sexta-feira, 30 de agosto de 2013

SYLVIO FRAGA TRIO

Fica aí como registro o papo que bati com o músico Sylvio Fraga, que está com um CD novo e fez recentes shows de lançamento no Rio. Saiu na semana passada em O Dia.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

KITA

Um papinho que bati nesta semana para O Dia (exclusivo para online) com Sabrina Sanm, vocalista da banda carioca Kita, que se apresenta no fim de semana no festival Porão do Rock, em Brasília. O grupo canta em inglês e vem plantando sementes fora do Brasil, com shows no México, Argentina e Chile.



KITA RETORNA AO BRASIL E TOCA SEXTA-FEIRA NO PORÃO DO ROCK
Banda carioca começa turnê de lançamento do CD Twisted complicated world
Publicado em O Dia em 26 de agosto de 2013

Passada a experiência de abrir para o Paramore no Brasil, a banda Kita recomeça a agenda de shows e divulga o primeiro disco, Twisted complicated world. Baseado no Rio, o grupo já havia se apresentado em países como México, Argentina e Chile, e só tocou no Brasil na época dos shows com a banda americana. Agora retorna no festival Porão do Rock, em Brasília, durante o próximo fim de semana - toca na sexta (30).

"Antes mesmo do nosso primeiro álbum ficar pronto, fomos convidados para tocar na turnê 2012 do festival Maquinaria, que passou pela Cidade do México, Guadalajara, Buenos Aires e Santiago. Como esse festival é muito grande e tocamos na mesma noite de bandas como Deftones, Marilyn Manson e Slayer, entre outros, pudemos mostrar nosso trabalho para um público enorme e tivemos uma resposta excelente. Plantamos a nossa semente por lá e esperamos voltar em breve", diz a vocalista Sabrina Sanm, que divide a banda com Renato Pagliacci (guitarra), Jayme Neto (guitarra), Guilherme Dourado (baixo) e Kelder Paiva (bateria).

O grupo não teve muito contato com o Paramore durante a turnê, por sinal. "Dia de show é sempre muita correria. Nos cruzamos algumas vezes no backstage, mas foi só isso mesmo", relata a cantora.

Antes de formarem a banda, Sabrina mantinha apenas sua carreira solo, com dois CDs gravados, inúmeros shows e muitas composições espalhadas inclusive por CDs de outros artistas.

"Eu e Renato estávamos compondo em inglês apenas para extravasar uma necessidade de fazer algo diferente musicalmente do que vínhamos fazendo, daí surgiu o Kita". A banda ainda estava em formação quando Renato passou a tocar com o cantor Jay Vaquer e lá conheceu o baterista Kelder Paiva, que integra o time ao lado de Guilherme Dourado (guitarra, ex-Reverse) e Jayme Neto (também guitarra).

O som tem o mesmo peso da carreira solo de Sabrina, mas com toques mais eletrônicos, em canções como Feel it e The only one - e teve o requinte de ser masterizado no estúdio novaiorquino Sterling Sound.

"Fizemos uma grande pesquisa antes de masterizar. O processo todo foi feito pela internet", diz a cantora.

O grupo não leva em conta o fato de que bandas brasileiras que cantam em inglês dificilmente têm grande sucesso no Brasil.

"Por ser em inglês, o Kita é um trabalho que pode ser ouvido naturalmente em qualquer lugar do mundo e esse sempre foi nosso objetivo. Como somos brasileiros, temos vontade de fazer shows por aqui também. Desistimos de tentar entender o mercado musical no Brasil. Estamos fazendo o som que acreditamos, e é claro, esperamos que as pessoas gostem", diz Sabrina.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O ROCK ERROU

Bati um papo com o escritor e pesquisador Sérgio Pereira Couto sobre o novo livro dele, O rock errou?. O tema do livro são as lendas, conspirações e teorias absurdas que envolvem o universo do rock - coisas bizarras como o fato de terem instalado um ar condicionado no caixão de Elvis Presley (!), ou de ninguém ter visto o corpo de Jim Morrison até ele ir para o caixão, ou de ter gente que tem tempo e saco para ficar procurando pistas de que Elvis, morto em 1977, está vivo.

Sérgio tem livros publicados sobre sociedades secretas, estuda profundamente o assunto e é um cara excelente para uma conversa desinteressada sobre esses temas - tanto que o papo ia durar uns 20 minutos e durou quase uma hora. Sempre prometo publicar as conversas que tenho com meus entrevistados na íntegra aqui no blog e nunca faço isso. Dessa vez prometo fazer até semana que vem, beleza? Ficou realmente bem legal.

Por enquanto peguem aí a matéria sobre o livro (e sobre alguns outros assuntos) que saiu em
O Dia (e, sim, fiz merda e o ano de nascimento do Jim Morrison saiu errado, consertei aí embaixo).


LIVRO DESVENDA HISTÓRIAS FAMOSAS DO ROCK, COMO O BOATO DE QUE ELVIS
ESTARIA VIVO
O rock errou? — Os maiores boatos, lendas e teorias da conspiração do mundo do rock fala sobre os mistérios do gênero
Publicado em O Dia em 27 de agosto de 2013


O jornalista paulista Sérgio Pereira Couto já esteve com — acredite — sujeitos que rastreiam pistas de que o cantor Elvis Presley (1935-1977) está vivo. As Elvis Sighting Societies (Sociedades de Observação de Elvis) atuam em vários países. E são uma das curiosidades que ele expõe no livro O rock errou? — Os maiores boatos, lendas e teorias da conspiração do mundo do rock (Ed. Matrix, 216 págs., R$ 37).

“Conversando com conspirólogos, você tem que estar preparado para ouvir de tudo”, diverte-se Sérgio, pesquisador de rock e de sociedades secretas (sobre as quais já escreveu vários livros). “Há aquelas famosas lendas de que o Paul McCartney teria morrido num acidente de carro em 1966. Tem gente que discute comigo e diz que o Paul morreu mesmo!”. A tal lenda está no livro e, como se sabe, teria uma pista: a capa do disco Abbey Road (1969), dos Beatles, na qual o sósia que teria substituído Paul está descalço (o que, para muitos, representa a morte).

“Para chegar a desmentidos sobre certas lendas, conversei com pesquisadores, fãs, DJs de rádios americanas. Também analisei a evolução dos boatos”, relata Sérgio, que se interessou pelo assunto em 1980, quando o beatle John Lennon morreu. “Li um artigo sobre um pacto com o diabo que ele teria feito. Achei o autor do texto e discuti com ele as incongruências daquilo”.
A tal “caça ao Elvis” tem lá seus fundamentos. E em situações bizarras, mas que são verdade. “Instalaram um aparelho de ar-condicionado no caixão do Elvis. Uma pessoa me mostrou fotos disso. Devia ser uma extravagância qualquer dele. Só que você fala com um conspirólogo e ele começa: ‘Ah, Elvis forjou a própria morte!’”, afirma, rindo.

Pois é, nem tudo é lenda, como O rock errou? também explica. Sim, o Kiss mandou imprimir um gibi da banda em que o sangue dos integrantes misturou-se à tinta — há fotos em que a banda aparece doando sangue. E há muitas mentiras, como a de que Mick Jagger e David Bowie teriam sido pegos pela então mulher deste último, Angela, fazendo sexo. “Ela desconfirmou. Eu mesmo já a entrevistei”, diz.

O livro cita teorias que envolvem nomes nacionais, como a de que Renato Russo (1960-1996) teria sido outro a forjar a própria morte. Mas o grosso do material vem de nomes como Jim Morrison (1943-1971), dos Doors, cujo corpo, após o óbito, foi visto apenas pela namorada e pelo médico que o atendeu.

“Já vi várias fotos que mostram o suposto fantasma dele. O engraçado é que, quando fui à porta do prédio em que ele morreu, em Paris, para tirar fotos, um velhinho me cutucou e disse em inglês, com sotaque francês: ‘Terceiro andar, lado esquerdo’. Depois, olhei para trás e o velho tinha sumido. Claro que todos me falaram que era o Jim”, recorda.

A nova fornada de boatos envolve a sociedade secreta Illuminati, supostamente envolvida com nomes do pop. “Eles não são nenhum bicho de sete cabeças nem têm nada a ver com a Lady Gaga ou com a morte de Michael Jackson, como falam. Eles são ligados à maçonaria, fazem ações de caridade e, sim, há muitos deles em Brasília”, conta.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ZÉ RAMALHO E SEPULTURA

Nunca havia ido ao escritório no qual rola toda a operação para botar o Rock In Rio de pé. É na Barra da Tijuca, num daqueles prédios high-tech. Tem uma sala de reuniões maravilhosa que mais parece um palco envidraçado, um telão, uma guitarra-símbolo do festival com mais de dois metros de altura, etc. E foi lá que, na semana passada, o grupo de heavy metal Sepultura e o cantor Zé Ramalho fizeram uma coletiva para falar um pouco do show que vão fazer juntos no Palco Sunset do Rock In Rio. 

Os dois já haviam cantado juntos Dança das borboletas, música de Ramalho e Alceu Valença, numa trilha de filme. A bem da verdade, há muito de metal em Zé Ramalho (um cara que já cantou sobre deuses e demônios, tema de boa parte das canções do Iron Maiden, em músicas como A peleja do diabo com o dono do céu) e muito de nordeste e raízes no grupo mineiro (que já tangenciou o forró em temas como Kaiowas e Attitude). Não surpreende tanto assim a união dos cinco no palco do Rock In Rio, pelo menos para mim - e acredito que vá ser legal.

Confira aí a matéria que fiz em O Dia no último domingo, sobre o assunto - e que traz ainda alguns detalhes sobre o disco novo do Sepultura e comentários de Andreas Kissser, guitarrista da banda, a respeito da vontade de seu ex-colega Max Cavalera de estar no doc que preparam sobre o grupo. A foto é do amigo José Pedro Monteiro.


SEPULTURA E ZÉ RAMALHO RELEEM REPERTÓRIO DO CANTOR EM TONS PESADOS
"Fui arrastado para a música pelo rock", lembra Zé, que vai se apresentar com a banda de heavy metal no Rock in Rio
Publicado em O Dia em 26 de agosto de 2013


"Meus músicos nem vão estar no palco. Só eu e o Sepultura. Estou bem enterrado com eles”, brinca Zé Ramalho. Em 22 de setembro, o cantor nordestino e o grupo de heavy metal encontram-se no Palco Sunset do Rock in Rio. Mas que ninguém imagine Zé soltando a voz em hits do grupo como Dead embryonic cells.

“Ele vai fazer Ratamahatta com a gente. É uma canção (do disco Roots, de 1996) cuja letra é num português criado pelo Carlinhos Brown”, diz o guitarrista Andreas Kisser. “Por enquanto é a única nossa, mas os ensaios ainda não aconteceram. Queremos fazer canções dele como Jardim das acácias”.

De certa forma, o rock sempre esteve ao lado de Zé Ramalho. “Fui arrastado para a música pelo rock”, lembra. “Quando jovem, ouvi Beatles no rádio e aquilo me deu uma agonia, uma vontade de tocar... Depois é que descobri a música nordestina”.

Sepultura e Zé Ramalho aproximaram-se em 2003, quando recriaram a lisérgica Dança das borboletas (de Zé e Alceu Valença) para o filme Lisbela e o prisioneiro, de Guel Arraes. A música será apresentada no festival.

“Foi tudo feito na hora. O Derrick (Green, vocalista da banda) começou a berrar umas palavras em inglês e parecia que o mundo ia desabar!”, diverte-se Zé. O Sepultura estará também no Palco Mundo, no dia 19, com o Tambours du Bronx. E pela primeira vez o Rock in Rio tem duas noites do estilo. “Mas ainda existe muito preconceito contra o heavy metal, que nunca é lembrado para eventos como o Criança Esperança. Ele tem um público numeroso, que vota, tem influência”, diz Andreas. Zé Ramalho concorda e lamenta: “Os programas de TV estão muito voltados para a música que toca em novelas”.

O DISCO NOVO Em outubro, o Sepultura lança seu 13º CD, The mediator between the head and hands must be the heart, precedido de uma regravação de Da lama ao caos, de Chico Science & Nação Zumbi, cujo single será lançado para o Rock in Rio. A produção é de Ross Robinson (Korn, Slipknot) e traz a estreia em estúdio do baterista Eloy Casagrande.

“O nome foi tirado do filme Metropolis, de Fritz Lang , e representa o que a gente vive hoje. Estamos cada vez mais robotizados”, diz Andreas. O Sepultura também lança em breve um documentário com sua história. Ao O DIA , o ex-vocalista Max Cavalera disse que vai dar seu depoimento. “Bom, o que ele é e o que ele diz na imprensa são coisas diferentes. Mas esperamos que ele e a Gloria (mulher de Max e ex-empresária) falem. Ela foi fundamental para a banda”, diz Andreas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

MAX CAVALERA, SOULFLY

Derrick Green, que canta no Sepultura desde 1997, é legal. O grupo sem Max Cavalera e liderado pelo superguitarrista Andreas Kisser (e pelo cantor americano), também. Mas Max, ex-cantor do grupo mineiro, atualmente liderando o Soulfly e o Cavalera Conspiracy, é o cara. Quem já o viu ao vivo, não esquece, e sabe que é um daqueles shows em que, embora não aconteça nada demais, tudo pode acontecer. Nesta terça, tem mais uma chance: ele traz o Soulfly para tocar no Circo Voador, aqui no Rio. A noite vai ser aberta pelo Suicidal Tendencies, banda da qual confesso não conhecer nada além de algumas músicas do Lights, camera, revolution (disco clássico de 1990).

Confiram aí embaixo a conversa que tive com o cantor na semana passada para
O Dia - e que foi complementada por um pequeno papo com Andreas, do Sepultura, no dia seguinte, e sobre o qual falo amanhã.

Para ler direto na matéria, clique duas vezes nas imagens.


MAX CAVALERA FALA DAS ORIGENS DO SEPULTURA E LEMBRA LOUCURAS DA ESTRADA
Prestes a tocar no Circo Voador com sua banda Soulfly, o ex-Sepultura anuncia novo álbum e conta toda sua história em livro, sem economizar nos detalhes
Saiu no O Dia em 22/08/2013

Você já vomitou na perna de um artista e, sem se abalar, em seguida pediu a ele um autógrafo? Max Cavalera, líder do Soulfly e ex-vocalista do Sepultura, já. A vítima do cantor — que toca no próximo dia 27 no Circo Voador, em show aberto pelos americanos do Suicidal Tendencies — foi Eddie Vedder, do Pearl Jam.

“Foi numa tour do Sepultura com o (grupo americano) Ministry. Os caras do Ministry estavam tomando heroína e eu estava tipo bêbado chato”, relata. “Sentei do lado do Eddie Vedder e vomitei na perna dele. Depois falei: 'Acho sua banda muito tosca, mas dá um autógrafo para minha irmã, que é sua fã?’. E ele deu!”.

Essa e outras histórias estão na biografia de Max, que ele faz há três anos ao lado do escritor John McIver, A boy from Brazil. O livro está previsto para outubro, sai no Brasil pela Agir, e tem prefácio de David Grohl, do Foo Fighters. O título da edição brasileira será Max Cavalera.

“Dei mais de mil horas de entrevista. Falamos da minha infância, da minha família. Muita
gente não sabe, mas minha bisavó era índia. Isso está no livro”, afirma. Ele recorda também o começo do Sepultura em Belo Horizonte (MG) . “Lembramos da rixa com o Sarcófago, outra banda de metal de lá (liderada por Wagner Lamounier, primeiro vocalista do Sepultura, com quem Max brigou). Se você era fã de metal em BH, tinha que escolher o nosso lado ou o deles”.

O Soulfly vem a bordo do próximo disco, Savages, previsto para outubro. É o primeiro do contrato da banda com o selo alemão Nuclear Blast — de cujo elenco faz parte também o Sepultura. O ex-grupo de Max prepara o álbum The mediator between the head and hands must be the heart e um documentário, Sepultura do Brasil, repassando a carreira. Max, fora do grupo desde 1996, ainda não foi procurado para dar depoimento.

“Mas se me chamarem, vou adorar”, diz Max que, com Marc Rizzo (guitarra solo), Tony Campos (baixo) e o filhão Zyon Cavalera (bateria), relembra hits do Sepultura ao lado das canções do Soulfly e de outra banda sua, o Nailbomb.

A saúde do vocalista vai bem. No último show do Soulfly no Rio, em fevereiro de 2012, ele estava com parte do rosto imóvel por causa de Paralisia de Bell. E cantou assim mesmo.

“Não atrapalhava, só fiquei com a cara toda torta. O médico disse que minha disposição em continuar a turnê ajudou na cura”, recorda ele, que mantém também o Cavalera Conspiracy, banda na qual toca com o irmão Iggor Cavalera, também ex-Sepultura. Mesmo morando há anos nos Estados Unidos, Max acompanha o Brasil e gravou até um vídeo de apoio às manifestações. “A Gloria (sua mulher e empresária) disse que os fãs pediram pelo Facebook que eu falasse”.

Voltando às aventuras dele com o Ministry, elas ainda duraram. “Naquela noite, dormi abraçado com a garrafa de (uísque) Jack Daniels. Só que um roadie foi tentar tirá-la de mim e levou uma garrafada. O cara levou dez pontos, mas depois me desculpou”, diz. Um período que já passou. “Não tomo mais nada, nem bebo mais. É bom estar careta. Já era para estar morto e tive uma segunda chance”.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

RISOS PELA WEB

Há alguns dias, consegui fazer uma matéria que queria escrever há tempos: ver quais eram os grupos de humor que estavam por aí, fazendo esquetes no YouTube e provocando risos na internet, além do magistral Porta dos Fundos. E tentar entender, um pouco, como isso virou uma opção de trabalho para humoristas novos. Apareceu uma sugestão de pauta bem interessante com o grupo Ixi Deu Merda - que fez a paródia Bonde das Matemáticas - e decidi aproveitar a carona para descobrir quem mais estava fazendo isso. É muita gente, e muita gente engraçada. Confira o texto e os PDFs da reportagem que saiu no O Dia.


HUMOR NA REDE

Não é só o Porta dos Fundos: outros canais do YouTube conquistam fãs. Vídeos de esquetes de humor divulgam novos profissionais e são a razão de existir de novas e ambiciosas produtoras.
Publicado em O Dia em 28 de julho de 2013



Humor agora se faz no YouTube — ainda mais depois do campeão de cliques Porta dos Fundos, com as estrelas Clarice Falcão, Gregório Duvivier e Fábio Porchat. Grupos como o Ixi Deu Merda e o Parafernalha alavancam carreiras e trazem novas perspectivas de trabalho para atores, redatores e diretores que querem fazer a galera rir. 

Com humoristas espalhados por bairros como Campo Grande e Realengo, o Ixi Deu Merda conquistou mais de 4 milhões de views com o vídeo Bonde das Matemáticas, uma paródia do Quadradinho de oito, do Bonde das Maravilhas.

“A gravação foi na Praia Vermelha, na Urca, e fomos reconhecidos por muita gente! Viramos atração turística”, brinca Cezar Maracujá, 24 anos, um dos atores e roteiristas do grupo. Ele e sua trupe rebolaram fantasiados de colegiais e chamaram para participar até um amigo professor — Rafael Procópio, dono de um canal que mistura humor e didática no YouTube, o Matemática Rio.




O Bonde das Matemáticas já foi exibido no Programa da Eliana, no SBT, e ganhou elogios rasgados da funkeira Anitta. “A gente acaba fazendo sucesso entre quem odeia funk e entre quem ama. Os artistas do funk também adoram as brincadeiras. E já teve funkeiro me pedindo: ‘Pô, faz paródia com a minha música!’”, revela Cezar.

Em 2009, bem antes do Ixi, ele e Rafael Portugal, 28, um de seus sócios no canal (com Edu Pereira, 31, e Alan Ribeiro, 25) já haviam parodiado os batidões nos vídeos Os funkeiros também amam e Como nascem os funks, no grupo de humor Os Bilugas. A trupe lucra com o YouTube, já que o Google (que mantém o portal) paga aos que têm grande número de visualizações. Mas a principal renda vem de espetáculos de stand-up — em 16 de agosto, o Ixi Deu Merda vai à Lona Gilberto Gil, em Realengo.


Já o Parafernalha é da produtora (de mesmo nome) de um popstar da internet — o ator e apresentador Felipe Neto, 25, sucesso em 2010 com o videoblog Não Faz Sentido. Cezar e outro humorista do YouTube, Daniel Curi, 29 (autor da série Ainda Não Temos Vinheta) escrevem e atuam no canal, que reúne mais de três milhões de assinantes rindo, até o momento, com vídeos com o da paródia do filme Tropa de elite (com atuações de Maracujá e Curi). 

“É difícil fazer humor na TV, ela é referendada pelo anunciante. Tem muito humorista bom que vai para lá e tem dificuldade de fazer rir. É tudo controlado por executivos que não têm ideia do que o jovem quer ver. E as pessoas querem ver humor com alfinetada, opinião, posicionamento”, analisa Felipe. Ele mantém a ParaMaker, que agencia canais do YouTube em parceria com a americana Maker Studios.

De São Paulo vêm mais novidades. O grupo O Que Tem Pra Hoje faz sucesso com esquetes como Entrevista de emprego e o campeão Eu quero dar — este, o diretor Paulo Leierer, 28, nem considera um dos melhores vídeos da galera.

“Acho que pelo título e por ter atrizes bonitas, ele fez sucesso. Mas nem está no nosso top 5”, afirma ele. O canal, que já tem espaço na TV fechada (passa todos os dias das 18h à meia-noite, nos intervalos, na estação Comedy Central, da Sky), foi bolado até bem antes do sucesso do Porta dos Fundos. “Demoramos para colocá-lo no ar. Os canais de esquetes surgiram em paralelo, havia muitas ideias rolando. E acredito que todos bebemos na mesma fonte, o grupo americano College Humor”, conta.

O mais recente sucesso do YouTube vem também de São Paulo. A produtora Gengibre Multimídia conseguiu, em dez dias, mais de 150 mil views de Hospital Feliciano Maravilha, vídeo que satiriza a cura gay. O custo da produção foi modestíssimo: nada mais que R$ 300, gastos em táxi e comida. 

“Fizemos de brincadeira e nem esperávamos esse retorno. Tem gente pedindo até que vire uma série”, diz o roteirista, ator e diretor Munir Kanaan, 34. “O Porta dos Fundos abriu, sem trocadilho, muitas portas para quem quem explorar o YouTube. Já havia muito público para isso”. 

Aliás, e o Porta dos Fundos ? Com mais de quatro milhões de assinantes, a turma começa a filmar Porta dos Fundos — O filme em outubro, com direção de Ian SBF. Em agosto, lança o livro Porta dos Fundos, com os roteiros dos vídeos.

“Ajudamos a abrir os olhos do público. Todo mundo passou a vasculhar esse tipo de conteúdo na internet. Quem entra nessa, tem só que levar a sério a fidelização do fã: ter periodicidade, se organizar como empresa”, recomenda o humorista Fabio Porchat, do grupo.


AGORA TUDO FAZ SENTIDO De um estúdio nos fundos da casa da avó, no Engenho Novo, até o sucesso no YouTube, com direito a 3,7 milhões de visualizações a cada novo vídeo postado. A história do canal Não Faz Sentido é esmiuçada pelo próprio Felipe Neto (acima, de marrom, com a turma do Parafernalha) no livro Não Faz Sentido — Por trás da câmera, que sai em agosto (ed. Casa da Palavra, 272 páginas, R$ 34,90).

“É uma versão detalhada de tudo aquilo que aconteceu. Quando o Não Faz Sentido explodiu, vi que ia ter um prazo de validade. O formato, que eram vídeos nos quais só eu aparecia, não dava para mudar muito”, lembra Felipe. “Resolvi criar a produtora Parafernalha para dar chance a vários artistas juntos de uma vez só e explorar outras possibilidades”.

domingo, 4 de agosto de 2013

E AE, LUAN SANTANA, DE BOA?

Fui para Itu (SP), aquela terra em que tuuuudo é grande, assistir à gravação do DVD do Luan Santana - parte da gravação, na verdade, porque o vídeo está passando por uma verdadeira turnê, que foi já para vários estados e ainda tem escalas fora do país. Depois da gravação, rolou um papo inaproveitável de três minutos, dividido com uns 50 jornalistas - não deu para aproveitar nada e decidi recuperar numa conversa posterior. Saiu essa matéria aí, publicada em O Dia há algumas semanas.

Ficou legal, juro. Leia mesmo se odiar Luan Santana.



PELOS QUATRO CANTOS DO PAÍS
Show de Luan Santana em Itu, realizado no mesmo espaço que abrigou o festival SWU, ganhou clima de rave
Publicado em O Dia em 22 de julho de 2013


A caravana de Luan Santana não para. O próximo DVD do cantor, com lançamento previsto para novembro — e ainda sem título —, já teve gravações no Rio, Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Recife (PE), Mossoró (RN) e Itu (SP). E vem mais: o sertanejo de 22 anos vai gravar flashes e making ofs fora do Brasil. Ele cantou ontem no Brazilian Day, em Tóquio (Japão), e faz turnês em Portugal e na Suíça, em outubro.

“No DVD, queremos trazer um pouco de cada cidade e mostrar a força do nosso público pelos quatro cantos do Brasil”, diz Luan, feliz com a repercussão do EP Te esperando. E da música-título, uma balada cuja letra, em tom irônico, fala de um sujeito que faz tudo (tudo mesmo!) pela mulher amada.

“O Brasil é romântico. Que bom que Te esperando faz parte disso”, alegra-se o cantor. A letra do hit, que já foi comparada à exagerada Esse cara sou eu, de Roberto Carlos, lembra mesmo é o romantismo pós-adolescente e brincalhão das músicas de Clarice Falcão. Mostramos o vídeo de O que eu bebi, da cantora, e o jovem sertanejo se anima. “Tudo a ver! O amor é entrega sem esperar para ter algo em troca”. 

Os preparativos do DVD ocorrem em meio a situações-limite do rompimento com o
empresário Anderson Ricardo de Souza (agora, o cantor sertanejo Sorocaba cuida sozinho de sua carreira). Luan e a namorada, Jade Magalhães, 19, permanecem grandes alvos dos paparazzi. A menina, que é estudante de moda, se mete bastante nos figurinos de shows do cantor. “A Jade é ótima. Uma das calças que mais gosto foi presente dela”, diz.

RAVE DO SERTÃO Itu, a cidade onde — diz a lenda — tudo é grande, ganhou clima de rave para receber Luan. A gravação aconteceu no dia 7 na Arena Maeda, onde já foi realizado o festival SWU, com direito a enormes cenários coloridos. No palco, um telão gigantesco, um elevador e, por alguns minutos, um sofá — para o qual levou duas fãs, em momentos diferentes. Acompanhando as manifestações do Brasil, bandeiras de todos os estados foram levantadas pelos fãs durante a música Dance (A hora é agora).

“As manifestações foram o grito de ‘basta’ do povo brasileiro. Fiquei orgulhoso. As bandeiras representam cada estado em que cantei. E por que não representar também essa luta das pessoas?”, questiona Luan. Ele escolheu Itu por razões históricas. “É o lugar em que começou o processo que conduziria à proclamação da república”, ensina.

Pelo número de bandeiras levantadas, Luan Santana já pode dizer que conquistou todo o país. Já nos bastidores da apresentação, quem conquistava corações era sua irmã, a estudante Bruna, 18. De vestido azul e pernas de fora, a moça ganhou espaço no noticiário nos dias seguintes ao show.

“Minha irmã é linda, não é? Os fãs a adoram, ela é a estrela da família”, alegra-se.