sexta-feira, 31 de maio de 2013

WAGNER & BEETHOVEN

Gostei muito de fazer essa matéria, que achei outro dia buscando coisas antigas minhas do tempo do Jornal do Brasil pelo Google. É uma entrevista com o autor da tirinha Wagner & Beethoven, que, usando fotos chupadas da internet, faz graça com os dois compositores eruditos, e em vários momentos, inclui outros nomes vetustos da arte na parada. Hoje a série brinca também com imagens de filmes, nomes da cultura pop... enfim, todo um universo que se iniciou a partir da piada inteligente com dois gigantes da música. Leia aí.


"WAGNER & BEETHOVEN" FAZ GRAÇA SURREAL COM OS AUSTEROS AUTORES
Publicado no Jornal do Brasil em 19 de abril de 2009


Nada de música erudita. Quando se digita Wagner e Beethoven no Google, a primeira coisa que surge é o endereço do blog no qual o jornalista e desenhista Mauro A. publica as aventuras concebidas a partir de antigas imagens em preto & branco da série Wagner & Beethoven - O cânone da música erudita ocidental é pequeno demais para nós dois, cara. Criada em maio de 2008, a série traz os compositores Richard Wagner e Ludwig Van Beethoven envolvidos em diálogos surreais, que satirizam temas como a política e o mundo das celebridades.

Um dos diálogos dos compositores, por exemplo, é entremeado por trechos de músicas como Garota de Berlim (Tokyo) e Dança da manivela (Asa de Águia). Em outro, Beethoven ameaça tocar Pour Elise, e é repudiado por outros autores. Outros nomes vetustos também surgem nas aventuras, como o escritor Edgar Allan Poe (que surge apresentando o talk show Poe Onze e Meia). Uma desconcertante viagem pelo tempo, que tem conquistado milhares de fãs.

As tirinhas podem ser lidas em www.apostos.com.br/wagnerebeethoven (Não mais). Mas já vêm aparecendo regularmente na revista Playboy e também em publicações como a Bravo! O êxito só não animou o blogueiro a revelar sua verdadeira identidade. Mauro prefere que seus colegas de trabalho que ele está envolvido com quadrinhos.

"Prefiro nem falar sobre o que realmente faço no meu dia-a-dia, não é nada de muito interessante", brinca o artista, que desde que pôs a dupla W&B no ar, limita-se a pescar fotos na internet e nunca desenhou um único traço. "Tinha algumas ideias para uma tira de humor, mas não tinha a habilidade, o tempo ou o espaço para fazer no modelo tradicional. Então fiz uma experiência num blog. Agora o resultado é mais bem acabado, mas ainda é feito de forma picareta".

Mauro escolheu os compositores por causa da seriedade que ambos evocam. E cita seus autores favoritos em matéria de humor:


"Em quadrinhos, o principal nome é o Laerte. Nada do que ele faz é ruim, ou fácil, ou sem inspiração. Também devo ter sido influenciado por Woody Allen e os finados Planeta Diário e Casseta Popular. Mais o Planeta do que o Casseta, até".

O humor de Wagner & Beethoven não deixa de ser politicamente incorreto, até por lidar de maneira debochada com um estilo de música carregado de seriedade. O blogueiro-humorista não se preocupa com as potenciais polêmicas.

"Tenho uma prima violinista que adora o W&B. Ela mostrou o blog a alguns colegas músicos e eles não gostaram muito da ideia. Não acho que seja possível alguém ser tão sensível a ponto de ficar ofendido com aquilo", acredita.

Mauro também faz sucesso com o blog Cearenses Internacionais, só com fotos de pessoas mundialmente conhecidas cujas imagens revelam traços físicos típicos de nordestinos, buscadas pelo próprio blogueiro ou enviadas pelos leitores. Entre os selecionados pelo blogueiro estão Mahatma Gandhi, os cineastas Pier Paolo Pasolini e Quentin Tarantino, Yoko Ono e os atores Mickey Rourke e Christina Ricci. Boa parte das sugestões vem de moradores do próprio Ceará.

"Pouquíssimas pessoas viram o blog como algo preconceituoso. Tenho recebido e-mails até de gente que acha que o blog combate o preconceito, ao mostrar que estrangeiros loiros de olhos azuis também podem ter cara de cearense", afirma o humorista.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

AGORA SIM, COM SACANAGEM

O Restart lança seu novo clipe, Cara de santa. A música continua aquela que você já conhece. Mas o clipe talvez indique que o público do grupo já cresceu um pouquinho e evoluiu da mais completa falta de sacanagem ao comportamento daquele menino que ficava "tão só no antigo banheiro", do qual falava Gonzaguinha. Confira o vídeo aqui e leia um papo que bati com um deles, o Pe Lu, para O Dia, nesta terça (28). Clique duas vezes na foto para ler.

domingo, 26 de maio de 2013

BELCHIOR, VANUSA E BYAFRA: SUMIÇOS E REAPARECIMENTOS ESTRANHOS


A matéria abaixo saiu na edição 3 da Billboard Brasil, essa aí do lado. Foi logo depois que rolaram o sumiço de Belchior, o vazamento do vídeo de Vanusa cantando o Hino Nacional no YouTube e o aparecimento do vídeo de Byafra levando um parapente na cara enquanto cantava o hit Sonho de Ícaro - rolou em algum canto do ano de 2010 e trata desses assuntos. 

De lá para cá, Belchior apareceu-reapareceu-desapareceu. No começo do ano foi noticiado que ele queria retomar a carreira e o cantor ressurgiu numa estranha entrevista a um jornal gaúcho, durante uma passagem por Porto Alegre. Houve muita gente que disse inclusive que Belchior não desapareceu, que isso foi uma afronta da mídia, uma invenção de um bando de jornalistas mal-intencionados etc. Bom, tire suas próprias conclusões. 

Vale lembrar que de lá para cá Vanusa retomou a carreira, fez comerciais e vem anunciando novos lançamentos. Byafra chegou a fazer shows em lugares como o Bar do Tom, no Leblon e também protagonizou comerciais na base da autogozação.





QUANTO VALE O FACTOIDE?
Artistas como Belchior, Vanusa e Byafra reapareceram recentemente na internet ou na televisão em situações, no mínimo, inusitadas – e experimentaram uma volta à mídia. Mas o que aconteceu com a demanda por eles depois disso?

“A hora do Belchior voltar é essa. Se demorar, esfria”, diz, enfático, o empresário Célio Silva, que trabalhou com o cantor cearense num dos períodos mais movimentados e mais sui generis da vida do artista: de 1997 a 2007, durante o qual, afastado das grandes gravadoras (lançou apenas o CD duplo Auto retrato, em 1999, pela BMG, hoje Sony Music, e depois retornou aos álbuns independentes) mantinha uma agenda lotada que o levava a fazer três, quatro shows por semana, quase sempre com plateia acima de 5 mil pagantes. Uma época de loucura que Célio não repetiria. “Foram dez anos sem férias. Foi desgastante. Às vezes ele me ligava de madrugada para falar de trabalho”.

O desaparecimento do artista, percebido em agosto por uma heroica reportagem assinada pelajornalista Mariana Filgueiras no site Palma Louca – que acabou pautando, no domingo seguinte, o Fantástico, responsável por espalhar o meme para todas as pessoas – poderia passar até por um factoide armado pelo próprio cantor para poder reaparecer na mídia. E houve até quem acreditasse nisso. Mas é o próprio ex-empresário que dá a entender que o caso de Belchior - que, semanas depois, foi seguido pelos reaparecimentos dos cantores Byafra e Vanusa, em situações não lá muito bacanas de se ver, só que graças ao YouTube - se fosse armado não daria tão certo. Valeu então esse factoide que não foi factoide?

Para Célio, valeu. “Se ele voltar agora, volta com cachê bem mais alto, pode lotar o Citibank Hall. Paga todas as dívidas e ainda ganha grana. Creio que ele esteja mal assessorado hoje”, diz Célio, deixando claro que Belchior, pouco antes de desistir de tudo, já vivia bem. “O cachê dele, em média, valia uns R$ 25 mil, R$ 18 mil, em torno disso, em 2007. É mais ou menos o mesmo que os cachês de cantores como Fagner, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo. Mas dependia do evento. O Belchior era um trabalhador incansável. Dava shows, pintava, era sócio de uma editora, dava palestras”.

Ei, palestras? Sim, Bel, como costuma ser chamado, era costumeiramente chamado para falar sobre seus tempos de estudante de medicina no Ceará, em congressos de médicos. Nessas ocasiões, tocava, falava e expunha seus quadros. Mas há cerca de dois anos, tudo mudou. “O Belchior era um cara alegre, chegava no escritório rindo, contando piadas. Foi ficando triste. O comportamento dele mudou. Percebi que ele queria se afastar. Ele foi mudando o celular, o e-mail, queríamos marcar uma reunião para fechar nosso ciclo de trabalho mas nunca conseguíamos. Meses depois, fiquei sabendo dessas histórias nada agradáveis que aparecem hoje nos jornais”. Em paralelo a isso, a Som Livre lançou em 2008, a coletânea Sempre, que quase não saiu porque ninguém da gravadora conseguia achá-lo. Célio, procurado pelo selo global, localizou o cantor (depois de suar muito para encontrá-lo) e garantiu essa, além de encaixá-lo no Programa do Jô, numa constrangedora entrevista. 

A Warner, gravadora pela qual o músico gravou mais discos, também sentiu os efeitos do chá de sumiço que o autor de Paralelas (sucesso com, adivinhe só, Vanusa, em 1977) tomou. Positivamente e negativamente. “Temos uma coletânea, Super 3, com três CDs contendo os maiores sucessos do artista. No dia seguinte após a reportagem do Fantástico, a procura aumentou consideravelmente”, diz a coordenadora de marketing estratégico da Warner Music Brasil, Fernanda Brandt. Por outro lado, a gravadora planeja lançar uma coletânea mista de Fagner e Belchior em fevereiro e não consegue. “Precisamos pedir a autorização para o uso do nome dele na capa e não temos como entrar em contato com ele”.

A situação, digamos, nada gloriosa que Belchior passou em público (aparecer devendo R$ 18 mil para um estacionamento público, além de ser acusado de deixar cheques-borracha em estabelecimentos, e deixar os filhos, parentes e um de seus melhores amigos, o advogado e compositor Jorge Melo, sem saber de seu paradeiro), diz Célio, passou batida para muita gente. Convidado a ir a programas como o Superpop da Luciana Gimenez, na RedeTV!, o ex-empresário diz que encontrou muitas pessoas favoráveis ao cantor. 

“No dia seguinte ao Superpop, me paravam na rua, falavam coisas como 'Se o Romário pode, porque não o Belchior?'. Uma senhora até me disse: 'foram lá acabar com o sossego dele...'. E muita gente que não o conhecia falava coisas como 'quem é esse cara? Que som é esse?' Ele ganhou um novo público”, afirma. “No dia seguinte ao Fantástico, o telefone do meu escritório não parou de tocar o tempo todo, todo mundo querendo saber onde poderia encontrar o Belchior. Agora, o complicado disso tudo é que ele desapareceu mesmo, inclusive depois dessa reportagem. Ele deu uma reaparecida no Uruguai e depois sumiu de novo. Ninguém sabe dele”.

Já Jorge Melo não acredita em desaparecimento. “Essa é uma palavra criada pela Globo. Na minha cabeça, essa situação é absolutamente normal. Cat Stevens, no auge do sucesso, resolveu sair de cena e se dedicar à cultura e à fé do Islã. E agora aparece com um CD com canções religiosas. Isso não tem nada de estranho”. Mas concorda que é chegada a hora de Belchior limpar seu nome na praça, reencontrar os fãs e lucrar com seus (muitos) hits. É só o velho rapaz latino-americano botar os bigodes para fora de casa e a coisa vai. 

“Durante o período em que fomos sócios (dividiram o selo Paraíso discos) ele era procurado todo dia. E havia gravadoras e empresários atrás dele todo o tempo. Ele fazia shows de segunda a segunda. Era uma loucura. Nunca lhe faltava serviço. Hoje, todo dia sou procurado para indicar onde ele está para que lhe possam contactar para shows. Imagino, pelo que me ligam, que ele faria shows todo dia”, completa.

E O ÍCARO CAIU DO CÉU É, minha agenda de shows aumentou depois do vídeo... Não, acho que tá até a mesma coisa, faço shows normalmente por todo o país da mesma forma. Mas é claro que tem toda uma geração que não me conhecia que chegou até meu trabalho”, diz o cantor romântico dos anos 80 Byafra, outro sumido (embora não “desaparecido”) relembrado nos últimos meses. Em meados de setembro, um vídeo com uma imagem sua cantando seu maior hit, Sonho de Ícaro, na cercanias do Museu de Arte Contemporânea, em Niterói (RJ), onde mora, acabou virando o maior hit do YouTube, com mais de 200 mil visitas. O vídeo era uma piada pronta, que parecia igualmente um factoide. Mas não era: um parapentista desastrado, no momento em que o cantor entoava os versos da música (conhecida pelos versos “voar voar, subir, subir”), fez o contrário do que diz a música. Voou em sua direção e o atingiu com o parapente. 

Apesar de ter sido gravado e divulgado como viral do documentário Alô, alô Teresinha, de Nelson Hoineff, sobre a vida de Chacrinha, não era armação. “Não teria nem como, porque coisas armadas não fazem sucesso. Mas claro que depois que me avisaram que ia entrar no filme e virar viral, pensei: 'esses caras tão de sacanagem...'”, diz, rindo, o cantor, que acaba de gravar um DVD. Da mesma forma que aconteceu com os amigos de Belchior, o telefone de Byafra não parou de tocar após a quarta-feira em que a equipe de Hoineff postou o vídeo. E reconhece que os convites para os programas de TV dobraram. Mas, mesmo curtindo o circo, tratou de se preservar. “A gente só vai nos programas em que dá para cantar, além de mostrar o vídeo. Ir na TV é bom, é visibilidade. Mas o Pânico na TV queria que eu fosse lá para ficar de brincadeirinha e eu não quis. Nada contra, porque os humoristas são eles, não eu. Mas se for só o vídeo, já tem o filme que mostra isso, todo mundo está careca de saber”.

Já para Vanusa, uma das raras cantoras jovemguardistas a, nos anos 70, fazer, com sucesso, um crossover com a MPB, lançando autores como Zé Ramalho e o próprio Belchior, o reaparecimento súbito no YouTube não desceu tão bem. Em março, a cantora havia sido contratada para cantar o Hino Nacional no Primeiro Encontro Nacional de Agentes Públicos, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Errou toda a lera do Hino – e atribuiu sua desorientação ao fato de ter tomado dois comprimidos para labirintite. Quando o vídeo foi descoberto meses depois, e colocado no YouTube, a cantora estava de cama, após três cirurgias na clavícula. 

“Meu advogado me aconselhou a não ver TV, não entrar na internet, não atender telefonemas e não conversar com ninguém sobre aquilo”, diz a cantora, que afirma ter perdido shows por causa do vídeo. “Acabou me prejudicando. Meu empresário me disse que sente dificuldade de me vender. Tenho shows marcados para novembro e dezembro, mas perdi um show porque o contratante ficou com medo de eu cair no palco. E não sou alcoólatra nem uso drogas. Em 41 anos de carreira, nunca tive um escândalo. Hoje estou evitando fazer TV, só topei fazer o (programa do) Gugu, mas me contaram que em outros programas teve um monte de merda, gente fazendo chacota”.

Passados alguns meses, Vanusa diz que consegue até rir com o vídeo. “Diria que seria cômico se não fosse trágico. E qualquer um de nós é passível de erros. Sei que de qualquer maneira ele chegou a muita gente, foi visto até em Portugal”, conta. “Mas emocionalmente, foi ruim. Fui a um restaurante outro dia com umas amigas e um rapaz na mesa do lado me viu e começou a cantar o Hino Nacional. Uma amiga minha queria jogar um copo na cara dele. Foi algo que me prejudicou. Mas passa. E ficar parada foi bom para repensar”, diz a cantora, que em clima de bola pra frente, prepara um CD e um DVD. E aguarda espaço para mostrar hits como Manhãs de setembro.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

FALA AÍ, MICHEL TELÓ. BELEZA?

Fui a SP esta semana entrevistar Michel Teló (volte aqui, não fuja!) para O Dia. Ele está lançando um CD/DVD novo, Sunset e nem pensa em fugir da sombra de seu maior hit, Ai, se eu te pego. A canção é citada no álbum. Ele continua cantando a música normalmente. Acabou de receber um prêmio por ela. O disco novo segue numa linha mais romântica, mas tem umas canções de "balada" - Levemente alterado bate na mesma tecla da bebedeira que tem sido tão criticada por várias pessoas, mas que é uma tônica da música caipira desde... desde... bom, há muito tempo (sabe Moda da pinga, da Inezita Barroso? Pergunte a seu avô). Não passei a achar Ai, se eu te pego uma música boa, calma. Mas Teló é um entrevistado que vale ser lido. A matéria saiu na quarta e tá aí. Clique duas vezes na foto para ler. Assim que der, ponho aqui a entrevista na íntegra.

CYRO MONTEIRO, SABE?

No domingo, no O Dia, saiu uma matéria minha lembrando dos 100 anos que Cyro Monteiro estaria fazendo em maio deste ano. Fica como registro e está no texto: o compositor, sambista e pesquisador Nei Lopes fez uma apresentação no Instituto Moreira Salles, na Gávea, lembrando o repertório gravado por Cyro. O "Formigão", como era conhecido, morreu há 40 anos, em 1973). Foi homenageado várias vezes por Vinicius de Moraes, que o considerava "um abraço em toda a humanidade" e o citou na letra do célebre Samba da bênção, composto ao lado de Baden Powell. Chico Buarque o pôs em nome de música, Ilmo. Cyro Monteiro ou receita para virar casaca de neném, referindo-se ao hábito que o cantor tinha de presentar os filhos recém-nascidos dos amigos com camisas do Flamengo.


Cyro foi o maior representante de uma escola de samba sincopado, definido por muitos como "telecoteco", com supressões de sílabas na hora de cantar, palavras cantadas como se fossem onomatopéias, muito balanço. Hoje é pouco lembrado, uma pena. Sérgio Cabral (o pai), um dos entrevistados para essa matéria que fiz, me falou algo que não coube, infelizmente, no texto: "A vida é assim mesmo. Músicos morrem e são esquecidos, as pessoas começam a substituí-los por gente nova. Jornalistas também são esquecidos". O tempo ajuda a esquecer, mas enquanto dá, a gente ajuda a lembrar. Clique na foto duas vezes para ampliá-la e ler sem precisar de lupa.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

FABRÍCIO BOLIVEIRA EM "FAROESTE CABOCLO"

Faroeste caboclo, o filme, estreia no dia 30 de maio. Eu já assisti ao filme na cabine. Em breve minha opinião sobre ele sai no jornal O Dia, onde orgulhosamente sentei praça em abril. Uma das matérias que já saíram por aí sobre o longa dirigido por René Sampaio, e que leva para as telas a música composta por Renato Russo - e gravada em 1987 pela Legião Urbana - foi este perfil do Fabrício Boliveira, que interpreta (muito bem, por sinal) o João de Santo Cristo no filme. Passei duas horas com ele conversando sobre o filme, sobre sua carreira, sobre o papel e sobre vários outros assuntos. Saiu no O Dia há alguns dias. Clique nas fotos duas vezes para ler.



Uma noite antes dessa entrevista, eu estava voltando da redação do jornal com o LP Que país é este 1978/1987, da Legião - que tem Faroeste - emprestado, para levar para fazermos algo com ele nas fotos da matéria (clicadas por Felipe O´Neill). Cruzei com um garoto de uns doze (doze!) anos, que ouvia música num tocador de MP3 e berrava (isso mesmo, berrava) a letra de Faroeste, na parte do "e o Santo Cristo há muito não ia pra casa". 


Quase matei o moleque do coração: peguei ele pelo braço, mostrei o vinil e fiz uma entrevista bem rápida com ele. E o convidei para ir comigo na entrevista com o Fabrício. Peguei o telefone da mãe, do pai, liguei para a mãe dele e ela infelizmente não liberou o filho para ir à entrevista. Ainda me disse, não muito satisfeita, que sempre recomendava a seu filho não falar com estranhos.

Bom, compreensível. Se eu fosse pai, também não gostaria que um barbado abordasse meu filho na rua. Mandei uma mensagem dizendo para ela me procurar se mudasse de ideia e, como iria sair uma matéria minha no dia seguinte, disse a ela para comprar o jornal para pelo menos ter certeza de que eu era mesmo jornalista e não era nenhum doente mental que abordava crianças na rua com más intenções. 


Teria sido legal fazer a entrevista ao lado de um personagem desses: um garoto de doze anos que começou a ouvir a banda por causa da família e que iria conhecer o cara que daria vida, na tela, ao personagem que ele estava acostumado a ouvir na música. E seria uma solução boa para fugir do esquema viciado de "saiu um disco, um filme, um livro, vamos entrevistar o cantor, o diretor, o autor, etc". Mas até que o resultado ficou legal.

sábado, 18 de maio de 2013

E AÍ, FAFÁ, TUDO NA BOA?

Nos passos de Roberto Carlos,que fez recente sucesso com um EP, Fafá de Belém acaba de lançar um disquinho de quatro faixas, Amor e fé (Universal). Antevendo a visita do Papa Francisco I ao Brasil), o disco é voltado para a fé católica - mas ainda inclui um clássico da música latina, Gracias a la vida, de Violeta Parra. Bati um papo com ela para O Dia em que ela falou do disco e recordou um pouco de sua fase como "musa das eleições diretas", nos anos 80. Clique duas vezes na foto para ler.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

VINTE ANOS DE MÍMICA

Isso aqui não é agenda cultural, mas lá vai: neste fim de semana, o Centro Teatral Etc e Tal comemora seus 20 anos com três peças gratuitas, lidando - como sempre - com a tríade teatro-humor-mímica. Sim, mímica: os caras lidam há duas décadas com uma forma de arte que parece até meio desaparecida por aqui (apesar de ser um estilo ultrapop - até David Bowie trabalhou com isso), mas que eles fazem questão de localizar em meio à nossa arte popular. 

Fiz uma matéria sobre eles, que saiu essa semana no jornal O Dia, onde trabalho.  Ok, o texto é factual pra burro, mas achei interessante pra cacete e coloquei aqui. Fica aí como sugestão de tema de matéria para você, meu camarada freela. Clique duas vezes na imagem para ler.

STEPHAN PEIXOTO


Falei com Marcelo D2 há algumas semanas (Nada pode me parar, seu CD novo, em minha opinião, é seu melhor disco) e em 2011, bati um papo com o filho dele, Stephan Peixoto, que agora assina Shain e participa do novo álbum do pai. Ele estava para se apresentar na festa Luv, dedicada ao hip hop, que iria acontecer no Espaço Acústica, na Lapa, e conversou comigo por telefone. Saiu no Laboratório Pop.


RE-LOADEANDO
Filho de Marcelo D2, Stephan abre caminhos no rap com sua banda Start, mas sem brigar com a sombra do pai: "Ele é meu ídolo!"
Publicado no Laboratório Pop em 07 de abil de 2011

Stephan Peixoto, 18 anos, filho do rapper Marcelo D2, já havia startado (opa!) sua carreira musical alguns anos antes de montar sua banda, o Start. Depois de cantar Loadeando com o pai, publicou músicas solo no MySpace (entre elas um tema chamado Sim, nós temos jazz), trabalhou na produção de D2, fez dupla com o rapper Akira Presidente e, ao conhecer os rappers Shock e Faruk nas batalhas de MCs que haviam na Lapa, acabou iniciando um trabalho de letrista e botando sua banda na rua, com o acréscimo posterior do DJ paulista Alves. 

Os shows começaram a aparecer e, na seqüência, o grupo começou a disponibilizar seu material na internet - em músicas fortes no retrato do dia-a-dia urbano, como Catete, Fim de semana (na qual retratam um encontro de rappers cariocas na Lapa) e outras. Neste sábado, sobem ao palco da festa de hip-hop carioca Luv, no Espaço Acústica. O cara que apareceu dividindo um hit com o paizão quando era pouco mais do que um criança bateu um papo com o LABORATÓRIO POP e falou sobre sua banda e sobre a relação com o pai.

LABORATÓRIO POP: De onde veio a galera que toca com você no Start?

Stephan Peixoto: O Shock e o Faruk já tinham a dupla deles antes de eu entrar na banda. Eles faziam umas jams. Conheci o Shock nas batalhas que tinham na Lapa, através de amigos em comum. E comecei a fazer uns beats no computador, de hobby mesmo. Eles disseram que a gente podia fazer algo juntos e, quando vi, já estava todos os dias com eles. Os moleques começaram a botar pilha para eu escrever umas paradas e, já que estava fazendo quase tudo com eles mesmo, começamos a trabalhar juntos. Nessa, vimos: "bom, agora a gente tem uma banda". O Will, que é DJ do meu pai, recomendou o Alves, que é de São Paulo e já estava começando a aprender um monte de coisas com ele, com o KL Jay. Daí resolvemos chamá-lo, já que ele estava começando e nós também. Isso foi lá por 2007.

Loadeando, que você gravou com seu pai, começa com "o jogo começou, aperta o start/na vida você ganha, você perde, meu filho, faz parte". Difícil não ver no nome da sua banda alguma referência…

Tem, tem sim. Na real, o nome surgiu de um estalo, o Shock que deu o nome. A gente estava lá em casa, já tinha até algumas músicas, mas não tinha o nome da banda ainda. A gente, por estar sempre ali jogando videogame, conversando, fazendo uns raps, ele falou: "então porque é que a gente não coloca Start?". Demorou, vamos colocar!

Você curte ainda tanto videogame quanto diz na letra de Loadeando ("se o assunto é Playstation/tudo bem é contigo")?

Sempre que eu tenho tempo eu jogo, mas hoje não tenho o tempo que eu tinha quando era mais moleque. Mas gosto pra c...

O rap de São Paulo se refere muito aos bairros dos quais vêm os rappers e vocês também têm um pouco disso. Uma das músicas de vocês se chama Catete

Eu só não morei no Catete seis meses na minha vida, quando fui morar em Maria da Graça. Nasci ali e fiquei a minha vida inteira, ainda moro com minha mãe, tenho todos os meus amigos ali. É aquela coisa do rap, de você representar o seu bairro e eu carrego isso. Em SP, tem muito aquela coisa de Zona Norte e Zona Sul, que é em outra escala…

Você nasceu em uma família pobre, que foi prosperando à medida que seu pai foi ficando famoso. Como você viu esse progresso todo que sua família teve e como ficava o Stephan criança e adolescente em meio a isso?

Eu tive uma oportunidade de crescer, mas foi bom ter entendido o outro lado, para poder ter consciência das outras coisas e não deixar nada subir à cabeça. Teve uma época que eu sei que foi difícil pra c…, mas nunca foi nada triste. Nunca rolou de ninguém ficar reclamando, dizendo "ah, que merda de vida". Até porque minha família sempre foi muito unida. Nem tenho muita lembrança dessa época, até porque… sei lá, eu ando pela mesma rua. Só que hoje tenho facilidade para pagar as contas e colocar comida no prato. No mais, continuo a mesma pessoa. Minhas lembranças são de soltar pipa no Flamengo, no Aterro, andar por ali de skate…

Quais são as lembranças que você tem da prisão do teu pai, em 1997?

Foi complicado porque eu estava fazendo aniversário e ele me ligou para dar os parabéns (da prisão). Foi estranho no dia. Mas na época, ele estava viajando pra c…, não tínhamos tantos encontros. A gente conversou na época, eu entendo o lado dele, foi tudo na normalidade. Sempre foi um negócio muito tranqüilo, de ele e minha mãe virem falar comigo, mas é meu pai, claro que fico do lado dele. Meu pai é um ídolo para mim. Além de ter o lado de família, ele ainda teve um êxito foda numa parada que eu gosto. Então tem essas duas imagens, de ele como pai e como artista.

Seu pai, numa entrevista na época do Planet Hemp, disse: "Se meu moleque fumar maconha, entra na porrada!" Essa cena já aconteceu?

Não, nada, que isso! Não briga nada, ele é tranqüilo quanto a isso. Se ele falou, falou brincando. É raro meu pai brigar comigo. Também nunca dei motivo, mas ele sempre dá umas idéias maneiras.

terça-feira, 14 de maio de 2013

WILSON SIMONINHA

Domingo saiu matéria minha com Wilson Simoninha no O Dia. Ele está lançando disco novo, Alta fidelidade (S de Samba/Som Livre). Seu som está mais carioca do que nunca - e cita inconscientemente o pai Wilson Simonal em Meninas do Leblon (Simonal tinha uma música chamada As menininhas do Leblon, que saiu só num compacto e no LP México 70). Leia aí (clique duas vezes na imagem para ampliar).



domingo, 12 de maio de 2013

GUILHERME ARANTES

No comecinho de abril, falei com Guilherme Arantes sobre seu novo disco, Condição humana, para O Dia. Foi um papinho curto, mas que mostrou um pouco como é o álbum, algumas das participações, etc. O som realmente lembra o de alguns discos dele dos anos 70 - como o primeiro, homônimo, de 1976, e o A cara e a coragem, de 1978. Ele tá vindo aí fazer um show no Rio, vale conferir.

Aliás, quem andou falando com ele por esses dias foi o amigo Carlos Eduardo Lima, em matéria publicada no site
Monkey Buzz..



COM AMIGOS NO CORAL, GUILHERME ARANTES LANÇA SEU 26º DISCO
Publicado no jornal O Dia em 9 de abril de 2013


Faça você mesmo. Um lema punk, mas que define a carreira de um dos maiores ícones da música pop brasileira. Guilherme Arantes solta seu 26º álbum, Condição humana, abraçando a independência (o lançamento é de seu selo Coaxo do Sapo) e tendo como ícone atual um grande nome da rebeldia roqueira.

“Meu ídolo hoje é o Neil Young. Queria ser como ele!”, afirma o cantor de músicas idealistas como Amanhã e A cara e a coragem, cuja carreira sempre foi marcada pela autossuficiência. “Nunca tive parceiro habitual. Sempre me comparam com Elton John, mas ele tem o Bernie Taupin. Até me assusto com tudo o que fiz sozinho”, diz ele que, defendendo seu trabalho com unhas e dentes, teve uma saída tumultuada de sua primeira gravadora, a Som Livre, ainda nos anos 70. “Fui para a Warner, o André Midani (presidente) me adorava. Hoje, faria diferente. Depois fiz vários trabalhos para a Som Livre para zerar meu karma com eles”.

No álbum, Guilherme cercou-se de nomes como Marcelo Jeneci, Kassin, Tulipa Ruiz, Adriano Cintra e Edgard Scandurra no coral “bem George Harrison” de Onde estava você. Disco pronto, continua a troca de figurinhas: um de seus mais recentes interlocutores é o furioso rapper Mano Brown, dos Racionais MCs.

“O Brown me adora. Ele sempre diz que eu queria ser popular, que ia para programa de auditório. Vejo nele uma esgrima com a língua que é maravilhosa”, diz o músico, que levou seu piano para uma gravação da dupla Uni Duni Chocolate, produção de Brown com o soulman Hyldon. “Quero fazer mais coisas com eles”.

Em julho, Guilherme chega aos 60 anos, sem grilos com a idade. Um mês antes, no dia 7, traz o show de Condição humana para o Vivo Rio. “Quanto mais velho, mais os jovens gostam. Vê só essas bandas como o ZZ Top. A molecada adora”.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

E AÍ, D2?

Fui a São Paulo bater um papo rápido com Marcelo D2 sobre seu novo disco, Nada pode me parar. Ele montou lá uma loja temática para vencer CDs, isqueiros, camisetas, bonés, fones, tudo personalizado com o nome dele. A loja vai viajar com ele para todos os lugares para onde a turnê do disco for - até mesmo para Nova York, onde o Planet Hemp toca.

Segue aqui a matéria que saiu esta semana no jornal O Dia, trazendo a conversa com ele. Assim que tiver um tempinho, vou transcrever todo o papo e colocar aqui. Clique na imagem duas vezes para ampliar.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

PONTO DE EQUILÍBRIO

Neste sábado, 11 de maio, tem show para a galera do reggae em Niterói: Natiruts, Cidade Negra e Ponto de Equilíbrio. Beleza, isso aqui não é agenda cultural, mas para marcar a data, segue aí um papinho que bati com Hélio Bentes, vocalista do PdE, quando eles foram fazer um show na Fundação Progresso em 2010, para marcar o lançamento do disco Dia após dia lutando. Saiu no Laboratório Pop.




BABILÔNIA, ADEUS
Ponto de Equilíbrio volta à independência, encara os desafios e põe fé rastafári em disco e músicas
Publicado originalmente no Laboratório Pop em 08/09/2010


Ser rastafari no Brasil não é das tarefas mais fáceis. A erva sagrada da religião é a maconha - e não é lá muito tranquilo convencer o guarda da esquina de que o uso da planta faz parte de um ritual. O plantio em casa, uma das bandeiras de quem luta pela descriminação da erva, também atrai olhares tortos. A banda de reggae carioca Ponto De Equilíbrio, que abraça a religião jamaicana seguida por Bob Marley - e a divulga nas letras de seu terceiro disco, Dia após dia lutando, que lança neste sábado (11) na Fundição Progresso, no Rio - segue em frente. Problemas como o enfrentado recentemente pelo baixista do grupo Pedro Caetano - confundido com traficante por plantar maconha para consumo próprio em casa, e preso - e a pouca compreensão, por parte das rádios, de sua sonoridade e sua temática roots são enfrentados com luta diária e muito trabalho. Algo que o nome do novo disco já deixa claro.

"O rastafari chegou em nossa junto com o reggae. Um não existe sem o outro. A marcação do reggae existe a batida do coração nayambing (som fetal, do coração materno). Ela é batida ancestral, tocada pelos rastas em cerimônias religiosas", diz o vocalista Helio Bentes, que, ao lado de Pedro, Andre Sampaio (guitarra), Marcio Sampaio (guitarra), Tiago Caetano (teclados), Lucas Kastrup (bateria) e Marcelo Campos (percussão), canta a filosofia em canções comoMúsica de Jah Odisseia na Babilônia. "É delicado falar disso, até porque o rastafari significa muito. É muita coisa. Mas basta dizer que somos rastas e que rastafari é uma ordem do bem sobre o mal. A melodia que está dentro de nossa música é rasta".

Além das músicas já citadas, Dia após dia lutando, flagra o grupo abraçando em faixas como Novo dia, Calor e Hipócritas, além das já citadas, a mesma temática revolucionária que marcou grande parte da obra de artistas como Bob Marley e Peter Tosh, só para ficar nos mais famosos. Para ajudar no clima, contam com convidados como Marcelo D2 (em Malandragem às avessas), Jorge Du Peixe, da Nação Zumbi (em Reggae de terreiro) e com dois nomes grandes do reggae jamaicano, Don Carlos (em Stay alive) e o grupo vocal The Congos (em Novo dia). Já em Santa Kaya, abordam dos usos medicinais, culturais e cerimoniais da maconha. Não falam abertamente do problema enfrentado pelo baixista na canção, mas o assunto vem logo à mente. 

"Pedro ficou encarcerado 15 dias, injustamente, como traficante. Depois foi mudado para usuário, mas acabou tudo bem. A gente já tinha passado por problemas como esse. Somos uma banda que se posiciona contra o sistema capitalista. Mas a luta continua e estamos aí para falar sobre isso", lembra Bentes, carregando nas referências à religião. "Os rastas têm muito respeito pela planta, por ela colher energia da terra. Ela inclusive é chamada de ganja. O sistema tenta oprimir a gente de toda forma, mas se tivermos que bater de frente, vamos bater. Somos protegidos pela força do Deus altíssimo".

Dia após dia lutando marca a volta da banda para o meio independente, através do selo próprio Kilimanjaro.  Abre a janela, o anterior, foi gravado às próprias custas, com produção de Chico Neves, e acabou nas mãos da Warner. "Chegamos a assinar um contrato, mas não deu muito certo. Gravadora tem aquele negócio de pegar várias bandas e botar no mesmo padrão. Não dispensamos parcerias, mas somos diferentes". Inspirado ao extremo no som original jamaicano, o PdeE não dispensa letras sem refrão e músicas que podem passar dos seis minutos - num formato bem diferente do rádio atual. "Temos que fazer radio edit para algumas músicas. Mas nossa música não é muito aceita em rádio. Toca mais em programas específicos. Acaba sendo como Racionais MCs, uma banda conhecida pra caramba, mas que você não ouve em rádio. Até porque fala da realidade".

Com o disco nas lojas, é hora de pensar no show, que ainda vai ter participações de nomes como o DJ Marcelinho da Lua e o trio InNatura (dos ex-Natiruts Izabella, Bruno e Kiko) na abertura. Nem mesmo o som vacilante da Fundição Progresso assusta os rapazes do grupo, chegados a longos dubs e a namoros com os tons graves, como convém a uma banda de reggae. "A gente sempre tira o melhor", diz o vocalista.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

VINIL NO RIO DE JANEIRO

Ontem, domingo, saiu no jornal O Dia uma matéria minha sobre o cenário dos discos de vinil no Rio - já que ontem teve uma feira de discos de vinil no Instituto Bennett, no Flamengo. A feira já acabou (dã), mas a busca dos fãs de LPs e compactos pelos vinis no Rio continua. Daí resolvi postar as imagens dos pdfs do texto aqui. Clique duas vezes nas fotos para ler.



Tem entrevistas com devotos do vinil, um guia de lojas para correr atrás de álbuns, uma pequena lista de discos raros (alguns com preços assustadores) e muita informação. Vale citar (não está na matéria) que o Mauricio Gouveia, da loja Baratos da Ribeiro, pretende que essa feira de ontem seja mesmo a última nesse formato. Pode ser que ela vá para um lugar maior, passe a ter shows, enfim, muita coisa diferente. Leia, curta e compartilhe. Fotos de Maíra Coelho e Paulo Araújo.






domingo, 5 de maio de 2013

COCKSUCKER BLUES


O filme que o saudoso crítico musical Ezequiel Neves costumava chamar de "um ancestral da Bruxa de Blair" não saiu em DVD até hoje - e provavelmente nem vai sair. Mas pode ser assistido a qualquer hora no YouTube. Cocksucker blues, filme que mostra os bastidores da turnê de 1972 dos Rolling Stones pelos Estados Unidos - que divulgava o álbum duplo Exile on Main Street - e traz cenas reais de uso de drogas, gente desmaiando nos bastidores e baixaria com as groupies, está sem cortes no portal, num único arquivo. 


Dirigido por Robert Frank e produzido por Marshall Chess - então presidente da Rolling Stones records, gravadora da banda - o filme carrega no hedonismo e na inconsequência que rondavam as turnês da banda na época. Em algumas cenas, groupies aparecem em ação com o grupo no tour bus e até mesmo Mick Jagger é visto cheirando cocaína nos bastidores. 







Confira o filme aí do lado. Apesar de o grupo ter permitido que se filmasse tudo o que acontecia fora do palco - com câmera tremida e muito amadorismo, daí a compração nada bizarra de Ezequiel - a desistência foi geral e Cocksucker blues está proibido. Por um decisão judicial, o filme pode ser exibido apenas se o diretor Frank estiver presente na sessão (!) - o que não deve acontecer tão cedo. O filme já chegou a ser postado outras vezes, sempre dividido em várias partes.



(Notinha publicada originalmente no portal Laboratório Pop)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

K-POP, ESSA ONDA VAI TE PEGAR

Fofura pouca é bobagem. Se a Coreia do Norte está em pé de guerra, a Coreia do Sul bombardeia o mundo com uma onda de novos artistas, com danças criativas, visuais coloridos e refrãos grudentos. Música e apelo visual, unidos, geram o K-pop (korean pop, ou pop coreano). E se seu filho(a) ou irmã(o) ainda não embarcou na onda do K-pop, prepare-se. Além dos hits Gangnam style e Gentleman, do Psy, que você já conhece, tem mais. São bandas como a numerosa (nove caras!) boy band sul-coreana Super Junior, que tocou recentemente no Credicard Hall, em São Paulo - em data que contou com uma boa leva de fãs cariocas. 


Bati um papo com alguns desses fãs para uma matéria sobre o pop sul-coreano, que saiu há alguns domingos no jornal O Dia, aonde orgulhosamente trabalho. Confere aí. É só clicar nas fotos (uma vez para elas abrirem e mais uma vez para elas aumentarem) ou ler abaixo. Aqui está o link original.
MÚSICA POP DA COREIA DO SUL DOMINA O MUNDO E VIRA MANIA NO RIO
Publicada em O Dia em 20 de abril de 2013
Fofura pouca é bobagem. Se a Coreia do Norte está em pé de guerra, a Coreia do Sul bombardeia o mundo com uma onda de novos artistas, com danças criativas, visuais coloridos e refrões grudentos. Música e apelo visual, unidos, geram o K-pop (korean pop, ou pop coreano). E se seu filho(a) ou irmã(o) ainda não embarcou na onda do K-pop, prepare-se. Além dos hits Gangnam style e Gentleman, do Psy, que você já conhece, tem mais. São bandas como a numerosa (nove caras!) boy band sul-coreana Super Junior, que toca hoje no Credicard Hall, em São Paulo. E que já vai receber uma boa leva de fãs cariocas que conheceram suas músicas pela internet.

Uma turma bem animada já partiu da Tijuca: a cantora Nathalia Breschnik, a Nanah, 15 anos, está contando os minutos para assistir logo à banda com as amigas Carina Moura, 15, e Natália Duarte, 17. O amigo João Pedro Reis, 16, não vai poder ir dessa vez, mas está na torcida para aparecerem mais shows. “Conheci esse tipo de som num blog que postou Gee, do Girls’ Generation (uma girl band de K-pop) e fiquei fã das danças e das músicas”, diz Nanah.

Para ela e para os outros E.L.Fs brasileiros (abreviatura de ‘everlasting friends’ — amigos para sempre —, como os fãs do Super Junior tratam-se uns aos outros), vai ser uma rara chance de ver a banda com o vocalista Yesung, que vai servir o exército sul-coreano. “Ele é meu bias!”, afirma. Opa, bias? Como assim? “Isso, bias é quem você mais admira do grupo”, explica. Leeteuk, também do Super Junior, por exemplo, já está na caserna e não vem para o Brasil.

FEBRE NA INTERNET Nanah faz parte da dupla pop Nanah & Massa (com o amigo compositor Daniel Massa), que pôs recentemente na web o clipe da música Mapa do seu coração. Fã do universo de animes e mangás, ela já está aprendendo japonês, quer fazer aulas de coreano e vive descobrindo grupos novos. Ama Super Junior, mas a paixão do momento é a boy band Shinee.

“Se o show fosse deles, eu ia estar num estado de choque tão grande que nem iria conseguir me mover na plateia!”, brinca ela, que já teve com a xará Natália um grupo cover de K-pop, Won6s. As garotas se apresentavam em eventos de animes, onde muitos fãs do gênero se encontram. Quem não pôde ir até São Paulo ver o show, por sinal, já tem programa para hoje. Das 11h às 19h rola encontro Anime Wings no Instituto Metodista Bennett (Rua Marquês de Abrantes, 55, Flamengo).

Além de ‘Gentleman’, a polêmica música de Psy (veja coordenada), e de toda uma batelada de grupos novos, a atual onda dos fãs de K-pop é a Gwiyomi song, canção do animado cantor Hari, cuja performance é cheia de gestos fofos. ‘Gwiyomi’ significa gracinha, fofura em coreano. Os fãs da música jogam o ‘Gwiyomi Player’, jogo em que a pessoa faz alguma uma gracinha, uma dança, uma careta. “Os internautas criam vídeos e postam na internet com suas próprias performances”, diz Victor H. da Silva, redator do portal K-pop Brasil. “Além de conquistar os ouvidos, o segredo é executar uma performance com muito estilo ao som da música”, ensina Victor.

Fãs do gênero coreano que honram suas calças coloridas decoram as coreografias, aprendem as músicas seja lá em que língua forem cantadas (o Super Junior canta em inglês, coreano e chinês) e ainda gastam uma graninha com pôsteres, CDs, DVDs, bonecos (alguns guardados com todo o carinho do mundo e nunca retirados da caixa) e outros apetrechos. Entre as lojas virtuais mais conhecidas estão as brasileiras Dream High e Mise Asiamore Brasil. Tem também a To February, loja americana especializada em moda e memorabília K-pop.

“A gente compra também no eBay. Os CDs vêm com surpresas, pôsteres!”, alegra-se Carina. O ator Renan Cuisse, o Jonas Palilo da novela Carrossel (SBT), é outro que adora a onda k-pop. “Gosto muito da coreografia de Gangnam style e das músicas coreanas. Adoraria conhecer o Psy um dia!”, afirma Jonas.

ELES QUEREM O SEU CARINHO Vida de astro do K-pop não é fácil. Comendo pelas beiradas, o estilo já dá prosseguimento ao seu plano de dominação mundial — é só conferir a febre de Gangnam style. Pelo comando da máquina de hits sul-coreana, brigam três empresas de entretenimento, cujos nomes são siglas: JYP, SM e YG — esta, o gigante por trás do sucesso de Psy. Para atender à demanda, crianças e adolescentes passam por treinamentos que incluem aulas de inglês, dança, assessoria de mídia e um estilo de vida igual ao das modelos iniciantes, com milhares de trainees do pop vivendo em repúblicas, à espera do estrelato. Para a organização de turnês fora do país, os grupos ganham o auxílio de consulados e embaixadas.

Além do Super Junior e do nomão Psy, tem mais nomes dividindo a atenção dos jovens sul-coreanos e arranhando as portas do mercado internacional. Uma das mais promissoras é o Shinee, uma boy band que divide-se entre shows, discos e filmes. O formato girl group também é bastante comum, ainda mais numa cultura de entretenimento tão cercada de fofura. Belas e estilosas meninas sul-coreanas estão em grupos como Girls’ Generation, Wonder Girls e o 2NE1. Tem também uma cantora de nome curioso, BoA, que começou a carreira ao mesmo tempo que Psy, na década passada, e já gravou em coreano, inglês e japonês.

K-POP MUITO ENGRAÇADINHO Se Psy fosse carioca, com certeza teríamos o Barra style ou o Leblon style. Isso porque Gangnam style, seu primeiro hit, refere-se ao distrito de Gangnam, região nobre da capital da Coreia do Sul, Seul. Se o clipe divertia os fãs com a animada ‘dança do cavalo’, Gentleman, o novo vídeo — que já teve mais de cem mil visualizações — não fica atrás em matéria de molecagem. 

Psy é visto fazendo uma coreografia sensual-engraçada e agindo de forma completamente diferente do que se esperaria de um ‘cavalheiro’ (o título da música, em português): se lambuza com macarrão num jantar a dois, arranca biquínis de belas moças coreanas, finge puxar a cadeira para sua namorada se sentar e a derruba no chão. Deu problema: a cadeia de televisão pública sul-coreana NBS proibiu a exibição de Gentleman, alegando que é um mau exemplo para os jovens. Quem quis conferir os passinhos do clipe ao vivo, no entanto, viu: em uma apresentação pública em Seul, no começo do mês, o cantor ensinou a coreografia do hit para cerca de 50 mil pessoas.


Não é a primeira encrenca da vida de Psy. Bem antes de virar herói nacional e astro pop mundial, ele participou de shows de protesto contra os Estados Unidos. Por causa de um grave incidente ocorrido em junho de 2002 — um veículo militar dos EUA atropelou duas meninas sul-coreanas de 14 anos — ele destruiu um protótipo de tanque de guerra americano no palco. Dois anos depois, ao lado de outros artistas, entoou o hino de protesto Dear America, de cuja letra a alegria manteve distância: ‘Mate aqueles Yankees que torturam prisioneiros iraquianos/mate vagarosa e dolorosamente’. “Ele já se desculpou e disse se arrepender pelas duras palavras que utilizou na música, que poderiam ser entendidas como uma intimidação”, diz Victor, do portal KPopBrasil. 





quinta-feira, 2 de maio de 2013

O BONDE DO PAUL

Não olha pro lado: quem tá passando é o Paul. O ex-beatle tá vindo aí para mais uma pequena bateria de shows, começando neste sábado (4) por Belo Horizonte e prosseguindo para Goiânia (6 de maio) e Fortaleza (9 de maio). E, você já sabe, rolou uma boataria fortíssima a respeito de influências de "baile funk" no próximo álbum do cantor, por intermédio de seu produtor Mark Ronson. O produtor disse que o ex-beatle apareceu com um som "pós-Bonde do Rolê" (e com canções de Usher também) e pediu: "como eu consigo uma energia dessas?".

Se Paul virou fã de funk ou não, pouco importa: interessa é a diversão de saber como isso repercutiu em meio a nomes como Mr. Catra, Valesca Popozuda, Mulher Melão, Sany Pitbull e outros. Fui bater um papo com eles para
O Dia e descobri que Catra está fazendo uma versão de Yellow submarine. E que Valesca quer levar o cantor para subir o Complexo do Alemão. Curte aí (para não usar lupa, clica nas fotos).

























O amigo Ricardo Alexandre, autor de livros como Dias de luta, citou essa matéria em texto publicado no blog dele. Confere .

TOMBAMENTO DO EDIFÍCIO A NOITE

Um mês de trabalho no jornal O Dia. Fiz essa matéria sobre o tombamento do histórico edifício A Noite logo na minha primeira semana lá, no dia 6 de abril.



O BRASIL OCUPA 22 ANDARES
Edifício A Noite é tombado e Rádio Nacional planeja museu na volta ao prédio histórico


Uma parte preciosa da identidade brasileira paira, silenciosamente, nos 22 andares do edifício A Noite, na Praça Mauá. Construído em 1929 na região portuária do Rio, o prédio abrigou até outubro de 2012 as instalações da mitológica Rádio Nacional, lugar onde conviveram artistas como Ari Barroso e Francisco Alves e radialistas como César de Alencar. Seu tombamento, ocorrido por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abre possibilidades para que a memória cultural do país não se perca, graças a um projeto de museu vinculado à história da emissora.

“Queremos que o prédio tenha uma função mais nobre do que a simples utilização dos andares”, afirma Eduardo Castro, diretor-geral da Empresa Brasileira de Comunicação, gestora da Nacional. No elenco da rádio, ainda permanecem nomes veteranos como Daisy Lúcidi e Gerdal dos Santos. “Temos muita história aqui, inclusive os acetatos da final da Copa de 1950. Com o museu da rádio, o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã, a região da Praça Mauá se torna a joia da coroa do Rio”, diz Castro.

Não há data certa para que as reformas se iniciem e os transmissores deixem o prédio da TV Brasil, na Avenida Gomes Freire, Lapa — onde estão provisoriamente instalados — e retornem ao A Noite. Estão na pauta a impermeabilização do edifício e sua adequação às atuais normas de segurança — algo imprescindível para programas de auditório como o infantil Rádio Maluca e o musical Época de Ouro.

“O tombamento é um prêmio, já que torna mais fácil atrair recursos para reformas no edifício”, alegra-se Cristiano Menezes, gerente da Rádio Nacional do Rio. Ele recorda que a rádio era transmitida para todo o país. “Hermeto Pascoal, Caetano Veloso e Tom Jobim a ouviam quando jovens. Foi a emissora que mostrou a sanfona de Luiz Gonzaga para o Brasil”.

NA MEMÓRIA DO RÁDIO E DA ARQUITETURA O nome do edifício vem do jornal A Noite, cuja redação funcionava no prédio. E lá também abrigaram-se sedes de empresas multinacionais e agências de notícias. Atualmente, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ocupa 18 dos 22 andares do edifício. A importância arquitetônica do prédio — o primeiro arranha-céu da América Latina, construído em estilo art déco — fez com que o tombamento fosse lavrado em dois livros: o Histórico e o de Belas Artes.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

CINQUENTA MIL VISITAS - VALEU AE

Cinquenta mil pessoas já leram, pelos mais variados motivos, este blog. Obrigado pela preferência. Tem posts que eu coloquei aqui, eu sei, que ajudaram muito nisso. Um deles, recente, foi sobre a galera da MPB e do pop nacional que deu lá suas contribuições nos álbuns da "fase de ouro" da Xuxa - que faz 50 anos. O outro foi sobre as grandes pérolas do axé, reunidas por mim em 15 canções definitivas. Outro foi uma homenagem à data redonda que completa o terceiro disco do Ira!, Psicoacústica. Teve ainda uma galera que apareceu convidada e elevou a visitação do blog, como os amigos Carlos Eduardo Lima (que escreveu sobre as pérolas do AOR), Renato Vieira (autor de um belo texto sobre o Emílio Santiago pré-Aquarelas brasileiras) e Mauricio Gouveia (que homenageou o músico Kevin Ayers, morto esse ano). Boa parte desses textos foi muito consultada no Google, lida por curiosidade e, fico feliz, e muito elogiada por sua apuração.

Outros virão. O meu sonho era pagar todo mundo, mas por enquanto a gente vai contando com as amizades para levar isso adiante. Tem uma galera aí que já tá convocada agora a escrever qualquer coisa aqui: Christina Fuscaldo, Leandro Souto Maior, Cristiano Bastos. E sempre tem um assunto interessante para fazer uma lstinha, além de sobras de matéria, textos meus que andam saindo em jornais, revistas, etc. Mas a parada do momento, conforme alguns amigos meus sabem, é o livro Heróis da guitarra brasileira, que sai em breve pela editora Irmãos Vitale, e que concluo com o amigo Leandro Souto Maior.

Eu mal sabia que escrever um livro era tão complicado até começar a fazer um. Não é que nem apurar para jornal. É mais pressão, mais aporrinhação, outro tipo de concentração e outros "ãos". Logo logo falo mais disso por aqui, até porque o que mais tem nesse país é guitarrista para entrevistar - alguns deles heroicos o suficiente para merecer um livro inteiro só sobre eles, enquanto outros são heróis que mal sabem de sua própria bravura. Isso fora os soldados desconhecidos, que merecem um capítulo à parte. Ou outro projeto à parte.

Dois mil e treze, para mim, está sendo um ano tão fácil e tão difícil quanto certos outros anos já foram - às vezes um pouco mais complexo, às vezes um pouco menos do que o normal. Para a música e as artes em geral... sim, é complicado ver quanta gente boa já partiu só até agora. Outros ainda irão. Para quem fica, a lição é aproveitar cada minuto, amar como se não houvesse amanhã (uma lição que, em meio à pressão e a pequenas aporrinhações do dia,a gente esquece) e, sem perder o respeito e a ternura, a amizade, continuar brigando.

Uma coisa que tem me ajudado muito, há vários ciclos diários, é tentar contar o tempo sempre em minutos, em dias, e esquecer essa história de anos. Talvez isso ajude mais alguém a concluir aquela coisa básica, que a gente só percebe quando contabiliza o número de planos levados adiante e de frentes finalmente concluídas: o que conta mesmo é o a partir de agora. Obrigado a todos os que leem esse blog e aos que chegaram até aqui.