sexta-feira, 17 de maio de 2013

STEPHAN PEIXOTO


Falei com Marcelo D2 há algumas semanas (Nada pode me parar, seu CD novo, em minha opinião, é seu melhor disco) e em 2011, bati um papo com o filho dele, Stephan Peixoto, que agora assina Shain e participa do novo álbum do pai. Ele estava para se apresentar na festa Luv, dedicada ao hip hop, que iria acontecer no Espaço Acústica, na Lapa, e conversou comigo por telefone. Saiu no Laboratório Pop.


RE-LOADEANDO
Filho de Marcelo D2, Stephan abre caminhos no rap com sua banda Start, mas sem brigar com a sombra do pai: "Ele é meu ídolo!"
Publicado no Laboratório Pop em 07 de abil de 2011

Stephan Peixoto, 18 anos, filho do rapper Marcelo D2, já havia startado (opa!) sua carreira musical alguns anos antes de montar sua banda, o Start. Depois de cantar Loadeando com o pai, publicou músicas solo no MySpace (entre elas um tema chamado Sim, nós temos jazz), trabalhou na produção de D2, fez dupla com o rapper Akira Presidente e, ao conhecer os rappers Shock e Faruk nas batalhas de MCs que haviam na Lapa, acabou iniciando um trabalho de letrista e botando sua banda na rua, com o acréscimo posterior do DJ paulista Alves. 

Os shows começaram a aparecer e, na seqüência, o grupo começou a disponibilizar seu material na internet - em músicas fortes no retrato do dia-a-dia urbano, como Catete, Fim de semana (na qual retratam um encontro de rappers cariocas na Lapa) e outras. Neste sábado, sobem ao palco da festa de hip-hop carioca Luv, no Espaço Acústica. O cara que apareceu dividindo um hit com o paizão quando era pouco mais do que um criança bateu um papo com o LABORATÓRIO POP e falou sobre sua banda e sobre a relação com o pai.

LABORATÓRIO POP: De onde veio a galera que toca com você no Start?

Stephan Peixoto: O Shock e o Faruk já tinham a dupla deles antes de eu entrar na banda. Eles faziam umas jams. Conheci o Shock nas batalhas que tinham na Lapa, através de amigos em comum. E comecei a fazer uns beats no computador, de hobby mesmo. Eles disseram que a gente podia fazer algo juntos e, quando vi, já estava todos os dias com eles. Os moleques começaram a botar pilha para eu escrever umas paradas e, já que estava fazendo quase tudo com eles mesmo, começamos a trabalhar juntos. Nessa, vimos: "bom, agora a gente tem uma banda". O Will, que é DJ do meu pai, recomendou o Alves, que é de São Paulo e já estava começando a aprender um monte de coisas com ele, com o KL Jay. Daí resolvemos chamá-lo, já que ele estava começando e nós também. Isso foi lá por 2007.

Loadeando, que você gravou com seu pai, começa com "o jogo começou, aperta o start/na vida você ganha, você perde, meu filho, faz parte". Difícil não ver no nome da sua banda alguma referência…

Tem, tem sim. Na real, o nome surgiu de um estalo, o Shock que deu o nome. A gente estava lá em casa, já tinha até algumas músicas, mas não tinha o nome da banda ainda. A gente, por estar sempre ali jogando videogame, conversando, fazendo uns raps, ele falou: "então porque é que a gente não coloca Start?". Demorou, vamos colocar!

Você curte ainda tanto videogame quanto diz na letra de Loadeando ("se o assunto é Playstation/tudo bem é contigo")?

Sempre que eu tenho tempo eu jogo, mas hoje não tenho o tempo que eu tinha quando era mais moleque. Mas gosto pra c...

O rap de São Paulo se refere muito aos bairros dos quais vêm os rappers e vocês também têm um pouco disso. Uma das músicas de vocês se chama Catete

Eu só não morei no Catete seis meses na minha vida, quando fui morar em Maria da Graça. Nasci ali e fiquei a minha vida inteira, ainda moro com minha mãe, tenho todos os meus amigos ali. É aquela coisa do rap, de você representar o seu bairro e eu carrego isso. Em SP, tem muito aquela coisa de Zona Norte e Zona Sul, que é em outra escala…

Você nasceu em uma família pobre, que foi prosperando à medida que seu pai foi ficando famoso. Como você viu esse progresso todo que sua família teve e como ficava o Stephan criança e adolescente em meio a isso?

Eu tive uma oportunidade de crescer, mas foi bom ter entendido o outro lado, para poder ter consciência das outras coisas e não deixar nada subir à cabeça. Teve uma época que eu sei que foi difícil pra c…, mas nunca foi nada triste. Nunca rolou de ninguém ficar reclamando, dizendo "ah, que merda de vida". Até porque minha família sempre foi muito unida. Nem tenho muita lembrança dessa época, até porque… sei lá, eu ando pela mesma rua. Só que hoje tenho facilidade para pagar as contas e colocar comida no prato. No mais, continuo a mesma pessoa. Minhas lembranças são de soltar pipa no Flamengo, no Aterro, andar por ali de skate…

Quais são as lembranças que você tem da prisão do teu pai, em 1997?

Foi complicado porque eu estava fazendo aniversário e ele me ligou para dar os parabéns (da prisão). Foi estranho no dia. Mas na época, ele estava viajando pra c…, não tínhamos tantos encontros. A gente conversou na época, eu entendo o lado dele, foi tudo na normalidade. Sempre foi um negócio muito tranqüilo, de ele e minha mãe virem falar comigo, mas é meu pai, claro que fico do lado dele. Meu pai é um ídolo para mim. Além de ter o lado de família, ele ainda teve um êxito foda numa parada que eu gosto. Então tem essas duas imagens, de ele como pai e como artista.

Seu pai, numa entrevista na época do Planet Hemp, disse: "Se meu moleque fumar maconha, entra na porrada!" Essa cena já aconteceu?

Não, nada, que isso! Não briga nada, ele é tranqüilo quanto a isso. Se ele falou, falou brincando. É raro meu pai brigar comigo. Também nunca dei motivo, mas ele sempre dá umas idéias maneiras.

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