para definir que músicas encerrariam suas apresentações. Foram "eleitos pelo público" para serem a banda mais bem sucedida do segmento pop-rock dos anos 90, com vendagens astronômicas e leque de fãs que vai da galera que curte axé e sertanejo aos fãs de pop adulto. Até num festival em que as pessoas vão para ouvir hits, é possível ousar.

FREJAT: Um show meio desnecessário, com cara de bailão. Nada mais a acrescentar.

Não vi Bruce, nem Metallica, nem Iron Maiden. Meu horário no Rock In Rio começava às 14h30 e se encerrava às 23h


LAN LAN

Apostaria pouco, bem pouco, num disco solo da Lan Lan, aquela percussionista que tocou com a Cássia Eller. E que se tornou mais popularizada nos últimos tempos com os shows do chatíssimo Moinho (grupo meio axé, meio "dignidade e baianidade do samba de roda" que lotava espaços nos verões cariocas, em especial na Lapa). Mi, segundo álbum solo dela, acaba de sair pelo selo Lab 344 e revela um som diferente, misturando tons baianos, música étnica, sons eletrônicos, atitude musical pop (é experimental na medida certa e dá para tocar no rádio). Se fosse fazer uma resenha e se as cotações fossem de bola preta (ruim) a três estrelas (excelente, nota que não se dá à toa), daria elegantemente uma estrela (regular). Não ouviria mais de uma vez, não faz parte do que eu considero como música para ficar escutando várias e várias vezes, mas tem coisas interessantes ali.

Bati um papo com Lan Lan para o jornal
O Dia
e ela falou um pouco sobre o disco, sobre a Cássia, sobre Tim Maia (com quem ela tocou - aliás achei mais interessante falar sobre isso do que sobre a Cássia Eller, de quem ela já falou diversas vezes). Leiam aí (clique na imagem duas vezes para ler sem lupa).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ROCK IN RIO 2011: RECORDANDO

Em 2011 eu escrevia no Laboratório Pop, site que está de volta agora com novo visual, reformulado para a cobertura do prestigioso festival de música Mada, de Natal. Dentre os trabalhos que encarei pela frente lá no site, rolou de eu cobrir toda a quarta edição do Rock In Rio, naquele ano, dividindo as funções com o amigo Luciano Vianna.

Abaixo, alguns dos textos que fiz - entre entrevistas, resenhas de shows, etc.

HENRIQUE PORTUGAL - Uma conversa com o tecladista do Skank, que iria se apresentar no evento (e também toca na edição deste ano). Na época, Henrique iria levar bandas novas para se apresentar num horário vago no Palco Sunset. E aproveitou para falar da falta de contestação no rock nacional.

ROGÉRIO FLAUSINO - Uma conversa com o vocalista do Jota Quest (que acaba de se apresentar na nova edição e iria tocar naquela) sobre o show e sobre a debandada geral de grupos nacionais do Rock In Rio 3, entre outros assuntos.

FAMÍLIA DO ROCK - Toni Roqueiro, fundador do Barão Vermelho (Frejat entrou no grupo depois dele), tocou no Rock In Rio 2011 inteiro, na Rock Street, com a mulher e com a filha. Foi um dos campeões de apresentações daquele festival. Consegui achar o cara no backstage, antes de uma de suas últimas apresentações.

IVETE SANGALO - Minha opinião: Ivete Sangalo não é Elba Ramalho. Não, no Rock in Rio, pelo menos no Palco Mundo, não dá. O que achei do show dela no Rock In Rio de 2011 foi isso aí.

RENATO RUSSO SINFÔNICO - Achei isso aí da abertura do festival em 2011, com releituras sinfônicas para a obra da Legião Urbana.

CAPITAL INICIAL - Deve ser o melhor, mais apropriado e mais direto título que fiz na vida: um pouco sobre a apresentação do grupo brasiliense no Rock In Rio 2011.

GUNS N ROSES - Fiquei até 5h da manhã, no último dia de Rock In Rio 2011, tomando chuva na cabeça, apanhando vento e morrendo de dores nas pernas, nas costas, na cabeça e em tudo quanto é canto - com Axl Rose atrasando para subir ao palco. Tive que jogar meu tênis fora porque não ia ter saco de tirar aquela lama toda dos sapatos e não ia pedir para nenhum desgraçado fazer isso por mim. Descontando-se o mau humor, o que sobrou foi essa resenha aí.




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

RAIMUNDOS, "CANTIGAS DE RODA"

O rock nacional sumiu. Na década passada, equilibrou-se entre o pós-grunge de Pitty, o bom-mocismo de Los Hermanos, o mau-mocismo do Charlie Brown Jr. e as roupanovices de Fresno, NXZero e Capital Inicial. Caiu na vala indie e virou um troço amorfo, mais ligado à MPB e ao cabecismo low-fi do que ao que se entende como sendo rock, em meio a festivais independentes que geram muita discussão política e pouco debate musical. E morreu.

Ok, o parágrafo acima é dramático. É brega. É mal escrito - admito, escrevi às pressas. Mas não consigo contar essa história de outra forma, por mais que apareçam bandas bacanas por aí (poucas), que as gravadoras volta e meia lancem determinados grupos (muitos deles ruins), ou que muita gente ainda sonhe com uma guitarra elétrica como objetivo de vida. Odiaria assumir para mim o papel do conservador, do cara que só ouve coisas velhas, mas pode ser que o caminho seja este mesmo. Há muitos testemunhos a endossar. Um amigo meu, jornalista musical com décadas de experiência, foi recentemente analisar uma série de demos (em MP3) para uma rádio. Escutou a primeira, a segunda, a terceira, analisou de parte a parte. Deu-me o seguinte depoimento: "Cara, tudo gravado em casa, sem preocupação com peso, com mixagem ruim, sem preocupação de como vai soar em rádio".

Por aí, tem os Raimundos, maior sucesso do rock nacional dos anos 90, ainda na ativa, dando shows para públicos numerosos e preparando um novo disco - sobre o qual eles falaram um pouco comigo nesta semana, numa matéria que saiu aqui no
O Dia. A década em que eles surgiram tem várias faces: do pop-rock do Skank ao pop-rock do Pato Fu (e o do Rappa), até mpbices que poderiam ser agregadas ao guarda-chuva roqueiro (como Lenine), passando por Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Maskavo Roots. Pouco sobrou para contar história, numa queda do Olimpo tão brutal (minha opinião) para o rock nacional quanto as perdas de Cazuza, Renato Russo e Julio Barroso. E que passa pelo enxugamento do mercado musical, pela queda das gravadoras... enfim, coisa pra cacete.

Bom, chega de papo e leia aí a conversa com Digão, guitarrista e vocalista dos Raimundos. Junto, tem ainda um papinho com o fotógrafo brasiliense Patrick Grossner sobre o doc
Geração Baré-Cola, que conta a história do rock de Brasília dos anos 90 - e que fala bastante do comecinho de carreira do grupo.



RAIMUNDOS FALAM DO CROWDFUNDING PARA GRAVAR DISCO E SOBRE O ROCK
DE BRASÍLIA
Banda grava primeiro álbum de inéditas desde 2005, nos EUA
Publicado em O Dia em 1º de setembro de 2013

O rock nacional desapareceu da grande mídia. Mas os Raimundos, maior sucesso dos anos 90, estão por aí, tocando para plateias numerosas, reconstruindo a trilha que iniciaram há duas décadas e preparando o terreno (via crowdfunding, arrecadação de dinheiro com fãs) para gravar em setembro Cantigas de Roda, o primeiro disco de inéditas desde 2005, em Los Angeles, com produção de Billy Graziadei, vocalista da banda americana Biohazard.

“Quando o Rodolfo (ex-vocalista, hoje evangélico) saiu, havia curiosidade mórbida a respeito da gente. A gravadora (Warner) não ficou do nosso lado”, recorda o guitarrista e vocalista Digão, que toca com o velho amigo Canisso (baixo), Marquim (guitarra) e Caio (bateria). “Acham que ficamos fora de linha por causa da saída dele, mas na época todo mundo começou a baixar música de graça e o mercado acabou”.

O grupo ativou o crowdfunding no começo do mês, no site Catarse.me. A ideia era ganhar R$ 55 mil para as passagens, custos de estúdio e produção. Em uma semana, vieram mais de R$ 43 mil. Para os apoiadores, há contrapartidas que vão desde o disco em versão LP até ingressos com visita ao camarim para qualquer show em 2014.

“Estávamos decidindo como o disco seria lançado. Nisso, um amigo foi aos EUA e levou uma demo para o Billy dar um ‘tapa’. Adoramos e fomos procurá-lo. O Billy sugeriu o crowdfunding”, recorda Digão. “Conversamos com gravadoras. Mas se elas já tinham uma cabeça horrível, imagina agora? Só querem saber de Naldo e Anitta”.

As mudanças no grupo chegaram a levar Canisso, que saiu para tocar com Rodolfo no extinto Rodox e voltou em 2007. “Quando ele retornou, começamos tudo do zero. Hoje temos uma equipe de 13 pessoas”, lembra Digão. O set list está cheio de clássicos. “As velharias, tudo o que gostamos de tocar”.

Apesar da produção de Billy, Digão afirma que não quer fazer o disco “mais pesado” da banda — que já lançou a nova faixa Politics. “Tem para todos os gostos: punk rock, balada, até forró-core”, diz o cantor, lembrando do rótulo que os marcou. Zenilton, forrozeiro que deu hits à banda, retorna com O gato da Rosinha.

O guitarrista revela que Fred, ex-baterista do grupo, continua por perto. “Ele substitui o Caio às vezes e ainda somos amigos”. O ex-vocalista permanece afastado. “O Rodolfo que eu conheci não é esse aí. Nem tenho como conversar com ele”.

DIAS DE LUTA EM BRASÍLIA Lançado no festival brasiliense Porão do Rock, no fim de semana, Geração Baré-Cola, documentário de Patrick Grossner, traz a história do rock brasiliense dos anos 90 com nomes como Gabriel Thomaz (Little Quail/Autoramas), a banda punk DFC e os Raimundos. Rodolfo Abrantes, ex-vocalista que deixou o grupo em 2000, dá depoimento histórico e inédito. 

“Ele não ouve mais rock, não fuma, não fala palavrão, mas se refere com muito orgulho ao passado”, diz Grossner, 41 anos, que conheceu a cena de perto como fotógrafo. “É fácil pesquisar a história dos Raimundos pós-1994. Então focamos no começo”.

Trazendo imagens raras de figuras que já morreram — como o produtor Tom Capone e o guitarrista Fejão, ambos egressos dos anos 80 mas ativos na década seguinte — o filme expõe conflitos de geração.

“Mostrei o filme para o André Mueller (Plebe Rude) e ele não gostou de ver músicos falando mal da geração dele. Quem era do metal não ia gostar do Renato Russo, claro. Mas depois se animou com as bandas, até disse que se soubesse que Brasília estava assim, teria continuado lá”.

RIO FANZINE, 2008

Fica aí como registro a única matéria que fiz para o saudoso Rio Fanzine, do Globo. Achei lá no arquivo online do jornal. Saiu acho que em 2007.

O tema eram os problemas de saúde enfrentados pelo igualmente saudoso Fábio, do Garage. Quem puder bater este texto - tá pequeno, eu sei - e me mandar digitado, agradeço com orações. E boas energias para o Fábio, onde quer que ele esteja.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

XUXA: QUANDO A MPB MARCOU UM X

Vocês lembram desse texto aqui, que publiquei no meu blog há alguns meses?

O Leandro Souto Maior e eu decidimos dar uma aumentada nessa história dos compositores de MPB e pop nacional que compuseram para a Xuxa. Procuramos Roberto Frejat, do Barão Vermelho, Roberto de Carvalho (que não respondeu a tempo), Marcos Valle e Ronaldo Monteiro de Souza. Eles relembraram fatos bem legais da época em que a Xuxa gravou as canções deles - que saem relançadas agora na caixa Coleção Xou da Xuxa (Som Livre), reunindo os discos da Rainha dos Baixinhos lançados entre 1986 e 1992.

Fizemos uma matéria que saiu neste último domingo em O Dia. A entrevista com a Xuxa foi feita por e-mail. O curioso é que, vimos só depois, ela deixou de responder uma pergunta: "Xuxa, numa entrevista nos anos 90, você disse que não gostava do som da própria voz e que disco seu não tocava em sua casa, de jeito nenhum. Continua pensando assim?".


QUANDO A MPB MARCOU UM X
Caixa com discos oitentistas de Xuxa traz músicas de Frejat, Marcos Valle e Rita Lee
Publicado no jornal O Dia em 1º de setembro de 2013
por Leandro Souto Maior e Ricardo Schott

Xuxa conquistou (muito) dinheiro, amigos, amores, negócios, uma beleza física que resiste ao tempo e vários discos de ouro. Só não conseguiu reconhecimento da crítica como cantora. O curioso é que, nos créditos dos sete álbuns que lançou entre 1986 e 1992 — reunidos agora no boxe Coleção Xou da Xuxa — é possível achar vários nomes que ajudaram a fazer alguns dos mais preciosos clássicos da MPB ou do pop nacional.

“Sempre procurei me cercar dos melhores profissionais, mas normalmente os fãs não costumam ler os créditos de quem compõe as músicas”, admite Xuxa.

Ela gravou músicas de Roberto Frejat, Marcos Valle, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Ronaldo Monteiro de Souza (parceiro de Ivan Lins em músicas como Madalena, gravada por Elis Regina). “Não sei quem escolhia o repertório. Lembro que chegavam muitas músicas para eu colocar voz. As que combinavam mais comigo entravam”, lembra a Rainha dos Baixinhos.

Frejat emplacou Garoto problema, parceria com um colega no Barão Vermelho, o baterista Guto Goffi, logo no primeiro Xou da Xuxa, em 1986. “Inclusive agradeço à Xuxa por ter gravado essa música, que foi encomenda do Guto Graça Mello (produtor)”, ressalta Frejat. “O Barão estava em baixa, com um disco cheio de problemas de prensagem (Declare guerra, de 1986). Essa música ajudou a gente e a Xuxa acabou tendo um papel importante na sobrevivência da banda”. No mesmo disco, Rita Lee e Roberto de Carvalho traziam o rock Peter Pan.

Responsável por Vila Sésamo, uma das trilhas sonoras infantis mais populares dos anos 70, Marcos Valle encerrou o Xou da Xuxa Sete, de 1992, com América geral, parceria com Max Pierre e Claudio Rabello pregando a união das Américas. “O tema foi ideia do Max, porque a Xuxa estava conquistando uma audiência de crianças fora do Brasil”, pontua Marcos.

O campeão de hits na voz da cantora é Ronaldo Monteiro de Souza — coautor de músicas como O circo, Cobra, chapéu e palito e o sucesso O abecedário da Xuxa com amigos como Prêntice e Cesar Costa Filho. “Eu estava sem compor com o Ivan há décadas e tinha me desiludido com um projeto. Liguei para o Prêntice e propus mandarmos uma música para a Xuxa. Decidimos arriscar, pior do que estava não poderia ficar”, diverte-se o letrista, que ainda emplaca músicas em trilhas de novelas.

Deu liga a ponto da própria Xuxa, ele conta, ligar para pedir músicas à dupla: “Ela queria canções didáticas, aí mandamos Abecedário e Conte comigo, sobre aritmética”. Em 1990, veio Boto rosa, que acabou até na voz de Milton Nascimento (o cantor participou de um especial dela). “Essa, pensei: ‘Ou a Xuxa se apaixona ou chuta longe’. Não era para a voz dela”.

Todas essas músicas estão no boxe, além de um CD-bônus, Seleção fãs, que traz curiosidades como sua gravação de Garota de Ipanema, de Tom Jobim. O disco deixou alguns fãs chateados pelo baixo número de faixas raras. “Não dá para agradar a todos. Mas o gosto, a vontade deles, está ali”, crê a apresentadora. Na capa, Xuxa meteu-se no mesmo figurino e repetiu a pose do primeiro disco: “A foto foi tirada nos Estados Unidos quando eu era modelo. O disco foi feito em uma semana e a capa já deveria estar pronta. Só reparei que era um ‘x’ depois”.

BÔNUS: Não foi aproveitado na matéria, mas Tavinho Paes, um dos grandes poetas do rock nacional oitentista, parceiro de nomes como Lobão, também falou para a gente. Ele é autor de She-Ra, hit de 1986 da Xuxa, escrito ao lado de Joe Euthanazia (roqueiro popular na época, morto em 1989). Seguem aí as lembranças dele a respeito da música.

"She-Ra foi idealizada para ser uma bossa nova. Foi toda composta com aquela batida (é só ralentar o roquinho final, deixar cair o andamento uns quatro compassos, que sai a original). Esta música ainda há de ser regravada neste andamento, com a techno-bossa dando a pegada do charme-funk no fundo. E vai estourar! Até Luis Bonfá, uma vez, tocou e cantou essa música na batida original ... é vero!

O mais impressionante foi o dia em que eu e o Joe fomos receber o trimestre do ECAD no caixa da UBC (era sempre tão pouca grana que a gente ia pegar o cheque e descontar no banco em frente). Quase levamos um susto. Saímos do banco griladaços com uma bolsa hippie (daquelas de couro com alça longa - couro cru) cheia de grana. Eram cruzados num valor de mais de cinco dígitos!!! E nem titubeamos. Ali mesmo, na Avenida Rio Branco (Centro do Rio), entramos numa loja e compramos duas passagens para Nova York para dali a duas semanas. Passamos duas semanas para tirar o visto e embarcamos. Torramos US$ 15 mil sem pena em dois meses e meio de loucuras em Manhattan. Depois voltamos para pegar o trimestre seguinte.

She-Ra não foi feita de encomenda. Foi uma música que fizemos para minha filha, como presente de aniversário pelos seus 3 anos. Aliás, minha filha se chama Dianna Rosa. O nome veio do fato de eu ter me encontrado com Dianna Ross perto do dia que ela nasceu. Meus outros filhos são Elvis (nasceu no aniversário do Elvis) e Pedro Gabriel (em homenagem ao Peter Gabriel, que eu conheci em Nova York justamente nesta viagem)".

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

CHAMPIGNON



Muita gente deve ter ouvido falar disso apenas agora. Mas aconteceu em 2008. No período em que Champignon saiu do Charlie Brown Jr, ele montou a banda Nove Mil Anjos com Peu (guitarrista, ex-Pitty, se matou há alguns meses), Peri (vocal) e Junior Lima (ex-Sandy, bateria).

Resenhei o único disco na época em que saiu para o Jornal do Brasil. Acho que falei (ou talvez tenha sido o Braulio Lorentz, colega de redação) com alguém da banda. Não achei nenhum texto meu sobre eles online. Devo ter guardado na casa dos meus pais. Lembro que achei o som interessante (nenhuma obra prima, ok) e que algo na época me fez lembrar bastante dos Stone Temple Pilots, banda da qual gosto.





O mais próximo que o disco chegou de ter um hit foi essa música aí de cima, Chuva agora. Ganhou clipe e foi lançada em grande estilo no Video Music Brasil da MTV, naquele mesmo ano.

Ouvindo agora, lembra o Talk Show, projeto paralelo dos STP sem o Scott Weiland (e, enfim, sem um bom cantor) no vocal. E dá para dizer sem medo de errar que é melhor que 70% do que é feito atualmente no rock brasileiro.


Sem tempo de escrever um texto maior, isso aí vai como meu "descanse em paz" para Champignon - de fato, um grande baixista, e um cara que talvez precisasse de mais conversa e compreensão em seus últimos dias - e para o verdadeiro peso morto que virou o rock nacional, praticamente desconvidado do Prêmio Multishow e sem maiores novidades a apresentar mesmo no "maior festival de rock do Brasil".

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

DIA DO SEXO

Dia do sexo, é? Bom, há uns meses fiz uma listinha para a minha antiga coluna Ondas Sonoras, da revista Vizoo, com cinco músicas sensuais e mais cinco canções corta-tesão. Teste sua resistência usando as cinco últimas na sua comemoração particular da data, nesta noite. 

No final, ainda tem uma pequena listinha de bandas taradas. 

Gostaria de estar podendo escrever textos maiores, mas o excesso de trabalho não está deixando. Volto logo!


5 MÚSICAS SENSUAIS!

"I TOUCH MYSELF" - The Divinyls: Lançada nos anos 80, essa banda australiana gramou vários anos até conseguir estourar com esse sucesso, já na década de 90. A ode à masturbação (saca só o título) tem gemidos leves, versos sacaninhas ("não quero nenhum outro/quando penso em você, eu mesma me toco") e rolou direto na MTV, num clipe no qual as maiores atrações eram o decote e a performance da cantora, recentemente falecida, Christina Amphlett - além da presença de duas modelos cobertas por pouco pano.

"LOUIE LOUIE" - The Kingsmen: Composta pelo soulman americano Richard Berry, foi gravada por um sem-número de artistas - mas foi imortalizada mesmo pela banda americana dos anos 60. Tão imortalizada que o grupo chegou a ser investigado pelo FBI por causa da letra, que relata a volta de um marinheiro para casa, doido para ver (er...) sua mulher. Na época, circulavam versões bem mais picantes da música (que já era bem popular antes dos Kingsmen a gravarem) e, como não dava para entender direito o que o vocalista Richard Ely cantava, a censura se meteu.

"SISTER" - Prince:  Presente em um dos melhores discos do baixinho, Dirty mind (1980), a canção, quase uma vinheta (menos de dois minutos) fala do relacionamento nada comum de um moleque de 16 anos com sua irmã bem mais velha, de 32 ("ela não usa calcinha/minha irmã nunca fez amor com ninguém, só comigo/e ela é a razão da minha, uh, sexualidade"). 

"1 FLASH" - Max de Castro: O lado Prince do filho mais novo de Wilson Simonal fica claro nesta canção, incluída em seu debute Samba raro (1999). À letra, uma conversa mole sexual na linha de nomes como Barry White, são acrescidos samples de gemidos e ruídos de flashes de máquina fotográfica. No mesmo disco, outras pérolas, como Duas bailarinas e Onda diferente.

"LOVE IN A ELEVATOR" - Aerosmith: Um dos primeiros hits da retomada da banda, em 1989 (está no disco Pump, o mesmo de Janie's got a gun), narra o que se passou na vida do vocalista Steve Tyler quando ele decidiu cortar as drogas e recuperar o tempo perdido no quesito sexo. "Estava com uma garota no elevador de um hotel e chegamos a fazer sexo com as portas abertas", lembra o cantor, que vem ao Brasil em breve com sua banda.

5 MÚSICAS CORTA-TESÃO

"ECLIPSE OCULTO" - Caetano Veloso: Em 1983, aos 41 anos, Caetano Veloso gravou o disco Uns e decidiu fazer, numa canção, o relato de uma situação, digamos, muito comum na fase em que os cabelos começam a rarear. Na letra, uma broxada clássica é perceptível em versos como "não sou proveito, sou pura fama" e "mas na hora da cama/nada pintou direito". O Barão Vermelho a regravou, ainda com Cazuza nos vocais.

"LOVE WILL TEAR US APART" - Joy Division: Praticamente uma banda sem sexo em suas letras. Liderado por Ian Curtis, que se suicidou em 1980, o JD sempre carregou nas tintas do desespero e do desamor - e isso nunca esteve tão claro quanto em Love will..., retrato de uma relação em que nada mais tem graça. Nem ele mesmo, o sexo. "Por que o quarto está tão frio?/Você se vira para o seu lado", nota o cantor.

"HERE WE GO" - Shelter: Banda americana formada por straight edgers (aqueles punks que não fumam, não bebem e não usam drogas), o Shelter, por razões ideológicas e religiosas, é a favor do uso do sexo apenas para procriação. Em seu único sucesso de verdade, Here we go, fazem questão de delimitar tudo, falando de um casal que "usa o amor para o sexo e o sexo para o amor" e explicando, por metáforas, que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. "Ferro e ouro parecem iguais/ mas um é caro e difícil de se obter". Ah, bom.

"SEX KILLS" - Joni Mitchell: Autora de célebres protest songs, a cantora canadense resolveu tematizar os conflitos policiais em Los Angeles de 1992 (os mesmos que deram origem ao peso-pesado censurado Cop killer, do Body Count) numa canção que é uma tristeza só, com montes de versos de protesto, lamúrias, reclamações e um refrão lembrando que "sexo vende tudo, e sexo mata". Se estiver com o inglês em dia, jamais escute isso no momento do rala-e-rola.

"BASKET CASE" - Green Day: O primeiro grande hit deste trio punk americano, quando já contava com dois álbuns e alguns EPs na bagagem, foi essa música, de 1994. O personagem da letra, um pobre-coitado vivendo as agruras da adolescência, procurou ajuda profissional para superar seus problemas, mas não se deu bem. "Fui a um psiquiatra analisar meus sonhos/ele disse que a falta de sexo está me deixando mal/procurei uma prostituta/ela disse que minha vida é um tédio/e me falou para parar de reclamar porque eu estava um pé no saco".

5 BANDAS MEIO TARADAS

THE WHO:
O baterista do grupo, Keith Moon, curtia rituais sadomasô bem esquisitos e até reproduz uma cena dessas no filme The kids are alright, que documenta a história do grupo.


NYMPHS:
Liderada por uma menina doidona chamada Inger Lorre, a banda americana - conhecida nos anos 90 - protagonizou momentos absurdos em shows. Inger já fez sexo oral no namorado em pleno palco, sob chuva de garrafas da plateia.


PLASMATICS:
Grupo punk famoso entre os anos 70 e 80, era liderado por uma ex-atriz pornô, Wendy O. Williams.


STRANGLERS:
Banda punk dos anos 70, autora de letras com conteúdo sexista- algumas delas pérolas do machismo, como Peaches. Convidava strippers para subir ao palco de seus shows.


G.T.O.:
Grupo feminino, montado sob as asas de Frank Zappa e Captain Beefheart, que tinha em sua formação apenas groupies (aquelas doidas que correm atrás de bandas de rock) conhecidas da época. A mais célebre delas era Pamela des Barres, autora do livro Confissões de uma groupie.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MOSKA, ROCK IN RIO, ANGRY BIRDS, FUTEBOL


Fui à coletiva de lançamento do projeto que une o Rock In Rio ao Angry Birds, bati um papinho com o escritor e professor de literatura Fernando Miranda (que lançou o livro Cronicaturas de futebol) e outro papo com ninguém menos que Moska, que lançou o DVD Muito pouco para todos e fez show no Miranda (aqui no Rio) ontem.

Saiu tudo em O Dia.

Clique nas imagens para ler sem precisar usar lupa.

O Moska é outro que talvez valha colocar a entrevista inteira aqui...


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

GABY AMARANTOS

Gaby Gringa, programa que mostra os shows na Europa e EUA de Gaby Amarantos, está vindo por aí, no Canal Bis. Há alguns dias, fiz uma matéria sobre isso no O Dia. Confira aí.

NOVA YORK TREME
O carimbó e a dança do treme pelo mundo: as aventuras de Gaby Amarantos pelos Estados Unidos e pela Europa estão na série que o canal por assinatura Bis leva ao ar em setembro
Publicado em O Dia em 18 de agosto de 2013

Gaby Amarantos é conhecida como a Beyoncé do Pará. Mas, depois de suas andanças pelos Estados Unidos e Europa — que os fãs poderão acompanhar a partir de 19 de setembro na série Gaby Gringa (no canal Bis, às 19h) — dá para imaginar uma seguidora da paraense surgindo fora do Brasil, tamanha a receptividade que hits como Xirley e Ex mai love tiveram em terras estrangeiras. 

“Seria ótimo isso, né? Mas sempre vão me comparar com a Beyoncé. Ela é pop! Também falam que eu sou a Björk do Brega, a Lady Gaga do Jurunas (bairro de Belém)...”, graceja Gaby, um dos nomes brasileiros a lotar o Central Park no festival Summerstage, em julho. Ficou emocionadíssima ao colocar a plateia para tremer (a dança do treme é muito popular no Pará e deu título a seu disco de estreia, Treme, de 2012). “A cultura do Pará esperava por isso”, acredita.

Em Gaby Gringa, ela canta bastante — até jazz, durante uma visita ao clube Birdland, em Nova York, onde a diva Billie Holiday (1915-1959) iniciou sua carreira. Promove encontros com amigos como Maria Gadú, Emicida e Seu Jorge (“ele pediu para cantar um carimbó, falou que adorava!”, lembra), que também estavam a trabalho em Nova York. Mostra a galera do Harlem Samba (que toca o ritmo no famoso bairro negro de Nova York). Já na Europa, encara 40 mil pessoas na plateia de um festival de world music na Bélgica. 

O lado internacional de Gaby não para por aí: ela é a voz da campanha da Coca-Cola para a
Copa, com a música Todo mundo, ao lado do Monobloco. “Vamos lançar a música na Costa Rica em setembro”, diz. No mesmo mês, ela lança o clipe de Gemendo, gravado em Nova York. Mas volta em breve para o Pará, para gravar seu próximo DVD, ainda sem previsão de data. 

Ela também ataca no cinema: interpreta a si própria em Crô — O filme, que estreia no fim do ano, com direção de Bruno Barreto. “Dei risada o tempo todo. O Crô (personagem de Marcelo Serrado na novela Fina Estampa) vai sair em busca de uma nova Rainha do Nilo (como ele chamava sua patroa na novela) e eu sou uma das opções”. 

Muito ativa no Instagram e no Facebook, ela muda de visual sempre e vive postando fotos. “Volta e meia aparece alguém me criticando quando ponho uma peruca, um batom azul. As pessoas ficam se agredindo na internet, ‘trollando’ as outras, e precisam ser menos caretas, mais felizes. Levanto a bandeira da felicidade”, diz a cantora.

Ela riu bastante do vídeo em que o presidente da comissão de direitos humanos da câmara, Marco Feliciano, é sacaneado por dois rapazes que dançam Robocop gay, dos Mamonas Assassinas. “Ele tem que passar por esse tipo de constrangimento sempre, já que não quer largar o cargo”.
Com tanto trabalho, só não dá tempo é para namorar. “Estou solteiríssima. Já engatei vários relacionamentos, mas quero cuidar de mim e da minha carreira”, diz a mãe do pequeno Davi, 4 anos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ENTREVISTA: SÉRGIO PEREIRA COUTO

Na semana passada, bati um papo com o pesquisador Sérgio Pereira Couto, que estuda sobre sociedades secretas, rock, religiões e já escreveu livros sobre estes assuntos. O mais recente é O rock errou? - os maiores boatos, lendas e teorias da conspiração do rock, que saiu pela editora Matrix e que rendeu uma matéria que fiz para o jornal O Dia (leia aqui). Segue aí embaixo, para interessados no assunto, a conversa que tive com ele e que rendeu a matéria. Ficou bem legal e decidi, finalmente, cumprir minhas promessas e publicar um papo qualquer que tive para o jornal na íntegra. Curtam aí.

Como surgiu a ideia de fazer o livro? Eu trabalho muito com esse lado pitoresco da história. Essa coisa de teoria da conspiração e tal, mas eu estou sempre tentando desmistificar certos assuntos. Uma vez fui no programa do Jô Soares para dar uma expandida, falar sobre sociedades secretas. Cheguei a lançar um livro sobre os arquivos secretos do Vaticano. Consegui dar a cara que eu queria para o livro do rock, que é algo que eu pesquiso há muitos anos. Comecei cruzando fatos para saber o que é verdade e o que não é. Procurei analisar também a evolução dos boatos, entender o motivo de terem surgido tantos boatos - hoje já nem existem tantos. E tem muita coisa que é tida como boato e que aconteceu. Até hoje tem livro dando como boato a história de que Ozzy mordeu a cabeça de um morcego, e ele fez isso mesmo. A história do Kiss doando sangue para ser impresso junto à tinta de uma revista da banda, um gibi da Marvel, é verdade. Tem fotos deles doando sangue, que você vê na internet.

Tem a história de que o Paul morreu, que muita gente deve acreditar até hoje... Tem gente que briga comigo dizendo que ele morreu mesmo, que aquele que aparece na TV não é o Paul. Para saber a origem de tudo isso, fiz viagens ao exterior, conversei com gente de rádio universitária, com beatlemaníacos. Papo com beatlemaníacos é sempre complicado, né? É muito complexo você querer analisar a coisa por um determinado ângulo. Não é muito agradável você conversar com alguém tipo: "olha, dizem que o teu ídolo fez um pacto com o diabo pela fama dos Beatles" (como dizem que John Lennon teria feito). Tem gente dizendo que o Mark Chapman (assassino de John Lennon) sofreu lavagem cerebral da CIA, que ele ouviu vozes que mandavam matar o Lennon, ou que ele decidiu matar após ler o livro O apanhador no campo de centeio. Ou mesmo que o Ringo Starr teria feito um pacto numa encruzilhada para conseguir uma voz melhor para cantar, ou aquela coisa do clube dos 27 (que relaciona as mortes de diversos roqueiros aos 27 anos)... Há outros boatos que eu também pude verificar de perto, com aquele da noite em que a Angela, mulher do David Bowie, teria pego ele transando com o Mick Jagger. Eu próprio a entrevistei. Ela inventou isso, falou num programa sensacionalista mais para difamar o Bowie.

Você inclusive colocou boatos que envolveriam artistas nacionais, como o do Serguei e da Janis Joplin, que teriam tido um caso até hoje mal explicado... Para ver isso, tive que ir no arquivo da revista Trip, que tem fotos dos dois juntos no Rio. É uma história meio estranha mesmo até hoje...

Essas fotos estavam no arquivo do antigo jornal carioca Última Hora e nelas eles aparecem dando um "selinho". Bom, isso na época deles todo mundo fazia. É, e o Serguei acabou ficando mais famoso por ter seu nome relacionado à Janis Joplin do que pelo cantor que ele é. Outra história que todo mundo comenta é a dos Secos & Molhados. Volta e meia aparecem entrevistas do Ney Matogrosso dizendo "ah, fomos copiados pelo Kiss, a gente é que começou esse negócio de se maquiar"...

Que era uma coisa que muita gente fazia na época. Pois é, e tem que processar os dois, o Kiss e o Secos, já que quem começou com isso foi o teatro Kabuki do Japão. E conversando com conspirólogos, você tem que se preparar para tudo. Uma vez me mostraram uma foto do caixão do Elvis Presley. Ele mandou instalar um ar-condicionado no caixão dele! Devia ser uma extravagância qualquer dele. Você conversa com um conspirólogo e ele começa: "ah, ele forjou a própria morte! O Elvis era agente da CIA, era delegado de combate às drogas, daí ele forjou a morte para agir de acordo com a CIA", etc.

Uma coisa que me chocou em seu livro é que eu não sabia que existiam Sociedades de Observação de Elvis, que ficam procurando pistas de que ele esteja vivo. Você já conversou com esses caras? Já. Olha, com esse pessoal, como eu falei, você precisa estar preparado para escutar de tudo. É botar aquela máscara de "estou te levando a sério" e não expressar nada, porque qualquer coisa eles levam a ferro e fogo. Uma vez conversei com um cara que diz que viu o Elvis próximo a Graceland. E que ele estaria passando por um lugar onde em 1948 ele furou o pneu do caminhão. O espírito estaria ali reforçando que foi um lugar onde rolou acidente. É o tipo de coisa que nem dá para comprovar historicamente, fica mais como bate-papo de mesa de bar. Essas pessoas se interessariam muito por esse show que está rolando, com o holograma dele.

Do Jim Morrison, como ele só foi visto morto por duas pessoas - uma delas a namorada dele, que já morreu - rolam muitos boatos... Sim, sim. Eu conversei com uma pessoa, só para você ter uma ideia, que diz ter entrevistado o Jim em 1975 (o líder dos Doors morreu em 1971) num programa de uma rádio universitária a 1h da manhã. Ele disse que o cara mandou uma carta dizendo que iria lá, ele apareceu, deu um autógrafo e entregou uma cópia daquele disco Phantom's Divine Comedy, que o Jim teria gravado naquela época com músicos desconhecidos. Eu próprio fui alvo de uma história. Numa bela manhã eu estava em Paris e decidi acordar mais cedo do que todo mundo para achar o lugar em que Jim Morrison morreu. Fui lá, fiquei duas horas parado na frente do prédio para tentar achar o  apartamento onde ele morreu. De repente, lá pelas 8h da manhã, escuto um "excuse me", com sotaque francês. Era um velho, olhando para mim e apontando para a câmera. E falou: "terceiro andar, lado esquerdo". Foi o tempo de virar, bater a foto e depois o velho sumir! Claro que falaram: "ah, era o Jim, você não o reconheceu". Mas fora isso, já recebi muitas fotos em que aparece o suposto fantasma do Jim, ou mesmo fotos do túmulo dele no cemitério de Pere Lachaise onde há uma sombra que parece estar com os braços abertos (como ele na famosa foto de divulgação dos Doors).

Não há boatos sobre artistas que morreram recentemente? Olha, nunca escutei nada sobre fantasma do Michael Jackson, por exemplo (há boatos, sim). Mas tem aquela história do Ronnie James Dio (morto em 2010), soube? Uma banda chamada The Last In Line (formada por ex-integrantes da banda do roqueiro) estava tocando na Califórnia e durante a apresentação, surge no fundo do palco uma coisa que parece o fantasma do Dio. Mas ele é da velha guarda do rock e é mais fácil de criar uma teoria da conspiração (veja matéria e frames do vídeo aqui).

O que você acha desses sites que relacionam os Illuminati com Lady Gaga, com o Jay-Z e com outros artistas? Acompanha isso? Bom, eu acompanho porque sempre me pedem para fazer alguma palestra sobre o assunto. Eu só te falo uma coisa: não, os Illuminati não mataram Michael Jackson, não fizeram nada com a Lady Gaga, nada disso. Tenho três contatos lá dentro e sei o quanto isso é uma tolice enorme. É tão tolo quanto falar que eles têm contato com alienígenas. O que é existe é um movimento grande de artistas que buscam movimentos religiosos e esotéricos. Isso sempre aconteceu: antigamente todo mundo ia para a Índia e agora eles partem para uma coisa muito mais popularesca que é a Cabala. Illuminati não é bicho de sete cabeças e eles agem dentro da Maçonaria. São um grupo ligado à caridade e há muitos deles em Brasília. Eles não têm autonomia completa, agem supervisionados pelos maçons.